Superporto do Açu

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Superporto do Açu
Localização
País  Brasil
Localização São João da Barra, Rio de Janeiro
Detalhes
Inauguração 2012
Proprietário Grupo EBX
Dutos 2
Armazéns 56
Empregados 67,000
Estatísticas
Carga anual de toneladas 12,000,000
Website [1]

O Superporto do Açu, ou simplesmente Porto do Açu, foi um empreendimento logístico da empresa LLX Logística S.A., através de suas subsidiárias, LLX Porto do Açu Ltda. (LLX Açu) e LLX Minas-Rio Logística Ltda. (LLX Minas Rio). Fazia parte de um projeto maior do grupo EBX, controlado pelo ex-bilionário Eike Batista.


Localização[editar | editar código-fonte]

O Superporto do Açu está localizado no município de São João da Barra, norte do Estado do Rio de Janeiro, mais especificamente no distrito de Açu.[1] Sua localização é estratégica para a indústria do petróleo, por ser próximo às bacias de Campos e do Espírito Santo, podendo ser utilizado de base também a operação da Bacia de Santos.


O porto foi concebido com o objetivo de funcionar como centro logístico de exportação e importação para as regiões Centro-Oeste e Sudeste do Brasil, uma vez que fica próximo aos grandes centros do Brasil, tendo a possibilidade de escoar produtos pela costa do país através de serviços de cabotagem.

Características[editar | editar código-fonte]

Trata-se do maior investimento em infraestrutura portuária das Américas.[1] Lançado por Eike Batista e pela governadora Rosinha Garotinho no final de 2006, sua construção teve início em outubro de 2007 e sua operação está prevista para ter início no primeiro semestre de 2012. Com retroárea de 90 km², que representa aproximadamente 20% de todo o território do município de São João da Barra, equivalente à cidade de Vitória (ES), o Porto servirá de indutor do desenvolvimento da região, já que atrai uma série de indústrias pelas facilidades logísticas e pelas sinergias entre os empreendimentos previstos.[2]

Seus canais de navegação possuirão 21 metros de profundidade, com previsão de ampliação para 26 metros, permitindo a atracação dos Chinamax, maiores navios de carga do mundo. Contará com 10 berços para atracação de navios dos mais variados tipos (graneleiros, petroleiros, embarcações de apoio etc.) podendo chegar a ter 30 berços no futuro.

A ponte de acesso tem 2,9 km de extensão e foi montada sobre 662 estacas fincadas no fundo do mar, estacas estas que, se fossem enfileiradas, somariam a distância de 38 mil metros. Tem 27,5 metros de largura, permitindo a circulação de caminhões pesados. Além disso, terá instaladas poderosas esteiras para transporte de minérios.[3]

Com o objetivo de proteger os navios atracados no porto, o quebra-mar terá 2 230 metros de extensão, sendo 1 300 ao norte e 930 a oeste. O volume de rochas necessárias a sua construção equivalem ao do Morro do Pão de Açúcar. O lançamento das pedras é feito por barcaças que são carregadas em um píer provisório, construído ao lado da ponte principal. A finalização da estrutura será feita com 21 400 peças de concreto (core-loc) com 10 toneladas cada. Estas peças são encaixados umas às outras, formando um grande quebra-cabeças no fundo do mar que oferecerá proteção ao núcleo do quebra-mar. Cada peça possui um chip e é instalada no quebra-mar com auxílio de GPS. As peças são produzidas no próprio canteiro, ao ritmo de 60 unidades por dia.[4]

Capacidade de Escoamento[editar | editar código-fonte]

Minério de Ferro Petróleo Siderúrgicos Carvão Escória
100 Mtpa 70 milhões de m³/ano 30 Mtpa 12,6 Mtpa 2,0 Mtpa

Obs: Mtpa = milhões de toneladas por ano

O porto terá capacidade para outros produtos, tais como ferro-gusa e granito.

Sua capacidade total de carga transportada será de 300 milhões de toneladas por ano.[1]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Desde o início, o empreendimento foi idealizado prevendo a integração com a mina de minério de ferro do grupo MMX localizada no município de Alvorada de Minas, em Minas Gerais, com capacidade de produção estimada em 26,5 milhões de toneladas ao ano de finos de pelotização e um mineroduto, de 525 km de extensão, a ser utilizado para transportar polpa de minério de ferro até o terminal portuário. O Sistema Minas-Rio irá viabilizar um eficiente corredor de exportação das regiões Centro-Oeste/Sudeste. No entanto, tanto mineroduto quanto planta de beneficiamento foram vendidas por Eike Batista por US$ 5,5 bilhões para a Anglo American, em um negócio que ainda envolvia ativos da MMX Amapá (projeto de mina integrada a ferrovia e porto) e MMX Corumbá.

Também será construído um corredor logístico de 48 km de extensão e 400 m de largura, ligando o superporto à cidade de Campos dos Goytacazes. O corredor possuirá 4 faixas rodoviárias, 2 linhas ferroviárias e áreas para linhas de transmissão, dutos de água, de gás e de telecomunicações. O corredor terá capacidade para receber até 100 mil veículos por dia; em sua plena utilização terá uma vez e meia o volume de tráfego da Ponte Rio-Niterói.[5]

Uma linha de transmissão de 51 km de extensão e 345 kV de voltagem permitirá que as usinas da MPX forneceçam energia à matriz energética brasileira através do Sistema Interligado Nacional (SIN).[6] O investimento para a implantação da estrutura, que possuirá 129 torres, é de aproximadamente R$ 75 milhões.

Empreendimentos junto ao Porto[editar | editar código-fonte]

O Superporto do Açu foi idealizado segundo o conceito de porto-indústria, desenvolvendo diversos empreendimentos em paralelo ao porto propriamente dito, firmando-se como um eficiente elo do comércio internacional. Os empreendimentos incluem diversas outras empresas do grupo EBX, destacando-se um estaleiro da OSX, duas usinas termelétricas da MPX, base operacional da OGX (empresa de exploração de petróleo e gás natural). Os empreendimentos confirmados estão na tabela abaixo.

Empresa Empreendimento Investimento Status
LLX-Açu Infra-estrutura Portuária US$ 700 mi Obras em andamento
LLX-Açu Unidade de Tratamento de Petróleo (UTP) US$ 1,4 bi Licença de instalação concedida
Anglo American Terminal de Minério US$ 900 mi Obras em andamento
Wisco Siderúrgica US$ 5 bi Aguardando licença prévia
Ternium Siderúrgica US$ 15 bi Projeto de engenharia
OSX Estaleiro US$ 1,7 bi Licença prévia concedida[7]
MPX MPX Açu I US$ 4,1 bi Licença de instalação concedida
MPX MPX Açu II R$ 4 bi Licença ambiental prévia concedida
Votorantim Cimenteira nd nd
Camargo Correia Cimenteira nd nd

Se todas as negociações anunciadas se confirmarem serão investidos de maneira direta, através de agentes públicos e principalmente privados, aproximadamente US$40 bi na região, alterando radicalmente o perfil demográfico, social e principalmente econômico do Norte Fluminense. Espera-se que no auge da fase operacional sejam gerados 50 mil empregos diretos na área do porto.[8] No intuito de atrair mais empresas para o Complexo do Açú, a Prefeitura de São João da Barra promulgou Lei Municipal, contemplado o Complexo Portuário do Açu com a condição de Distrito Industrial. As empresas que ali se instalarem ainda contarão com incentivos fiscais relativos ao ICMS do norte fluminense.

Além destas, mais de 66 empresas já assinaram memorandos com a LLX demonstrando interesse em se instalar no complexo industrial ou movimentar cargas no porto. Existe também a previsão de instalação de empresas do setor metal-mecânico, de cerâmicas, automotivo e construção civil. A empresa automotiva Nissan enviou recentemente representantes para visitar o complexo.[9] [10] [11] [12] [13]

Estaleiro[editar | editar código-fonte]

A OSX, braço de navegação do grupo EBX desistiu de instalar seu estaleiro de US$ 1,7 bilhão em Biguaçu, em Santa Catarina, devido às dificuldades em realizar seu licenciamento ambiental, optando pela instalação de mais um empreendimento de grande porte no condomínio industrial do complexo do Açu. De fato o estaleiro será o maior das Américas.

A companhia listou uma série de vantagens para esta decisão. Os principais fatores foram a possibilidade de expansão do cais de 2400 m para até 3525 m, calado e porte do empreendimento, sinergias logísticas com outros empreendimentos do porto, presença de siderúrgicas que poderão fornecer o aço necessário aos novos navios, geração de energia elétrica no local e a presença do pólo metal mecânico, sem mencionar a localização privilegiada em relação às províncias petrolíferas do Brasil. Foi destacado também um impacto positivo da instalação do estaleiro que é a macro dragagem dos rios da região o que diminuirá a possibilidade de enchentes nas cidades próximas.[carece de fontes?]

Existe a previsão de que sejam produzidas ou convertidas unidades produtivas do tipo FPSO (Floating Production Storage and Offloading) e outras do tipo WHP (Jaquetas fixas).

A LLX recebeu autorização da Marinha do Brasil[14] para construir um canal onshore de 7 quilômetros de cais que terá 20 berços de atracação, atendendo a uma área de 8 milhões de metros quadrados, para a construção e manutenção de navios.


Usinas Termelétricas[editar | editar código-fonte]

A MPX, braço de geração de energia do grupo EBX, planeja a construção de duas usinas termelétricas para atender a demanda do complexo. Os investimentos totais são da ordem de R$ 8,5 bi. São elas:

  • MPX Açu I: terá como matriz energética o carvão. Contará com 3 módulos de geração de 700 MW cada, totalizando 2100 MW. A usina MPX Açu I já possui licença de instalação definitiva.
  • MPX Açu II: será baseada em gás natural, produzido a poucos quilômetros do local, na Bacia de Campos. Possuirá 5 módulos de 660 MW cada, totalizando uma produção de 3300 MW. Contará com tecnologia de aproveitamento do ar quente para geração de vapor que irá alimentar outros geradores, aumentando ainda mais a eficiência da usina. A termelétrica MPX Açu II já foi objeto de audiências públicas realizadas em outubro de 2010 em São João da Barra e em Campos dos Goytacazes e já obteve o licenciamento prévio dos órgãos ambientais do Estado do Rio de Janeiro.

Somadas, as duas usinas terão capacidade de despacho equivalente à oferta de energia firme da Usina de Itaipu (que tem capacidade nominal de 14.000 MW) e dobrarão a capacidade de geração do estado do Rio de Janeiro, já considerando a conclusão das obras de Angra III.

Cidade X[editar | editar código-fonte]

Projetada pelo arquiteto paranaense Jaime Lerner a pedido de Eike Batista, será construída no norte do estado do Rio de Janeiro uma cidade que deverá acolher as mais de 50 mil pessoas que deverão ser atraídas pelo empreendimento. Ainda sem um definição exata de localização, a Cidade X, como vem sendo chamada, será erguida no município de São João da Barra, pela empresa REX, braço imobiliário do grupo EBX. A expectativa é que a cidade abrigue até 250 mil pessoas. A nova cidade deverá aliviar a pressão imobiliária que sofrerão São João da Barra, que hoje, tem apenas 30 mil habitantes, e também Campos dos Goytacazes, que é o maior centro nas proximidades do empreendimento.

A prefeitura de São João da Barra discorda do movimento pela criação da Cidade X,[15] pelo menos neste formato de condomínio fechado e descolado da sede do município.

Referências

  1. a b c LLX. Superporto do Açu. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  2. IG Economia. Conheça a Eikelândia, a obra mais arrojada de Eike Batista. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  3. Revista Grandes Construções. Avançam as obras da estrutura que mudará o conceito de operação portuária no Brasil. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  4. EBX. LLX inicia construção do quebra-mar no Superporto do Açu. Página visitada em 5 de fevereiro de 2011.
  5. Complexo do Açu. EBX faz proposta para construir corredor logístico entre Campos e SJB. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  6. Dig Now. MPX apresenta projeto de linha de transmissão para usina do Superporto do Açu. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  7. Porto do Açu. UCN Açu da OSX recebe licença prévia. Página visitada em 3 de Março de 2011.
  8. Dilma na Rede. Números menos otimistas de aumento de emprego e população com o Complexo do Açu. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  9. Complexo do Açu. Ventos fortes de R$ 4 Bilhões ajudam a impulsionar o desenvolvimento da Região de Campos. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  10. Portal G1. Techint quer aplicar US$ 15 bi em siderúrgica no Porto do Açu,diz Eike. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  11. Jornal Extra. LLX, de Eike, negocia unidade de tratamento de petróleo no Porto do Açu por US$ 1,4 bi. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  12. Jornal Extra. Sai licença ambiental para pátio logístico do Porto do Açu. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  13. Jornal O Globo. OSX, de Eike, decide construir estaleiro de US$ 1,7 bi no Porto do Açu. Página visitada em 5 de Fevereiro de 2011.
  14. Folha de São Paulo. Empresas de Eike recebem autorização da Marinha para construir canal. Página visitada em 21 de Fevereiro de 2011.
  15. IG Economia. Conheça a Eikelândia, a obra mais arrojada de Eike Batista. Página visitada em 21 de Fevereiro de 2011.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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|grupo1 = Empresas |lista1 = AUX (Ouro)CCX (Carvão mineral)IMX (Esportes)MMX (Minério de ferro)NRX Newrest (Catering)OGX (Hidrocarbonetos)OSX (Indústria naval)REX(Imobiliária)SIX (Tecnologia)

|grupo2 = Empreendimentos |lista2 = Associação Desportiva RJXHotel GlóriaMarina da GlóriaMDXMPX TauáMr. LamPink FleetPorto de PeruíbeSuperporto do Açu

|grupo3 = Antigas empresas |lista3 = JPX (automóveis) (A JPX foi Extinta)LLX (Logística)MPX (Energia elétrica) (Sucessor de LLX é Prumo e do MPX é Eneva)