Porto de Cabedelo

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
NoFonti.svg
Este artigo ou se(c)ção cita fontes confiáveis e independentes, mas que não cobrem todo o conteúdo (desde março de 2014). Por favor, adicione mais referências e insira-as corretamente no texto ou no rodapé. Material sem fontes poderá ser removido.
Encontre fontes: Google (notícias, livros e acadêmico)
Porto de Cabedelo
Localização
País  Brasil
Localização Cabedelo  Paraíba
Coordenadas 6° 58′ S 34° 50′ W
Detalhes
Inauguração 23 de janeiro de 1935
Operado por Companhia das Docas do Estado da Paraíba (Docas-PB)
Proprietário Governo brasileiro
Tipo de porto Marítimo
Área 18.500 m²
Armazéns 7

O Porto de Cabedelo é um porto situado na margem direita do estuário do rio Paraíba do Norte, em frente à Ilha da Restinga, na parte noroeste da cidade brasileira de Cabedelo, Paraíba, próximo ao Forte de Santa Catarina. Com uma área de influência que abrange os estados da Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte, tem a administração exercida atualmente pela Companhia das Docas do Estado da Paraíba (Docas-PB), empresa pertencente ao Governo do Estado.

A área organizada do porto é constituída pelas instalações portuárias terrestres existentes na margem direita do rio Paraíba, desde a raiz do molhe de proteção na foz desse rio, prolongando-se até a extremidade do cais comercial, junto ao «Trapiche da Baleia», abrangendo todos os cais, rampas ro-ro, docas, pontes, píeres de atracação e de acostagem, armazéns, pátios, edificações em geral, vias internas de circulação rodoviária e ferroviária e ainda os terrenos ao longo dessas faixas marginais e em suas adjacências, pertencentes à União, incorporados ou não ao patrimônio do Porto de Cabedelo, ou sob sua guarda e responsabilidade.

Também pela infra-estrutura de proteção e acessos aquaviários, compreendendo áreas de fundeio, bacias de evolução, canal de acesso e áreas adjacentes a esse até as margens das instalações terrestres do porto organizado, conforme definido anteriormente, existentes ou que venham a ser construídas e mantidas pela administração do porto ou por outro órgão do poder público.

Em 2002, o porto movimentou, no cais público, 930.264 toneladas de cargas, das quais 476.685t foram granéis sólidos, 404.062t granéis líquidos e 49.517t foi de carga geral.

História[editar | editar código-fonte]

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Em 1858, o inspetor da alfândega da Paraíba, Sr. José da Costa Machado Jr., emitiu um parecer sobre o Porto do Capim em que já mostrava preocupação com o declínio do comércio marítimo da capital paraibana em virtude do assoreamento deste.[1] No parecer, ele mostrava a necessidade da construção de um porto na foz do Rio Paraíba, em Cabedelo:

«A rapidez com que vai entupindo-se o porto e mais estreito tornando-se o canal nos augura mui triste futuro. (...) Em virtude da obstrução do porto e dos fatais efeitos do comércio indireto, a navegação e o movimento comercial estrangeiro na cidade da Parahyba decrescem a olhos vistos. Até 1825 construíam-se iates e querenavam-se navios neste porto da cidade, no excelente ancoradouro natural que oferecia o rio Sanhauá, confluente do Paraíba, a montante do local onde posteriormente construiu-se o célebre enrocamento vulgarmente denominado Ponte de Sanhauá.»[1]

Em 1867, o influente engenheiro militar brasileiro André Rebouças publicou nos então «Diarios Officiaes» uma série de matérias sobre a necessidade de criação de um porto em Cabedelo.[1] As matérias, que exaltavam a posição econômica da Paraíba no cenário nacional, mostravam ainda os benefícios que a criação das docas de Cabedelo representaria à regiâo. Em um de seus artigos ele escreve:

«Primeiro do que tudo, cumpre estabelecer um fato: colocar a Província da Paraíba do Norte em sua verdadeira posição, demonstrando que sob o ponto de vista comercial ela ocupa atualmente o nono lugar entre todas as províncias do Império. E ainda mais, pelo seu comércio de exportação, competir-lhe-ia o sexto lugar, só tendo por superiores as províncias de Rio de Janeiro, Pernambuco, Bahia e Rio Grande do Sul.»[1]

Construção[editar | editar código-fonte]

A iniciativa da construção de um porto na enseada de Cabedelo ocorreu na época do Segundo Reinado. Entretanto, o projeto só foi aprovado em 9 de junho de 1905, pelo Decreto-Lei nº 7.022.

O início da obra se deu em agosto de 1908, sendo concluídos 178m de cais e um armazém, em 16 de dezembro de 1917. Depois de longa paralisação, as obras foram retomadas na primeira metade do ano de 1932, como resultado de um compromisso assumido, em 1930, pelo governo federal com o governo da Paraíba, que reivindicava a execução de instalações adequadas às exportações do algodão produzido na região de Campina Grande.

A inauguração se deu em 23 de janeiro de 1935, com o governo estadual explorando-o de 7 de julho de 1931 até 28 de dezembro de 1978, quando a administração portuária foi transferida para a Empresa de Portos do Brasil S.A. (Portobras), criada pela 1975. Extinta essa empresa em 1990, a administração passou para a União.

Mediante o Convênio de Descentralização de Serviços Portuários nº 004/90, SNT/DNTA, celebrado em 19 de novembro de 1990, e por força do Decreto nº 99.475, de 24 de agosto de 1990, a administração do porto passou a ser exercida pela Companhia Docas do Rio Grande do Norte, por intermédio da Administração do Porto de Cabedelo. Em 4 de fevereiro de 1998 foi feito um novo convênio de delegação entre a União (Ministério dos Transportes) e o estado da Paraíba, passando o porto a ser administrado pela Docas-PB]].

Acessos[editar | editar código-fonte]

  • Marítimo

A barra, na entrada do estuário do rio Paraíba do Norte, tem largura de 200 m e profundidade de 9,14 m.

O canal de acesso possui extensão total de 5,5 km, largura mínima de 120 m e profundidade de 9,14 m. Em meados de 2011 a profundidade está prevista para 11 metros com o término dos serviços de dragagem.

  • Ferroviário

O porto é servido pela Companhia Ferroviária do Nordeste (CFN), malha Nordeste.

  • Rodoviário

Pela rodovia federal BR-230, integrada à BR-101, as quais permitem a ligação com toda a malha rodoviária federal do país.

Tais rodovias cruzam a periferia de João Pessoa, cidade que dista do porto apenas 18 km.

  • Fluvial

Através do rio Paraíba do Norte, apresentando condições de navegabilidade para embarcações com calado máximo de 6 m. Somente trafegam pequenas embarcações a montante do porto, não influindo no volume das cargas movimentadas.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

Portuária[editar | editar código-fonte]

O cais acostável, com 602 m de extensão, é dividido em três trechos, com as seguintes denominações: «Envolvimento», com três berços, «Aplicação», com dois berços e «Fechamento», com um berço.

O porto possui também uma rampa para atracação de navios roll-on-roll-off. As profundidades no local variam de 6 m a 9 m. O porto dispõe de sete armazéns, sendo quatro para carga geral, num total de 9.000 m², três para granéis sólidos, com área somando 6.000 m², e um frigorífico, desativado, com 2.000 m² para 1.500 t. Os pátios de estocagem são nove, sendo dois cobertos, compondo 1.310 m² e destinados a carga geral, e os outros sete, a céu aberto, para minério, carvão e contêineres, totalizando 18.500 m².

Na área portuária também existem instalações do setor privado, compreendendo dois silos de propriedade da Refinações de Milho Brasil (RMB), que recebem milho, com uma capacidade total de 5.000nt, e 50 tanques, pertencentes a diversas empresas distribuidoras de álcool e derivados de petróleo, totalizando 61.612 t de capacidade. As empresas são: Esso Brasileira de Petróleo S.A., Petrobras Distribuidora S.A., Norte Gás Butano Ltda., IAT – Companhia de Comércio Exterior, Companhia de Óleos Vegetais do Brasil (Convebras), Terminais de Armazenagem de Cabedelo Ltda. (Tecab).

O porto conta ainda com dois “redlers” de 150t/h; duas empilhadeiras de 3,5t; uma empilhadeira de 7,0t; um trator de 100 HPs, uma balança rodoviária de 60t; duas caçambas (“grabs”) automáticas de 1,6m3 e 2,0m3; dois guindastes de pórtico elétrico de 6,3 t.

Geral[editar | editar código-fonte]

  • Energia elétrica

Treze tomadas ao longo do cais, com corrente 380 V/60 Hz, 60 tomadas de corrente de 440 V/60 Hz, destinadas ao uso de contêineres frigoríficos.

  • Água

Rede com 28 hidrantes distribuídos na área portuária, sendo 12 no cais, facilitando o acesso em caso de emergência.

  • Oficinas

Mecânica e carpintaria, para pequenos reparos.

  • Comunicações

Tomadas telefônicas ao longo do cais, interligadas ao SNT.

  • Linhas férreas

Com comprimento de 2.620,00 m, bitola 1,00 m.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c d Manoel da Cunha Galvão. Melhoramento dos portos do Brazil. [S.l.]: Typographia Perseverança, 1869. 211 pp.