Torcida organizada

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Torcida organizada do Sport Club Corinthians Paulista durante jogo no estádio do Pacaembu.

Torcida organizada ou torcida uniformizada é o nome da associação de torcedores de um determinado clube esportivo no Brasil.

História[editar | editar código-fonte]

Torcida organizada do São Paulo Futebol Clube durante jogo no estádio do Morumbi.

Gênese[editar | editar código-fonte]

Torcida organizada é a denominação dada a uma associação de torcedores de um determinado clube esportivo no Brasil. A maioria das torcidas brasileiras são uniformizadas, ou seja, seus membros usam roupas com a marca da própria torcida . No Brasil, o precursor das torcidas organizadas foi o São Paulo Futebol Clube. Criada em 1939 na Mooca pelo cardeal são-paulino Manoel Raymundo Paes de Almeida com o nome de Grêmio São-Paulino, a TUSP — Torcida Uniformizada do São Paulo — foi a primeira torcida uniformizada do Brasil. A torcida era conhecida por ser muito muiito entusiasmada e por fazer comemorações por conta própria com serpentinas e confetes. Ela esteve presente, por exemplo, na Inauguração do Estádio do Pacaembu em 1940. No Sport Club Internacional, Vicente Rao, em 1940 criou a primeira torcida organizada do Rio Grande do Sul, hoje, Camisa 12. Contudo, as torcidas organizadas no modelo que temos hoje são mais recentes. Datam do final de 1960, sendo que, no Rio de Janeiro, a mais antiga é a Torcida Jovem Fla, do Flamengo, nascida em 1967 (talvez a mais antiga do país), e em São Paulo, a mais antiga é a Torcida Jovem Amor Maior, da Ponte Preta, de Campinas, SP, que é de março de 1969[1] . Normalmente, as associações dos torcedores organizados adotam um mascote próprio e é a partir daí que ele irá desenvolver diversos produtos com a marca da torcida. Alguns dos clubes esportivos repassam ingressos às suas respectivas torcidas uniformizadas, para que acompanhe os eventos e façam o uso dos ingressos para conseguir lucratividade, isto é, vendem as entradas para outros torcedores com um preço maior. Durante os jogos, as torcidas organizadas utilizam diversos tipos de materiais, entre eles; bandeiras de grande porte, bandeirões, faixas com o nome da torcida e fogos de artifício. Dentro das torcidas organizadas há uma estrutura de hierarquia, os cargos mais importantes são: presidente, vice-presidente e tesoureiro. Na maioria das vezes esses cargos são remunerados, são pagos com a renda obtida das mensalidades pagas pelos membros e pela venda de produtos ligados à torcida. Essas torcidas criam gritos de guerra e músicas para exaltarem seus clubes e implicarem a torcida adversária. No Brasil, a partir dos anos 90, vários livros explicam melhor o funcionamento das torcidas organizadas. Entre eles podem ser destacados: "Torcidas Organizadas de Futebol", de Luiz H. Toledo (Campinas: Autores Associados/Anpocs, 1996); "Torcidas Organizadas de Futebol: violência e autoafirmação.Aspectos das novas relações sociais", de Carlos A. M. Pimenta (Taubaté: Unitau, 1997); "Torcer, lutar ao inimigo massacrar: Raça Rubro Negra", de Rodrigo de Araujo Monteiro (Rio de Janeiro: FGV, 2003), e "Torcida Fúria Independente: reflexões e histórias acerca da maior organizada de interior no centenário do Guarani Futebol Clube", de Vanderlei de Lima (São Paulo: Ixtlan, 2011).

Torcida organizada do Flamengo durante jogo no estádio do Maracanã.

Símbolos[editar | editar código-fonte]

As associações de torcedores organizados usualmente adotam para si um mascote próprio. A partir dele, será feito a divulgação e comercialização de toda uma série de produtos envolvendo a marca da torcida.

Além disso, é comum o uso de símbolos e gestos corporais designados como oficiais dos movimentos. Normalmente, são feitos gestos com as mãos e com os braços, formando cruzes, triângulos, x, entre outras figuras mais.

Carnaval[editar | editar código-fonte]

As organizadas vem participando dos desfiles das escolas de samba, sendo São Paulo a que mais tem escolas de samba de torcedores organizados, tais como:Mancha Verde, Gaviões da Fiel, Dragões da Real, Torcida Jovem do Santos, entre outras. ainda se tem em Belo Horizonte, a Galoucura. e no maior carnaval Brasileiro, teve-se na decada de 90, a Nação Rubro-Negra. voltando a ter mais uma de organizada, dessa vez o Império Rubro-Negro.

Financiamento[editar | editar código-fonte]

Alguns grupos de torcida organizada usualmente recebem ingressos dos diretores do clubes de futebol para acompanhar os eventos. É comum que parte dessas entradas sejam revendidas para outros torcedores, seja por preço menor ou maior, neste caso buscando lucro.

Torcida organizada do Clube Atlético Mineiro durante jogo no estádio do Mineirão.

Materiais[editar | editar código-fonte]

Dentre os materiais utilizados pelas torcidas organizadas durante as festas do jogos estão as bandeiras de grande porte (4x4 metros), bandeirões (que recobrem todo o setor das arquibancadas do estádio), fogos de artifício e faixas com o nome da torcida. Muitas das bandeiras contém algum símbolo ou frase relacionada oficialmente à torcida.

Todos os materiais utilizados são de posse da própria torcida organizada, não podendo, com poucas exceções, haver participação individuais dos torcedores comuns. A confecção destes materiais é feita através da renda adquirida através da venda dos produtos oficiais e das mensalidades pagas pelos membros da torcida.

Vale lembrar que as bandeiras de mastro e os fogos de artifício estão proibidos, em São Paulo, pela lei estadual 9.470/1996, depois que as torcidas Mancha Verde e TUP, do Palmeiras, e Independente e Dragões da Real, do São Paulo, brigaram no Pacaembú, em 20 de agosto de 1995. As autoridades entendem que tanto os fogos quanto os mastros de bandeiras são usados pelos torcedores como arma contra os rivais. Sobre os fogos não há grande discussão. Muitos aceitam como perigosos, mas há discordâncias a respeito das bandeiras de mastro ("bambus") que, segundo alguns, deveriam voltar, pois não foi com o mastro de bandeira que o membro da Mancha Verde matou o integrante da Independente, em 1995. Isso é o que pensa, por exemplo, o [jornalista Flávio Gomes][[1]]. Proibido também estão os fogoes de artifício no Brasil todo pelo artigo 13-A do Estatuto de Defesa do Torcedor (EDT).

Hierarquia[editar | editar código-fonte]

Torcida organizada do Santos durante jogo no estádio do Pacaembu.

O que caracteriza a organização da torcida é sua estrutura. Toda torcida organizada possui presidente, vice-presidente, tesoureiro, entre outros cargos mais. Muitas vezes, estes cargos são remunerados, sendo pagos pelos membros oficiais do movimento devidamente registrados que pagam mensalidades. Têm valor também em uma torcida organizada os chamados "linhas de frente", homens fortes e dispostos a lutar contra os rivais quando for preciso. Eles formam uma espécie de batalhão defensor da torcida. Têm mais valor os linhas que brigam "na mão" (trocação) do que aqueles que usam armas de qualquer tipo fora os braços e as pernas. É comum que esses homens da linha de uma TO saibam alguma arte marcial, especialmente muay thai e, no Rio de Janeiro mais especialmente, dominem também jiu jitsu. Várias torcidas dispõem de academias próprias ou de convênios com outras academias a fim de treinarem seus membros, embora alguns desses linhas digam que nada vale saber lutar se não tiver disposição para enfrentar os rivais.

Cantos e músicas[editar | editar código-fonte]

Torcida Organizada do Coritiba Foot Ball Club durante jogo no Couto Pereira.

As torcidas organizadas são famosas por cantar durante os eventos esportivos gritos de guerra. Estes gritos enfatizam a própria torcida, o clube, o nome dos desportistas e também os adversários. É frequente o uso de palavrões durante os cantos, especialmente quando se refere aos rivais, os quais também são vítimas de provocações e chacotas. Às vezes também são utilizados gritos políticos ou de protesto. Os cantos que apoiam o Clube são legítimos, mas as letras violentas e agressivas, cantadas por boa parte das torcidas organizadas, estão proibidas pelo Estatuto de Defesa do Torcedor (EDT) em seu artigo 13-A, inciso V, que assim reza: "não entoar cânticos racistas, discriminatórios ou xenófobos". Caso a torcida insista nas letras de teor violento ou ameaçador, pode ser colocada para fora do estádio pela polícia, além de poder sofrer outras medidas penais e cíveis (cf. TOBAR; CAPPATTI e LIMA in "O Protagonismo das Torcidas Organizadas na promoção da Paz", Amparo: Ed. do Autor, 2012, p. 39-43).

Torcida Organizada do Ceará Sporting Club durante jogo no Estádio Castelão.

Violências[editar | editar código-fonte]

Muitas torcidas organizadas envolvem-se em atos de violência. A polícia local envolve-se para evitar os confrontos. Várias medidas são criadas para que haja o enfraquecimento dos conflitos. É frequente também a participação de meliantes envolvidos com o tráfico de drogas nas periferias das grandes cidades dentro das organizadas. Tem-se tornado comum também, da parte das autoridades civis e militares ou de estudiosos,reuniões ou manuais para ajudarem as próprias torcidas organizadas a trabalharem pela paz em seus meios, embora boa parte delas pareça pouco se interessar pelo assunto. Dentre os trabalhos pelo bem das torcidas organizadas devem ser destacados os do então promotor de Justiça Paulo Sérgio de Castilho que organizou o 1º Seminário Nacional de TOs, em São Paulo, entre os dias 4 e 5 de julho de 2009, e que continuam sendo realizados no país, bem como a atuação da Toppaz (Torcida Organizada Pela Paz), que atua desde 2011 no Brasil e cujo fundador, professor Vanderlei de Lima, publicou, junto com Felipe B. Tobar, especialista em Direito Desportivo, e Hermenegildo Cappatti, especialista em Direito Civil e Penal, o livro "O protagonismo das torcidas organizadas na promoção da paz:ações preventivas e eficazes nos estádios e suas adjacências, segundo a legislação e o bom senso" (2012, 110p.).

Torcida organizada do Santa Cruz Futebol Clube durante jogo no Estádio do Arruda.

Torcidas Organizadas de Cada Clube[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Referências

  1. LIMA, Vanderlei de. Torcidas Organizadas em Amparo: o caminho da paz é possível? São Paulo: Ixtlan, 2011, p. 41.