Turuçu

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Município de Turuçu
"Capital Nacional da Pimenta Vermelha"
Bandeira desconhecida
Brasão de Turuçu
Bandeira desconhecida Brasão
Hino
Aniversário 22 de outubro
Fundação 22 de outubro de 1997 (17 anos)
Gentílico turuçuense
Prefeito(a) Ivan Eduardo Scherdien (DEM)
(2009–2012)
Localização
Localização de Turuçu
Localização de Turuçu no Rio Grande do Sul
Turuçu está localizado em: Brasil
Turuçu
Localização de Turuçu no Brasil
31° 25' 19" S 52° 10' 40" O31° 25' 19" S 52° 10' 40" O
Unidade federativa  Rio Grande do Sul
Mesorregião Sudeste Rio-grandense IBGE/2008[1]
Microrregião Pelotas IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Pelotas, São Lourenço do Sul
Distância até a capital 178 km
Características geográficas
Área 254,933 km² [2]
População 3 522 hab. Censo IBGE/2010[3]
Densidade 13,82 hab./km²
Altitude 30 m
Clima Subtropical Cfa
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,759 alto PNUD/2000[4]
PIB R$ 42 467,204 mil IBGE/2008[5]
PIB per capita R$ 10 680,89 IBGE/2008[5]
Página oficial

Turuçu é um município brasileiro do estado do Rio Grande do Sul, localizado na metade sul deste. Conta atualmente com uma população de 3522 habitantes.

História[editar | editar código-fonte]

Podemos dividir a história de Turuçu em dois períodos, pré 1900 e pós 1900. Não há muitos dados relativos ao primeiro período devido a escassa documentação e, mesmo ao início do segundo período recorre-se às memórias dos habitantes mais idosos; com relação aos fatos e acontecimentos das últimas décadas são mais fáceis de comprovar documentalmente.

Pré 1900[editar | editar código-fonte]

Comprova-se que nas terras do atual município houve presença indígena no passado, pois foram encontrados por alguns colonos pedaços de cerâmicas, pedras para acender fogo, machadinhas e pontas de flechas. Os principais povos indígenas do Rio Grande do Sul eram os guaranis, pampeanos e gês. Os poucos objetos encontrados é devido a estes povos serem seminômades, não se fixando à terra, o que permitiria maiores depósitos de materiais. No livro de Ester J. B. Gutierrez (Negros, Charqueadas e Olarias), há referências de que a região do município, bem como os nomes arroio Grande e arroio Corrientes, já eram conhecidos em 1758. Por um curto período (1783-1788) as terras do atual município foram destinadas à Estância da Real Feitoria do Linho Cânhamo.

Pós 1900[editar | editar código-fonte]

Até 3 de maio de 1982, data da criação do município de Capão do Leão, que era o 4° distrito de Pelotas, a Vila Arthur Lange fazia parte integrante do 6° distrito, Santa Silvana; a partir deste momento a Vila Arthur Lange passou a ser o 4° distrito, abrangendo a área atual do município mais partes da colônia Santa Silvana e Cerrito Alegre, estendendo-se até o arroio Contagem.

Por muitos anos foi conhecida simplesmente por Vila Arthur Lange ou Vila Lange e, dentre os principais motivos para a emancipação estão: o crescimento populacional, impulso da economia local e grande distância do município de Pelotas, localizada aproximadamente a 30 quilômetros do pequeno município. O plebiscito de 22 de outubro de 1995 deu votação favorável a emancipação política do distrito.

Geografia[editar | editar código-fonte]

O município estende-se entre os 30°22'45" e 31º35'40" de latitude sul e, de 52º00' a 52º17'10" de longitude oeste. Tomando a Prefeitura como ponto de referência para a cidade, este situa-se na latitude de 31º25'07" sul e a uma longitude de 52º10'28" oeste. Limita-se a sul e oeste com o município de Pelotas, ao norte com São Lourenço do Sul e a leste com a Lagoa dos Patos. A sede é cortada pela BR-116, uma das principais rotas de acesso do norte ao sul do estado e do Brasil ao Uruguai e Argentina. Sua população estimada em 2004 era de 3.889 habitantes, esta sofreu um decréscimo em virtude do fechamento da Empresa Arthur Lange, à população economicamente ativa viu-se obrigada a migrar para cidades mais promissoras.

Relevo[editar | editar código-fonte]

O relevo do município varia entre plano e moderadamente ondulado. A área entre a Lagoa dos Patos e a BR-116 caracteriza-se por ser uma região plana, apresentando leves ondulações, as coxilhas; a oeste da BR-116 o terreno passa de plano a moderadamente ondulado, indicando uma transição gradual em direção a Serra dos Tapes porção sul da Serras de Sudeste. A sede municipal está a aproximadamente 30 metros acima do nível do mar e o ponto culminante do município localiza-se na colônia Picada Flor, com altitude estimada em cerca de 193 metros, deste ponto é possível avistar Turuçu e a cidade de Pelotas.

Hidrografia[editar | editar código-fonte]

É um município que faz parte da bacia hidrográfica do rio Camaquã, seus principais cursos de água são o arroio Turuçu e o arroio Corrientes. O arroio Turuçu tem sua nascente próximo a cidade de Canguçu, deste provêm a água distribuída a população urbana pelo sistema de abastecimento, as águas deste são procuradas pelos habitantes no verão para banhos de rio. O arroio Corrientes caracteriza-se pelo rápido crescimento de suas águas em caso de chuvas, já ocorrendo das águas passarem sobre a ponte. No município há vários córregos e arroios de pequeno porte; além disso, há grandes barragens para a cultura orizícola. Turuçu também é banhado pelas águas da Lagoa dos Patos.

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima característico é o subtropical úmido ou temperado, representado pela Classificação climática de Köppen-Geiger como Cfa. As chuvas são bem distribuídas durante o ano, sendo a precipitação anual média de aproximadamente 1.400 mm. Os ventos predominantes são de nordeste e sudoeste, mais intensos de agosto a janeiro. A temperatura média anual é de 17,7 °C; os invernos são frescos, com ocorrências de geadas e nevoeiros. As temperaturas mínimas ficam próximas de 0 °C. Os verões são tépidos, com temperaturas máximas ocasionalmente próximas dos 40 °C.

Rodovias e estradas[editar | editar código-fonte]

O município é cortado de norte a sul pela BR 116, atravessando sua área urbana, este é o acesso mais rápido para pessoas oriundas das cidades de Pelotas e São Lourenço do Sul. O interior possui uma extensa rede de estradas de terra, possibilitando a interligação das diversas regiões do município e ligando Turuçu ao município de Arroio do Padre e ao interior dos municípios de Pelotas e São Lourenço do Sul. Na área urbana está em andamento o processo de pavimentação das ruas.

Distância das principais cidades [6] [editar | editar código-fonte]

Divisão do município[editar | editar código-fonte]

O município de Turuçu encontra-se dividido, basicamente, em duas unidades distintas, mas, interdependentes, a zona urbana e a zona rural. A vila Fetter, por ser um núcleo de pequenas dimensões e situar-se na área rural, inclui-se entre as subdivisões da zona rural.

Zona urbana[editar | editar código-fonte]

A área urbana abrange uma faixa com cerca de cinco quilômetros de extensão ao longo da BR-116, tendo uma largura aproximada de um quilômetro; caracteriza-se por ser relativamente plana, com aclives pouco acentuados. A rede de abastecimento de água, bem como, o processo de pavimentação das ruas são melhorias advindas com a emancipação. Atualmente encontram-se em processo de regularização os terrenos urbanos, que em sua maioria foram ocupados na forma de posse. De diversas etnias, oriundos dos municípios vizinhos e até de mais longe, as pessoas vieram para a Vila Arthur Lange (atual Turuçu) em busca de emprego no curtume que nas décadas de 60 a 80 estava em franco desenvolvimento. Assim, o processo inicial de ocupação do local fez com que a cidade evoluísse para uma forma alongada, ocupando as margens da antiga estrada estadual e próximo a empresa; atualmente algumas parcelas tomam formas mais semelhantes a quadras é o caso da área no entorno do ginásio e do loteamento Neldo Ramm.

Zona rural[editar | editar código-fonte]

  • Sub-divisões: Colônias: Azevedo, São Domingos, Picada Flor, Picada Palmeira, Feitoria, São João, São José, Santa Clara, Santana, Corrientes e Vila Fetter

Também comumente chamado de colônia. A presença de pessoas na área rural é anterior a presença na área urbana, possivelmente datando do final do século XIX e início do século XX. Em sua maioria são descendentes de imigrantes que se assentaram na região. Ainda pode ser ouvido em conversas o uso de dialetos e línguas estrangeiras. A zona rural apresenta uma quantidade significativa de propriedades com áreas inferiores a cinco hectares, explorados pela mão-de-obra familiar. As áreas mais planas são ocupadas por grandes propriedades e conforme a declividade do terreno se acentua estas diminuem de tamanho. Partindo da Lagoa dos Patos em diração ao interior, as propriedades decrescem, bem como ocorre a mudança de culturas, passamos do arroz, soja e pecuária de corte, para o fumo, pecuária leiteira e milho e, depois, fruticultura, fumo, cultivos e criações que ocupam pequenas dimensões.

Economia[editar | editar código-fonte]

Turuçu é, em âmbito nacional, reconhecida como a "Capital nacional da pimenta vermelha", levando-se em consideração o expressivo número de produtores desta iguaria que havia concentrados nesta região a alguns anos atrás. Hoje o número de produtores de pimenta se restringe a pouco mais de 20. Turuçu também já contou com o Curtume Arthur Lange, tradicionalmente responsável pela maior parte dos rendimentos de operários e trabalhadores assalariados da zona central. Atualmente, o curtume encontra-se fechado e com várias dívidas com fornecedores e antigos empregados. Hoje no local do antigo curtume encontra-se a prefeitura municipal, junto com suas secretarias, exceto as secretarias municipais de agricultura, obras, urbanismo e trânsito e a secretaria municipal de saúde, saneamento, meio ambiente e assistência social. chegou também em Turuçu a indústria cafeeira do café 35, além de uma cervejaria. Hoje a principal produção alimentícia é o morango, ou "eiaber" como se diz em pomerano, o produto é responsável por grande parte da fonte de renda municipal, segundo a APM ( Associação dos Produtores de Morango). O município poderá ter um futuro promissor, faz-se necessário investimentos públicos e privados que se aproveitem de sua localização, infraestrutura existente, a proximidade com os países platinos e a facilidade de acesso ao porto de Rio Grande.

Setor primário[editar | editar código-fonte]

O setor agropecuário responde por grande parte dos impostos municipais. As culturas do arroz, milho, soja e tabaco são as mais expressivas. Infelizmente, o tabaco vem ocupando cada vez mais o espaço destinado as culturas alimentícias, uma vez que estas não apresentam grande valorização no mercado. Também são expressivos os criatórios de bovinos de corte e de leite e, a avicultura de corte. Na área do extrativismo ocorre a exploração das madeiras de acácia, eucalipto e pinus.

Setor secundário[editar | editar código-fonte]

Neste setor destacam-se as agroindústrias[7] que surgiram após a emancipação política. Estas unidades são de produção familiar, produzindo os mais variados produtos que a imaginação e a tradição permitem criar, na verdade o que ocorreu foi a adaptação da produção para a família para o mercado. Há, também, na área urbana uma barraca de couros, duas empresas que investem na confecção de artigos em couro e uma agroindústria de médio porte.

Setor terciário[editar | editar código-fonte]

No setor terciário destacam-se os estabelecimentos comerciais, em sua maioria geridos pelo proprietário e sua família. Ressalta-se a qualidade do atendimento nos locais. Como nem todas mercadorias são ofertadas nos estabelecimentos do município, as pessoas recorrem as cidades vizinhas.

Cultura[editar | editar código-fonte]

Destacam-se na cultura do município as festas promovidas tanto pela prefeitura como pelas comunidades religiosas e por particulares. Uma característica marcante de todos municípios gaúchos, também se faz presente em Turuçu, o chimarrão, visível o ano todo nas casas e ruas. Em reconhecimento a comunidade negra, há pouco tempo institui-se uma comunidade quilombola em Turuçu, esta recebeu o nome de Quilombo da Mutuca[8] e fica na colônia São José.

Festas populares[editar | editar código-fonte]

O município é também conhecido por promover duas festas anuais em comemoração ao cultivo de morango e pimenta. Trata-se da OktoberFemorango e Festa da pimenta, realizadas em outubro e abril, respectivamente. A tradição iniciou-se logo após a conquista da autonomia municipal do local, em meados dos anos 90, e desde então vem sendo realizada com grande repercussão na mídia local, ano após ano. Antecedendo estes eventos há os bailes de escolha das soberanas das festas. Outras festas que atraem a atenção são as festas das comunidades religiosas, são festividades pela passagem de seus aniversários. Nesses eventos ocorrem diversas atividades, como tiro ao alvo, torneios de pife e schafskopf (jogo de cartas alemão), pescaria, além do baile e das apresentações de corais. E, como não poderia deixar de ser, o povo turuçuense mantêm suas tradições e é apegado as suas raízes, a Semana Farroupilha de Turuçu é festejada e bastante concorrida. Ocorrendo diariamente comemorações em virtude da data. Ao longo do ano ocorrem gineteadas e torneios de laço, mostrando que a convivência entre o moderno e o tradicional é possível.

Turismo[editar | editar código-fonte]

Na área do turismo e patrimônio histórico, cabe destaque para a sede da prefeitura, localizada às margens da BR-116; para a Comunidade Evangélica de Confissão Luterana Bom Pastor e para a Igreja São José Operário; ao belo orquidário pertencente a srª Diva Lange, nora do fundador da empresa, Arthur Lange, com várias espécies de orquídeas e diversas outras de flores; o prédio mais antigo da escola Dr. Urbano Garcia que ainda está em uso. O desenvolvimento futuro do turismo no município, pode se dar com a exploração do turismo rural e a viabilidade de acesso a Lagoa dos Patos, que no momento depende da boa vontade dos proprietários em cujas terras é necessário passar.

Política[editar | editar código-fonte]

A diversidade de partidos é uma característica do atual modelo político brasileiro, o mesmo reflete-se em Turuçu, onde temos representantes e filiados aos seguintes partidos políticos: DEM, PMDB, PP, PSDB, PT e PTB. Porém há uma prevalência do DEM e PMDB.

Administração[editar | editar código-fonte]

  • Executivo
  • Legislativo
    • Ilvo Stark Beiersdorf (DEM);
    • Breno Stark (PTB);
    • Dalvo Burchardt (PMDB);
    • Fábio Doleski Krause (PTB);
    • João Francisco Carvalho (PSDB);
    • Gilberto Rutz (DEM);
    • Silvio Luiz Halfen (PP) (Presidente da câmara) [2011];
    • Vacilvio dos Santos (PMDB), e;
    • Werena Lubke Lubke (PP).

Curiosidades e fatos marcantes[editar | editar código-fonte]

  1. Edmar Scherdien, também conhecido pelo apodo Chico, foi o primeiro prefeito do município;
  2. Selmira Milech Fehrenbach foi a primeira prefeita eleita;
  3. Em 28 de janeiro de 2009, Turuçu e cidades vizinhas passaram por uma das maiores chuvaradas já vistas pelos moradores, resultando em centenas de desalojados[9] .
  4. A ardência da pimenta é medida pela Escala de Scoville. A pimenta dedo-de-moça (5 a 15 mil Scoville) é fraca se comparada a Naga Jolokia (superior a 800 mil Scoville).
  5. Turuçu, em sua primeira tentativa de emancipação, quatro anos antes, submete-se ao plebescito com o nome de Vila Lange, curtume existente até hoje na cidade e principal fonte econômica, até hoje. Na ocasião o "não" foi o vencedor. Quatro anos após, em nova tentativa, o sim venceu mas o nome sugerido, então, foi Turuçu. Ou seja, a cidade poderia se chamar Vila Lange e não Turuçu.

Referências

  1. a b Divisão Territorial do Brasil Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (1 de julho de 2008). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  2. IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Visitado em 5 de dezembro de 2010.
  3. Censo Populacional 2010 Censo Populacional 2010 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) (29 de novembro de 2010). Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  4. Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil Atlas do Desenvolvimento Humano Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (2000). Visitado em 11 de outubro de 2008.
  5. a b Produto Interno Bruto dos Municípios 2004-2008 Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Visitado em 11 de dezembro de 2010.
  6. http://maps.google.com.br/maps?ct=reset Distâncias aproximadas com base no Googlemaps
  7. http://www.vidaagranel.com/cooper_turucu.php Site de comercialização de produtos orgânicos e coloniais falando sobre a COOPERTURUÇU
  8. http://www.diariopopular.com.br/site/content/noticias/detalhe.php?id=6&noticia=14057 Notícia do Diário Popular de 19 de fevereiro de 2010 com o título "Comunidades quilombolas gaúchas recebem certificados"
  9. http://www.clicrbs.com.br/pioneiro/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&action=noticias&section=Geral&id=2387334 Boletim: A situação na zona sul do Estado

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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