Ávila

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Espanha Ávila 
  Município  
Murallas de Ávila.jpg
Símbolos
Bandeira de Ávila
Bandeira
Brasão de armas de Ávila
Brasão de armas
Gentílico abulense ou avilés
Localização
Ávila está localizado em: Espanha
Ávila
Localização de Ávila na Espanha
Coordenadas 40° 39' N 4° 41' O
Comunidade autónoma Castela e Leão
Província Ávila
Alcaide Miguel Ángel García Nieto (PP)
Características geográficas
Área total 231,9 km²
População total (2019) [1] 57 744 hab.
Densidade 249 hab./km²
Altitude 1 182 m
Código postal 05001 - 05005
Sítio www.avila.es
Pix.gif Cidade Antiga de Ávila com suas Igrejas Extra-muros *
Welterbe.svg
Património Mundial da UNESCO

Ávila 24-8-2002.jpg
Muralhas de Ávila
País Flag of Spain.svg Espanha
Tipo Cultural
Critérios iii, iv
Referência 348
Região** Europa e América do Norte
Histórico de inscrição
Inscrição 1985  (9ª sessão)
* Nome como inscrito na lista do Património Mundial.
** Região, segundo a classificação pela UNESCO.

Ávila é um município espanhol, localizado na província de Ávila, na comunidade autônoma de Castela e Leão. [2]Está situada próxima do rio Adaja e é a capital de província espanhola mais alta, a 1131m acima do nível do mar. A cidade apresenta um clima mediterrâneo continental com nuances de clima de montanha.

Ávila foi fundada no século XI pelo rei Afonso VII. Seus principais destaques são a muralha que a cerca –conjunto arquitetônico do estilo românico que remonta ao período da fundação da cidade-, a catedral del Salvador e a igreja basílica de São Vicente.[3] Esses monumentos, bem como todo o centro histórico local, foram declarados Patrimônios da humanidade, em 1985, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), de acordo com os critérios III e IV de classificação.

O nome da cidade pode ter origem vetônico e acredita-se que Ptolomeu refere-se à Ávila em sua obra Geografia como Obila,no entanto, esta relação não é clara.[4]

Ávila - muralhas da cidade com rio Adaja

História[editar | editar código-fonte]

Pré-história[editar | editar código-fonte]

Verraco de Las Cogotas

No município de Ávila, próximo à localidade de Bernuy Salinero, há um monumento funerário preservado, datado no final do Período Neolítico ao início da Idade do Bronze, denominado dólmen do Prado de las Cruces.

O nome da cidade pode ter origem vetônico. Segundo o helenista do século XIX Karl Wilhelm Ludwig Muller, a cidade vetônica de Obila, descrita por Ptolomeu, poderia, hipoteticamente, corresponder à atual Ávila.[5]Todavia, de acordo com Roldán Hervás, essa relação é duvidosa[6]. A realidade é que a origem de Ávila é difusa, embora algumas pesquisas afirmem que Obila surgira na segunda metade do século 1. a.C.[7]Nesse sentido, de acordo com alguns historiadores, Obila foi um dos muitos assentamentos vetões da província, juntamente de Castros Sanchorreja, Berrueco, Mesa de Miranda, Las Cogotas, El Raso e Ulaca. Ademais, o povoamento de Obila ganharia importância com a crescente romanização do território, em detrimento de outros fortes situados em terreno montanhoso.[8] Os vetões deixaram vestígios do seu povoamento em toda a geografia da província de Ávila, dando destaque às conhecidas estátuas de pedra, genericamente denominadas como verracos.

Idade Antiga[editar | editar código-fonte]

De acordo com alguns historiadores, a atual cidade de Ávila foi uma fundação ex-novo dos romanos [9],os quais lhe deram o nome de Abila, Obila, Abyla ou Abela.[10]A cidade romana foi formada pelo atual bairro antigo – área hoje cercada por muralhas. A antiga presença romana na cidade manifesta-se por meio da ponte romana, da estrada e de vários mosaicos – vestígios daquela época que sobreviveram até hoje. A necrópole romana estava situada ao leste, para além da rua de San Segundo, fazendo, assim, com que em toda aquela parte da parede possa-se ver peças funerárias reaproveitadas como material de construção, tais como estelas, aras e capsulas cinerárias de granito, embutidos nas telas da parede oriental.[11][12]

Nos séculos I e II d.C., houve o maior esplendor da cidade sob o domínio romano.[13]Nesse sentido, na economia da cidade, houve uma grande importância da pecuária transeunte, no que diz respeito às rotas que atravessavam a Serra de Gredos pelo porto do Pico e Tornavacas. [14]No tempo do imperador Constantino, a cidade de Ávila fazia parte da província romana da Lusitânia. [15]Todavia, a cidade experimentou certo declínio a partir do século III, sendo contextualizada em meio a uma crise generalizada na Hispânia Romana como resultado das invasões dos francos e alamanos e um certo processo de abandono das cidades, a favor das villae, [16] como os exemplos próximos de El Vergel em San Pedro del Arroyo e o Muro dos Mouros em Niharra. Uma epidemia de peste começou em meados de 250-252 d.C. e dizimou a população da cidade por 20 anos.

Idade Média[editar | editar código-fonte]

-Etapa Visigoda[editar | editar código-fonte]

Ao longo do século V e início do século VI, foram feitos gradativamente — e em pequenos grupos — os primeiros assentamentos visigodos na península.[17]Nesse sentido, a importância de Ávila nesse período deveu-se ao seu caráter religioso, uma vez que teve a intervenção dos prelados de Abela nos concílios de Toledo.[18] Ademais, Ávila foi a sede episcopal durante a dominação visigótica. .[19]

-Reassentamento[editar | editar código-fonte]

Durante a reconquista, a cidade tornou-se um local estratégico, onde muçulmanos e cristãos sempre desejado como um enclave defensivo. Após essas invasões, Ávila passou por três séculos dos quais poucos acontecimentos são conhecidos. A partir do século VIII, muitas cidades do planalto e do centro da península podem ser consideradas dentro do chamado “deserto estratégico”, onde houve um forte despovoamento e que se tornou terra de ninguém. No século X, o conde Fernando Flaínez tentou repovoar a cidade, embora apenas no século XI tal repovoamento realmente tenha ocorrido — Alfonso VI de León encomendou seu genro, Raimundo de Borgoña, para reabitar e circundar as cidades de Salamanca, Ávila e Segóvia. [20]

Nessa época, surgiu uma indústria têxtil relativamente importante, mas que não conseguiu competir com os tecidos flamengos e italianos.[21]

Com o tempo, o processo de Reconquista foi mudando gradualmente para o sul, deixando Ávila em segundo plano. Apesar da perda de importância,[22]Ávila foi uma das 17 cidades da coroa de Castela, que continuou a enviar agentes às Cortes nos séculos XIV e XV, após a redução destas ao longo do século XV.[23]

Idade Moderna[editar | editar código-fonte]

Durante o reinado do Reis Católicos, na segunda metade do século XV, e durante os reinados de Carlos I e de seu filho Felipe II no século XVI, a cidade renasceu devido às idas e vindas da corte. [24]Posteriormente, Ávila prosperou e a província testemunhou o nascimento de várias personalidades religiosas, escritores e conselheiros espirituais, como Teresa de Cepeda e Ahumada — mais conhecida como Santa Teresa de Jesus—, nascidos na capital, e San Juan de la Cruz, que nasceu na cidade de Fontiveros. A partir do final do século XVI e início do século XVII, a cidade iniciou um longo declínio e despovoamento.[25]. Outros fatores influenciaram o declínio da cidade, tais como a queda acentuada da atividade têxtil.

No final do século XVIII, foi fundada em Ávila a Royal Cotton Factory, instalada, em 1788, com capital do estado pelos técnicos ingleses John Berry e Thomas Bilne.[26]. Todavia, o projeto fracassou, visto que seus tecidos de algodão não encontraram escoamento no mercado e, após notória falta de produtividade, seria transferido em 1799 para finalmente estabelecer ali uma fábrica de lã.[27]

Idade Contemporânea[editar | editar código-fonte]

A cidade de Ávila foi saqueada pelos franceses em 1809, por ordem do marechal francês Lefebvre. Nesse episódio, as tropas francesas saquearam várias igrejas na cidade, bem como casas particulares, e o matadouro da cidade foi queimado. [28]

Ao longo do século XIX, a cidade continuou com a decadência e a estagnação características dos séculos anteriores. [29]

Durante a segunda metade do século XIX, ocorreu uma lenta recuperação demográfica com a construção da ferrovia, o que fez da cidade um importante entroncamento na linha de Madrid à fronteira francesa via Irún. Em 1936, após a eclosão da Guerra Civil, a cidade, como praticamente toda Castela e Leão, passou rapidamente a fazer parte da área ocupada pelas tropas rebeldes.[30]Ademais, na cidade de Ávila, no ano 1936, existia um campo de concentração franquista.[31]

Economia[editar | editar código-fonte]

A cidade vive do comércio, serviços, do artesanato e da fabricação de doces tradicionais.

Monumentos[editar | editar código-fonte]

Museus[editar | editar código-fonte]

Museu de Belas-Artes, Cerâmica, entre outros.

Monumento Os Cuatro Postes nos arredores da cidade

Turismo[editar | editar código-fonte]

A cidade possui o Parador (Pousada) Nacional Raimundo de Borgoña, no Palácio de Benevides (século XV).

Naturais famosos[editar | editar código-fonte]

Ávila foi o berço de Santa Teresa de Jesus, mais conhecida por Teresa de Ávila que fundou a Ordem das Carmelitas Descalças. Por isso, muitos dos edifícios antigos da cidade lhe estão associados.

Demografia[editar | editar código-fonte]

Variação demográfica do município entre 1991 e 2004
1991 1996 2001 2004
45977 47187 49712 52417

Cidades geminadas[editar | editar código-fonte]

UNESCO[editar | editar código-fonte]

Em 1985, a Cidade de Ávila e suas Igrejas extra-muros, foram incluídas na lista do Patrimônio Mundial da UNESCO.

Referências

  1. «Cifras oficiales de población de los municipios españoles: Revisión del Padrón Municipal» (ZIP). www.ine.es (em espanhol). Instituto Nacional de Estatística de Espanha. Consultado em 26 de agosto de 2020 
  2. Obispado de Ávila. «Diócesis de Ávila». Consultado em 31 de maio de 2016 
  3. Historia del urbanismo medieval hispano: cuestiones metodológicas e historiográficas, Pilar (2009). «Historia del urbanismo medieval hispano: cuestiones metodológicas e historiográficas». Anales de Historia del Arte. Historia del urbanismo medieval hispano: cuestiones metodológicas e historiográficas. Vol. Extraordinario: 27-59. ISSN 0214-6452. Consultado em 31 de maio de 2016 
  4. Roldán Hervás 1968, pp. 86, 91-92
  5. Montero Vitores, Jesús (2002). «Tesis doctoral: Carpetanos y vettones en la Geografía de Ptolomeo» (PDF). Consultado em 27 de novembro de 2012  templatestyles stripmarker character in |ultimo= at position 1 (ajuda)
  6. Roldán Hervás 1968, p. 92
  7. Centeno Cea, Quintana López & Ruiz Entrecanales 2003-2004, p. 172
  8. Feduchi Canosa 1997, p. 5
  9. Fabián García 2007, p. 93
  10. Ballesteros 1896, p. 1
  11. Rodríguez Almeida 1981
  12. Hernando Sobrino 1989
  13. Fabián García 2007, p. 100
  14. Fabián García 2007, p. 102
  15. Mayoral Fernández 1958, p. 21
  16. Fabián García 2007, p. 103
  17. Ripoll López 1989, p. 393
  18. Alonso Ávila 1986, p. 198
  19. Barrios García 1985, p. 401
  20. Martínez Díez 2007, p. 713
  21. González de la Granja 2010, p. 19
  22. Martín Rodríguez 1993, p. 702
  23. Zabaltza Pérez-Nievas 2008, p. 349
  24. Tapia Sánchez 2011, p. 74
  25. Llopis Agelán & Cuervo Fuente 2004, p. 56
  26. Martín García 1988, p. 480
  27. Martín García 1988, p. 482
  28. Fernández Fernández 2007, p. 69
  29. Puig Campillo, Antonio (1986). El cantón murciano. [S.l.]: Editora Regional de Murcia. pp. 111–114. ISBN 9788475640211 
  30. Blanco Rodríguez 1995, p. 130
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