Úlcera de Lipschütz

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Úlcera de Lipschütz
Um dos primeiros casos publicados de úlcera de Lipschütz
Classificação e recursos externos
CID-9 616.50
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Úlcera de Lipschütz, ou ulcus vulvae acutum (em português: ulceração aguda da vulva) é uma doença rara, caracterizada por dolorosas úlceras genitais, febre e linfadenopatia, ocorrendo mais comumente em adolescentes e mulheres jovens (particularmente virgens).[1] Não é uma doença sexualmente transmissível, e muitas vezes é diagnosticada,[2][3] por vezes, como um sintoma da doença de Behçet.[4]

A úlcera de Lipschütz tem o nome de Benjamin Lipschütz, que a descreveu pela primeira vez em 1912.[5][3] A etiologia é desconhecida, embora tenha sido associada com várias causas infecciosas, incluindo febre paratifoide, citomegalovírus e a infecção pelo vírus Epstein-Barr.[6][7][8]

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

A forma de apresentação mais comum é uma única úlcera grande, profunda (embora possam ocorrer várias úlceras pequenas) na superfície interna de um ou ambos os pequenos. Também pode ser identificado depois de um infecção na garganta, onde a vagina começa a coçar bastante então procure um ginecologista o mais rápido possível. lábios.[9] Os grandes lábios podem ser afetados, assim como a vagina e a uretra. A úlcera se desenvolve muito rapidamente, e geralmente é precedida por início súbito de febre e mal-estar.[9]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

O diagnóstico é eminentemente clínico e centrado na eliminação de outras causas mais comuns de úlceras vulvares. Todavia, foi proposto que a detecção do vírus de Epstein-Barr utilizando reação em cadeia da polimerase para o genoma do vírus pode ajudar a alcançar um diagnóstico mais cedo.[6]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento é sintomático, e geralmente de pouco valor; na maioria dos casos, a úlcera cura espontaneamente dentro de quatro a seis semanas, deixando cicatrizes. Analgésicos e anestésicos tópicos, assim como aplicação tópica de desinfectantes/adstringentes, tais como permanganato de potássio (em banhos de assento), são geralmente utilizados.[9] Em casos graves, tem sido recomendado uma combinação de glicocorticoides sistêmicos e antibióticos de amplo espectro.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A doença geralmente aparece entre os jovens e adolescentes, entretanto casos em crianças a partir dos 17 meses têm sido relatados.[6]

História[editar | editar código-fonte]

A doença foi descrita pela primeira vez em outubro de 1912 pelo dermatologista e microbiologista austríaco naturalizado galego Benjamin Lipschütz, que publicou uma série de quatro casos em meninas com idades entre 14 a 17. Ele inicialmente a atribuiu a úlcera de infecção com "Bacillus Crasso" (Lactobacillus acidophilus).[5][3]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Török L, Domján K, Faragó E (2000). «Ulcus vulvae acutum». Acta Dermatovenereologica Alpina, Pannonia et Adriatica (em inglês). 9 (1). ISSN 1581-2979 
  2. Kluger N, Garcia C, Guillot B (2009). «Lipschütz acute genital ulcer». J Gynecol Obstet Biol Reprod (Paris) (em francês). 38 (6): 528–30. PMID 19744804. doi:10.1016/j.jgyn.2009.08.005 
  3. a b c «Lipschütz' ulcer» (em inglês). Who Named It?. Consultado em 04 de outubro de 2014  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  4. Braun-Falco O, Plewig G, Wolff HH, Burgdorf WHC, Landthaler M, ed. (2005). «Erkrankungen des weiblichen Genitales». Dermatologie und Venereologie (em alemão). Berlim: Springer. p. 1030. ISBN 978-3-540-40525-2 
  5. a b Lipschütz B (2012). «Über eine eigenartige Geschwürsform des weiblichen Genitales (Ulcus vulvae acutum)» (PDF). Arch Dermatol Res (em alemão). 114 (1): 363–96. doi:10.1007/BF01973166 
  6. a b c Burguete Archel E, Ruiz Goikoetxea M, Recari Elizalde E, Beristain Rementería X, Gómez Gómez L, Iceta Lizarraga A (2013). «Lipschütz ulcer in a 17-month-old girl: a rare manifestation of Epstein-Barr primoinfection». Eur. J. Pediatr. (em inglês). 172 (8): 1121–3. PMID 23636284. doi:10.1007/s00431-013-2013-8 
  7. Pelletier F, Aubin F, Puzenat E; et al. (2003). «Lipschütz genital ulceration: a rare manifestation of paratyphoid fever». Eur J Dermatol (em inglês). 13 (3): 297–8. PMID 12804994 
  8. Martín JM, Godoy R, Calduch L, Villalon G, Jordá E (2008). «Lipschütz acute vulval ulcers associated with primary cytomegalovirus infection». Pediatr Dermatol (em inglês). 25 (1): 113–5. PMID 18304169. doi:10.1111/j.1525-1470.2007.00597.x 
  9. a b c Heller DS, Wallach RC (2007). Vulvar disease: a clinicopathological approach (em inglês). [S.l.]: Informa Healthcare. p. 51–2. ISBN 0-8493-3793-3