António de Sousa Júnior

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Sousa Júnior, c. 1913.

António Joaquim Sousa Júnior (Praia da Vitória, 15 de Dezembro de 1871Lisboa, 7 de Junho de 1938), mais conhecido por Sousa Júnior, foi um médico e político republicano de origem açoriana que, entre outras funções, foi deputado ao Congresso Constituinte de 1911 e, por duas vezes, Ministro da Instrução Pública de governos da Primeira República Portuguesa. Foi o primeiro titular de um ministério especificamente criado para os assuntos da Educação após a Implantação da República Portuguesa. Foi colaborador de Ricardo Jorge.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Concluiu a licenciatura em Medicina na Escola Médico-Cirúrgica do Porto em 1898, tendo obtido o posto de lente catedrático em 1906. Naquela cidade foi chefe do laboratório de Bacteriologia (1901). Foi diretor da Escola Médica e vice-reitor da Universidade (em 1924-1926) destacou-se no combate às moléstias infecciosas que atacaram o Porto em 1904. Com o mesmo espírito de serviço, deslocou-se gratuitamente à ilha Terceira para combater a peste, o que foi reconhecido pela Câmara Municipal da Praia da Vitória, na sessão de 14 de novembro de 1908, que lhe reconheceu o altruísmo e propôs a colocação de seu retrato no Salão Nobre e a atribuição do seu nome à antiga rua do Rocio.

Era militante republicano progressista antes da implantação da República e, desde 1909, fazia parte da Maçonaria.

Com a restauração do anteriormente efémero ministério dedicado à Educação, coube a Sousa Júnior ser o primeiro Ministro da Instrução Pública no governo de Afonso Costa, exercendo as funções de 9 de Janeiro de 1913 a 9 de Fevereiro de 1914.

Finda a Primeira Guerra Mundial, durante a qual foi chefe dos serviços de Saúde do Corpo Expedicionário Português, voltou a exercer as funções de Ministro da Instrução Pública, desta feita no governo de José Domingues dos Santos, de 22 de Novembro de 1924 a 15 de Fevereiro de 1925.

Autarca republicano, presidiu à mesa do Senado da Câmara Municipal do Porto entre 1922 e 1924.

Na função de Ministro da Educação fundou a Faculdade de Direito de Lisboa e concedeu subsídios a agremiações culturais "devotadas à instrução", e também à Associação das Escolas Móveis, nas quais introduziu cursos diurnos e noturnos para adultos. A propósito destas últimas, afirmou em 1913:

"Não podemos esperar que o artista, o trabalhador, o operário venham à escola; é necessário que a escola vá ao atelier, à oficina, à fábrica, ao campo. É a escola que deve procurar o analfabeto e não podemos ficar aguardando que o analfabeto venha procurar a escola."

A cidade da Praia da Vitória dedicou-lhe uma das suas primeiras escolas primárias construídas de raiz, hoje a funcionar como jardim de infância e uma das suas principais artérias, a Rua Dr. Sousa Júnior. É também lembrado num prémio instituído no âmbito das Jornadas Médicas das Ilhas Atlânticas, destinado a premiar a excelência na área da investigação médica.

Obras publicadas[editar | editar código-fonte]

  • António Joaquim de Sousa Júnior (coordenador), Censo Eleitoral da Metrópole, Imprensa Nacional, Lisboa, 1916.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • ENES, Carlos (coord.). A República: Figuras e Factos. Presidência do Governo Regional dos Açores; Direcção Regional da Cultura, 2010. p. 6-7.
  • GUINOTE, Paulo et al. Ministros e Parlamentares da 1.ª Republica, Assembleia da República, Lisboa, 1991.
  • Homenagem ao Professor António Joaquim Sousa Júnior, in Jornal do Médico, Dezembro 26; 22 (570):1406, Porto, 1953.
  • Jornal: "O Angrense" nº 3073 de 25 de Outubro de 1906, Depósito da Biblioteca Pública e Arquivo de Angra do Heroísmo, Palácio Bettencourt.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]