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Apiales

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Como ler uma infocaixa de taxonomiaApiales
Classificação científica
Reino: Plantae
Divisão: Magnoliophyta
Clado: euasterids II
Classe: Magnoliopsida
Ordem: Apiales
Nakai[1]
Famílias
Sinónimos
Inflorescência de uma cenoura-selvagem, Daucus carota.
Angelica sylvestris, uma Apiaceae.

Apiales é uma ordem de plantas com flor, pertencente ao grupo das asterídeas da classe Magnoliopsida (dicotiledóneas), com distribuição natural do tipo subcosmopolita, agrupando 7 famílias (APG IV) com quase 500 géneros e mais de 5 500 espécies.[2] Entre os membros mais conhecidos da família Apiales encontram-se a cenoura, o aipo, o coentro, a salsa, a pastinaca, a cicuta venenosa, o ginseng, as heras e os pitosporos.

Descrição

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Os membros da ordem Apiales são plantas lenhosas ou herbáceas com folhas geralmente divididas. Apresentam geralmente estípulas.

As flores são geralmente agrupadas em inflorescências simples ou compostas. As flores, geralmente discretas, têm cinco pétalas (pentâmeras). Há apenas um verticilo de estames. Os estames não estão ligados às pétalas. Na base das flores, encontra-se frequentemente um disco nectarífero. A fórmula floral é:

Muitos dos membros da família Apiales são ricos em compostos que lhes dão um cheiro característico (como, por exemplo, o funcho ou a salsa. O trissacarídeo umbeliferose é formado como substância de reserva. Muito frequentemente, contêm sesquiterpenos e substâncias semelhantes aos triterpenoides e poliacetilenos.

Taxonomia e filogenia

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De acordo com o sistema de Cronquist, apenas as Apiaceae e as Araliaceae eram incluídas nas Apiales, e a ordem restrita foi colocada entre as rosídeas, em vez das asterídeas. As Pittosporaceae foram colocadas dentro das Rosales, e muitas das outras formas dentro da família Cornaceae. O género Pennantia estava na família das Icacinaceae. No sistema de classificação Dahlgren, proposto por Rolf Dahlgren, as famílias Apiaceae e Araliaceae foram colocadas na ordem Araliales, na superordem Araliiflorae (também chamada Aralianae).

Taxonomia

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A ordem Apiales tem a sua origem nas Umbelliferae, agrupamento que na classificação taxonómica de Jussieu (1789)[3] era uma ordem da classe Dicotyledones, Monoclinae (flores hermafroditas), Polypetalae ( corola com duas ou mais pétalas) e estames epigínicos (quando os estames estão inseridos acima do nível do ovário).[4]

Na sua presente circunscrição taxonómica, a ordem Apiales consistem em 7 famílias, sendo a família tipo as Apiaceae, a família do aipo, da cenoura ou da salsa.

A ordem Apiales é, dentro dos euasterids II, o grupo irmão do clado (Paracryphiales + Dipsacales). Embora haja algumas pequenas variações e, em particular, as Torricelliaceae possam ser subdivididas,[5] são incluídas neste agrupamento taxonómico as seguintes famílias:[6][2]

As famílias maiores e obviamente mais intimamente relacionadas das Apiales são Araliaceae, Myodocarpaceae e Apiaceae, que se assemelham entre si na estrutura do seu gineceu. A este respeito, porém, a Pittosporaceae é notavelmente distinta delas.[7]

Os gineceus sincárpicos típicos destas famílias apresentam quatro zonas verticais, determinadas pela extensão da fusão dos carpelos. Na maioria das plantas, as zonas sinascidiadas (ou seja, «unidas em forma de garrafa») e simplificadas são férteis e contêm os óvulos.[8] Cada uma das três primeiras famílias possui principalmente ovários bi- ou multiloculares num gineceu com uma zona sinascidiada longa, mas muito curta, onde os óvulos são inseridos na sua transição, a chamada zona cruzada.[7]

No gineceu das Pittosporaceae, a zona simplícita é muito mais longa do que a zona sinascidiada, e os óvulos estão dispostos ao longo da primeira. Os membros desta última família têm, consequentemente, ovários uniloculares com uma única cavidade entre os carpelos adjacentes.[7]

Filogenia

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O entendimento atual sobre as Apiales é bastante recente e baseia-se na comparação de sequências de DNA por métodos filogenéticos.[9] As circunscrições de algumas famílias foram alteradas. Em 2009, uma das subfamílias das Araliaceae revelou-se polifilética.[10] As relações de parentesco filogenético dentro dos Apiales são as seguintes:[11]

Pennantiaceae

Torricelliaceae

Griseliniaceae

Pittosporaceae

Araliaceae

Myodocarpaceae

Apiaceae

Uma característica quimiosistemática típica das famílias intimamente relacionadas Apiaceae, Araliaceae e Griseliniaceae é a presença de ácido petroselínico como ácido gordo principal, enquanto que este está totalmente ausente nas Pittosporaceae.[12][13]

A ordem Apiales está incluída no grupo das asterídeas das eudicotiledóneas, conforme circunscrito pelo sistema APG III.[1] Dentro dos asterídeos, as Apiales pertencem a um grupo sem classificação designado por campanulídeas,[14] e, dentro das campanulídeas, pertence a um clado conhecido na nomenclatura filogenética como Apiidae.[15]

Em 2010, um subclado das Apiidae, denominado Dipsapiidae, foi definido como sendo composto por três ordens: Apiales, Paracryphiales e Dipsacales.[16] O cladograma seguinte sintetiza as relações das Apiales com as restantes órdens de asterídeas:

Asterídeas

Cornales

Ericales

Gentianidae 
Lamiidae 

Garryales

Boraginales

Gentianales

Solanales

Lamiales

Campanulidae 

Aquifoliales

Asterales

Escalloniales

Bruniales

Apiales

Paracryphiales

Dipsacales

Referências

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  1. a b c Angiosperm Phylogeny Group (2009). «An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III». Botanical Journal of the Linnean Society. 161 (2): 105–121. doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.xAcessível livremente. hdl:10654/18083Acessível livremente 
  2. a b APWeb: Apiales.
  3. Ordem Umbelliferae em Jussieu, Antoine Laurent de (1789). "Genera Plantarum, secundum ordines naturales disposita juxta methodum in Horto Regio Parisiensi exaratam".
  4. Ordem Umbelliferae em Gallica.
  5. Plunkett, Gregory M.; Chandler, Gregory T.; Lowry, Porter P.; Pinney, Steven M.; Sprenkle, Taylor S. (2004). «Recent advances in understanding Apiales and a revised classification». South African Journal of Botany. 70 (3): 371–381. Bibcode:2004SAJB...70..371P. doi:10.1016/s0254-6299(15)30220-9Acessível livremente 
  6. Angiosperm Phylogeny Group: An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG III. In: Botanical Journal of the Linnean Society. Band 161, Nr. 2, 2009, S. 105–121, doi:10.1111/j.1095-8339.2009.00996.x.
  7. a b c Oskolski, Alexei A.; Sokoloff, Dmitry D.; Van Wyk, Ben-Erik (2010). «False paracarpy in Seemannaralia (Araliaceae): from bilocular ovary to unilocular fruit» (PDF). Annals of Botany. 106 (1): 29–36. PMC 2889795Acessível livremente. PMID 20462851. doi:10.1093/aob/mcq084. Consultado em 28 Abril 2017. Cópia arquivada (PDF) em 9 de outubro de 2022 
  8. Pankhurst, R. J. (1992). Morphology of flowers and inflorescences 1st pbk. ed. Cambridge, England: Cambridge University Press. pp. 153–155. ISBN 9780521438322 
  9. Chandler, G. T.; Plunkett, G. M. (2004). «Evolution in Apiales: nuclear and chloroplast markers together in (almost) perfect harmony». Botanical Journal of the Linnean Society. 144 (2). 123 páginas. doi:10.1111/j.1095-8339.2003.00247.xAcessível livremente 
  10. Nicolas, A. N.; Plunkett, G. M. (2009). «The demise of subfamily Hydrocotyloideae (Apiaceae) and the re-alignment of its genera across the entire order Apiales». Molecular Phylogenetics and Evolution. 53 (1): 134–151. Bibcode:2009MolPE..53..134N. PMID 19549570. doi:10.1016/j.ympev.2009.06.010 
  11. Die Ordnung Apiales bei der APWebsite: [1].
  12. Thomas Stuhlfauth, Heinrich Fock, Herbert Huber, Klaus Klug: The distribution of fatty acids including petroselinic and tariric acids in the fruit and seed oils of the Pittosporaceae, Araliaceae, Umbelliferae, Simarubaceae and Rutaceae. In: Biochemical Systematics and Ecology. Band 13, Nr. 4, 1985, S. 447–453, doi:10.1016/0305-1978(85)90091-2.
  13. Beate Breuer, Thomas Stuhlfauth, Heinrich Fock, Herbert Huber: Fatty Acids of some Cornaceae, Hydrangeaceae, Aquifoliaceae, Hamamelidaceae and Styracaceae. In: Phytochemistry. Band 26, Nr. 5, 1987, S. 1441–1445, doi:10.1016/S0031-9422(00)81830-0.
  14. Winkworth, Richard C.; Lundberg, Johannes; Donoghue, Michael J. (2008). «Toward a resolution of Campanulid phylogeny, with special reference to the placement of Dipsacales». Taxon. 57 (1): 53–65. Bibcode:2008Taxon..57...53W. JSTOR 25065948. doi:10.2307/25065948 
  15. Philip D. Cantino; James A. Doyle; Sean W. Graham; Walter S. Judd; Richard G. Olmstead; Douglas E. Soltis; Pamela S. Soltis; Michael J. Donoghue (2007). «Towards a phylogenetic nomenclature of Tracheophyta» (PDF). Taxon. 56 (3): 822–846. JSTOR 25065865. doi:10.2307/25065865. Cópia arquivada (PDF) em 5 Julho 2008 
  16. Tank, D. C.; Donoghue, M. J. (2010). «Phylogeny and Phylogenetic Nomenclature of the Campanulidae based on an Expanded Sample of Genes and Taxa». Systematic Botany. 35 (2). 425 páginas. Bibcode:2010SysBo..35..425T. doi:10.1600/036364410791638306 

Bibliografia

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  • (em inglês) Angiosperm Phylogeny Group (2003). An update of the Angiosperm Phylogeny Group classification for the orders and families of flowering plants: APG II. Botanical Journal of the Linnean Society 141: 399-436. (Disponível online: Texto completo (HTML) | Texto completo (PDF))

Ver também

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Ligações externas

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