Câncer testicular

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Testicular cancer
Um seminoma testicular
Especialidade oncologia
Classificação e recursos externos
CID-10 C62, C62.9, C62.90
CID-9 186, 239.5
OMIM 273300
DiseasesDB 12966
MedlinePlus 001288
eMedicine med/2250 med/3232
MeSH D013736
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O Câncer testicular (português brasileiro) ou cancro testicular (português europeu) é o câncer que se desenvolve nos testículos, uma parte do sistema reprodutor masculino. Os sintomas podem incluir um nódulo no testículo, ou inchaço ou dor no escroto e o tratamento pode resultar em infertilidade.[1]

Fatores de risco incluem um testículo não descendente, histórico familiar da doença, e a histórico prévio de câncer de testículo. O tipo mais comum é o tumor em células germinativas, que são divididas em seminomas e não-seminomas.[2] Outros tipos incluem o tumor do estroma do cordão sexual-gonadal e linfomas.[3] O diagnóstico geralmente é feito com base em um exame físico, ultra-som e exames de sangue. Para determinar o tipo, é feita a remoção cirúrgica do testículo seguido do exame com microscópio.[1]

O câncer de testículo é altamente tratável e geralmente curável.[2] As opções de tratamento podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou transplante de células-tronco. Mesmo nos casos em que o câncer se espalhou a quimioterapia, muitas vezes, oferece uma taxa de cura maior que 80%.[3]

Globalmente, o câncer de testículo afetou aproximadamente 686.000 pessoas em 2015.[4] Nesse ano, resultou em 9.400 mortes até 7.000 mortes em 1990.[5][6] As taxas são mais baixas nos países em desenvolvimento do que nos desenvolvidos.,[7] O início ocorre mais comumente em homens de 20 a 34 anos de idade e é raro antes dos 15 anos de idade.[8] A taxa de sobrevivência de 5 anos nos Estados Unidos é de cerca de 95%.[9] Os resultados são melhores quando a doença continua a ser localizada.[9]

Tipos[editar | editar código-fonte]

Os tipos de câncer primário de testículo são[10]:

  • Seminoma: 40 a 45% dos casos. Geralmente ocorre entre os 25 e 45 anos. Geralmente começa como uma massa indolor e nao palpável que diminui a fertilidade e aparece com hidrocele(retenção de líquido em saco escrotal), mas pode ser doloroso. Alfafetoproteína (AFP) normal.[11] O subtipo seminoma espermatocítico é raro (um em cada 20 seminomas) e afeta maiores de 65 com crescimento mais lento e menor risco de metástase. Podem aumentar a gonadotrofina coriônica humana, que pode assim ser usado como diagnóstico.
  • Não-seminoma: A maioria são tumores mistos, mas é comum que um tipo predomine.
    • Teratoma maduro: Cerca de 5% dos casos. São tumores de células adultas, bem diferenciadas, raramente invadem outros tecidos, mas podem reincidir após o tratamento.
    • Teratoma imaturo ou Teratocarcinoma: Cerca de 25% dos casos. Possui células mais jovens e indiferenciadas, o que aumenta seu risco de invadir tecidos circundantes, para se espalhar (metástase) fora do testículo e de voltar (reincidência) anos após o tratamento.
    • Coriocarcinoma: É um tipo muito raro (menos de 1%) e agressivo de câncer testicular de adultos. O coriocarcinoma puro frequentemente se espalha rapidamente para órgãos distantes do corpo como os pulmões, ossos e cérebro. Geralmente está associado a outros cânceres.
    • Carcinoma embrionário: De 25% dos casos, geralmente está associado a outros tumores. É muito imaturo, logo tende a crescer rápido e invadir outros tecidos. Produz AFP (alfa-fetoproteína) ou HCG níveis (gonadotrofina coriônica humana) que pode ser detectada em exame diagnóstico.
    • Orquidoblastoma: Mais comum em crianças, esse tumor parece com o saco vitelino ao microscópio, respondem bem ao tratamento.

O câncer secundário mais comum em testículo é o linfoma não-hodgkin e são mais comuns que cânceres primários. Geralmente aparecem após os 50 anos. Outros tumores secundários geralmente se originam em[12]:

  • Próstata,
  • Pulmão,
  • Pele (melanoma) ou,
  • Rim.

Causa[editar | editar código-fonte]

Geralmente são genéticos ou associados a má formação. Seus fatores de risco incluem[13]:

  • Criptorquidia (testículo não desce a saco escrotal)
  • Transtornos do desenvolvimento testicular
  • Histórico familiar de cânceres genitais
  • Raça: É duas a quatro vezes mais comum em brancos

Sinais e sintomas[editar | editar código-fonte]

Os possíveis sinais e sintomas são[14]:

  • Nódulo ou massa amorfa em qualquer testículo
  • Sensação de peso no escroto
  • Dor na virilha, abdômen ou nas costas
  • Acúmulo de líquido no escroto
  • Desconforto em um testículo ou do escroto
  • Alargamento ou sensibilidade dos mamilos
  • Falta de Apetite

Diagnóstico diferencial[editar | editar código-fonte]

Nem todos os nódulos encontrados nos testículos são tumores e nem todos os tumores do testículo são malignos. Deve-se examinar GCH beta, AFP e LDH para fazer o diagnóstico. Existem muitas outras condições, como a microlitíase testicular, os cistos epididimários e a hidátide de Morgagni, que podem causar nódulos dolorosos, mas que não têm relação com o câncer.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

O câncer testicular tem uma das mais altas taxas de cura dentre todos os tipos de câncer, com uma sobrevida estimada em cinco anos de 95%.[15] Se o câncer não houver se espalhado para fora do testículo, a sobrevida em cinco anos é de 99%. Se já houver atingido estruturas próximas ou se tiver se espalhado para os linfonodos regionais, a taxa cai para 96%. Se já houver acometimento de órgãos ou linfonodos distantes do testículo, a sobrevida em cinco anos passa a ser de aproximadamente 74%.[16] Mesmo para os poucos casos nos quais o câncer consegue se espalhar amplamente, o tratamento com quimioterapia oferece índices de cura de pelo menos 80%.[17]

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

É o câncer mais comum entre os 20 e 39 anos de idade, o período de maior incidência deste câncer, raramente encontrado antes dos 15 anos.[18] Ao longo da vida, o risco de um homem desenvolver um câncer testicular é de cerca de 1 em 200 (0,4%).[19] É de 10 a 40 vezes mais comuns em homens com Criptorquia(quando o testículo não desce ao saco escrotal).

Referências

  1. a b «Testicular Cancer Treatment». National Cancer Institute (em inglês). 7 de julho de 2016 
  2. a b «Testicular Cancer Treatment». National Cancer Institute (em inglês). 26 de janeiro de 2017. Consultado em 19 de dezembro de 2017. 
  3. a b Feldman DR; Bosl GJ; Sheinfeld J; Motzer RJ (13 de fevereiro de 2008). «Medical treatment of advanced testicular cancer». JAMA. 299 (6): 672–684. PMID 18270356. doi:10.1001/jama.299.6.672. Consultado em 24 de junho de 2011. 
  4. GBD 2015 Disease and Injury Incidence and Prevalence, Collaborators. (8 de outubro de 2016). «Global, regional, and national incidence, prevalence, and years lived with disability for 310 diseases and injuries, 1990-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.». Lancet (London, England). 388 (10053): 1545-1602. PMID 27733282 
  5. GBD 2015 Mortality and Causes of Death, Collaborators. (8 de outubro de 2016). «Global, regional, and national life expectancy, all-cause mortality, and cause-specific mortality for 249 causes of death, 1980-2015: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2015.». Lancet (London, England). 388 (10053): 1459-1544. PMID 27733281 
  6. GBD 2013 Mortality and Causes of Death, Collaborators (17 de dezembro de 2014). «Global, regional, and national age-sex specific all-cause and cause-specific mortality for 240 causes of death, 1990-2013: a systematic analysis for the Global Burden of Disease Study 2013». Lancet. 385 (9963): 117–171. PMC 4340604Acessível livremente. PMID 25530442. doi:10.1016/S0140-6736(14)61682-2 
  7. «Testicular cancer incidence statistics». Cancer Research UK (em inglês). 15 de maio de 2015. Consultado em 19 de dezembro de 2017. 
  8. Hayes-Lattin, Brandon; Nichols, Craig R. (10/2009). «Testicular Cancer: A Prototypic Tumor of Young Adults». Seminars in oncology. 36 (5): 432–438. PMC 2796329Acessível livremente. PMID 19835738. doi:10.1053/j.seminoncol.2009.07.006  Verifique data em: |data= (ajuda)
  9. a b «Cancer of the Testis - Cancer Stat Facts». SEER (em inglês). Consultado em 19 de dezembro de 2017. 
  10. [1]
  11. [2]
  12. [3]
  13. [4]
  14. [5]
  15. «SEER Stat Fact Sheets: Testis Cancer». NCI. Consultado em 18 de junho de 2014. 
  16. «Testicular Cancer Overview». American Cancer Society. Consultado em 10 de novembro de 2012. 
  17. Feldman DR; Bosl GJ; Sheinfeld J; Motzer RJ (13 de fevereiro de 2008). «Medical treatment of advanced testicular cancer». JAMA. 299 (6): 672–684. PMID 18270356. doi:10.1001/jama.299.6.672. Consultado em 24 de junho de 2011. 
  18. Hayes-Lattin, Brandon; Nichols, Craig R. (outubro de 2009). «Testicular Cancer: A Prototypic Tumor of Young Adults». Seminars in oncology. 36 (5): 432–438. PMC 2796329Acessível livremente. PMID 19835738. doi:10.1053/j.seminoncol.2009.07.006 
  19. «Testicular cancer incidence statistics». Cancer Research UK. 25 de agosto de 2011. Consultado em 10 de outubro de 2013.