Casseta Popular

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Disambig grey.svg Nota: Para um dos grupos de humor que deu origem ao Casseta & Planeta, veja Casseta & Planeta.

Casseta Popular é um grupo de humor brasileiro surgido nos anos 1970 e com destacada atuação na imprensa escrita, rádio, televisão e música. Nos anos 1980 estabeleceu parceria com a dupla remanescente do Planeta Diário, formando o Casseta & Planeta.

As origens[editar | editar código-fonte]

Em 1978 os alunos da UFRJ Beto Silva, Helio de la Peña e Marcelo Madureira, "cansados de aulas de cálculo e falta de mulher" no curso de Engenharia inauguraram a fanzine de humor Casseta Popular (paródia à Gazeta), distribuída só na universidade.

Em 1980, para transformar a fanzine num tabloide, o trio chamou os amigos Bussunda e Claudio Manoel. O tabloide era vendido em bares, praias e na noite do Rio de Janeiro e em meados dos anos 1980 atingiu um status cult com seu humor anárquico e irreverente, muitas vezes com sobra de palavrões, mas sempre um legítimo representante do "politicamente incorreto" antes mesmo que se viesse a falar de politicamente correto.

O Planeta Diário, lançado em dezembro de 1984, contou com a colaboração da turma do Casseta desde seu primeiro número, o que levou à distribuição nacional os artigos da turma carioca.

Casseta em revista[editar | editar código-fonte]

O apoio do Planeta também seria essencial para o lançamento da revista Almanaque Casseta Popular (mais tarde simplesmente Casseta Popular). À equipe original juntaram-se Emanoel Jacobina e, por um breve período, Ronaldo Balassiano. O cantor, compositor e guitarrista Mu Chebabi, que viria a ter ampla atuação na banda Casseta & Planeta, conquistaria o status de "casseta" honorário.

A revista apresentou os melhores artigos da fanzine e do tabloide, remontados com arte e diagramação aprimoradas, e um acervo crescente de artigos totalmente novos. Além do talento dos "cassetas", a revista contou com a participação de inúmeros colaboradores.

Um dos grandes destaques da Casseta eram as capas. Seguindo as linhas gerais do modelo consagrado da National Lampoon e da Hara-Kiri, a Casseta adotou um layout de capa destinado à semelhança com o das revistas "sérias", das quais só se distinguia pelos temas absurdos (algumas chamadas para artigos inexistentes: "Roberto Marinho larga tudo e vai morar em Trancoso", "Minha orelha não é mais virgem").

As ilustrações de capa, que nos primeiros números apontavam para o ostensivo nonsense, gradualmente desviaram-se para a crítica política e comportamental, incluindo temas como um Papai Noel fumando maconha, militares das três Armas como camelôs e, no auge da campanha presidencial de 1989, Collor nu da cintura para baixo apresentado como "Caçador de Maracujás" (expressão que, mais tarde, Lula repetiria no debate eleitoral final daquela campanha).

Outra capa famosa retratava Macaco Tião, o "candidato" oficial da revista em parceria com O Planeta Diário.

O conteúdo, com poucas seções fixas (uma exceção notável era a seção de cartas, na qual os editores se divertiam "detonando" os leitores, à semelhança da tradição da Mad brasileira), era muito variado, incluindo paródias de grandes reportagens e cadernos culturais de jornais famosos, anúncios falsos, entrevistas, estudos pseudointelectuais e alguma autopromoção da equipe "casseteana". Em fins dos anos 1990 a revista tornou mais intensa a paródia dos modelos editoriais "sérios", em especial os da Veja e da Folha de S. Paulo.

No entanto, ao longo dos anos a revista seria prejudicada pela escassez de anunciantes e pela relativa irregularidade nas datas de lançamento. O crescimento da participação dos editores na televisão (primeiro como criadores na TV Pirata, depois à frente das câmeras) e na banda Casseta & Planeta também reduziu a atenção necessária à boa condução da revista.

Em 1992 a Casseta Popular funde seu conteúdo com O Planeta Diário, originando a revista Casseta & Planeta.

Toviassú[editar | editar código-fonte]

Em 1987 os "cassetas" fundaram a empresa Toviassú Produções Artísticas ("Toviassú" é um siglóide composto pelas sílabas iniciais da frase "Todo viado é surdo"). Sob o selo Toviassú foram publicadas as revistas Casseta Popular e Casseta & Planeta na maior parte de seus números, além de outros projetos editoriais (notadamente de quadrinhos) do grupo. Hubert e Reinaldo se juntaram à Toviassú quando foi consolidada a fusão com o Planeta Diário.

Outros projetos[editar | editar código-fonte]

Curiosidades[editar | editar código-fonte]

  • A tiragem da Casseta Popular que trazia na capa um Jesus Cristo crucificado drag queen foi devolvida pela distribuidora sob o argumento de que os jornaleiros se recusariam a vendê-la. A mesma edição voltaria às bancas com capa de tema diferente. Exemplares remanescentes com a capa "censurada" são disputados pelos colecionadores.
  • As célebres "camissetas" eram estampadas e estocadas no mesmo prédio em que ficavam a sede da Toviassú e a redação da Casseta, na região central do Rio de Janeiro.
  • Por certo período, Casseta Popular e Planeta Diário efetivamente adotaram o Macaco Tião, garantindo a manutenção do astro número 1 do Zoológico do Rio de Janeiro.
  • Em 1989, no canto de uma das capas foi reproduzida uma razoável "falsificação" de um selo-pedágio. No entanto, em mais um caso de periodicidade irregular, aquela edição chegou às bancas tarde demais para que os leitores aventureiros pudessem usar o "selo-pedágio" no mês ao qual era destinado.
  • Em reportagem de 1989 realizada na redação da Casseta Popular, a equipe da TVE (uma TV estatal) cuidou para não gravar inadvertidamente imagens das capas da revista que o então presidente Sarney pudesse achar inconvenientes.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • 2008 Antologia da Casseta Popular ISBN 9788599070628. Livro que conta a história do Casseta Popular, através de charges, entrevistas e os primeiros anúncios das Organizações Tabajara. Introdução de Arthur Dapieve

Ver também[editar | editar código-fonte]