Cassiopeia (filme)

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Cassiopéia
Cassiopeia-poster.jpg
Pôster do DVD do filme lançado em 2005.
 Brasil
1996 •  cor •  80 min 
Direção Clóvis Vieira
Produção Nello de'Rossi
Roteiro Clóvis Vieira
Aloisio de Castro
José Feliciano
Robin Geld
Elenco Osmar Prado
Jonas Mello
Aldo César
Marcelo Campos
Cassius Romero
Rosa Maria Barolli
Género Animação
Aventura
Música Vicent Salvia
Direção de arte Clóvis Vieira
Edição Marc de Rossi
Companhia(s) produtora(s) NDR Filmes
Distribuição PlayArte
Lançamento 1 de abril de 1996
Idioma Português
Orçamento US$ 1,5 milhões
Site oficial
Página no IMDb (em inglês)

Cassiopéia[nota 1] é um filme de animação brasileiro produzido e realizado pela NDR Filmes e lançado no ano de 1996 pela PlayArte. Foi dirigido pelo animador Clóvis Vieira.

Cassiopéia compete duramente com o estadunidense Toy Story (da Disney/Pixar) pelo título de primeiro longa animado feito em CGI do mundo. A controvérsia é causada pelo fato dos estadunidenses terem usado moldes de argila para serem escaneados digitalmente, a chamada rotoscopia (o que não o tornaria 100% digital), enquanto que a produção brasileira foi totalmente realizada em CGI, com imagens geradas por pura computação gráfica, sem nenhum escaneamento exterior de imagens ou vetorização de modelos reais.[1] Apesar desse feito, Cassiopeia só foi lançado quase cinco meses depois de Toy Story.

O filme foi lançado no dia 1 de abril de 1996 numa premiere na cidade de São Paulo e posteriormente foi apresentado em projetos cinematográficos culturais e por entidades educacionais pelo país.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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O filme conta a história do planeta Ateneia, localizado na constelação de Cassiopeia, que um dia é atacado por invasores do espaço que começam a sugar sua energia vital. Um sinal de socorro é enviado para o espaço sideral pela astrônoma local, Liza, e recebido por quatro heróis que viajam através da galáxia para salvar o planeta.

A ambientação sugere (também por inviabilidade técnica para se produzir árvores e outros elementos caóticos naturais) um ambiente completamente tomado pela artificialidade. Numa primeira análise, pode-se pensar que é uma ideia rasa, mas o formato da resposta ao ataque do "predador gigante" evidenciam uma abordagem biológica no roteiro, como se os habitantes liberassem "anticorpos" ou "substâncias" encapsuladas para defesa a partir de armazéns de emergência, contrastando com o formato estado-unidense, que evidentemente escolheria o míssil.

Elenco (dublagem)[editar | editar código-fonte]

Ator / Atriz Personagem
Osmar Prado Leonardo
Jonas Mello Shadowseat
Aldo César Comandante do Conselho Galáctico Central
Marcelo Campos Chip
Cassius Romero Chop
Fábio Moura Feel
Hermes Barolli Thot
Rosa Maria Barolli Liza
Ezio Ramos Conselheiro
Flávio Dias Conselheiro
Francisco Bretas Robô
Élcio Sodré Capitão / Imediato
Carlos Silveira Engenheiro
Cecília Lemes Voz ambiental dos heróis

Produção[editar | editar código-fonte]

A produção de Cassiopéia foi dirigida pelo animador Clóvis Vieira e contou com uma equipe de 3 diretores de animação e 11 animadores, trabalhando em uma rede de 17 microcomputadores 486 DX2-66. O primeiro modelo de personagem foi feito em um 386 SX de 20Mhz. O software utilizado foi o Topas Animator produzido pela Crystal Graphics, que já estava obsoleto na época da produção.

O filme começou a ser produzido em janeiro de 1992 com a modelagem dos ambientes e dos personagens e com a criação da história e do roteiro. Os personagens e cenas foram concebidos a partir de figuras geométricas básicas, como esferas, cubos e cilindros, o que facilitaria o processo de renderização.

A partir de janeiro de 1993 foi iniciado o processo de animação. O trabalho de geração de imagens terminou em agosto de 1995. A trilha sonora foi completada em dezembro de 1995, e a primeira cópia ficou pronta em janeiro de 1996.

Dificuldades na produção[editar | editar código-fonte]

Faltando apenas 6 meses para a conclusão do filme os estúdios da NDR foram invadidos e alguns CDs que arquivavam alguns processos já feitos de Cassiopeia foram roubados, obrigando a produtora a refazer diversas cenas, acarretando posteriormente o atraso de seu lançamento.

Outra grande dificuldade foi arranjar uma empresa que distribuísse o filme. A PlayArte aceitou distribuir o filme na época, porém ela o fez na época das Olímpiadas de 1996, fazendo com que o filme perdesse muita atenção da mídia, que pouco divulgou sobre seu lançamento nos cinemas. Com exceção da TV Cultura, era muito difícil de se ver teasers dos filmes nas emissoras brasileiras, que na época estavam muito focadas no já citado evento desportivo.

Repercussão[editar | editar código-fonte]

Lançamento[editar | editar código-fonte]

A primeira apresentação pública de Cassiopéia deu-se em 1 de abril de 1996 na cidade de São Paulo, no Brasil, em duas sessões, uma às 10h30min para a imprensa e pesquisadores no cine Iguatemi, e outra para 700 convidados às 22h no cine Liberty. O filme ainda fez parte de uma sessão especial para crianças no dia 11 de abril de 1996, na cidade de Curitiba capital do Estado do Paraná para 261 alunos do projeto PIÁ (projeto de educação integrado da prefeitura desta capital) num programa elaborado pela Fundação Cultural de Curitiba.

O filme foi lançado em DVD no ano de 2005 pela Cultura Marcas.[carece de fontes?]

Recepção Crítica[editar | editar código-fonte]

No site AdoroCinema, o filme possui uma média de 2,9 numa escala que varia de 0 a 10 baseado em 4 críticas. No mesmo site, a animação possui 3 de 5 cinco estrelas.[2]

Primazia e Controvérsia[editar | editar código-fonte]

Cassiopeia, embora não goze do mesmo status ou projeção internacional, disputa com a animação norte-americana Toy Story o título de primeiro filme de animação totalmente digital.[3] A polêmica gira em torno dos critérios para se estabelecer o que é um filme inteiramente digital. Como a Pixar Studios criou os moldes para as cabeças dos personagens principais em argila, sendo posteriormente digitalizados com o Polhemus 3D,[4] existe um argumento em favor da primazia de Cassiopéia, uma vez que a produção brasileira foi criada a partir de modelos inteiramente virtuais, sem uso de modelos físicos, da modelagem às texturas. Essa diferença de critérios é defendida por animadores brasileiros como argumento para considerar Cassiopéia o primeiro filme totalmente feito em CGI, mesmo tendo sido lançado meses após Toy Story.

Os produtores da Pixar, quando souberam que Cassiopeia já estava com 40 minutos do filme prontos, aceleraram-se para produzir Toy Story, tendo, inclusive, usado a técnica da rotoscopia para se agilizarem.[5] Segundo Patrícia De Rossi, filha do produtor Nello de Rossi, existe ainda uma suspeita sobre o já comentado "assalto" aos estúdios da NDR para beneficiar os estadunidenses.[6] Porém, nada foi provado até hoje sobre os autores desse roubo.

Tal controvérsia é semelhante à da invenção do avião ou à construção do primeiro computador, onde os norte-americanos insistem em afirmar que tenham sido os pioneiros.[carece de fontes?]

Legado[editar | editar código-fonte]

Ao contrário de seu principal rival Toy Story, Cassiopéia caiu no esquecimento do público: enquanto que a produção norte-americana originou uma franquia com 2 sequências por conta de seu enorme sucesso, a produção brasileira é pouquíssimo lembrada. Os produtores do filme tentaram fazer uma sequência que utilizaria equipamentos e softwares de ponta, com o 3ds Max sendo a principal ferramenta, porém o projeto foi engavetado no ano de 2002 por falta de investimentos e também pela falência da NDR Filmes.

Todavia, o diretor Clóvis Vieira se diz orgulhado do filme: "[..] Tiramos leite de pedra. [...] Fizemos o máximo que alguém no Brasil faria nas mesmas condições”, e conclui: “Não rendeu dinheiro, mas durmo feliz sabendo que um dia rivalizei com Steve Jobs e a Disney.”[7]

Apesar do fim infeliz, Cassiopeia pode ser visto integralmente no YouTube. O longa foi postado no site com a própria autorização do diretor Clóvis Vieira.

Exibição na TV[editar | editar código-fonte]

O filme foi exibido pela primeira na vez na Televisão Paga na TV Rá-Tim-Bum no dia 25 de agosto de 2005[8], e na TV Aberta pela TV Cultura no dia 12 de outubro de 2005, como parte das comemorações do Dia das Crianças.[9] Ambas a emissoras pertencem a Fundação Padre Anchieta.

Notas

Referências

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Ligações externas[editar | editar código-fonte]