Dialeto madeirense

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Dialetos de Portugal.
Divisão Administrativa da Região Autónoma da Madeira.

O dialecto madeirense é o dialecto do português falado no arquipélago da Madeira.[1]

Este dialecto é normalmente classificado como um dialecto do "português insular", sendo mais aparentado com os dialectos do nordeste do Brasil, dos Açores e do sul de Portugal.

O dialecto madeirense é uma variedade do português falada pelos cerca de 270 mil habitantes do arquipélago da Madeira e por algumas centenas de milhares de emigrantes madeirenses no Mundo.

Características[editar | editar código-fonte]

Tendo o arquipélago sido povoado a partir dos inícios do século XV, o dialecto madeirense tem as suas origens nos dialectos do português arcaico trazidos pelos primeiros povoadores, provenientes principalmente das regiões do Minho e do Algarve, aos quais posteriormente se juntaram comerciantes de várias origens, tais quais inglesa, espanhola, flamenga, e escravos provenientes das Canárias e Marrocos, entre outros.

Esta mescla de influências, aliada ao relativo isolamento do arquipélago e sua posição na história como porto de paragem no comércio e exploração colonial, resultaram num dialecto de características próprias e peculiares tanto a nível fonético como gramatical e de vocabulário.

Fonéticas[editar | editar código-fonte]

O dialecto madeirense apresenta uma considerável variação fonética, não só entre as ilhas da Madeira e Porto Santo, mas mesmo dentro da própria ilha da Madeira. Isto poderá dever-se à acidentada orografia do território, que aliada às sinuosas vias de comunicação provocaram durante séculos o isolamento relativo entre as várias localidades.

Características comuns a todos os subdialectos:

  • Palatalização da consoante 'l' quando antecedida pela vogal 'i'[2]. Exemplos: «família» (lido famílhia), vila (lido vilha), aquilo (lido aquilho), Filipe (lido Filhipe).
  • Ditongação do 'i' ou 'u', com a repetição da mesma, quando este está na posição de sílaba tónica. Exemplos: «rua» (lido ru-ua), «via» (lido vi-ia), «fazia» (lido fazi-ia), «ilha» (lido i-ilha).
  • A conservação da vogal final 'e' nos verbos, como por exemplo «fazer» (lido fazêre ou fazêri), «comer» (lido comêre ou comêri), «falar» (lido falare ou falari).
  • A não distinção fonética na conjugação verbal da primeira pessoa do plural do pretérito perfeito (ex: falámos) e do presente (ex:falamos), dos verbos acabados em -ar. São sempre lidos com pronúncia fechada (ex: falâmos).

Características não presentes em todos os subdialectos:

  • Ditongação da vogal sílaba tónica, acrescentando um 'u' antes da mesma vogal, como por exemplo «olho» (lido uôlho ou uôlhe), «formiga» (lido formúiga), «livro» (lido lúivro ou lúivre),
  • Substituição da terminação 'o' no final das palavras por 'e'. Exemplos: «osso» (lido osse), «macaco» (lido macaque), «carro» (lido carre), «Ronaldo» (lido Ronalde).
  • Substituição das terminações "agem" por "age". Exemplos: «paragem» (lido parage), «viagem» (lido viage).
  • A terceira pessoa do plural do pretérito perfeito do indicativo 'am' reduz-se a 'u'. Exemplos: «ficaram» (lido ficáru), foram (lido fôru).
  • Substituição de "os" e "as" por "ui" e "ai", respectivamente.
  • Queda ou vocalização do l final em algumas situações (e. g. *finaw em vez de final), como acontece na maioria dos dialectos falados no Brasil e possível de ouvir também em algumas zonas do Alto Minho, no Norte de Portugal.[carece de fontes?]

Gramaticais[editar | editar código-fonte]

Com várias semelhanças com o sul do continente português, os Açores e o Brasil, o dialecto madeirense apresenta uma preferência para o uso do gerúndio[3] e do pronome a gente em vez de nós. Já o pronome vós (2ª pessoa do plural), tal como a maioria do país, não é utilizado e em vez deste utiliza-se o vocês.

São empregues com mais predominância, a título de exemplo, os modos "Eu disse a ela" e "Eu assustei ele" do que "Eu disse-lhe" e "Eu assustei-o", respectivamente.

Registos sonoros[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Ciberdúvidas. «Os dialectos em Portugal». Consultado em 22 de Novembro de 2010 
  2. Diário de Notícias da Madeira. «Abreviaturas ameaçam português correcto». 21 de Fevereiro de 2008. Consultado em 22 de Novembro de 2010 
  3. Ciberdúvidas. «A diferença entre «fiquei sabendo» e soube». Consultado em 22 de Novembro de 2010. A construção ficar/estar + gerúndio é mais usada no Brasil e nos países africanos de expressão portuguesa. No que diz respeito ao português europeu, essa construção é dialectal, reservando-se, principalmente, ao Sul e às ilhas. A construção equivalente preferida é ficar/estar a + infinitivo. 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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