Douro, Faina Fluvial

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Douro, Faina Fluvial
 Portugal
1931 •  pb •  18 min 
Realização Manoel de Oliveira
Género documentário
Lançamento 21 de Setembro de 1931
Idioma português
Página no IMDb (em inglês)

Douro, Faina Fluvial (1931) é um filme documentário mudo de Manoel de Oliveira, feito já época do sonoro em Portugal (1930).

É a sua primeira obra, uma curta metragem sobre a faina da zona ribeirinha do Douro feita com meios de amador. O filme é influenciado pela estética vanguardista do documentário soviético, praticada por Dziga Vertov. Estética que Oliveira aqui adopta não como ditames ideológicos mas ao gosto pessoal, o que confere originalidade à obra.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

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A azáfama da zona ribeirinha da cidade do Porto é ilustrada tendo o rio Douro como personagem central, como pano de fundo. Homens, mulheres e crianças, gente humilde, agitam-se no confronto com ele, convergindo num só rosto. O retrato dentro de retrato dá-nos a ver o lugar no tempo e o seu ambiente humano. Havendo o Douro como fundo, surge o encantamento.

Versões[editar | editar código-fonte]

1 - Versão de 1931. Estreia: Lisboa, cinema Tivoli, complemento do filme de António Lopes Ribeiro, o "Gado Bravo".

2 - Versão de 1994. Cinemateca Portuguesa, a 18 de Junho de 1996, integrada no programa comemorativo do Centenário das Primeiras Sessões de Cinema em Portugal.

3 - Versão de 1994: "Douro, Faina Fluvial 2", a partir dos materiais de imagem da versão de 1931, duração: 18 minutos, remontada e com música de Emanuel Nunes - "Litanie du Feu et de la Mer".

Enquadramento histórico[editar | editar código-fonte]

Era uma vez um jovem de vinte e um anos da cidade do Porto, apaixonado pelo cinema, a quem o pai ofereceu uma máquina de filmar. Ficou radiante, mas pouco sabia daquilo. Pediu a um amigo, fotógrafo amador, que o ajudasse. Tinha visto um filme chamado Berlim, Sinfonia de uma Cidade (de Walther Ruttman) e teve uma ideia: fazer ele um filme sobre a faina do Douro e o meio ribeirinho. Um meio em que se vê trabalhar gente humilde cheia de vida.

Sozinhos, metem ambos mãos à obra. Filmam todos os fins-de-semana. Usam uma máquina de filmar de 35 mm, leve, mas pesada em comparação com outras, de 16 mm, que começariam a ser usadas mais tarde, e bastante, a partir dos anos sessenta. Filmam sem som, com possibilidade de rodar apenas planos de curta duração. Esmeram se na fotografia. Pensam sobre o modo de articular as coisas que lhes vão surgindo. Esforçam-se e acabam.

O afortunado jovem mais se entusiasma, sabendo que está a tempo de enviar o filme para um evento importante que em breve terá lugar em Lisboa. É em cima da mesa de bilhar que o pai lá tem em casa que ele monta o filme: a palmo, à tesoura, calculando e colando bocados de fita solta. O filme é aceite.

Nesse célebre evento, no V Congresso Internacional da Crítica, decorrido em Lisboa em Setembro de 1931, a obra é mal recebida. O público pateia, Oliveira é acusado de dar a ver a estrangeiros gente descalça, rota e de triste condição. Mas alguns dos estrangeiros que assistem à projecção, como o dramaturgo italiano Pirandello ou o crítico do jornal Temps, Émile Vuillermoz, gostam e começam a falar dele no estrangeiro.

Aquilo que inspira Manoel de Oliveira para filmar o Porto é o tal retrato de Berlim: Berlim, Sinfonia de uma Cidade, do alemão Walter Ruthmann. Ilustra o filme um dia de vida de laboriosos cidadãos da cidade, desde manhãzinha até ao final da noite, nos últimos anos da década de vinte. É obra marcada pela estética da vanguarda soviética, pelas teorias de Dziga Vertov em torno do conceito de montagem musical da imagem. Ideias claramente presentes no Douro, Faina Fluvial. São aqui no entanto adoptadas mais no seu aspecto formal. Não é a ideologia que neste filme as motiva, não é o desejo de mudança. É o puro fascínio. É o fascínio pelo esplendor do Douro, do nobre rio e das suas nobres gentes, gentes de uma cidade sedutora. É o enquadramento sugerido a cada passo, o instantâneo. A alma nele contida. É o retrato puro em movimento, passo a passo. É o cinema sem palavra, em sentido absoluto. É o falar pela imagem. É o bom uso da técnica e a questão do bom gosto.

Manoel de Oliveira voltará a esse género de preocupações – invertendo a perspectiva no retrato e no discurso fílmico – com o registo da palavra e com a encenação. Técnicas que teve de usar para filmar Cristo no Acto da Primavera (1963).

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]