Golfinho-clímene

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Clymenes.jpg
Clymene dolphin size.svg
Estado de conservação
Espécie pouco preocupante
Pouco preocupante (IUCN 3.1) [1]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Cetacea
Subordem: Odontoceti
Família: Delphinidae
Género: Stenella
Espécie: S. clymene
Nome binomial
Stenella clymene
(Gray, 1846)
Distribuição geográfica
Cetacea range map Clymene Dolphin.png

O golfinho-clímene (Stenella clymene) é um cetáceo da família dos delfinídeos encontrado em águas tropicais e temperadas do oceano Atlântico.[2] É o único caso confirmado de especiação híbrida em mamíferos marinhos, sendo descendente do golfinho-rotador e do golfinho-riscado.[3]

Taxonomia[editar | editar código-fonte]

O golfinho-clímene foi formalmente descrito pela primeira vez por John Edward Gray em 1846, embora Gray só lhe atribuiu o nome atual quatro anos depois, em 1850, o que é incomum.[4] A partir de então, até uma reavaliação em 1981, foi considerado uma subespécie do golfinho-rotador (Stenella longirostris).[5]

Em 1981, Perrin et al. afirmou a existência do golfinho-clímene como espécie separada.[6] Até aquele momento, como a espécie era relativamente remota e considerando a semelhança já relatada, não foi muito estudada. Traços anatômicos e comportamentais sugeriram que é uma espécie híbrida do golfinho rotador e do golfinho-riscado. A hipótese foi confirmada por testes de DNA, que mostraram que é de fato uma espécie híbrida.[7][8]

Os nomes populares e científicos da espécie são provavelmente derivados da mitologia grega de Clímene e Oceânides, embora também tenha sido argumentado que pode ser originado da palavra grega para "notório."[4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

É muito parecido com o golfinho-rotador. De perto, é possível observar que o bico do golfinho-clímene é ligeiramente mais curto que o de seu parente. A barbatana dorsal também é menos ereta e triangular.[4]

Sua cor básica é o "cetáceo napolitano" - ocorre em três camadas sombreadas - sendo a parte inferior branca. Em seguida, uma faixa cinza claro vai logo acima do bico, ao redor de cada lado do olho e volta para a cauda, onde a faixa fica mais espessa. A camada superior, da testa, ao longo do dorso até a barbatana dorsal e descendo até o topo da cauda, é cinza escuro. O bico, os lábios e as nadadeiras também são cinza-escuros.[6]

O golfinho-clímene cresce a até cerca de 2 m (6,6 pé) de comprimento[9] e 75–80 kg (170–180 lb) de peso.[10]

Comportamento e biologia[editar | editar código-fonte]

Golfinho-clímene surfando na proa do USNS Supply

A espécie passa a maior parte de sua vida em águas com mais de 100 m (330 pé) de profundidade, mas ocasionalmente se move para regiões costeiras mais rasas.[11] Alimenta-se de lulas e pequenos peixes de cardume,[6][12] caçando à noite ou em águas mesopelágicas, onde a luz é limitada. Entre seus predadores está o tubarão-charuto, como evidenciado por marcas de mordidas vistas em vários animais.[13]

São golfinhos bastante ativos. A espécie gira longitudinalmente ao saltar para fora da água, mas não com tanta regularidade e complexidade quanto o golfinho-rotador. Também se aproxima de barcos e surfa nas ondas de sua proa.[14] Os tamanhos dos grupos variam de apenas quatro até cerca de 150 indivíduos,[4] embora cerca de quarenta seja o típico.[14] Muitos desses grupos parecem ser do mesmo sexo e também separados pela idade aproximada de seus membros.[4][13] Também são altamente vocais, emitindo assobios curtos em uma faixa de 6–19 kHz.[4]

Não há números disponíveis para o tamanho da espécie ao nascer. Os períodos de gestação, lactação e maturação são todos desconhecidos, mas é improvável que variem muito em relação às demais espécies do gênero Stenella. Sua longevidade também é desconhecida, embora pelo menos um golfinho-clímene de dezesseis anos tenha sido relatado a partir de um encalhe.[13]

População e distribuição[editar | editar código-fonte]

É endêmico do Oceano Atlântico. Sua extensão total ainda é pouco conhecida, principalmente em seu extremo sul. As espécies certamente preferem águas temperadas e tropicais. O extremo norte de sua abrangência estende-se aproximadamente de Nova Jersey, no leste-sudeste, ao sul do Marrocos. A ponta sul vai de algum lugar ao redor de Angola até o Rio de Janeiro. Aparentemente a espécie prefere as águas profundas. Numerosos avistamentos foram registrados no Golfo do México. A espécie não foi avistada, no entanto, no Mar Mediterrâneo.[1]

A população total é desconhecida. A única estimativa populacional disponível se limita ao trecho norte do Golfo do México, onde 6.500 golfinhos-clímenes foram relatados. No entanto, suspeita-se que existam três populações bem definidas no Oceano Atlântico, localizadas no Atlântico Norte, Atlântico Sul e Golfo do México.[15] Com base em pesquisas mais recentes, presume-se que os golfinhos-clímenes do Atlântico Sul e do Golfo do México se movam entre essas duas populações, enquanto a população do Atlântico Norte parece estar mais isolada. A espécie pode ser naturalmente rara em comparação com outras do gênero Stenella.[1]

Interação com humanos[editar | editar código-fonte]

A espécie é alvo da pesca no Caribe. Na África Ocidental, relatou-se sua captura em redes. Em Gana, o golfinho-clímene é a espécie de cetáceos mais comumente capturada.[1]

Conservação[editar | editar código-fonte]

Em 2018, a União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) classificou a espécie como "pouco preocupante". A IUCN justificou tal classificação diante de sua abundância moderada e a falta de evidências de que existem ameaças generalizadas em toda sua abrangência. No entanto, a entidade observou que é uma espécie pouco estudada e desconhecida, de modo que não havia dados completos e a classificação era "provisória".[1]

Referências

  1. a b c d e Jefferson, T.A. & Braulik, G. 2018. Stenella clymene. The IUCN Red List of Threatened Species 2018: e.T20730A50373865. https://dx.doi.org/10.2305/IUCN.UK.2018-2.RLTS.T20730A50373865.en. Downloaded on 18 December 2018.
  2. «Golfinho-clímene (Stenella clymene)». Ambiente Brasil. 2021. Consultado em 14 de julho de 2021 
  3. Amarwal A.R.; et al. (2014). «Hybrid Speciation in a Marine Mammal: The Clymene Dolphin (Stenella clymene. PLOS ONE. 9 (1): e83645. PMC 3885441Acessível livremente. PMID 24421898. doi:10.1371/journal.pone.0083645 
  4. a b c d e f Jefferson, T.A.; Curry, B.E. (2003). «Stenella clymene». Mammalian Species. 726: Number 726: pp. 1–5. doi:10.1644/726 
  5. Perrin, W. F.; Mitchell, E. D.; Mead, J. G.; Caldwell, D. K.; van Bree, P. J. H. (1 de janeiro de 1981). «Stenella clymene, a Rediscovered Tropical Dolphin of the Atlantic». Journal of Mammalogy. 62 (3): 583–598. JSTOR 1380405. doi:10.2307/1380405 
  6. a b c Perrin, W.F.; et al. (1981). «Stenella clymene, a rediscovered tropical dolphin of the Atlantic». Journal of Mammalogy. 62 (3): 583–598. JSTOR 1380405. doi:10.2307/1380405 
  7. Amaral, A. R.; Lovewell, G.; Coelho, M. M.; Amato, G.; Rosenbaum, H. C. (2014). Johnson, Norman, ed. «Hybrid Speciation in a Marine Mammal: The Clymene Dolphin (Stenella clymene)». PLOS ONE. 9 (1): e83645. PMC 3885441Acessível livremente. PMID 24421898. doi:10.1371/journal.pone.0083645 
  8. «DNA Discovery Reveals Surprising Dolphin Origins». 13 de janeiro de 2014 
  9. Jefferson, T.A. (1996). «Morphology of the Clymene dolphin (Stenella clymene) in the northern Gulf of Mexico» (PDF). Aquatic Mammals. 22 (1): 35–43 
  10. «Clymene Dolphin (Stenella clymene) - Office of Protected Resources - NOAA Fisheries». nmfs.noaa.gov. 12 de dezembro de 2012. Consultado em 5 de junho de 2016. Cópia arquivada em 4 de março de 2016 
  11. Davis, R.W.; et al. (2002). «Cetacean habitat in the northern oceanic Gulf of Mexico». Deep-Sea Research Part I: Oceanographic Research Papers. 49 (1): 121–142. doi:10.1016/S0967-0637(01)00035-8 
  12. Fertl, D.; et al. (1997). «Coordinated feeding by Clymene dolphins (Stenella clymene) in the Gulf of Mexico» (PDF). Aquatic Mammals. 23 (2): 111–112 
  13. a b c Jefferson, T.A.; et al. (1995). «Notes on the biology of the Clymene dolphin (Stenella clymene) in the northern Gulf of Mexico». Marine Mammal Science. 11 (4): 564–573. doi:10.1111/j.1748-7692.1995.tb00679.x 
  14. a b Mullin, K.D.; et al. (1994). «Sightings of the Clymene dolphin (Stenella clymene) in the Gulf of Mexico». Marine Mammal Science. 10 (4): 464–470. doi:10.1111/j.1748-7692.1994.tb00502.x 
  15. Nara, Luana; de Meirelles, Ana Carolina Oliviera; Souto, Luciano Raimundo Alardo; Silva-Jr., Jose Martins; Farro, Ana Paula Caserta (2017). «An initial population structure and genetic diversity analysis for Stenella Clymene (Gray, 1850): Evidence of differentiation between the North and South Atlantic Ocean». Aquatic Mammals. 43 (5): 507–516. doi:10.1578/AM.43.5.2017.507 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Mead, J. G.; Brownell, R. L. (2005). Order Cetacea. In: WILSON, D. E.; REEDER, D. M. (Eds.) Mammal Species of the World: A Taxonomic and Geographic Reference. 3ª edição. Baltimore: Johns Hopkins University Press. p. 723-743.
  • Carwardine, Mark. Whales Dolphins and Porpoises, Dorling Kindersley Handbooks, ISBN 0-7513-2781-6.
  • Dee, Eileen Mary, and Mark McGinley. 2010. Clymene dolphin. Encyclopedia of Earth. topic ed. C. Michael Hogan. ed. Cutler J. Cleveland, NCSE, Washington DC
  • Jefferson, Thomas A. "Clymene Dolphin" in Encyclopedia of Marine Mammals, 234–236. ISBN 0-12-551340-2
  • Perrin and Mead. (1994). "Clymene Dolphin" in Handbook of Marine Mammals. 5: 161–171.
  • Reeves, Stewart, Clapham, and Powell. National Audubon Society Guide to Marine Mammals of the World, ISBN 0-375-41141-0.