Juruti

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Município de Juruti
Bandeira de Juruti
Brasão de Juruti
Bandeira Brasão
Hino
Aniversário 9 de abril
Fundação 1818 (200 anos)
Emancipação 31 de outubro de 1935 (82 anos)[1]
Gentílico jurutiense[nota 1]
Padroeiro(a) Nossa Senhora da Saúde
Prefeito(a) Manoel Henrique Gomes Costa (PT)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Juruti
Localização de Juruti no Pará
Juruti está localizado em: Brasil
Juruti
Localização de Juruti no Brasil
02° 09' 07" S 56° 05' 31" O02° 09' 07" S 56° 05' 31" O
Unidade federativa Pará Pará
Mesorregião Baixo Amazonas IBGE/2008 [2]
Microrregião Óbidos IBGE/2008
Municípios limítrofes Norte: Óbidos e Oriximiná; Leste: Santarém; Sul: Aveiro; Oeste: Terra Santa e estado do Amazonas.
Distância até a capital 848 km
Características geográficas
Área 8 303,966 km² [3]
População 55 179 hab. IBGE/2016[4]
Densidade 6,64 hab./km²
Altitude 36 m
Clima [Área de monções (Am)
Fuso horário UTC−3
Indicadores
IDH-M 0,592 baixo PNUD/2010[5]
PIB R$ 906 056,16 mil IBGE/2014[6]
PIB per capita R$ 17 174,79 IBGE/2014

Juruti é um município brasileiro do estado do Pará, pertencente à Mesorregião do Baixo Amazonas. Localiza-se no norte brasileiro, a uma latitude 02º09'08" sul e longitude 56º05'32" oeste.[7][8]

Etimologia[editar | editar código-fonte]

Juruti é um topônimo de origem Tupi que significa "colo firme" em alusão ao aspecto das aves Leptotila (a qual fica com o pescoço teso no momento de seu canto), espécie era encontrada em grande quantidade no período da formação do município.[nota 1]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se a uma latitude 02º 09' 08" sul e longitude 56º 05' 32" oeste. Estando a uma altitude de 36 metros. Sua população estimada em 2016 era de 55.179 habitantes.

O município detém uma grande e preservada área de floresta, onde predomina o bioma de floresta tropical amazônica, ombrófila densa, cujo tipo de vegetação é caracterizado como mata perenifólia cujo dossel é de até 50 m, com árvores emergentes de até 40 m de altura.

Lago do Jará, no município de Juruti. Destaca-se a floresta densa que o cerca.

Segundo a o clima de Juruti é de área de monções (Am), que é caracterizada por chuva intensa e muito calor.

História[editar | editar código-fonte]

A região onde se encontra o município de Juruti historicamente em períodos distintos teve seus territórios habitados pelas etnias Pocós e Kondurís os quais eram povos nativos de todo o Baixo Amazonas (oeste do Pará). De acordo com registros do naturalista Domingos Soares Ferreira Pena, no local onde se estabeleceu a Missão Jesuíta de Nossa Senhora da Saúde fora uma aldeia dos índios Mundurucus,[9] localizada sobre as praias brancas do Lago Juruti.

Inicialmente os índios foram catequizados por missionários Capuchinhos e assim fundaram o que seria o atual município de Juruti em 1818, que esteve sujeito à direção de um missionário com poderes paroquiais O "missionário com poderes paroquiais" dispunha de poderes administrativos equivalentes ao atual cargo de "Presidente da Câmara de Vereadores", o padre Antonio Manuel Sanches de Brito. Possuía uma pequena igreja que havia sido construída pelos indígenas da região que em tudo dependia do auxilio da fazenda pública do Pará.

Elevação à freguesia[editar | editar código-fonte]

O município teve a categoria elevada à freguesia sob o nome de "Nossa Senhora da Saúde", dado pelo governo da província do Grão-Pará em execução a lei geral do Império do Brasil de 29 de novembro de 1832 que a considerou como fazendo parte do Termo de Faro nas sessões do Conselho do Governo da província do Pará. Quando foi realizada a divisão da província do Grão-Pará em termos e comarcas - Grão-Pará, Baixo Amazonas e Alto Amazonas em 25 de junho de 1833, pelo decreto-lei nº 20, a localidade adquiriu categoria de freguesia, ficando integrada ao Termo de Faro (atual município de Faro). Nessa época, estabeleceu-se também, o limite ocidental da então criada freguesia de Nossa Senhora da Saúde de Juruti, na serra de Parintins, com os estados do Pará e Amazonas.

Em 1855 era vigário da freguesia de Juruti o padre João Monteiro da Cunha que, em obediência a lei geral do Império do Brasil nº 601 de 18 de setembro de 1850, e de seu regulamento baixado com o decreto Nº 1.318 de 30 de janeiro de 1854, recebeu e registrou as declarações de posse de terras na freguesia com número superior a 300 até na serra de Parintins.

Transferência da sede municipal[editar | editar código-fonte]

Em 3 de dezembro de 1859, de acordo com o relatório do presidente da província do Pará Miguel de Frias e Vasconcelos, foi enviado a sua ordem o engenheiro 1º tenente Joaquim Rodrigues de Moraes Jardim, com instruções precisas e necessárias de estudar os lugares possíveis e escolher o ponto mais conveniente para que então pudesse ser feito o assento da nova povoação da freguesia de Nossa Senhora da Saúde. Foi escolhido o lugar na margem direita do rio Amazonas entre a ponta do Maracá-Açú e a boca do igarapé do Balaio, com a justificativa de "reunir as melhores vantagens e condições favoráveis para o assentamento da nova povoação", pois sua elevação era "bastante considerável" ficando "segura das maiores enchentes que o Rio Amazonas podia apresentar", sendo o terreno "bastante sólido" o que proporciona "melhores condições para a edificação de prédios". Outro fator para escolha do assentamento, estava na disposição de mão-de-obra escrava dos índios Mundurucus, que poderiam ser utilizados na construção da freguesia. Este fato colaborou para a extinção dos povos indígenas da região de Juruti.

No ano de 1872, em execução ao decreto Imperial nº 1.083, a freguesia de Nossa Senhora da Saúde apresentou um candidato indicado pelos missionários para concorrer a uma vaga na câmara de vogais de Óbidos (Câmara de Vereadores) para representar a freguesia.

Com a lei provincial do Pará nº 930 de 15 de julho de 1879, Juruti passou a ser ponto de escala da navegação a vapor subvencionada pela província do Pará, que se estendeu posteriormente até Santa Júlia.

Emancipação política[editar | editar código-fonte]

Em 9 de abril de 1883, sob a lei provincial do Pará de nº 1152, Juruti instala-se como município por delegação do governador da província, Rufino Enéas Gustavo Galvão. A instalação do município se deu por ordem do capitão João Rodrigues, presidente da câmara de Óbidos, onde declarou empossados os primeiros vogais (vereadores) para atuarem na câmara municipal de Juruti. Os vogais (vereadores) empossados foram: Marceonilo Alves Pontes, José Cavalcante Rodrigues de Souza, Antônio Bertoldo de Souza, João Paulo da Silva, Manuel Mâncio de Souza e Inácio José Santarém.

Contudo o reconhecimento como município somente aconteceu por efeito de jurisdição, na legislatura de 1885, quando de fato ocorreram as eleições na qual foram escolhidos os novos representantes políticos que atuariam no quadriênio. Já com os novos representantes eleitos em 1885, assumiu a presidência da câmara o vogal mais velho, Marceonilo Pontes.

Instabilidade política e perda da emancipação[editar | editar código-fonte]

Com a proclamação da República, o governo provisório do estado dissolveu câmara municipal, criando em seguida um conselho de intendência municipal, para o qual nomeou como presidente Dário Rodrigues de Souza; e vogais Joaquim Felipe Batista Gonzaga, Joaquim José de Souza, José Bento Lobo, José Pereira da Costa, Sesino Tavares e José Edmundo Jeffrey. Foi um período de conturbada crise política, em função da transição entre o período monárquico e o republicano.

A lei estadual de nº 687 de 23 de março de 1900 deu melhoras ao distrito de Juruti-Velho, dando-lhe a denominação de vila Muirapinima.

Em consequências de dissecções políticas no município, conjuntamente com os de Quatipuru e Oriximiná, foi extinto o município de Juruti, pela lei de nº 729 de 3 de abril de 1900, anexando o respectivo território aos municípios de Faro e Óbidos, permanecendo extinto por 13 anos.

Restauração da emancipação[editar | editar código-fonte]

O legislativo estadual do Pará, com a lei de nº 1295 de 8 de março de 1913, sancionado pelo governador Enéas Martins, restabeleceu o antigo município de Juruti. O decreto de nº 3.053 de 31 de janeiro de 1914 marcou o dia 1º de março de 1914 para eleição do intendente de vogais do conselho municipal de Juruti.

No dia 3 de maio de 1914 teve o lugar a reinstalação do município, marcado pelo decreto estadual do Pará nº 3.083, com a posse do intendente e vogais eleitos. Em 1920, o município de Juruti aparece formado por somente o distrito-sede.

Sofreu, porém, em face do decreto estadual nº 6 de 4 de novembro de 1930, nova supressão, ficando-lhe o território sob a administração direta do estado. Tais disposições confirmou-as o decreto estadual nº 78, de 27 de dezembro de 1930.

Já a lei estadual nº 8, de 31 de outubro de 1935, ao relacionar os municípios do Pará, inclui, entre eles, o de Juruti, que, nessa categoria, figura nos quadros da divisão territorial, de 31 de dezembro de 1936 e 31 de dezembro de 1937, subdividido em 2 distritos: Juruti e Lago Grande de Vila Franca.

No ano de 1942 em decorrência da Segunda Guerra Mundial houve uma intensa imigração de japoneses para Juruti. Instalaram na vila Amazônia, local pertencente ao município de Parintins no estado do Amazonas, de onde vieram famílias de japoneses para Juruti.

Na divisão territorial que o decreto-lei estadual nº 4.505, de 30 de dezembro de 1943, fixou para vigorar no quinquênio 1944-1948, apresenta-se integrado, como anteriormente, por unicamente o distrito-sede.

Fatos recentes[editar | editar código-fonte]

Nas décadas de 1980 e 1990 ocorreu o fenômeno das terras caídas no município de Juruti. Esse fenômeno fez grandes mudanças na cidade, principalmente no que diz respeito à questão econômica e infraestrutura.

Em meados dos anos de 2004 e 2005 instala-se no município de Juruti um projeto de mineração, chamado de "Projeto Juruti", que explora minério de bauxita.

Pela Lei Municipal nº 941, de 31 de outubro de 2006 o município está dividido administrativamente em quatro distritos: Sede, sendo a própria cidade Juruti; Tabatinga, com sede na vila de Tabatinga; Castanhal, com o sede na vila Castanhal, e; Juruti-Velho sendo sua sede a vila de Muirapinima.

Em 2011 a região oeste do Pará, lutou pela sua emancipação política e administrativa, com o objetivo de criar o estado do Tapajós.[10] No plebiscito sobre a divisão do estado do Pará, a população local votou maciçamente pela divisão, tendo mais de 90% de aprovação.[11] Entretanto o peso demográfico da Região Metropolitana de Belém se sobrepôs ao anseio local, e a divisão para criação do Tapajós foi rejeitada.[12]

Economia[editar | editar código-fonte]

Uma das grandes fontes de renda do município é a mineração, que gera muitos royalty's para o caixa da prefeitura. O principal minério extraído em Juruti é a bauxita, que têm suas minas exploradas pela multinacional estadunidense Alcoa.[13] A área de lavra do minério está localizada nos platôs Capiranga, Mauari e Guaraná, numa área de floresta densa, nas cabeceiras do igarapé Juriti Grande.[14]

Outras fontes de renda do município incluem o extrativismo vegetal, que se assenta, principalmente, na exploração da madeira e na comercialização do açaí in natura. O extrativismo animal também possui grande destaque, com a pesca artesanal.

Outras atividades incluem o setor de comércio e serviços e o beneficiamento de farinha.

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Transportes[editar | editar código-fonte]

A única rodovia que corta o território do município é a PA-257 (ou Rodovia Translago), que liga a sede de Juruti às vilas de São Pedro, Aracuri, Curuaí e Arapixuna. Na extremidade oeste da PA-257, em Arapixuna, há um porto de onde partem embarcações diariamente à Santarém, Óbidos e Alenquer. Pelo Plano Estadual de Rodovias, esta deveria ter pavimento asfáltico e terminar sua ligação com a rodovia BR-163.[15]

O município conta com uma ferrovia, a Estrada de Ferro Juruti, que funciona majoritariamente para transporte de cargas minerais da Mina de Bauxita de Juruti até o Porto de Juruti.[16]

O Porto de Juruti, às margens do rio Amazonas, é um dos maiores do estado do Pará, tendo capacidade de receber até mesmo navios de grande calado, como os Panamax.[17]

A sede municipal dispõe de uma pista de pousos, o Aeroporto de Juruti (SJOH).[18]

Educação[editar | editar código-fonte]

O município possui um campus da Universidade Federal do Oeste do Pará, que oferta, em período regular, os cursos de agronomia e engenharia de minas.

Notas

  1. a b Juruti topônimo de origem Tupi que significa "colo firme" em alusão ao aspecto das aves da espécie Leptotila, que ficam com o pescoço teso no momento de seu canto. Espécie era encontrada em grande quantidade no período da formação do município

Referências

  1. «Juruti» (PDF). IBGE. Consultado em 26 de abril de 2011. 
  2. «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. IBGE. 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  3. IBGE (10 de outubro 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 de dezembro 2010. 
  4. «Estimativa Populacional 2016» (PDF). Estimativa Populacional 2016. IBGE. 1º de julho de 2016. Consultado em 29 de dezembro de 2016. 
  5. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 21 de setembro de 2013. 
  6. «PIBMunicipal2010-2014». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 29 dez. 2016. 
  7. «Estado Pará, Município Juruti, Panorama». IBGE. 2015. Consultado em 9 de maio de 2018. 
  8. «Juruti, Pará - PA». Geógrafos. Consultado em 9 de abril de 2018. 
  9. «As Missões Jesuítas no Rio Tapajós». NoTapajós 
  10. «Audiência pública em Juruti debate a criação do estado do Tapajós». Chupa Osso 
  11. «Resultado do plebiscito por município - Carajás». Camaléo 
  12. «Apenas 4 cidades que integrariam Tapajós votaram contra divisão do PA». G1 
  13. Mina de bauxida da Alcoa em Juruti completa 8 anos de Operação. Blog do Jeso. 15 de setembro de 2017
  14. Alcoa em Juruti: mais um crime contra a humanidade. I. Impactos da Mineração no Sul e Sudeste do Pará. 13 de dezembro de 2010. T. M. da Cruz.
  15. Folhes, Ricardo Theophilo. (7 de dezembro de 2016). O Lago Grande do Curuai: história fundiária, usos da terra e relações de poder numa área de transição várzea-terra firme na Amazônia. (PDF). Paris: Université Paris 3 Sorbonne Nouvelle 
  16. Cetem (8 de janeiro de 2013). «Exploração de bauxita gera danos socioambientais em Juruti (PA)». Brasília: Cetem 
  17. «Norsul Juruti faz descarga histórica de bauxita no cais do Porto da Alumar» (PDF). São Luis/MA: O Estado do Maranhão/Caderno Portos. 14 de janeiro de 2012 
  18. Aeródromo de Juruti é fechado após falta de gestão. Portal G1 PA. 22 de setembro de 2016.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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