Moulin Rouge (1952)

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Moulin Rouge
Pôster promocional do filme.
No Brasil Moulin Rouge
Em Portugal Moulin Rouge
 Reino Unido
1952 •  cor •  118 min 
Direção John Huston
Produção John Woolf
James Woolf
Roteiro John Huston
Anthony Veiller
Baseado em Moulin Rouge
romance de 1950
de Pierre La Mure
Elenco José Ferrer
Zsa Zsa Gabor
Suzanne Flon
Gênero drama biográfico
Música Georges Auric
William Engvick
Cinematografia Oswald Morris
Edição Ralph Kemplen
Companhia(s) produtora(s) Romulus Films
Distribuição United Artists (EUA)
British Lion Films (RU)
Estreia
  • 23 de dezembro de 1952 (1952-12-23) (Estados Unidos)
  • 13 de março de 1953 (1953-03-13) (Reino Unido)
Idioma inglês
Orçamento US$ 1,1 milhão[1]
Receita US$ 9 milhões[2]

Moulin Rouge (bra/prt: Moulin Rouge)[3][4] é um filme britânico de 1952, do gênero drama biográfico, dirigido por John Huston, e roteirizado pelo próprio Huston, acompanhado de Anthony Veller. Foi produzido por John e James Woolf, ambos da Romulus Films, e distribuído pela United Artists. O filme conta a história de vida do artista francês Henri de Toulouse-Lautrec, e mostra a subcultura boêmia de Paris em torno do cabaré Moulin Rouge. A produção foi adaptada do livro homônimo de 1950, de Pierre La Mure.

Em 2001, foi lançado "Moulin Rouge!", que, apesar do nome, não é uma refilmagem do filme.

Sinopse[editar | editar código-fonte]

O famoso cartaz de 1891, mostrando os dançarinos La Goulue e Valentin le Désossé.

Em 1890, em Paris, no popular cabaré Moulin Rouge, o jovem artista de família nobre Henri de Toulouse-Lautrec (José Ferrer) bebe uma garrafa de conhaque e esboça desenhos das dançarinas que se apresentam. Ele é amigo de frequentadores habituais e artistas da casa, tais como a cantora Jane Avril (Zsa Zsa Gabor), das dançarinas rivais La Goulue (Katherine Kath), e a argelina Aicha (Muriel Smith), que constatemente brigam, além do proprietário Maurice Joyant (Lee Montague). Joyant faz a proposta de um mês de bebidas grátis para Henri em troca da encomenda de um cartaz publicitário. Henri espera todos os frequentadores saírem da casa antes que ele também saia, pois não quer que as outras pessoas vejam suas pernas, deformadas por um acidente na infância. Ao se dirigir para o seu apartamento em Montmartre, Henri encontra a prostituta Marie Charlet (Colette Marchand), e os dois iniciam um romance. Henri prepara o cartaz que lhe fora encomendado como uma litografia que, apesar de causar estranheza ao proprietário, é aceito.

O cartaz publicitário se torna uma sensação e a casa fica famosa, mudando o nível dos frequentadores e afastando os antigos artistas e dançarinas. Mas Henri acaba descobrindo a traição de Marie e se afunda no alcoolismo, até que, em 1900, conhece a modelo Myriamme Hyam (Suzanne Flon) na Ponte do Rio Sena. Myriamme é sofisticada e grande admiradora do trabalho de Henri, e assim os dois tornam-se amigos. Apesar da forte relação, Henri continua a beber e sua solidão aumenta cada vez mais, mesmo com o reconhecimento ainda em vida da qualidade de suas pinturas.

Elenco[editar | editar código-fonte]

Produção[editar | editar código-fonte]

No filme, Ferrer interpreta Henri e seu pai, o Conde Alphonse de Toulouse-Lautrec. Transformar Ferrer em Henri exigia o uso de plataformas, além de ângulos especiais da câmera, maquiagem e figurinos. Dublês também foram utilizados a curto prazo. Além disso, Ferrer usou um conjunto de joelheiras de sua própria escolha, permitindo que conseguisse andar apenas de joelhos. Ele recebeu muitos elogios não apenas por sua atuação, mas por sua disposição de ficar com as pernas amarradas de tal maneira, simplesmente para desempenhar um papel.

Foi relatado que John Huston pediu ao diretor de fotografia Oswald Morris para renderizar o esquema de cores do filme a fim de parecer "como se Toulouse-Lautrec o tivesse dirigido".[5] "Moulin Rouge" foi filmado em três fitas de Technicolor. A impressão de projeção das cores foi criada por transferência de corante em três matrizes de cores primárias. Isso permitiu grande flexibilidade no controle da densidade, contraste e saturação da impressão. Huston pediu uma paleta suave em vez das cores espalhafatosas pelas quais o "glorioso Technicolor" era conhecido. A empresa estava relutante em realizar o pedido.

O filme foi gravado nos Estúdios Shepperton, em Shepperton, Surrey, na Inglaterra, com locações em Londres e Paris.

Recepção[editar | editar código-fonte]

Durante seu primeiro ano de lançamento, o filme lucrou £205.453 nos cinemas britânicos,[6] e arrecadou US$ 9 milhões nas bilheterias estadunidenses.[2]

De acordo com a National Film Finance Corporation, o filme teve um ótimo retorno lucrativo.[7]

Ferrer recebeu 40 por cento dos rendimentos do filme, bem como outros direitos. Essa remuneração deu origem a um importante caso tributário do Segundo Circuito dos EUA, Comissário vs. Ferrer (1962), no qual Ferrer argumentou que foi altamente taxado.[8]

Prêmios e indicações[editar | editar código-fonte]

Prêmio Categoria Recipiente Resultado Ref.
Oscar Melhor Filme Indicado [9][10]
Melhor Diretor John Huston
Melhor Ator José Ferrer
Melhor Atriz Secundária Colette Marchand Indicada
Melhor Direção de Arte – Cor Paul Sheriff e Marcel Vertès Venceu
Melhor Figurino – Cor Marcel Vertès
Melhor Edição Ralph Kemplen Indicado
BAFTA Melhor Filme
Melhor Filme Britânico
Melhor Ator ou Atriz em Ascenção Colette Marchand Indicada
British Society of Cinematographers Melhor Cinematografia Oswald Morris Venceu
Globo de Ouro Melhor Atriz Revelação Colette Marchand
National Board of Review Melhor Filme Estrangeiro 2° Lugar
Festival de Cinema de Veneza Leão de Ouro John Huston Indicado
Leão de Prata Venceu
Writers Guild of America Melhor Roteiro Dramático Anthony Veiller e John Huston Indicado

O filme não foi nomeado por sua cinematografia colorida, que muitos críticos acharam notáveis. Leonard Maltin, em seu guia anual de filmes e vídeos declarou: "Se você não consegue entender isso em cores, pule".

Em uma entrevista logo após a estreia de sua versão cinematográfica de sucesso de "Cabaret", Bob Fosse reconheceu as filmagens de John Huston em "Moulin Rouge" como sendo muito influentes em seu próprio estilo de filme.

A música tema do filme tornou-se muito conhecida e chegou às paradas musicais da indústria fonográfica.

Restauração digital[editar | editar código-fonte]

O filme foi restaurado digitalmente pela FotoKem para estreia em Blu-ray. A restauração digital quadro a quadro foi feita pela Prasad Corporation removendo sujeira, rasgos, arranhões e outros defeitos.[11][12] Em abril de 2019, uma versão restaurada do filme da The Film Foundation, Park Circus, Romulus Films, e MGM foi selecionada para ser exibida na seção de filmes clássicos no Festival de Cinema de Cannes, em 2019.[13]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Arneel, Gene (29 de junho de 1960). «Huston: 'Me For Li'l Budgets'». Variety. p. 19. Consultado em 26 de junho de 2022 – via Archive.org 
  2. a b «Some of the Top UA Grossers». Variety. 24 de junho de 1959. p. 12. Consultado em 26 de junho de 2022 
  3. «Moulin Rouge». AdoroCinema. Brasil. Consultado em 26 de junho de 2022 
  4. «Moulin Rouge». SapoMag. Portugal. Consultado em 26 de junho de 2022 
  5. Vallance, Tom (1 de julho de 1999). «"Obituary: Sir John Woolf"». The Independent. Consultado em 26 de junho de 2022 
  6. Porter, Vincent (2000). 'The Robert Clark Account', Historical Journal of Film, Radio and Television. 20 4 ed. [S.l.: s.n.] p. 499. doi:10.1080/713669742 
  7. U.S. MONEY BEHIND 30% OF BRITISH FILMS: Problems for the Board of Trade The Manchester Guardian (1901-1959) [Manchester (UK)] 4 May 1956: 7
  8. «304 F. 2d 125 - Commissioner of Internal Revenue v. Ferrer». OpenJurist. Consultado em 26 de junho de 2022 
  9. «NY Times: Moulin Rouge». Movies & TV Dept. The New York Times. Baseline & All Movie Guide. 2009. Consultado em 21 de dezembro de 2008. Arquivado do original em 6 de abril de 2009 
  10. «NY Times: Moulin Rouge». NY Times. Consultado em 21 de dezembro de 2008. Arquivado do original em 6 de abril de 2009 
  11. Prasad Corporation, Digital Film Restoration Arquivado 2014-10-13 no Wayback Machine
  12. «FotoKem - Home». fotokem.com. Consultado em 26 de junho de 2022. Arquivado do original em 11 de julho de 2011 
  13. «Cannes Classics 2019». Festival de Cannes. 26 de abril de 2019. Consultado em 26 de junho de 2022