Nkosi Sikelel' iAfrika
| Português: Deus Abençoe a África | |
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Partitura do hino | |
Hino nacional de África do Sul, Namíbia e Zâmbia | |
| Letra | Enoch Sontonga, 1897 |
| Composição | Enoch Sontonga, 1897 |
| Adotado | 10 de maio de 1994 (co-hino da África do Sul) 21 de março de 1990 (Namíbia) 24 de outubro de 1964 (Zâmbia) |
| Até | 10 de outubro de 1997 (África do Sul) 17 de dezembro de 1991 (Namíbia) 14 de setembro de 1973 (Zâmbia) |
| Precedido por | "Die Stem van Suid-Afrika" (África do Sul e Namibia) "God Save the Queen" (Zâmbia) |
| Sucedido por | "Hino nacional da África do Sul" (África do Sul) "Namibia, Land of the Brave" (Namíbia) "Stand and Sing of Zambia, Proud and Free" (Zâmbia) |
| Amostra de áudio | |
Nkosi Sikelel' iAfrika (lit. "Deus Abençoe a África") é um hino cristão composto em 1897 por Enoch Sontonga, um clérigo xhosa em uma escola missionária metodista perto de Joanesburgo.
A canção tornou-se um hino de libertação pan-africano, e versões dela foram posteriormente adotadas como hinos nacionais de cinco países africanos: Namíbia, Tanzânia, Zâmbia e Zimbábue após a independência, e África do Sul após o fim do apartheid. Tanzânia e Zimbábue fizeram uso de traduções da letra, enquanto os demais utilizaram a versão original na língua xhosa. Tanzânia e Zâmbia ainda utilizam a melodia, assim como a África do Sul, que a tornou parte de uma composição híbrida.
Em 1994, Nelson Mandela decretou que Nkosi Sikelel' iAfrika seria adotado como hino nacional conjunto da África do Sul;[1] uma versão revisada, incluindo elementos de Die Stem (o então co-hino herdado do governo do apartheid), foi adotada em 1997.[2] Este novo hino nacional sul-africano é às vezes chamado de Nkosi Sikelel' iAfrika, embora não seja seu nome oficial.[3]
O hino também é frequentemente considerado o hino "nacional" não oficial da África. Segundo o antropólogo David Coplan: "'Nkosi Sikelel' iAfrika' passou a simbolizar, mais do que qualquer outra forma de expressão cultural, a luta pela unidade e libertação africana na África do Sul."[4]
História
[editar | editar código]| Hinos nacionais da África do Sul | ||||||||||||||
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Nkosi Sikelel' iAfrika foi composto em 1897 por Enoch Mankayi Sontonga, um professor de uma escola missionária metodista perto de Joanesburgo. Consistia em uma única estrofe em xhosa e foi concebida para ser cantada como um hino.[5] Escrita em si bemol maior, tinha uma harmonia a quatro vozes sustentando uma melodia repetitiva característica tanto da composição de hinos ocidentais quanto das melodias indígenas sul-africanas.[6] Foi cantada publicamente pela primeira vez na ordenação de John Hlengani Mboweni como pastor em 1899.[5] Em 1927, sete estrofes adicionais em xhosa foram acrescentadas pelo poeta Samuel Mqhayi.[7][5]
O hino foi adotado pelo coro da escola secundária Ohlange, cujo cofundador foi o primeiro presidente do Congresso Nacional Nativo Sul-Africano. Foi cantado para encerrar a reunião do Congresso em 1912 e, em 1925, tornou-se o hino oficial de encerramento da organização, agora conhecida como Congresso Nacional Africano (CNA).[8]
Nkosi Sikelel' iAfrika foi publicado pela primeira vez em 1927.[8] A canção foi o hino oficial do Congresso Nacional Africano durante a era do apartheid, e foi um símbolo do movimento antiapartheid.[9] Por décadas, durante o regime do apartheid, foi considerada por muitos como o hino nacional não oficial da África do Sul, representando o sofrimento das massas oprimidas. Devido à sua ligação com o CNA, a canção foi proibida pelo regime nesta época.[10]
Uso atual
[editar | editar código]África do Sul
[editar | editar código]Em 1994, após o fim do apartheid, o novo presidente da África do Sul, Nelson Mandela, declarou que ambos Nkosi Sikelel' iAfrika e o hino nacional anterior, Die Stem van Suid-Afrika, seriam hinos nacionais. Enquanto a inclusão de Nkosi Sikelel' iAfrika celebrava a recém conquistada liberdade da maioria dos sul-africanos, a manutenção de Die Stem mesmo após o fim do apartheid representava o desejo do novo governo liderado por Mandela de respeitar todas as raças e culturas em uma nova era inclusiva que surgia na África do Sul. Durante esse período, era costume tocar "Die Stem" juntamente com Nkosi Sikelel' iAfrika em ocasiões que exigiam a execução de um hino nacional.[1][11][12][13]
Em 1996, uma versão reduzida e combinada das duas composições foi lançada como o novo hino nacional da África do Sul, de acordo com a constituição sul-africana, e foi adotada no ano seguinte. Esta versão utiliza cinco dos onze idiomas oficiais da África do Sul. Os dois primeiros versos da primeira estrofe são cantados em xhosa e os dois últimos em zulu. A segunda estrofe é cantada em sesotho. A terceira estrofe consiste em um trecho integral de Die Stem van Suid-Afrika, e é cantada em africâner. A quarta e última estrofe, cantada em inglês, é uma versão modificada dos versos finais de Die Stem.[14][2]
Segundo o musicologista britânico Nicholas Cook:
Nkosi Sikelel' iAfrika possui um significado que emerge do ato de executá-lo. Como toda performance coral, desde cantar um hino até entoar cânticos em uma partida de futebol, envolve participação e interação comunitária, todos precisam ouvir uns aos outros e seguir em frente juntos. Não apenas simboliza a unidade, como a vivencia... Através de sua construção harmônica em blocos e fraseado regular, Nkosi Sikelel' iAfrika cria uma sensação de estabilidade e interdependência, sem que nenhuma voz se sobreponha às outras... Situa-se audivelmente na interface entre as tradições europeias de harmonia 'prática comum' e as tradições africanas de canto comunitário, o que lhe confere uma qualidade inclusiva totalmente adequada às aspirações da nova África do Sul... Recorrendo à capacidade da música de moldar a identidade pessoal, Nkosi Sikelel' iAfrika contribui ativamente para a construção da comunidade que é a nova África do Sul. Nesse sentido, cantá-la é um ato político.[15]
Tanzânia
[editar | editar código]Mungu ibariki Afrika, uma tradução em suaíli de Nkosi Sikelel' iAfrika com letras parcialmente modificadas, tem sido usada como hino nacional da Tanzânia desde 1961. Isso o torna o primeiro hino nacional a ser baseado na melodia.[16]
A tradução foi escrita para substituir o hino nacional britânico, God Save the Queen, e foi oficialmente executada pela primeira vez em 8 de dezembro de 1961, durante uma celebração da independência de Tanganica do Império Britânico. 75.000 pessoas reuniram-se no recém-construído estádio nacional em Dar es Salaam na noite da independência, incluindo o primeiro-ministro Julius Nyerere, o governador-geral Sir Richard Turnbull, e o príncipe Philip.[17]
A canção continuou a ser usada como hino nacional após Tanganica se fundir com Zanzibar em 1964, para formar a Tanzânia.[18][19]
Zâmbia
[editar | editar código]Nkosi Sikelel' iAfrika foi o hino nacional da Zâmbia desde a independência, em 1964, até 1973, quando a melodia foi mantida, mas a letra foi substituída por Stand and Sing of Zambia, Proud and Free.[20][21]
Antigamente
[editar | editar código]Zimbábue
[editar | editar código]Ishe Komborera Africa foi a versão zimbabuense de Nkosi Sikelel' iAfrika, cantada nas línguas Shona e Ndebele. Foi seu primeiro hino nacional, adotado após a independência em 1980. Em 1994, foi substituído por Kalibusiswe Ilizwe leZimbabwe.[22]
Namíbia
[editar | editar código]Nkosi Sikelel' iAfrika foi usado como hino nacional da Namíbia na independência do país, em março de 1990, mas foi substituído em 1991 por Namibia, Land of the Brave.[23]
Outros países e organizações
[editar | editar código]Em outros países africanos da África Austral, a canção foi cantada por diversos movimentos independentistas e outros. Fora da África, a canção é talvez mais conhecida como o hino de longa data do Congresso Nacional Africano, como resultado do movimento global antiapartheid das décadas de 1970 e 1980, quando era cantada regularmente em reuniões e outros eventos.[5]
Na Finlândia, a mesma melodia é usada no salmo infantil Kuule, Isä taivaan, pyyntö tää (em português: "Escute, Pai celestial"). O hino apareceu no Virsikirja, o hinário da Igreja Evangélica Luterana da Finlândia, com letra de Jaakko Löytty.[24]
Em 1986, no álbum Meu Lado, o cantor brasileiro Djavan fez uma homenagem à África ao cantar Nkosi Sikelel' iAfrika, intitulada como "Hino do Congresso Nacional Africano".[25]
Notas
[editar | editar código]- Este artigo foi inicialmente traduzido, total ou parcialmente, do artigo da Wikipédia em inglês cujo título é «Nkosi Sikelel' iAfrika», especificamente desta versão.
Referências
- 1 2 «South Africa (1994-1997)». nationalanthems.info (em inglês). Cópia arquivada em 1 de junho de 2018
- 1 2 «National anthem». South African Government (em inglês). Consultado em 12 de junho de 2026. Cópia arquivada em 12 de janeiro de 2024
- ↑ «South Africa». nationalanthems.info (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026
- ↑ Coplan, David B.; Jules-Rosette, Bennetta (2004). « 'Nkosi Sikelel' iAfrika': From Independent Spirit to Political Mobilization». Cahiers d'Études Africaines. 44 (173/174): 343–367. doi:10.4000/etudesafricaines.4631

- 1 2 3 4 Jules-Rosette, Bennetta; Coplan, David B. (2004). «'Nkosi Sikelel' iAfrika': From Independent Spirit to Political Mobilization»
. Cahiers d'Études africaines. 173-174: 343–367. doi:10.4000/etudesafricaines.4631. Consultado em 10 de agosto de 2024 - ↑ Redmond, Shana L. (2014). Anthem: Social Movements and the Sound of Solidarity in the African Diaspora. New York: New York University Press. 225 páginas. ISBN 978-1-243-64654-5
- ↑ Bennetta Jules-Rosette (2004). «Nkosi Sikelel' iAfrika»
. Etudesafricaines.revues.org. Cahiers d'Études Africaines. 44 (173–174): 343–367. doi:10.4000/etudesafricaines.4631
. Consultado em 27 de maio de 2013 - 1 2 «Enoch Mankayi Sontonga» (em inglês). South African History Online. Consultado em 7 de maio de 2014
- ↑ «Encyclopedia of African History and Culture. Volume IV – The Colonial Era (1850 TO 1960)». Scribd.com (em inglês). Consultado em 15 de fevereiro de 2011. Arquivado do original em 11 de maio de 2011
- ↑ Lynskey, Dorian (6 de dezembro de 2013). «Nelson Mandela: the triumph of the protest song». The Guardian (em inglês)
- ↑ «Full Nelson Mandela Inauguration on 10th of May 1994». YouTube. SABC Digital News. 8 de maio de 2015
- ↑ «Die Stem, 'Nkosi Sikelel' iAfrika' and 'Star Spangled Banner' – Mandela State Visit (1994)». YouTube. Anthem Base. 26 de fevereiro de 2016
- ↑ «New South African Flag Raising Ceremony». C-SPAN (em inglês). Consultado em 21 de junho de 2021
- ↑ «National Anthem». South Africa - New York (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026
- ↑ Nicholas Cook (24 de fevereiro de 2000). Music: A Very Short Introduction. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-160641-0)
- ↑ Pritchett, Bev (2008). Tanzania in pictures. [S.l.]: Minneapolis, MN : Twenty-First Century Books. ISBN 978-0-8225-8571-8
- ↑ Taylor, James Clagett (1963). The political development of Tanganyika. [S.l.]: Stanford : Stanford University Press
- ↑ Pritchett, Bev (2008). Tanzania in pictures. [S.l.]: Minneapolis, MN : Twenty-First Century Books. ISBN 978-0-8225-8571-8
- ↑ «Tanzania». nationalanthems.info (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026
- ↑ «National Anthem Act, Cap 7» (em inglês). Zambia Legal Information Institute. 14 de setembro de 1973. Consultado em 30 de abril de 2014. Arquivado do original em 2 de maio de 2014
- ↑ «Zambia». nationalanthems.info (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026
- ↑ «Zimbabwe (1980-1994)». nationalanthems.info (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2020
- ↑ «Namibia». nationalanthems.info (em inglês). Consultado em 11 de junho de 2026. Cópia arquivada em 1 de março de 2020
- ↑ «Taustakuvaus virrestä 501». evl.fi (em finlandês). Consultado em 20 de agosto de 2016. Arquivado do original em 5 de março de 2016
- ↑ «MEU LADO». Discos do Brasil. Consultado em 11 de junho de 2026
Ligações externas
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Media relacionados com Nkosi Sikelel' iAfrika no Wikimedia Commons
O Wikisource possui fontes primárias relacionadas com Nkosi Sikelel' iAfrika- Letra de Nkosi Sikelel' iAfrika no site do Congresso Nacional Africano
- Thomasmesse Iserlohn (#18: Nkosi Sikelel' iAfrika, mp3 cantado por um coro de igreja alemão)
- História de Nkosi Sikelel' iAfrika
- BBC Rhythms of the Continent: Nkosi Sikelel' iAfrika no estilo kwaito