O Clarim (Macau)

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O Clarim é um semanário trilingue de orientação católica a operar activamente em Macau, uma cidade localizada no sul da República Popular da China. Com edições digitais e em papel nas línguas portuguesa, inglesa e chinesa, este semanário é propriedade da Diocese de Macau. Fundado em 1948, é actualmente o jornal de língua portuguesa mais antigo de Macau ainda em circulação regular.

Missão e valores[editar | editar código-fonte]

O Clarim foi fundada como jornal de língua portuguesa em Macau, no mês de Maio de 1948, para noticiar, analisar e comentar os diversos acontecimentos da Igreja Católica e da sociedade em geral, com maior enfoque para os acontecimentos vividos em Macau e em Portugal. Também pretende ser uma voz e ferramenta de comunicação social da Igreja Católica em Macau, através, por exemplo, da divulgação e promoção de diversas actividades locais incentivadas e/ou desenvolvidas por ela, nomeadamente as de carácter pastoral, educacional e assistencial. Além de temas religiosos e espirituais, o jornal aborda, sempre à luz de uma perspectiva cristã, variados temas relacionados com o ser humano, em toda a sua globalidade, e o seu viver em sociedade.

Este jornal, além de ser noticioso, procura também ser uma importante ferramenta de formação, principalmente a nível social, cultural e religioso, através da defesa dos valores católicos e do pensamento cristão. Sempre com o objectivo de contribuir para a elevação e dignificação do ser humano, a acção do jornal deve ser compreendida como uma parte integrante do grande plano de acção social da Igreja Católica, norteado pela Doutrina Social da Igreja.

O Clarim é, desde sempre, propriedade da Diocese de Macau. O actual director é o padre fiipino José Mário Mandía. Sob a sua orientação, em 2014, O Clarim tornou-se num jornal trilingue, com edições semanais nas línguas portuguesa, inglesa e chinesa. Com esta reforma, o semanário quis servir melhor a multicultural população católica de Macau, que é essencialmente constituída por chineses, lusófonos (portugueses europeus, macaenses, angolanos, brasileiros, etc.) e anglófonos (maioritariamente filipinos).

História[editar | editar código-fonte]

Durante a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), Macau, embora não estivesse ocupado pelo Império Japonês, estava completamente isolado do Mundo, com as suas vizinhanças ocupadas por esta temível potência beligerante. A população da cidade, principalmente os jovens, estava desinformada, incerta e perturbada com o futuro de Macau e da região circundante. Estava especialmente amedontrada pelos horrores cometidos pelos exércitos nipónicos por todo o Sudeste Asiático.

Foi neste ambiente atribulado de incertezas e de angústias que, em Junho de 1943, o então jovem padre Manuel Teixeira publicou uma pequena revista baptizada com o nome de Clarim. Esta revista, devido aos temas tratados, foi ganhando prestígio e importância. Esta revista teve uma vida curta, mas tornou-se na semente de um jornal que iria surgir cinco anos mais tarde.

O jornal só apareceu quando um grupo de jovens católicos (composto por José Patrício Guterres, Herculano Estorninho, José Silveira Machado, Abílio Rosa, Gastão de Barros, José de Carvalho e Rêgo, Rui da Graça Andrade e Rolando das Chagas Alves) apresentou aos padres Fernando Leal Maciel e Júlio Augusto Massa a idéia de publicarem um jornal. Os também jovens padres apoiaram esta proposta e acharam-na uma boa, mas ousada ideia, devido às inúmeras dificuldades que os jovens iriam encontrar, sobretudo as dificuldades financeiras. Estas últimas foram ultrapassadas com a decisão do então Bispo de Macau, D. João de Deus Ramalho, em financiar a impressão e as despesas do jornal. Assegurado o financiamento, os jovens, que concordaram em colaborar no jornal nas horas que lhes sobravam dos seus afazeres profissionais, iniciaram contactos e diligências respeitantes à parte técnica e tipográfica.

No dia 2 de Maio de 1948, o semanário O Clarim, com 8 páginas, suplemento da revista com o mesmo nome, foi posto a circular, sob o lema «Por Deus, pela Pátria», e com um cabeçalho desenhado pelo pintor russo, George Smirnoff, que naquela altura vivia em Macau.

Em 27 de Julho de 1955, o jornal passou a bissemanário. Em Maio de 1983 o número de páginas passou para 16, em Dezembro de 1989 para 20, e em Dezembro de 1990 para 24. Nestas 24 páginas, a partir de 1 de Junho de 2001, 4 são a cores, simbolizando a melhoria da qualidade do jornal a nível de impressão. No dia 6 de Outubro de 2006, O Clarim lançou o seu portal digital na Internet.

Em 2014, fruto de uma saudável reforma, O Clarim passou a disponibilizar também edições semanais em língua inglesa (em Abril) e em língua chinesa (em Junho), nos formatos digital (online) e em papel. Desde então, tornou-se num semanário trilingue.

Lista dos directores d'O Clarim[editar | editar código-fonte]

  • Pe. Dr. Fernando H. L. Maciel – De 2-5-1948 a 4-6-1948
  • Pe. Júlio Augusto Massa – De 11-7-1948 a 14-11-1948
  • Pe. Áureo da Costa Nunes e Castro – De 21-11-1948 a 24-4-1949 (Director interino)
  • Pe. Dr. Fernando H. L. Maciel – de 1-5-1949 a 30-4-1959
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 3-5-1959 a 1-3-1962
  • Pe. Artur Augusto Neves – De 4-3-1962 a 4-8-1966
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 11-8-1966 a 18-4-1971
  • Pe. Alfredo Tavares – De 22-4-1971 a 4-5-1972
  • Pe. Ramiro Marta – De 7-5-1972 a 2-8-1973
  • Pe. Américo Casado – De 5-8-1973 a 12-10-1975
  • Pe. José Barcelos Mendes – De 16-10-1975 a 19-2-1978
  • Pe. José Coelho Matias – De 23-2-1978 a 30-12-1979
  • António Augusto da Canhota – De 3-1-1980 a 4-6-1981
  • Tomás Rosa Pereira – De 7-6-1981 a 3-1-1982
  • António Augusto da Canhota – De 7-1-1982 a 11-3-1982
  • Tomás Rosa Pereira – De 14-3-1982 a 3-4-1983
  • Pe. Manuel F. Moreira – De 13-6-1983 a 5-7-1985
  • Pe. Albino Bento Pais – De 01-7-1985, até 16-04-2014
  • Pe. José Mário Mandía - De 16-04-2014, até ao presente momento.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências e ligações externas[editar | editar código-fonte]