O Retrato de Dorian Gray

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O Retrato de Dorian Gray
The Picture of Dorian Gray
Lippincott doriangray.jpg
O Retrato de Dorian Gray publicado em julho de 1890 pela "Lippincott's Monthly Magazine".
Autor (es) Oscar Wilde
Idioma Inglês
Género Romance filosófico
Lançamento 1890
Edição portuguesa
Tradução Januário Leite, Maria de Lourdes Sousa Ruivo
Editora Círculo de Leitores, Gleba, Verbo, Portugália, Estampa, Romano Torres
ISBN ISBN 972-42-0176-7

O Retrato de Dorian Gray (em inglês: The Picture of Dorian Gray) é um romance filosófico do escritor e dramaturgo Oscar Wilde. Publicado pela primeira vez como uma história periódica em julho de 1890 na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine,[1] os editores temiam que a história fosse indecente, e sem o conhecimento de Wilde, suprimiram cinco centenas de palavras antes da publicação. Apesar da censura, O Retrato de Dorian Gray ofendeu a sensibilidade moral dos críticos literários britânicos, alguns dos quais disseram que Oscar Wilde merecia ser acusado de violar as leis que protegiam a moralidade pública. Em resposta, Wilde defendeu agressivamente seu romance e arte em correspondência com a imprensa britânica.

Wilde revisou e ampliou a edição de revista de O Retrato de Dorian Gray (1890) para uma publicação como um romance; a edição do livro (1891) que contou com um prefácio aforístico — uma apologia sobre a arte do romance e do leitor. O conteúdo, estilo e apresentação do prefácio se tornaram famosos em seu próprio direito literário, como crítica social e cultural. Em abril de 1891, a casa editorial Ward, Lock and Company publicou a versão revisada de O Retrato de Dorian Gray.[2]

O único romance escrito por Wilde, O Retrato de Dorian Gray existe em duas versões, a edição de revista de 1890 e a edição do livro de 1891, da história que ele havia submetido para a publicação periódica na revista mensal Lippincott's Monthly Magazine.[3] Conforme a literatura do século XIX, O Retrato de Dorian Gray é um exemplo de literatura gótica com fortes temas interpretados a partir do lendário Fausto.[4]

Resumo[editar | editar código-fonte]

Dorian Gray é o tema de um retrato de corpo inteiro em óleo de Basil Hallward, um artista que está impressionado e encantado com a beleza de Dorian; ele acredita que a beleza de Dorian é responsável pela nova modalidade em sua arte como pintor. Através de Basil, Dorian conhece Lorde Henry Wotton, e ele logo se encanta com a visão de mundo hedonista do aristocrata: que a beleza e a satisfação sensual são as únicas coisas que valem a pena perseguir na vida.

Entendendo que sua beleza irá desaparecer, Dorian expressa o desejo de vender sua alma, para garantir que o retrato, em vez dele, envelheça e desapareça. O desejo é concedido, e Dorian persegue uma vida libertina de experiências variadas e amorais; enquanto isso seu retrato envelhece e registra todos os pecados que corrompem a alma.[5]

Enredo[editar | editar código-fonte]

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O Retrato de Dorian Gray começa em um ensolarado dia de verão na Inglaterra da Era Vitoriana, onde Lorde Henry Wotton, um homem opinativo, observa o sensível artista Basil Hallward pintar o retrato de Dorian Gray, seu anfitrião, e lindo jovem que é a musa final de Basil. Depois de ouvir a visão de mundo hedonista de Lorde Henry, Dorian começa a pensar que a beleza é o único aspecto da vida que vale a pena seguir, e deseja que o retrato de Basil envelheça em seu lugar.

Sob a influência hedonista de Lorde Henry, Dorian explora plenamente a sua sensualidade. Ele descobre a atriz Sibyl Vane, que atua em peças de teatro de Shakespeare em um sombrio teatro da classe trabalhadora. Dorian se aproxima e a corteja, e logo propõe casamento. A apaixonada Sibyl o chama de "Príncipe Encantado", e desmaia com a felicidade de ser amada, mas seu irmão protetor, James, um marinheiro, adverte que, se seu "Príncipe Encantado" magoá-la, ele vai matar Dorian Gray.

Dorian convida Basil e Lorde Henry para ver Sibyl atuar em Romeu e Julieta. Sibyl, cujo o único conhecimento do amor foi através do amor ao teatro, renuncia a sua carreira de atriz para experimentar o amor verdadeiro com Dorian Gray. Desanimado por ela ter abandonado o palco, Dorian rejeita Sibyl, dizendo-lhe que atuar era a sua beleza; sem isso, ela já não era interessante. Ao voltar para casa, Dorian percebe que o retrato foi alterado; seu desejo realizado, e o homem do retrato carrega um sorriso sutil de crueldade.

Conscientemente ferido e solitário, Dorian decide se reconciliar com Sibyl, mas é tarde demais, enquanto Lorde Henry informa que Sibyl se matou por engolir ácido cianídrico. Dorian então, entende que, a partir daí, sua vida dirigida pela luxúria e boa aparência seria suficiente. Nos dezoito anos seguintes, as experiências de Dorian, com todos os seus vícios, são influenciados por um romance francês moralmente venenoso, um presente recebido do decadente Lorde Henry Wotton.

[A narrativa não revela o título do romance francês, mas em seu julgamento, Wilde disse que o romance Dorian Gray era como ler À rebours ("Contra a Natureza", 1884), de Joris-Karl Huysmans.[6] ]

Uma noite, antes de partir para Paris, Basil vai à casa de Dorian lhe perguntar sobre os rumores de seu sensualismo auto-indulgente. Dorian não nega sua devassidão, e leva Basil a um quarto fechado para ver o retrato, que havia se tornado hediondo pela corrupção de Dorian. Na raiva, Dorian culpa seu destino sobre Basil, e o apunhala até morrer. Dorian depois calmamente chantageia um velho amigo, o químico Alan Campbell, para destruir o corpo de Basil Hallward em ácido nítrico.

Um antro de ópio do século XIX em Londres (com base em contos fictícios atuais).

Para escapar da culpa de seu crime, Dorian vai para um antigo antro de ópio, onde James Vane está inconscientemente presente. Ao ouvir alguém se referir a Dorian como "Príncipe Encantado", James o procura e tenta atirar em Dorian. Em seu confronto, Dorian engana James ao fazê-lo acreditar que é muito jovem para ter conhecido Sibyl, que se suicidou dezoito anos atrás, já que seu rosto ainda é o de um jovem. James cede e libera Dorian, mas depois é abordado por uma mulher do antro de ópio que reprova James por não matar Dorian. Ela confirma que o homem era Dorian Gray e explica que ele não envelheceu em dezoito anos; compreendendo demasiado tarde, James corre atrás de Dorian, que se foi.

Uma noite, durante o jantar em casa, Dorian espiona James rondando a casa. Dorian teme por sua vida. Dias depois, durante uma caçada, um dos caçadores acidentalmente atira e mata James Vane, que estava escondido em um matagal. Ao retornar a Londres, Dorian diz para Lorde Henry que irá ser bom a partir de então; sua nova probidade começa com não partir o coração da ingênua Hetty Merton, o seu interesse romântico atual. Dorian se pergunta se sua bondade recém-descoberta teria revertido a sua corrupção no retrato, mas ele só vê uma imagem mais feia de si mesmo. A partir daí, Dorian entende que seus verdadeiros motivos para o auto-sacrifício de reforma moral foram provocados pela vaidade e a curiosidade pela busca de novas experiências.

Decidindo que só a completa confissão iria absolvê-lo de delitos, Dorian decide destruir o último vestígio de sua consciência. Enfurecido, Dorian pega a faca com que ele assassinou Basil Hallward e apunhala o retrato. Os servos da casa acordam ao ouvir um grito do quarto fechado; na rua, os transeuntes também ouvem o grito e chamam a polícia. Ao entrarem na sala trancada, os servos encontram um velho desconhecido, esfaqueado no coração, seu rosto e figura estão secas e decrépitas. Os servos identificam o cadáver desfigurado pelos anéis nos dedos que pertencem ao seu mestre; ao lado deles está o retrato de Dorian Gray, que regressou à sua beleza original.

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Personagens[editar | editar código-fonte]

Oscar Wilde disse que, no romance O Retrato de Dorian Gray (1891), três dos personagens eram reflexos de si mesmo:

Basil Hallward é o que penso que sou: Lorde Henry é o que o mundo pensa de mim: Dorian Gray é o que eu gostaria de ser — em outras eras, talvez.[7]

  • Dorian Gray — um jovem atraente e narcisista, encantado com o "novo" hedonismo de Lorde Henry. Ele se entrega a cada prazer (moral e imoral), onde esta vida eventualmente o leva à morte.
  • Basil Hallward — um homem profundamente moral, o pintor do retrato, e encantado por Dorian, cujo patrocínio impulsa seu potencial como artista. O retrato de Dorian Gray é a obra-prima de Basil.
  • Lorde Henry "Harry" Wotton — um arrogante aristocrata e um dândi decadente que defende uma filosofia de hedonismo auto-indulgente. Inicialmente, amigo de Basil, ele o negligencia pela beleza de Dorian. O personagem do espirituoso Lorde Harry é uma crítica da cultura vitoriana Fin de siècle – da Grã-Bretanha no final do século XIX. A visão de mundo libertina de Lorde Henry corrompe Dorian, que então começa a emulá-lo com sucesso. Para o aristocrata Henry, o artista observador Basil diz: "Você nunca diz algo moral, e você nunca faz algo errado".
  • Sibyl Vane — uma talentosa atriz e cantora, ela é uma pobre, jovem bonita, por quem Dorian se apaixona. Seu amor por Dorian arruína sua capacidade de atuar, porque ela já não encontra mais prazer em retratar o amor ficcional enquanto está experimentando o verdadeiro amor em sua vida. Sibyl se mata ao saber que Dorian não a ama; em que, Lorde Henry a compara com Ofélia em Hamlet.
  • James Vane — o irmão de Sibyl, um marinheiro que parte para Austrália. Ele é muito protetor de sua irmã, especialmente porque sua mãe só se preocupa com o dinheiro de Dorian. Acreditando que Dorian possa magoar Sibyl, James hesita em ir embora, e promete vingança sobre Dorian se qualquer coisa acontecer a ela. Depois do suicídio de Sibyl, James torna-se obcecado em matar Dorian, e persegue-o, mas um caçador acidentalmente mata James. A luta do irmão por vingança sobre o amante (Dorian Gray), pela morte de sua irmã (Sibyl) se assemelha à vingança de Laertes contra o príncipe Hamlet.
  • Alan Campbell — químico e amigo por um tempo de Dorian, que terminou sua amizade quando a reputação do libertino Dorian desvalorizou tal amizade. Dorian chantageia Alan em destruir o corpo assassinado de Basil Hallward; Campbell depois atira em si mesmo.
  • Lorde Fermor — o tio de Lorde Henry, que diz a seu sobrinho, Lorde Henry Wotton, sobre a linhagem da família de Dorian Gray.
  • Victoria, Lady Wotton — a esposa de Lorde Henry, a quem trata com desdém; ela se divorcia dele.

Temas e elementos[editar | editar código-fonte]

Esteticismo e duplicidade[editar | editar código-fonte]

O maior tema em O Retrato de Dorian Gray (1891) é o esteticismo e sua relação conceitual para viver uma vida dupla. Ao longo da história, a narrativa apresenta o esteticismo como uma abstração absurda, que decepciona mais do que dignifica o conceito de beleza. Apesar de Dorian ser um hedonista quando Basil o acusa de fazer um "por menor" do nome da irmã de Lorde Henry, Dorian secretamente responde: "Tome cuidado, Basil. Irá longe demais..."; assim na sociedade vitoriana, a imagem pública e posição social são importantes para Dorian.[8] No entanto, Wilde destaca o hedonismo do protagonista: Dorian aproveitou "profundamente o terrível prazer de uma vida dupla", por atender a uma festa da alta sociedade apenas vinte e quatro horas depois de cometer um assassinato.[8]

A duplicidade moral e a auto-indulgência são evidentes em Dorian que é condescendente com os antros de ópio de Londres. Wilde funde as imagens do homem de classe média e de classe baixa em Dorian Gray, um cavalheiro procurando por forte entretenimento nas regiões pobres da cidade de Londres. Lorde Henry filosoficamente havia dito anteriormente a Dorian que "O crime pertence exclusivamente às ordens inferiores... Eu deveria imaginar que o crime era para eles o que a arte é para nós, simplesmente um método de obtenção de sensações extraordinárias" – implicando que Dorian é dois homens, um esteta refinado e um criminoso grosseiro. Essa observação autoral é uma ligação temática à vida dupla contada em Strange Case of Dr Jekyll and Mr Hyde (1886) de Robert Louis Stevenson, uma novela admirada por Oscar Wilde.[1]

Alusões[editar | editar código-fonte]

A República[editar | editar código-fonte]

No Livro II de Platão, A República, Glauco e Adimanto apresentam o mito do Anel de Giges, por meio do qual Giges fez-se invisível. Eles, então, perguntam a Sócrates: "Se alguém possuir tal anel, por que deveria agir com justiça?" Sócrates responde que, embora ninguém possa ver o corpo, a alma está desfigurada pelos males que alguém comete. A alma desfigurada e corrompida (antítese de uma bela alma) é desequilibrada e desordenada, e em si não é desejável, independentemente de qualquer vantagem decorrente agindo injustamente. O retrato de Dorian Gray é o meio pelo qual as outras pessoas, como seu amigo Basil Hallward, podem ver a alma distorcida de Dorian.

Tannhäuser[editar | editar código-fonte]

Dorian atende uma encenação de Tannhäuser, de Richard Wagner, e a narrativa identifica Dorian com o protagonista da ópera. A beleza perturbadora e a semelhança temática entre a ópera e O Retrato de Dorian Gray. Com base em uma figura histórica medieval, Tannhäuser é um cantor cuja arte é tão bonita que Vênus se apaixona por ele. A deusa romana do amor, em seguida, lhe oferece a vida eterna com ela, e Tannhäuser aceita, mas ele se torna insatisfeito com a vida ao lado de Vênus, e retorna para a difícil realidade do mundo mortal. Depois de participar de um concurso de canto, Tannhäuser é censurado pela sensualidade de sua arte; eventualmente ele morre em busca de arrependimento e o amor de uma boa mulher.

Fausto[editar | editar código-fonte]

Sobre o herói literário, o autor Oscar Wilde disse: "em cada primeiro romance o herói é o autor como Cristo ou Fausto".[9] Como a lenda de Fausto, em O Retrato de Dorian Gray, uma tentação (a beleza sem idade) é colocada antes do protagonista, que se entrega. Em cada história, o protagonista seduz uma mulher bonita para amá-lo, e em seguida, destrói sua vida. No prefácio do romance (1891), Wilde disse que a noção por trás do conto é "velha na história da literatura", mas era um assunto temático para qual havia "dado uma nova forma".[10]

Ao contrário do acadêmico Fausto, o cavalheiro Dorian não faz nenhum pacto com o Diabo, que é representado pelo cínico hedonista Lorde Henry, que apresenta a tentação que irá arruinar a virtude e inocência que Dorian possui no início da história. Durante todo o tempo, Lorde Henry parece ignorar o efeito de suas ações sobre o jovem; e assim levianamente aconselha Dorian que "a única maneira de se livrar de uma tentação é se entregando a ela. Resista, e sua alma crescerá doente de desejo".[11] Como tal, o diabólico Lorde Henry "leva Dorian para um pacto profano, através da manipulação de sua inocência e insegurança".[12]

Shakespeare[editar | editar código-fonte]

No prefácio de O Retrato de Dorian Gray (1891), Wilde fala do personagem sub-humano Caliban de A Tempestade. Quando Dorian diz a Lorde Henry, sobre seu novo amor, Sibyl Vane, ele menciona as peças de William Shakespeare em que já atuou, e se refere a ela pelo nome da heroína de cada peça. Mais tarde, Dorian fala de sua vida, citanto Hamlet, um personagem privilegiado que leva sua amada (Ofélia) ao suicídio, e pede a seu irmão (Laertes) jurar vingança mortal.

Joris-Karl Huysmans[editar | editar código-fonte]

O anônimo "romance francês moralmente venenoso" que leva Dorian à sua queda é uma variante temática de À rebours (1884), de Joris-Karl Huysmans. Na biografia Oscar Wilde (1989), o crítico literário Richard Ellmann disse:

Wilde não cita o livro, mas em seu julgamento ele admitiu que era, ou quase que era À rebours de Huysmans à um correspondente, ele escreveu que havia atuado em uma "variação fantástica" sobre À rebours e [que] um dia iria anotá-la. As referências feitas em Dorian Gray em capítulos específicos são deliberadamente imprecisos.[13]

Significado literário[editar | editar código-fonte]

História da publicação[editar | editar código-fonte]

A folha de rosto da edição de 1891 da Ward Lock & Co. de O Retrato de Dorian Gray com rotulação decorativa, projetada por Charles Ricketts.

O Retrato de Dorian Gray foi originalmente uma novela submetida à Lippincott's Monthly Magazine para publicação periódica. Em 1889, J. M. Stoddart, um editor para a Lippincott, estava em Londres para solicitar novelas curtas para publicar na revista. Em 30 de agosto de 1889 Stoddart jantou com Oscar Wilde, Sir Arthur Conan Doyle e Thomas Patrick Gill[14] no Langham Hotel, e encomendou novelas de cada escritor.[15] Conan Doyle imediatamente apresentou The Sign of the Four para Stoddart, mas Wilde foi mais lento; o segundo romance de Sherlock Holmes de Conan Doyle foi publicado na edição de fevereiro de 1890 da Lippincott's Monthly Magazine, enquanto Stoddart ainda não havia recebido o manuscrito de Wilde para O Retrato de Dorian Gray até 7 de abril de 1890, nove meses depois de ter encomendado a novela dele.[15]

Os méritos literários de O Retrato de Dorian Gray impressionaram Stoddart, mas como um editor, ele disse à George Lippincott, "em sua condição atual, há uma série de coisas que uma mulher inocente faria exceção para..." Entre as exclusões da pré-publicação que Stoddart e seus editores fizeram no texto do manuscrito original de Wilde foram: (I) as passagens aludindo à homossexualidade e ao desejo homossexual; (II) todas as referências para o título do livro de ficção Le Secret de Raoul e seu autor, Catulle Sarrazin; e (III) todas as referências de "senhora" para as amantes de Dorian Gray, Sibyl Vane e Hetty Merton.[15]

O Retrato de Dorian Gray foi publicado em 20 de junho de 1890, na edição de julho da Lippincott's Monthly Magazine. Os críticos literários britânicos condenaram o romance por sua imoralidade, e disseram que a condenação era tão controversa que a editora W H Smith retirou todas as cópias da revista mensal Lippincott's Monthly Magazine de suas bancas em estações ferroviárias. Como consequência da dura crítica da edição de 1890 da revista, Wilde amenizou as referências homoeróticas, a fim de simplificar a mensagem moral da história.[15] Na edição da revista (1890), Basil diz para Henry como ele "adora" Dorian, e implora para não afastar "a única pessoa que faz a minha vida absolutamente encantadora para mim". Na edição da revista, Basil se concentra no amor, enquanto que na edição do livro (1891), Basil se concentra em sua arte, dizendo para Lorde Henry, "a única pessoa com quem dá a minha arte seja qual for o charme que pode possuir: a minha vida como artista depende dele". A edição de revista de O Retrato de Dorian Gray (1890) foi ampliada de treze para vinte capítulos; e o capítulo final da edição da revista foi dividido em dois capítulos, o décimo nono e vigésimo capítulos da edição do livro de O Retrato de Dorian Gray (1891). As adições textuais de Wilde foram no propósito de "exercitar Dorian como um personagem" e fornecendo detalhes de sua ascendência que faz o seu "colapso psicológico mais prolongado e mais convincente".[16]

A introdução do personagem James Vane para a história desenvolve a situação socioeconômica da personagem Sibyl Vane, enfatizando assim o egoísmo de Dorian e pronunciando a percepção acurada de James do caráter essencialmente imoral de Dorian Gray; assim, ele deduziu corretamente a intenção desonrosa de Dorian em direção a Sibyl. O sub-enredo sobre a antipatia de James Vane sobre Dorian dá ao romance um tom vitoriano de luta de classes. Com tais alterações textuais, Oscar Wilde pretendia diminuir a controvérsia moralista sobre o romance O Retrato de Dorian Gray.

Prefácio[editar | editar código-fonte]

Como consequência da dura crítica da edição de revista do romance, as revisões textuais de O Retrato de Dorian Gray incluíram um prefácio em que Wilde aborda as críticas e defende a reputação de seu romance.[17] Para comunicar como o romance deve ser lido, no Prefácio, Wilde explica o papel do artista na sociedade, o objetivo da arte, e o valor da beleza. Resgata a exposição cultural de Wilde para o Taoísmo e à filosofia de Chuang-Tzu. Mais cedo, antes de escrever o prefácio, Wilde escreveu uma resenha da tradução de Herbert Giles da obra de Chuang-Tzu. O prefácio foi publicado na edição de 1891 do romance; no entanto, até junho de 1891, Wilde estava defendendo O Retrato de Dorian Gray contra as acusações de ser um mau livro.[18]

Em seu ensaio The Artist as Critic, Oscar Wilde disse:

O contribuinte honesto e sua família saudável têm, sem dúvida, muitas vezes ridicularizado na testa de cúpula como a do filósofo, e caçoado sobre a perspectiva estranha da paisagem que se encontra abaixo dele. Se eles realmente soubessem quem ele era, eles iriam tremer. Como para Chuang-Tzu que passou sua vida na pregação do grande credo da inação, e em apontar a inutilidade de todas as coisas.[19]

Criticismo[editar | editar código-fonte]

No século XIX, a recepção crítica do romance O Retrato de Dorian Gray (1890) era pobre. O crítico literário do The Irish Times disse que O Retrato de Dorian Gray "foi publicado pela primeira vez para gerar algum escândalo".[20] Tais resenhas alcançadas pelo romance o deram como uma "certa notoriedade por ser 'piegas e nauseante', 'imundo', 'afeminado' e 'contaminante'".[21] Tal escândalo moralista surgiu a partir do homoerotismo do romance, que ofendeu as sensibilidades (sociais, literárias e estéticas) dos críticos literários vitorianos. No entanto, a maioria das críticas foi pessoal, atacando Wilde por ser um hedonista com uma visão distorcida da moralidade convencional da Grã-Bretanha vitoriana. Na edição de 30 de junho de 1890, um crítico literário do Daily Chronicle disse que o romance de Wilde contêm "um elemento... que vai manchar toda a mente jovem que entrar em contato com ele". Na edição de 5 de julho de 1890, do Scots Observer, o crítico perguntou: "Por que Oscar Wilde não vai se esfregar em uma pilha de lama"? Em resposta a tais críticas, Wilde obscureceu o homoerotismo da história e ampliou as experiências pessoais dos personagens.[22]

Revisões textuais[editar | editar código-fonte]

Após a publicação inicial da edição de revista de O Retrato de Dorian Gray (1890), Wilde ampliou o texto de 13 para 20 capítulos e obscureceu os temas homoeróticos da história.[23] Na nova versão de O Retrato de Dorian Gray (1891), os capítulos 3, 5 e 15 a 18, inclusive, são novos; e o capítulo 13 da edição de revista foi dividido, e tornou-se os capítulos 19 e 20 da edição do romance.[24] Em 1895, em seu julgamento, Oscar Wilde disse que revisou o texto de O Retrato de Dorian Gray, por causa de cartas enviadas a ele, pelo crítico cultural Walter Pater.[25]

Variantes modernas[editar | editar código-fonte]

Na Irlanda, para o festival literário One City, One Book, O Retrato de Dorian Gray foi o "Livro de 2010".[26]

Big Finish Productions publicou uma série de áudio-drama chamada The Confessions of Dorian Gray (2013), com base na premissa de Oscar Wilde em O Retrato de Dorian Gray, de um homem real; o ator Alexander Vlahos retrata Dorian Gray.[27] Uma adaptação de O Retrato de Dorian Gray, por David Llewellyn, dirigido por Scott Handcock, e com Alexander Vlahos, como Dorian Gray; a adaptação foi lançada em 2013.[28]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b The Picture of Dorian Gray (Penguin Classics) – Introdução
  2. Notas sobre O Retrato de Dorian Gray – Uma visão geral do texto, fontes, influências, temas e um resumo de O Retrato de Dorian Gray (em inglês)
  3. Good Reason radio show, "A Censura de 'Dorian Gray" (em inglês)
  4. Ghost and Horror Fiction – um site sobre ficção de horror do século XIX em diante. (30-07-2006) (em inglês)
  5. The Picture of Dorian Gray (Project Gutenberg 20-chapter version), line 3479 et seq. in plain text (Chapter VII).
  6. Oscar Wilde: Art and Morality (Illustrated Edition), ed. by Stuart Mason (Fairford: Echo Library, 2011), p. 63
  7. The Modern Library – uma sinopse do romance juntamente com uma breve biografia de Oscar Wilde. (20-01-2015)
  8. a b The Picture of Dorian Gray – Capítulo XI
  9. The Picture of Dorian Gray – Google Books. [S.l.]: Books.google.co.uk. Página visitada em 20 de janeiro de 2015.
  10. O Retrato de Dorian Gray – Prefácio
  11. O Retrato de Dorian Gray – Capítulo II
  12. The Picture of Dorian Gray – um resumo e comentário sobre o Capítulo II de O Retrato de Dorian Gray (29-07-2006) (em inglês)
  13. Ellmann, Oscar Wilde (Vintage, 1988), p. 316
  14. Oscar Wilde, Selected Letters ed Hart-Davis, R Oxford University Press, 1979,p95
  15. a b c d Frankel, Nicholas. The Picture of Dorian Gray: An Annotated, Uncensored Edition. Cambridge, Massachusetts: Belknap Press (Harvard University Press), 2011. 38–64 p. ISBN 978-0-674-05792-0
  16. O Retrato de Dorian Gray – Nota sobre o Texto
  17. GraderSave: ClassicNote – um resumo e análise do prefácio do livro (5 de julho de 2006)
  18. The Letters of Oscar Wilde, Merlin Holland and Rupert Hart-Davis, eds., Henry Holt (2000), ISBN 0-8050-5915-6; and The Artist as Critic, Richard Ellmann, ed., University of Chicago (1968), ISBN 0-226-89764-8
  19. Ellmann, The Artist as Critic p. 222.
  20. Battersby, Eileen. "Wilde's Portrait of Subtle Control", 7 April 2010. Página visitada em 25 de janeiro de 2015.
  21. The Modern Library (6 de julho de 2006)
  22. CliffsNotes:The Picture of Dorian Gray – uma introdução e visão geral do livro (5 de julho de 2006)
  23. Symon, Evan V. (January 14, 2013). 10 Deleted Chapters that Transformed Famous Books.
  24. Differences between the 1890 and 1891 editions of "Dorian Gray" Github.io. Visitado em 25 December 2013.
  25. Lawler, Donald L., "An Inquiry into Oscar Wilde's Revisions of 'The Picture of Dorian Gray' " (New York: Garland, 1988)
  26. 2010 | Dublin: One City, One Book Dublinonecityonebook.ie. Visitado em 25 de janeiro de 2015.
  27. http://www.bigfinish.com/ranges/v/the-confessions-of-dorian-gray
  28. http://www.bigfinish.com/releases/v/the-picture-of-dorian-gray-927?range=68

Ligações externas[editar | editar código-fonte]