Sexta cúpula do BRICS

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Sexta cúpula do BRICS
Sexta cimeira BRICS
6th BRICS Summit
Logotipo da 6.ª cúpula do BRICS
Anfitrião  Brasil
Sede Centro de Eventos do Ceará[1]
Cidade(s) Fortaleza e Brasília[2]
Data 15-17 de julho de 2014[3]
Participantes África do Sul Jacob Zuma
Brasil Dilma Rousseff
China Xi Jinping
Índia Narendra Modi
Rússia Vladimir Putin
Cronologia
Índia Quinta cúpula
Sétima cúpula Rússia

A sexta cúpula do BRICS foi uma reunião diplomática dos BRICS - grupo de grandes países emergentes que inclui Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. A cúpula aconteceu de 15 a 16 de julho de 2014, em Fortaleza, Ceará. O Brasil é o primeiro país anfitrião, no atual ciclo de cinco anos de reuniões anuais.[4][5] Em abril de 2010, o país já havia sediado, em Brasília, uma cúpula do BRIC (com quatro membros),[6] da qual a África do Sul participou como país convidado, num prelúdio à sua adesão plena, o que ocorreu em dezembro de 2010.[7]

A sexta cúpula do BRICS foi marcada pela criação do Novo Banco de Desenvolvimento pelos cinco países do grupo.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Após a cúpula dos BRICS de 2013 em Durban, na África do Sul, os países BRICS emitiram uma declaração conjunta resumindo os resultados de suas discussões e nomearam o Brasil como o país anfitrião da cúpula de 2014.[4] Depois de acordada a criação de um novo banco de desenvolvimento internacional durante a cúpula de 2013,[8] os países membros deveriam concluir as providências necessárias para a criação dessa instituição antes da cúpula de 2014.[9] A reunião foi inicialmente prevista para março de 2014, mas foi postergada, a pedido da China, realizando-se em julho do mesmo ano.[3]

Participantes[editar | editar código-fonte]

Membros principais
O país e o líder anfitrião estão destacados em negrito.
Membros Representado por Título
Brasil Brasil Dilma Rousseff[10] Presidente
Rússia Rússia Vladimir Putin[10][11] Presidente
Índia Índia Narendra Modi[10] Primeiro-ministro
China China Xi Jinping[10][12] Presidente
África do Sul África do Sul Jacob Zuma[10] Presidente
Líderes convidados

Eventos[editar | editar código-fonte]

Líderes do BRICS na cúpula em Fortaleza, Brasil. Da esquerda para direita: Putin, Modi, Rousseff, Xi e Zuma.

A anfitriã, a presidente Dilma Rousseff, convidou os líderes dos BRICS para a Copa do Mundo FIFA de 2014. Modi respondeu, dizendo: "Esportes trazem um espírito de amizade e pertencimento entre as nações do mundo. Que a Copa do Mundo se torne uma ponte para conectar nações. Jo khele, wo oi khile (Apenas aqueles que estão a florecer)!".[17]

Agenda[editar | editar código-fonte]

A agenda da cúpula foi marcada pelos acordos estabelecidos, principalmente aquele que trata da criação do Novo Banco de Desenvolvimento. Foi criado também um fundo de moeda de reserva no valor de mais outros 100 bilhões de dólares e assinados documentos sobre a cooperação entre as agências de crédito à exportação dos BRICS e um acordo de cooperação em matéria de inovação.[18]

Novo Banco de Desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Novo Banco de Desenvolvimento

O Novo Banco de Desenvolvimento ou Banco dos BRICS foi criado em 15 de julho,[19] quando o grupo assinou um documento destinando 100 bilhões de dólares à instituição.[18]

Em um comunicado à imprensa, o grupo escreveu: "Continuamos decepcionados e seriamente preocupados com a atual não-aplicação das reformas de 2010 do Fundo Monetário Internacional (FMI), o que impacta negativamente a legitimidade, credibilidade e eficácia do FMI".[20] A instituição financeira do grupo foi interpretada como uma rival para o FMI e o Banco Mundial.[21] A sede do Banco dos BRICS será em Xangai, o primeiro presidente será da India, o primeiro escritório regional do banco será na África do Sul, o primeiro diretor da equipe de governadores será da Rússia e o primeiro líder da equipe de diretores será do Brasil. A presidência do conselho do banco, com um mandato de cinco anos, será rotativa entre os integrantes do bloco. [22]

Arranjo Contingente de Reservas[editar | editar código-fonte]

Os líderes também decidiram criar um fundo de reserva de 100 bilhões de dólares, o Arranjo Contingente de Reservas.[23] Esse fundo se destina a corrigir eventuais desequilíbrios de balanço de pagamentos dos países signatários.[24] Segundo o ministro da Fazenda do Brasil, Guido Mantega, o Arranjo de Reservas de Contingência será, para os países do BRICS, uma proteção adicional à do FMI, diante da ocorrência de ataques especulativos[25] às suas moedas.

Este fundo será constituído de 10 bilhões de dólares em "capital integralizado" (dois bilhões de cada um dos membros a serem prestados ao longo de sete anos) e um adicional de 40 bilhões de dólares para serem "pagos a pedido".[26] Fora do capital inicial total de 50 bilhões de dólares, a China contribuirá com 41 bilhões, enquanto Brasil, Rússia e Índia dariam 18 bilhões de dólares cada. A África do Sul contribuiria com 5 bilhões.[27] Está programado que a instituição comece os empréstimos em 2016 e se abra à participação de outros países, mas o capital social dos BRICS não pode cair abaixo de 55 por cento.[28]

Reações[editar | editar código-fonte]

O presidente russo, Vladimir Putin, disse no encontro que procurou reduzir a dependência do dólar dos Estados Unidos e reforçar o estado de direito internacional:[29]

No caso dos BRICS, vemos todo um conjunto de interesses estratégicos coincidentes. Em primeiro lugar, esta é a intenção comum de reformar o sistema monetário e financeiro internacional. Na forma atual, é injusto para os países BRICS e às novas economias em geral. Devemos ter um papel mais ativo no FMI e no sistema de tomada de decisões do Banco Mundial. O próprio sistema monetário internacional depende muito do dólar dos Estados Unidos, ou, para ser mais preciso, da política monetária e financeira das autoridades norte-americanas. Os países do BRICS querem mudar isso.

Mike Billington, do Executive Intelligence Review, disse, sobre a criação do banco, que as "nações dos BRICS, essencialmente, mudaram a história do mundo. Elas estabeleceram um novo paradigma para o mundo (...)" [30]

Encontros bilaterais[editar | editar código-fonte]

Jinping declarou que havia se reunido com Modi para tratar de uma possível expansão da Organização para Cooperação de Xangai, que passaria, a convite da China, a incluir também a Índia como membro pleno a partir da cúpula de 2014 da organização. [31] As relações bilaterais entre os países BRICS tem sido conduzidas principalmente com base nos princípios de não-interferência, igualdade e benefício mútuo. [32]

Cúpula BRICS-UNASUL[editar | editar código-fonte]

Líderes da União de Nações Sul-Americanas (UNASUL) reunidos com o BRICS durante a 6ª reunião de cúpula do grupo em Fortaleza, Brasil.

Os BRICS realizaram uma cimeira com os líderes da Unasul, em Brasília, em 16 de julho.[33]

Líderes da UNASUL convidados:[34]

Galeria dos líderes participantes[editar | editar código-fonte]

Membros
Convidados

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Programme: VI BRICS Summit». brics6.itamaraty.gov.br. 2014. Consultado em 15 de julho de 2014 
  2. «UNASUR leaders arrive in Brazil for BRICS summit». buenosairesherald.com. Buenos Aires Herald. Consultado em 16 de julho de 2014 
  3. a b «BRICS 2014 summit likely to be held in July». Russia & India Report. 13 de janeiro de 2014. Consultado em 9 de fevereiro de 2014 
  4. a b «Fifth BRICS summit declaration and action plan». BRICS. 27 de março de 2013. Consultado em 10 de julho de 2013 
  5. «A Cúpula de Durban e o futuro dos BRICS». Post-Western World. 4 de julho de 2013. Consultado em 7 de novembro de 2013 
  6. «The BRICS summit: Lacking mortar». The Economist. 27 de março de 2013. Consultado em 10 de julho de 2013 
  7. «BRIC Summit Joint Statement, April 2010». Council on Foreign Relations. 15 de abril de 2010. Consultado em 10 de julho de 2013. Arquivado do original em 18 de julho de 2014 
  8. «Brics eye infrastructure funding through new development bank». The Guardian. 28 de março de 2013. Consultado em 29 de março de 2013 
  9. «India sees BRICS development bank agreed by 2014 summit». Reuters. 19 de abril de 2013. Consultado em 10 de julho de 2013 
  10. a b c d e «Modi Likely to Watch FIFA World Cup Final ahead of BRICS Summit». India West. Consultado em 19 de junho de 2014 
  11. «Putin to visit Brazil for final game of World Cup 2014». PRAVDA.Ru. Consultado em 19 de junho de 2014 
  12. «Brazil to Use Chinese Visit for Business Deals». Folha de S.Paulo. Consultado em 19 de junho de 2014 
  13. a b «Argentina invited to BRICS meeting in Brazil». Buenos Aires Herald. Consultado em 19 de junho de 2014 
  14. «Argentina to Join BRICS Upcoming Summit on Russia's Invitation». FARS. Consultado em 19 de junho de 2014 
  15. «The good, the bad and the Paris Club». Bueno Aires Herald. Consultado em 19 de junho de 2014 
  16. a b «BRICS summit: PM Modi to leave for Brazil tomorrow, will seek reforms». Hindustan Times. Consultado em 12 de julho de 2014 
  17. IANS (17 de junho de 2014). «Modi Likely to Watch FIFA World Cup Final ahead of BRICS Summit - India West: News». India West. Consultado em 16 de julho de 2014 
  18. a b «BRICS establish $100bn bank and currency reserves to cut out Western dominance — RT Business». Rt.com. Consultado em 16 de julho de 2014 
  19. «On Eve of BRICS Summit, Atlantic Nations Push Green Death, Pacific Pushes Development». Larouchepac.com. 8 de julho de 2014. Consultado em 16 de julho de 2014 
  20. «Cópia arquivada». Consultado em 16 de julho de 2014. Arquivado do original em 18 de julho de 2014 
  21. «BRICS countries near development bank deal to rival IMF, WB — RT Business». Rt.com. Consultado em 16 de julho de 2014 
  22. «Banco de Desenvolvimento do Brics terá sede em Xangai e presidente indiano». Agência Brasil. 15 de julho de 2014. Consultado em 17 de outubro de 2014 
  23. VI Cúpula: Declaração e Plano de Ação de Fortaleza Arquivado em 29 de julho de 2014, no Wayback Machine.. Ministério das Relações Exteriores, 29 de julho de 2014
  24. Cota do Brasil no banco dos Brics será feita com recursos do Tesouro. Por Murillo Camarotto e Leandra Peres. Valor Econômico, 15 de julho de 2014
  25. Ataques especulativos no Brasil: 1994-1999. Por Carlos Magno Lopes e João Gonsalo de Moura. Anpec, 2001.
  26. «BRICS bank to be headquartered in Shanghai». en.itar-tass.co. ITAR-TASS. 10 de julho de 2014. Consultado em 11 de julho de 2014 
  27. «BRICS Development bank top on Agenda of 6th BRICS Summit». IANS. news.biharprabha.com. Consultado em 15 de julho de 2014 
  28. «Cópia arquivada». Consultado em 31 de dezembro de 2014. Arquivado do original em 31 de dezembro de 2014 
  29. Published time: July 15, 2014 02:38. «Putin: No plans for BRICS military, political alliance — RT Russian politics». Rt.com. Consultado em 16 de julho de 2014 
  30. «West fears Russian influence, wants to drag it into war: Analyst». Press TV. 17 de agosto de 2014. Consultado em 17 de outubro de 2014. Arquivado do original em 27 de agosto de 2014 
  31. «Delhi gears to join China-Russia club». The Telegraph India. 6 de agosto de 2014. Consultado em 17 de outubro de 2014 
  32. «The Sino-Brazilian Principles in a Latin American and BRICS Context: The Case for Comparative Public Budgeting Legal Research» (PDF). Wisconsin International Law Journal. 13 de maio de 2015. Consultado em 10 de junho de 2015 [ligação inativa]
  33. «Los líderes del BRICS, Unasur, Cuba, México y Costa Rica se citan en Brasilia». LaVanguardia.com. LaVanguardia. Consultado em 15 de julho de 2014 
  34. «Los líderes del BRICS, Unasur, Cuba, México y Costa Rica se citan en Brasilia». La Vanguardia. Consultado em 15 de julho de 2014 
  35. «Argentina to Join BRICS Upcoming Summit on Russia's Invitation». FARS. Consultado em 19 de junho de 2014 
  36. «The good, the bad and the Paris Club». Bueno Aires Herald. Consultado em 19 de junho de 2014 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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