Sukhoi Su-37

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Su-37
(OTAN: Flanker-F)
Picto infobox Mig 29.png
Su-37 durante um show aéreo em Farnborough, Reino Unido, Setembro de 1996
Descrição
Tipo / Missão Caça de superioridade aérea e demonstrador de tecnologia
País de origem  Rússia
Fabricante Sukhoi
Período de produção 1995-1996
Quantidade produzida 2 [1] unidade(s)
Desenvolvido de Sukhoi Su-35
Primeiro voo em 2 de abril de 1996 (20 anos)
Tripulação 1
Especificações
Dimensões
Comprimento 21,935 m (72,0 ft)
Envergadura 14,698 m (48,2 ft)
Altura 5,932 m (19,5 ft)
Área das asas 62  (667 ft²)
Alongamento 3.5
Peso(s)
Peso vazio 18 500 kg (40 800 lb)
Peso máx. de decolagem 35 000 kg (77 200 lb)
Propulsão
Motor(es) 2 x turbofans de pós-combustão Lyulka AL-37FU
Empuxo:
  • Empuxo seco: 7 600 kgf (74 500 N)
  • Empuxo em pós-combustão: 14 514 kgf (142 000 N)
Performance
Velocidade máx. em Mach 2,35 Ma
Alcance (MTOW) 3 300 km (2 050 mi)
Teto máximo 18 000 m (59 100 ft)
Aviônica
Tipo(s) de radar(es) IRST OLS-35
Radar passivo de escaneamento N-011M BARS
Displays LCD de multifunção
Armamentos
Metralhadoras / Canhões Canhão GSh-30-1 de 30mm
Foguetes S-25L guiado a laser, S-25 não guiado, B-8 não guiado, B-13 não guiado
Mísseis R-27, R-37[2] , R-73E, R-77, Kh-29T/L, Kh-31P/A, Kh-59ME,
Bombas FAB-250, FAB-500, FAB-500L, KAB-1500
Notas
Gordon 1999[3] Gordon & Davison 2006[4]

O Sukhoi Su-37 (OTAN: Flanker-F) é um avião experimental monoposto, multiuso e de supermanobrabilidade projetado pela Sukhoi. Desenvolvimento começou a partir do Sukhoi Su-27 "Flanker", sendo modificado sobre os protótipos da primeira geração do Sukhoi Su-35 (T10M). O Su-37 possui sistemas de aviônica e sistema de controle de disparo avançados, mas uma das suas atualizações mais notáveis são os sistemas de empuxo vetorial nos motores. Apenas duas unidades foram convertidas para esse modelo em específico.

Durante o programa de teste de voo do Su-35, controles ativos durante dogfight não podiam ser adicionados, fazendo a Sukhoi explorar a aplicação de sistemas de empuxo vetorial para dar melhores características para tais situações. O primeiro Su-37 foi convertido da décima primeira unidade de Su-35, fazendo seu voo inicial em Abril de 1996 na cidade de Zhukovsky. O segundo modelo foi introduzido no ano de 1998. Com o decorrer do programa, o Su-37 demonstrou publicamente suas características em vários shows aéreos, realizando manobras impossíveis de serem completadas com métodos de controle normais, inclusive a acrobacia aérea 360º somesault (Kulbit). Apesar das potenciais vantagens, o Su-37 não entrou em produção, sendo sua tecnologia utilizada na atualização de aeronaves da família Su-27, caso do Sukhoi Su-30 de exportação e a versão modernizada do Su-35.

Design e desenvolvimento[editar | editar código-fonte]

Os primeiros registros do sistema de empuxo vetorial nos motores com a Sukhoi relatam ao ano de 1983. O departamento de design estudou duas dimensões (2D) para o bocal do vetor, concepção a qual acreditava-se no Ocidente era a melhor forma de controlar o impulso. A Sukhoi modificou um Su-27UB-PS de dois tripulantes com bucal 2D para verificação de viabilidade de tal tipo. No entanto, o designer chefe, Mikhail Simonov, acreditava que bucais assimétricos em três dimensões (3D) fossem mais adequados. Por solicitação da Sukhoi, experimentos de ambos os tipos de bucais foram feitos pelo Instituto de Pesquisas Aeronáutico Siberiano (SibNIA).[5] [6]

Enquanto isso, a Sukhoi estava ocupada com o programa T10M (que posteriormente seria renomeado para Su-35 em 1993), que foi a atualização mais significativa sobre o Su-27. O T10M iria incorporar modificações aerodinâmicas, melhores aviônicas e armamentos, além de otimizado sistema de propulsão e redesenho para melhorar sua agilidade.[7] O primeiro protótipo de Su-27M (T-10S-70) teve seu voo inicial no dia 28 de Junho de 1988.[8] Mudanças na base do Su-27 incluíram canard, melhores motores, novo radar e um sistema digital de controle de voo fly-by-wire.[9] Posteriormente os protótipos do Su-35 possuíram cockpits de vidro e estabilizadores verticais modificados.[7] A construção do Su-35 teve presença significativa de compostos, incluindo liga Alumínio-Lítio (Al-Li).[10] A aeronave, assim como o Su-27, possuía capacidade de realizar a acrobacia aérea "Pugachev's Cobra" e Tailslide, contudo, durante essas manobras de baixa velocidade, controles ativos não poderiam ser usados porque as superfícies de controle de voo da aeronave demonstram-se ineficazes.[5]

The Su-37 pode fazer o 360° "Frolov Chakra", demonstrando sua supermanobrabilidade[11]

Em 1995, o décimo primeiro protótipo T10M, o T10M-11, foi entregue para a oficina experimental da Sukhoi para ser equipado com sistemas exclusivos. Construído pela KnAAPO (Komsomolsk-on-Amur), a estrutura foi melhorada com fibra de carbono e liga Alumínio-Lítio.[12] Foram instalados um sistema 2D bocal vetorial nos dois turbofan Lyulka AL-31FP, provisoriamente até que estivessem disponíveis motores AL-37FU (sigla para Forsazh Upravleniye, "pós-combustão controlada").[7] Um sistema de controle vetorial 3D continuou em desenvolvimento para o AL-37FU, sendo o AL-31FP uma versão híbrida combinando especificações do AL-31F e controle vetorial do AL-37FU. Com o bucal de 2D, o AL-31FP possuía mudança de vetor de 15°.[13] Os motores incorporavam a nova geração 2D TVC de vetores, além de resistente a mudanças e rotações planas, dava maior confiabilidade e manobrabilidade mesmo quando o ângulo de ataque era de 180º.[14]

O sistema de controle de disparo também foi melhorado. Um radar passivo de escaneamento eletrônico N-011M BARS foi adicionado, possuindo a capacidade de localizar 15 alvos aéreos e guiar 4 mísseis ar-ar disparados. Na cauda da aeronave tinha um radar N-012, com possibilidade de visualização horizontal em 120º e em elevação. O Su-37 também possuía um pacote avançado de contramedidas eletrônicas,[15] além da capacidade de carregar armas ar-ar e ar-solo em seus 12 pilones aeronáuticos. Com uma vasta gama de armamentos disponíveis, podia carregar até 8000kg. Possui uma metralhadora 30 mm GSh-30-1 com 150 disparos.[3]

Em vez de utilizar um sistema de instrumentos analógico, fator tradicional em aviões russos, o cockpit tinha 4 shape T Sextan Avionique (Thales) com display multifuncional (MFD) LCD. Nesses visores apresentam informações de voo, navegação, status dos sistemas, armamentos e seleções e informação de situação tática.[16] O piloto, o qual possui um head up display (HUD) na sua frente, está sentado em um assento ejetor K-36DM inclinado 30º para ajudar contra as forças G. [16] [17] [18] O piloto conduz com um side-stick e sensor de pressão de aceleração.[16] A configuração de controle dupla de voo foi desenhado para prevenir o piloto de perder o contato com os controles quando a aeronave está envolvida em manobras rápidas de aceleração vetorial. Ambos os reguladores, o fixo de aceleração e o side-stick, promovem pontos seguros para o piloto segurar suas mãos.[18]

Com a pintura com esquemas em areia e marrom, a aeronave recebeu o código 711 Blue, sendo mudado posteriormente para 711 White.[19] [20] Seu primeiro voo ocorreu em 2 de Abril de 1996 em Zhukovsky com o piloto Yevgeni Frolov. O bucal foi bloqueado nesse voo, não entrando em ação até o sexto voo de testes, quando o sistema de empuxo vetorial foi introduzido.[18] [21] Frolov juntamente com Igor Votintsev, nos doze dias seguintes, acumularam 12 voos.[20]

História operacional[editar | editar código-fonte]

Um Su-35S modernizado realizando no Evento Internacional de Aviação e Show Espacial de Moscow em 2009. Essa aeronave possui tecnologia de controle de empuxo vetorial, similar ao Su-37

O 711 Blue foi demonstrado à impressa na primavera de 1996 na cidade de Zhukovsky, na época sendo redesignado para o nome Su-37. Sua introdução ao público geral ocorreu em Setembro daquele ano, no Show Aéreo de Farnborough, conduzido pelo piloto de testes da Sukhoi, Yevgeni Frolov.[7] O foco do show foi a performance da acrobacia aérea "Super Cobra", quando a aeronave ficou em 180º, voando literalmente com a calda no outro extremo, mesmo por alguns segundos; evoluindo para um 360º "Frolov Chakra".[12] [20] No mesmo ano, a aeronave chegou no quinto e último dia do Show Aéreo de Paris para cinco apresentações, no qual a quarta foi marcada um um incidente menor, quando uma extensão da carenagem inferior foi movida, impossibilitando retração do trem de pouso.[22] Esteve presente no MAKS (Show Aéreo), Exibição Internacional de Defesa de Dubai, além do Show Aéreo FIDAE no Chile em 1998; posteriormente dois Su-37 apareceram com a designação "Su-37MR" em suas carenagens.[23]

Em 1998 houve um relatório indicando que um segundo Su-37 (T10M-12) havia sido convertido similarmente[1] , isso antes de fazer seu primeiro voo em 23 de março do mesmo ano[24] . Não há confirmações de veracidade. Posteriormente o 712 (com o número 703 e três aviões seriais produzidos nº 86, 87 e 88) foram adicionados para o grupo de testes Russkie Vityazi. Voos de testes e demonstrações continuam até 2000. Em 2001, o protótipo 711 foi atualizado com motores AL-37FU, sistemas de controle de voo fly-by-wire e aviônica novas. Em Dezembro de 2002, o 711 caiu em um ferry flight, levando efetivamente ao encerramento do programa; sendo a falha posteriormente identificada como um problema de dano estrutural do estabilizador horizontal direito, causando uma quantidade extensiva de peso em curvas de alta força g[25] [26] [27] . O Su-37 não chegou ao estágio de produção, decorrendo ao longo dos anos 2000 na introdução de diversas modernizações no Su-27, assim como Su-30MKI e segunda geração do Su-35. Colocando, assim, melhorias nos sistemas de aviônica, radar e controle de empuxo com vetores nos motores em tais modelos.[28]

Especificações[editar | editar código-fonte]

Informações retiradas de Sukhoi Su-27 Flanker: Air Superiority Fighter[3] , Sukhoi Su-27 Flanker[29]

Características Gerais

  • Tripulação: 1 (piloto)
  • Comprimento: 21.935 m (72 ft 9in)
  • Envergadura: 14.698 m (48 ft 3 in)
  • Altura: 5.932 m (21 ft 1 in)
  • Área alar: 62.0 m² (667 ft²)
  • Peso vazio: 18,500 kg (40,790 lb)
  • Peso c/ carga máx.: 35,000 kg (77,160 lb)
  • Motor: 2 × Lyulka AL-37FU turbofan pós-combustão com vetorização
    • Combustão seca: 7,600 kgf (74.5 kN, 16,750 lbf) cada
    • Força em pós-combustão: 145 kN (32,000 lbf) cada

Performance

  • Velocidade máxima: Mach 2.35
  • Alcance: 3,300 km (1,833 nmi)
  • Teto de serviço: 18,000 m (59,055 ft)
  • Força G máxima : +10/−3 g[30]

Armamentos

  • Metralhadora: 1× canhão de 30 mm GSh-301 contendo 150 cartuchos
  • Pilones Aeronáuticos: 12 pontos, consistindo de 2 trilhos nas pontas das asas, e 10 sob as asas e estações na fuselagem com a capacidade de carregar cerca de 8,000 kg (17,630 lb) de material bélico e provisões.
    • Foguetes:
      • Foguetes guiados por laser S-25L
      • Foguetes não guiados S-25
      • Foguetes não guiados B-8
        • Foguetes não guiados B-13
    • Mísseis:
    • Bombas:
      • Bomba não guiada FAB-250 250kg (550 lb)
      • Bomba não guiada FAB-500 500kg(1,100 lb)
      • Bomba guiada por laser KAB-500L
      • Bomba guiada por laser KAB-1500
    • Outros:
      • Cápsula de combustível externo

Aviônica

  • Infravermelho de varredura e travamento OLS-35
  • Radar passivo de escaneamento N-011M BARS
  • Displays LCD de multifunção

Ver também[editar | editar código-fonte]

Aviões de função, configuração e era semelhantes[editar | editar código-fonte]

Referencias[editar | editar código-fonte]

  1. a b Gordon & Davison 2006, pp. 34–37.
  2. «Управляемая авиационная ракета класса "воздух-воздух" большой дальности РВВ-БД». Missiles.ru. 
  3. a b c Gordon 1999, p. 148.
  4. Gordon & Davison 2006, pp. 92, 95–96.
  5. a b Gordon 1999, p. 63.
  6. Gordon & Davison 2006, p. 35.
  7. a b c d Eden 2004, p. 469.
  8. Gordon 1999, p. 62.
  9. Wilson 2000, p. 132.
  10. Williams 2002, p. 119.
  11. Siuru, William (1998). Supermaneuverability. Airpower Journal Air University Press [S.l.] ISSN 0897-0823. Arquivado desde o original em |arquivourl= requer |arquivodata= (Ajuda). Consultado em 22 August 2011. 
  12. a b «Su-37 "Super Flanker"». Globalsecurity.org. 
  13. Gordon 1999, pp. 64, 68.
  14. Gordon 1999, p. 69.
  15. Gordon 1999, pp. 64–66.
  16. a b c Gordon 1999, p. 65.
  17. Gordon 1999, pp. 145, 149.
  18. a b c Tartar 1997
  19. «Photo Search Results - Su-37». Airliners.net. 
  20. a b c Gordon 1999, p. 66.
  21. Flight International 1996, p. 7.
  22. Gordon 1999, pp. 67, 69.
  23. Gordon 1999, p. 68.
  24. Gethin 1998, p. 32.
  25. «Sukhoi demonstrator crashes during testing». Flightglobal.com. 
  26. «Sukhoi Su-37 Terminator». Milavia.net. 
  27. Andrey Formin. «Su-35 - A step away from the fifth generation» (PDF). Sukhoi.org. 
  28. Sukhoi. «Su-35». 
  29. Gordon & Davison 2006, pp. 92, 95–96.
  30. «SUHOJ-37 - Lovac ispred svog vremena». Aeromagazin.rs. 
  31. «Управляемая авиационная ракета класса "воздух-воздух" большой дальности РВВ-БД». Missiles.ru. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]