Tariqa Maryamiyya

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A Tariqa Maryamiyya foi uma confraria esotérica,[1] inicialmente liderada por Frithjof Schuon (1907-1998), também conhecido como Shaikh Isa Nur al-Din. A Ordem Maryamiyya foi amplamente formada em torno da filosofia perene e do neoplatonismo, e fortemente influenciada pelo Advaita Vedanta.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Schuon, que era originalmente da Suíça, mudou-se para Bloomington, Indiana, na década de 1970. Ele esteve ligado à Tariqa Ba 'Alawiyya e ao Shaikh Ahmad al-Alawi.[3]

Muitos estudiosos acadêmicos proeminentes do Islã que vivem no Ocidente, incluindo Seyyed Hossein Nasr, Martin Lings, Titus Burckhardt, Victor Danner e William Stoddart foram associados aos ensinamentos de Schuon.[4] Contudo, a influência acadêmica desse movimento em termos de filosofia na linhagem perenialista tem sido mais importante do que seus ensinamentos especificamente islâmicos.[5]

Depois de estudar brevemente com Shaikh Ahmad al-Alawi, que conheceu em 1932, Schuon parece ter tido sua própria inspiração visionária para se conectar com a Virgem Maria e Jesus Cristo em suas práticas espirituais. Seu movimento ficou conhecido como o “Tariqa Maryamiyya”, ou o caminho de Maria.[6]

Embora as práticas da tariqa sejam islâmicas, há também um certo ecletismo com terminologia e práticas de tradições cristãs, hindus e nativas americanas sobre as quais Schuon também escreveu sobre. Schuon optou por não dar palestras publicamente e permanecer pessoalmente isolado, mas ensinou a um círculo fechado de seguidores em Bloomington.[6]

Desde a morte de Schuon em 1998, o líder do ramo americano do movimento tem sido o professor Seyyed Hossein Nasr. O foco da tariqa tem sido caracterizado como da gnose, ao invés de popular ou devocional. Há associação entre a tariqa e um suposto projeto de “ressacralização do Ocidente”.[6]

Além dos iniciados formais da Ordem, teve uma influência mais ampla em leitores instruídos tanto no Ocidente quanto no mundo muçulmano interessados em misticismo e religião comparada através dos escritos de Schuon e de seus discípulos proeminentes do perenialismo.[5]

Uma filial da Maryamiyya foi estabelecida no Brasil, e permanece ativa até hoje.[7] Houve também uma filial da Maryamiyya no México.[6]

Referências

  1. Montenegro, Silvia. "Sufi Western Islam: the Muslim Latin American landscape." Routledge Handbook of Islam in the West. Routledge, 2022. 261-272.
  2. Curtis, Edward (2010). Encyclopedia of Muslim-American History. [S.l.]: Infobase Publishing. pp. 361–362 
  3. Qadayyat atTasawwuf: al-Madrasa al-Shadhiliyya (1988: 281–362). Danner (1991: 47)
  4. Lings, Martin, A Sufi Saint of the Twentieth Century: Shaikh Ahmad al-Alawi (London: Allen and Unwin, 1971).
  5. a b Mark Sedgwick, “Western Sufism and Traditionalism”. Online, disponível em: www. aucegypt.edu/faculty/sedgwick/trad/write/WSuf.html
  6. a b c d Dressler, Markus, Ron Geaves, and Gritt Klinkhammer, eds. Sufis in Western society: global networking and locality. Routledge, 2009. pp.35 a 45.
  7. Silva Filho, Mário Alves da. "A mística islâmica em Terræ Brasilis: o sufismo e as ordens sufis em São Paulo." (2012).