Mucormicose

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Mucormycosis
Mucormicose periorbital (ao redor da órbita ocular)
Especialidade infectologia
Classificação e recursos externos
CID-10 B46.0-B46.5
CID-9 117.7
DiseasesDB 31759
MedlinePlus 000649
MeSH D009091
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Mucormicose, antigamente chamada zigomicose, é uma doença que afeta pacientes imunodeprimidos severos causada pelos fungos da ordem Mucorales como Rhizopus arrhizus, Absidia corymbifera, Mucor sp. e Cunninghamella sp.. Pode afetar nariz, cérebro, pulmões, pele, sistema gastrointestinal ou todo o organismo.

Causa[editar | editar código-fonte]

Fungos mucorales são comuns em todos os continentes, por exemplo como o mofo comum do pão, e a inalação dos esporos é cotidiana e não causa problemas em pessoas saudáveis. Porém, em pessoas imunodeprimidas (com outras doenças, idosos, com SIDA/AIDS, com diabetes não controlada ou após transplantes) tais fungos podem causar infecções agressivas nos pulmões, na face através dos seios nasais, no cérebro, nos olhos e no aparelho grastrointestinal. A infecçao também pode atingir múltiplos órgãos.

Os sintomas variam de acordo com a localização da infecção. Nos pulmões pode haver tosse, expectoração e falta de ar. Na face e nos olhos pode ocorrer vermelhidão intensa e inchaço. A necrose dos tecidos na área afetada é comum e ocorre de forma rápida. A infecção pelos esporos causadores pode acontecer através da inalação, consumo de alimentos, contato com os olhos ou ferimento.[1]

Diagnóstico[editar | editar código-fonte]

Feito com biópsia do local afetado para microscopia e cultivo.

Prognóstico[editar | editar código-fonte]

Na maioria dos casos o prognóstico de mucormicose é pobre e a taxa de mortalidade varia conforme a severidade da infecção. As formas nasal-cerebral e pulmonar são as mais comuns e tem taxa de mortalidade de 30% a 70%. A forma disseminada é rara e apresenta uma taxa de mortalidade de 90%. Pacientes com SIDA/HIV tem uma mortalidade de quase 100%. Possíveis complicações de mucormicose incluem a perda parcial de alguma função neurológica, cegueira ou coagulação dentro de veias do cérebro ou pulmão.

Epidemiologia[editar | editar código-fonte]

A doença é incomum e como a comunicação do diagnóstico aos órgãos de controle não é obrigatória é difícil saber ao certo o número de casos. Se estima que afete 20 em cada 100.000 pessoas, sem preferência por sexo ou idade. Quase sempre afeta apenas imunodeprimidos severos, porém existem casos relatados de raras infecções traumáticas com esporos.[2]

Tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento deve ser imediato e é feito com anfotericina B lipídica (Lipossomal ou Complexo Lipídico) intravenosa por 4 a 6 semanas e cirurgia para remover tecido infectado e necrosado. Como outra opção está o Posaconazol 400mg duas vezes por dia durante as refeições. Outros azois como fluconazol, voriconazol foram ineficazes tanto na prevenção como no tratamento e não devem ser usados. [3] A intervenção cirúrgica deve começar mesmo antes da confirmação do diagnóstico, pois é uma doença de rápida progressão, deformante e com alta mortalidade.[4] Em alguns casos o debridamento da área atingida pode ser desfigurante, pois envolve a remoção de regiões inteiras de tecido como o palato, a fossa nasal e estruturas dos olhos.