Caso Ryutin

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O Caso Ryutin (1932) foi uma das derradeiras tentativas de oposição a Josef Stalin no interior do Partido Comunista Soviético.

Martemyan Ryutin (1890-1937, Рютин Мартемьян Никитич) foi um velho bolchevique e secretário do Comité Local de Moscovo do Partido Comunista na década de 1920. Entre Dezembro de 1927 e Setembro de 1930, foi candidato sem direito a membro do Comité Central do Partido Comunista Soviético e aderente da ala moderada (“direitista”) no interior do Partido, liderada pelo teórico Nikolai Bukharin e polo primeiro-ministro Aleksei Rykov. Quando os derradeiros membros dessa corrente foram derrotados e destituídos por Estaline entre 1928 e 1930, Ryutin foi destituído também. Em Setembro de 1930, foi expulso do Partido Comunista e seis semanas mais tarde arrestado pelas suas posições oposicionistas. Libertado a 17 de Janeiro de 1931, foi-lhe permitida a volta ao Partido, mas voltou a cair pela sua oposição ao regime de Estaline.

Com Estaline já firmemente à frente do Partido e com toda a dissidência em disposição de ser punida mediante a expulsão e o exílio, Ryutin decidiu agir em segredo. Em Junho de 1932, escreveu o “Apelo a todos os membros do Partido Comunista (Bolchevique)”, com que apresenta, num documento de quase 200 páginas intitulado “Plataforma dos Marxistas-Leninistas” e conhecido como “Plataforma Ryutin”. Nesse documento chama a pôr fim à colectivização forçada (“paz para o campesinato”), fazer descer o ritmo da industrialização, a reincorporação de todos os membros do Partido anteriormente expulsos, quer pela esquerda, quer pela direita, incluindo o próprio Leon Trotsky, e um “novo começo”. Um dos capítulos da Plataforma é dedicado ao próprio Estaline, denominado “Coveiro da Revolução” e “Génio diabólico do Partido e da Revolução”. Consoante a sentença de Bukharin, Ryutin afirma que “sem a eliminação de Estaline, é impossível restaurar a saúde, quer do Partido, quer do País”.

A Plataforma Ryutin foi destribuída entre amizades de Ryutin e líderes oposicionistas nas fábricas de Moscovo, durante o Verao e inícios do Outono de 1932. Foi rapidamente informada a OGPU, polícia secreta de Estaline. A 23 de Setembro, Ryutin foi identificado com autor e arrestado. A 2 de Outubro, um grupo de pessoas próximas de Ryutin, conhecido como “grupo de Ryutin" foi expulso do Partido, e a documentação completamente eliminada. De facto, o conhecimento actual dos conteúdos da Plataforma Ryutin deriva da cópia transcrita nos conservada nos arquivos da polícia secreta. A OGPU informou o Politburo sobre o destino de Ryutin à dirigência do Politburo.

Nom se conserva nenhuma gravação destas reuniões do Politburo. Alguns historicadores, nomeadamente Robert Conquest, adoptaram a tese de Boris Nikolaevsky na sua “Carta de um Velho Bolchevique” (1936), baseada nas conversas dele com Bukharin a começos desse ano. Segundo esta versão, houve uma divisão no Politburo entre moderados e extremistas. Estaline terá defendido a pena de morte para Ryutin, porque a sua “Plataforma” poderia chegar a inspirar os seus membros para realizar actos de terrorismo e assassínios. O bloco moderado do Politburo, cujos membros se opuseram a Estaline porque não queriam violar as posições de Lenin, contrárias ao derramamento do sangue entre bolcheviques.

Supostamente, Sergei Kirov falou com “particular veemência contra o recurso à pena de morte”, e foi apoiado com maior ou menor força por Sergo Ordzhonikidze, Valerian Kuibyshev, Stanislav Kosior, e Yan Rudzutak, enquanto a posição de Estaline foi apoiada apenas por Lazar Kaganovitch. Recentes pesquisas não acharam provas documentais que apoiassem essa possibilidade. Sabe-se é que Ryutin foi sentenciado a 10 anos de prisão e outros 29 receberam diferentes condenas de vários anos de prisão.

Os líderes da Oposição Unificada, Grigory Zinoviev e Lev Kamenev, que foram também expulsos do Partido estalinista em Outubro de 1932 e exilados para a região dos Urais por não terem informado sobre os factos previamente à polícia secreta. Ryutin foi provavelmente executado em 1937, durante a Grande Purga, que ceifou a vida também de Bukharin, Zinoviev, Kamenev, Kosior, Rudzutak e e a maior parte do resto dos Velhos Bolcheviques.