Cecília da Grécia e Dinamarca

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Cecília da Grécia
Grã-duquesa Herdeira de Hesse-Darmstadt
Princesa da Grécia e Dinamarca
Cônjuge Jorge Donatus de Hesse-Darmstadt
Descendência
Luís Ernesto de Hesse
Alexandre Jorge de Hesse
Joana de Hesse
Natimorto
Pai André da Grécia e Dinamarca
Mãe Alice de Battenberg
Nascimento 22 de Junho de 1911
Palácio de Tatoi, Grécia
Morte 16 de novembro de 1937 (26 anos)
Ostend, Bélgica
Enterro Rosenhohe, Darmstadt, Alemanha

Cecília da Grécia e Dinamarca (22 de junho de 1911 - 16 de novembro de 1937) foi a esposa do grão-duque Jorge Donatus e irmã do príncipe Filipe, Duque de Edimburgo, actual consorte da rainha Isabel II do Reino Unido.

Nascimento e família[editar | editar código-fonte]

Princesa Cecília durante a infância

Cecília foi a terceira filha do príncipe André da Grécia e Dinamarca e da sua esposa, a princesa Alice de Battenberg. Nasceu no dia 22 de junho de 1911 no palácio de verão da família real grega em Tatoi, a quinze quilómetros de Atenas.

Cecília foi baptizada em Tatoi no dia 2 de julho de 1911. Os seus padrinhos foram o rei Jorge V do Reino Unido, o grão-duque Ernesto Luís de Hesse, o príncipe Nicolau da Grécia e Dinamarca e a duquesa Vera Constantinovna da Rússia.

Pelo lado do pai, Cecília era neta do rei Jorge I da Grécia e da grã-duquesa Olga Constantinovna da Rússia (uma neta do czar Nicolau I da Rússia). Pelo lado da mãe era bisneta da princesa Alice do Reino Unido (filha da rainha Vitória do Reino Unido e do príncipe Alberto de Saxe-Coburgo-Gota).

A princesa tinha três irmãs: Margarida (esposa do príncipe Godofredo de Hohenlohe-Langenburg), Teodora (esposa de Bertolo de Baden) e Sofia (esposa primeiro do príncipe Cristóvão de Hesse e depois do príncipe Jorge Guilherme de Hanôver). O seu irmão Filipe, depois duque de Edimburgo, é o marido da rainha Isabel II do Reino Unido.

Em 1922, Cecília e as suas irmãs foram damas-de-honra no casamento do seu tio, Luís de Mountbatten com Edwina Ashley.

Casamento e descendência[editar | editar código-fonte]

No dia 2 de fevereiro de 1931, Cecília casou-se com Jorge Donatus. O casal teve quatro filhos:

Nome Nascimento Morte Observações
Luís Ernesto de Hesse 25 de outubro de 1931 16 de novembro de 1937 morreu aos 6 anos de idade num acidente de avião; sem descendência.
Alexandre Jorge de Hesse 14 de abril de 1933 16 de novembro de 1937 morreu aos 4 anos de idade num acidente de avião; sem descendência.
Joana de Hesse 20 de setembro de 1936 14 de junho de 1939 morreu aos 2 anos e meio de idade de Meningite; sem descendência.
bebé morto 16 de novembro de 1937 16 de novembro de 1937 encontrado nos escombros do avião despenhado que matou grande parte da sua família.

No dia 1 de maio de 1937, Cecília e o seu marido juntaram-se ao Partido Nazi.

Morte[editar | editar código-fonte]

Alexandre e Luís, filhos de Cecília.

Em outubro de 1937, o sogro e padrinho de Cecília, Ernesto Luís de Hesse, morreu. Poucas semanas depois do funeral estava marcado o casamento do seu cunhado, o príncipe Luís de Hesse, com Margaret Campbell-Geddes em Londres.

No dia 16 de novembro de 1937, Jorge Donatus, Cecília, os seus dois filhos mais velhos e a mãe de Jorge, Leonor, deixaram Darmstadt de avião com o objectivo de chegar a Londres. Nesta altura, o avião estava a tornar-se um meio de transporte popular, mas eram ainda pouco seguras e a maioria das pessoas continuava a preferir deslocar-se de barco e comboio. Cecília tinha tanto medo de aviões que, sempre que viajava em um, vestia-se de preto.[1] Por outro lado, o seu marido Jorge era apaixonado pela aviação e, tendo um aeródromo perto de casa, preferia sempre viajar de avião.[2]

A família embarcou perto das duas da tarde num monoplano pilotado pelo belga Tony Lambotte, um amigo do rei Leopoldo III. Quando descolaram, o tempo estava soalheiro, mas, ao longo da viagem, foi-se instalando um nevoeiro pesado que os impediu de fazer uma aterragem planeada anteriormente em Bruxelas. Em vez disso, o piloto recebeu instruções para aterrar no aeródromo de Steene, na costa perto de Ostend. Também aí o nevoeiro tinha reduzido a visibilidade até pouco mais do que alguns metros de altura. Apesar de tudo, o piloto decidiu continuar a descida às cegas. Foram disparados três foguetes do aeródromo para ajudá-lo a guiar-se, mas só o primeiro foi visível.[3]

Uma testemunha ocular disse mais tarde ter visto o avião a descer do nevoeiro e embater numa chaminé de tijolo . Uma asa e um dos motores cederam e ambos caíram em cima do telhado da fábrica. O resto do avião ficou virado do avesso e caiu no campo próximo onde ardeu em chamas. Os bombeiros e as ambulâncias acorreram rapidamente ao local, mas não se conseguiram aproximar do local até ser tarde demais para encontrar sobreviventes. As notícias que chegavam de Ostend acrescentaram um pormenor arrepiante à tragédia. Os bombeiros que vasculhavam os destroços do avião encontraram os restos mortais de um bebé, que tinha nascido prematuramente quando o avião caiu, ao lado do corpo desfigurado de Cecília. Esta descoberta fortaleceu a teoria de que o piloto só tentou aterrar depois de se aperceber que a grã-duquesa tinha entrado em trabalho-de-parto.[4]

Funeral e consequências[editar | editar código-fonte]

O funeral realizou-se na semana seguinte, Darmstadt. Entre os participantes, encontrava-se o príncipe Filipe, um dos únicos membros da família vestido com roupas civis, num funeral profundamente nazi. Ao lado dele, caminhavam os seus cunhados, o príncipe Cristóvão de Hesse-Cassel, marido da sua irmã Sofia, que apareceu na cerimónia vestido com o seu uniforme das SS, e o irmão dele, o príncipe Filipe de Hesse-Cassel, que vestia um uniforme das SA. Luís Mountbatten seguia atrás dele com o uniforme da marinha britânica.[5]

As ruas de Darmstadt estavam cheias de destacamentos de soldados nazis e, à medida que passava a procissão, muitas pessoas na multidão levantaram os braços para fazer a saudação Heil Hitler. Hitler e Goering enviaram mensagens de condolências e Goering esteve presente no funeral em pessoa.[6]

A única filha de Cecília que não estava a bordo, a princesa Joana, foi adoptada pelo tio, o príncipe Luís de Hesse-Darmstadt e pela esposa dele, Margaret Campbell-Geddes. Acabaria também por morrer, vinte meses depois do resto da família, de meningite.

Na cultura popular[editar | editar código-fonte]

A história trágica da morte da família de Hesse foi utilizada no livro "Uma Questão de Honra" de Jeffrey Archer de forma ficcionada, afirmando que o acidente ocorreu devido ao facto de Jorge Donatus ter em sua posse as joias da sua tia, a czarina Alexandra Feodorovna, que o KGB andava à procura.

Referências

  1. Eade, xvii, xviii
  2. Eade, xviii
  3. Eade, xiii
  4. Eade, xiii
  5. Eade, xix
  6. Eade, xix

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • EADE Philip, "Young Prince Philip - His Turbulent Early Life", Harper Press, Londres, 2011

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]