Clonorchis sinensis

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Clonorchis sinensis.jpg

Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Platyhelminthes
Classe: Trematoda
Subclasse: Digenea
Ordem: Opisthorchiida
Subordem: Opisthorchiata
Família: Opisthorchiidae
Género: Clonorchis
Espécie: C. sinensis
Nome binomial
Clonorchis sinensis
(Looss, 1907)

Clonorchis sinensis, ou fascíola hepática chinesa, é uma espécie de verme achatado do filo Platyhelminthes classe Trematoda, a que pertence também o esquistossomo.

É parasita do fígado humano e de outros mamíferos, e se encontra principalmente no trato biliar|duto e vesícula biliar, onde se alimenta daquela secreção. O seu ciclo de vida passa por uma fase larvar dentro de um caramujo e outra no músculo de peixes1 .

Distribuição[editar | editar código-fonte]

A clonorquíase, a infeção pelo Clonorchis sinensis, é endémica da China e de muitos dos países continentais do sueste asiático. Estima-se que mais de 20 milhões de pessoas estejam infetadas por este parasita, que também infeta outros mamíferos, como cães e gatos, principalmente se estes se alimentam de peixes portadores das larvas. A infeção é promovida pela contaminação das águas pelas fezes dos animais infetados 2 .

Ciclo de vida[editar | editar código-fonte]

Ciclo de vida do Clonorchis sinensis

O ovo do Clonorchis sinensis desenvolve o primeiro estado larvar, o miracídio, que flutua na água até ser ingerido por um caramujo. No aparelho digestivo do caramujo, o miracídio liberta-se do ovo e transforma-se num esporocisto, um corpo em forma de saco onde, por reprodução assexuada, produz uma certa quantidade de rédias, a terceira fase larvar. As rédias, ainda por reprodução assexuada, produzem um certo número de cercárias, outra fase larvar de vida livre que sai do hospedeiro e se espalha na água.

Em contacto com os tecidos de um peixe, as cercárias perdem a cauda e enquistam, numa forma chamada metacercária. É este quisto que, se for consumido com a carne crua ou mal cozinhada, liberta a forma adulta no aparelho digestivo do animal que a comeu, e migra para o trato biliar, onde vai recomeçar o ciclo, desta vez já por reprodução sexuada, libertando os ovos no intestino, sendo depois expelidos com as fezes3 .

Os adultos são hermafroditas e produzem ovos cada 1–30 segundos.

Efeitos na saúde humana[editar | editar código-fonte]

O Clonorchis provoca uma reação inflamatória no trato biliar, com eventual hiperplasia epitelial, podendo chegar a colangiocarcinoma. Quando a infeção é grave, os órgãos afetados podem incluir o intestino e o pâncreas; uma grande quantidade destes vermes pode ainda consumir uma grande parte do bile produzido, provocando problemas de digestão ao hospedeiro, que pode enfraquecer até à morte, se não for tratado. Outra possibilidade é a obstrução do trato biliar, levando à colangite4 5 .

Um outro caso ligado à clonorquíase é a retinopatia serosa central: num estudo de 80 casos por John Chiao-nan Chang e Yin-Ping Wang, em Hong Kong, revelou que 19% dos pacientes testaram positivos para a infeção por Clonorchis sinensis6 .

Prevenção e tratamento[editar | editar código-fonte]

O tratamento da clonorquíase é difícil, pelo que a melhor política é a prevenção, através da higiene pessoal e coletiva e evitando o consumo de peixe cru, seco ou fumado, principalmente de águas poucos seguras. O praziquantel7 e eventualmente outros anti-helmínticos, como o bitionol, albendazol e mebendazol podem ser ativos contra a infeção.

Referências