Coligação da Esquerda Radical

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Coligação da Esquerda Radical
Synaspismós Rizospastikís Aristerás
Συνασπισμός Ριζοσπαστικής Αριστεράς
Líder Alexis Tsipras
Fundação 2004 (como aliança)
22 de maio 2012 (como partido)
Sede Atenas,  Grécia
Ideologia Socialismo democrático
Ecossocialismo
Socialismo
Anticapitalismo
Espectro político Esquerda
Ala Jovem Juventude SYRIZA
Afiliação europeia Partido da Esquerda Europeia
Grupo no Parlamento Europeu Esquerda Unitária Europeia/Esquerda Nórdica Verde[1]
Parlamento Helénico
149 / 300
Parlamento Europeu
6 / 21
Regiões
144 / 703
Cores Vermelho,Branco,Roxo e Rosa
Site
www.syriza.gr

A Coligação da Esquerda Radical (em grego: Συνασπισμός Ριζοσπαστικής Αριστεράς, Synaspismós Rizospastikís Aristerás, abreviado SYRIZA) é um partido político de esquerda da Grécia. Foi fundado em 2004 como uma aliança eleitoral de 13 partidos e organizações de esquerda, sendo a componente principal o partido Synaspismós (SYN - Coligação de Movimentos de Esquerda e Ecológicos; em grego Συνασπισμός της Αριστεράς των Κινημάτων και της Οικολογίας, Synaspismos tis Aristerás tu Kinīmátōn kai tis Oikologías). Em maio de 2012, o SYRIZA apresentou-se como um único partido.

Após a vitória eleitoral em janeiro de 2015[2] o líder do SYRIZA, Alexis Tsipras, foi empossado como primeiro-ministro para dirigir o novo governo da Grécia - o Governo Tsipras. Realizou-se assim um governo de coalizão com o partido nacionalista conservador, Gregos Independentes.

O SYRIZA defende o aumento dos impostos para os contribuintes com mais rendimentos, o adiamento ou anulação dos pagamentos da dívida, cortes nos gastos da defesa e um aumento do salário mínimo e das pensões. Tsipras, um dos mais novos líderes políticos gregos, defende uma frente ampla antiausteridade[3] , inclusive com partidos de extrema-direita, como o Gregos Independentes, e a Nova Democracia, que teve um dirigente indicado para a presidência grega pelo SYRIZA. Yiannis Bournous, dirigente do SYRIZA assim justificou tal indicação:

"Houve vários fatores que tivemos de considerar antes de tomar a decisão sobre quem nomear. Não nos podemos esquecer que o Syriza não obteve a maioria absoluta, que tem um parceiro de coligação e sobretudo que vivemos um período histórico, não apenas para a Grécia mas para o conjunto da Europa. Isso significa que precisamos de criar a mais ampla unidade em promover uma alternativa contra a austeridade. Foram essas as principais razões para a escolha de Prokopis Pavlopoulos para a presidência da República.

Para além de fazer parte da Nova Democracia, Pavlopoulos também é conhecido pelo seu mérito académico na área do Direito e por se ter distanciado em muitas ocasiões das medidas e discursos extremistas, como o imposto sobre imóveis introduzido pelo governo Samarás. Também é importante perceber que atualmente no espaço político da direita há uma divisão entre os políticos mais moderados de centro-direita, que foram céticos em relação à super-austeridade do governo Samarás, e o setor mais extremista da Nova Democracia, liderado pelo próprio Samarás. A escolha de Pavlopoulos serviu então para mostrar que estamos dispostos a cooperar com todas as forças que reconhecem a necessidade de uma mudança drástica de políticas."[4]

História[editar | editar código-fonte]

Formação[editar | editar código-fonte]

Cartaz eleição de 2007 SYRIZA: "Unidos para a esquerda e tornar possível o impossível"

A Coligação da Esquerda Radical tem sua origem no Espaço para o Diálogo da Unidade e Acção Comum da Esquerda (grego: Χώρος Διαλόγου για την Ενότητα και Κοινή Δράση της Αριστεράς), lançado em 2001[5] . O "Espaço" era composto por várias organizações políticas gregas de esquerda que, apesar de diferenças ideológicas e históricas, conseguiram chegar a uma plataforma política comum, acerca de temas importantes que haviam surgido na Grécia no final da década de 1990, tais como a guerra do Kosovo e privatizações.

Eleições parlamentares de 2012[editar | editar código-fonte]

Nas eleições parlamentares de 6 de maio de 2012, a SYRIZA conquistou 16 % dos votos e 50 deputados, tornando-se no segundo maior partido, a seguir à Nova Democracia e antes do PASOK.[6] O crescimento da SYRIZA é considerado como uma das manifestações de protesto contra a política de austeridade, seguida nos últimos anos[7] , e contra a entrada no parlamento de partidos da extrema direita.

Nestas eleições parlamentares de junho de 2012, essenciais para a Grécia, o SYRIZA registou novamente um aumento de votos, obtendo 26,8%, mas foi novamente superado pela Nova Democracia, com 29,9%. Em resposta ao convite desta última para participar de um governo de unidade nacional, o SYRIZA anunciou a sua decisão de ficar na oposição[8] .

Eleições de 2014 para o Parlamento Europeu[editar | editar código-fonte]

Em 2014, o SYRIZA foi o grande vencedor das eleições dos representantes da Grécia no Parlamento Europeu, realizadas entre 22 e 25 de maio de 2014. O partido obteve aproximadamente 27% dos votos, na primeira vitória em eleições desde a sua criação. Já o partido do governo Nova Democracia, do primeiro-ministro Antónis Samarás, ficou em segundo lugar, com cerca de 23% dos votos. A vitória do SYRIZA provocou mudanças na equipa do governo do conservador Samarás[9] . A principal bandeira do partido vencedor continua a ser o fim da política de austeridade imposta pela "Troika" (Banco Central Europeu, FMI e Comissão Europeia) à Grécia[10] . Em novembro de 2014, Tsipras voltou a garantir que o SYRIZA vai reclamar a anulação de parte da dívida grega, tal como aconteceu com a Alemanha em 1953[11] .

Vitória eleitoral em 2015[editar | editar código-fonte]

O Parlamento grego deveria eleger um novo presidente da República em dezembro de 2014. Porém, o candidato Stavros Dimas, apoiado pela Nova Democracia, não conseguiu obter em três votações sucessivas o mínimo de 200 votos parlamentares estipulado pela lei do país, e, segundo a constituição grega, o presidente Karolos Papoulias viu-se obrigado a dissolver o parlamento e convocar eleições. Em 25 de janeiro 2015 foram realizadas eleições legislativas: o SYRIZA conseguiu 36,34% dos votos, quase nove pontos à frente do partido conservador Nova Democracia, do primeiro-ministro Antónis Samarás (com 27,81%). O partido obteve 149 das 300 cadeiras do parlamento[12] , ficando a apenas 2 da maioria absoluta. Iniciadas conversações com outros partidos no dia seguinte, o partido conservador de direita e anti-austeridade Gregos Independentes aceitou coligar-se com o Syriza. O governo Tsipras tomou posse dois dias depois, com Yanis Varoufakis na pasta das finanças, e a pasta da defesa para o partido Gregos Independentes.

Organizações integrantes[editar | editar código-fonte]

A SYRIZA é composta pelas seguintes organizações[13] [14] :

Organização Filiação internacional
Synaspismos - Coligação da Esquerda dos Movimentos e da Ecologia Partido da Esquerda Europeia
AKOA - Esquerda Comunista Ecológica e Renovadora Partido da Esquerda Europeia (Observador)
KOE - Organização Comunista da Grécia Conferência dos Comunistas e Partido Operários dos Balcãs
DEA - Esquerda Internacionalista dos Trabalhadores
Kokkino Quarta Internacional (pós-reunificação), (Observador)
APO - Grupo Político Anticapitalista Esquerda Anticapitalista Europeia[15]
Rosa
KEDA - Movimento pela Unidade na Acção da Esquerda
Energoi Polites - Cidadãos Activos
Rizospastes
Eco-socialistas Grécia Rede Eco-socialista Internacional
DIKKI - Movimento Democrático Social

Resultados eleitorais[editar | editar código-fonte]

Parlamento grego[editar | editar código-fonte]

Parlamento Helénico
Pleito Votos  % Assentos +/– Estatuto
2004 241 539 3.3 (#4) 6 de 300 na oposição
2007 361 211 5.0 (#4) 14 de 300 Aumento8 na oposição
2009 315 627 4.6 (#5) 13 de 300 Baixa1 na oposição
Maio de 2012 1 061 265 16.8 (#2) 52 de 300 Aumento39 na oposição
Junho de 2012 1 655 022 26.9 (#2) 71 de 300 Aumento19 na oposição
2015 2 246 064 36.3 (#1) 149 de 300 Aumento78 no governo

Parlamento Europeu[editar | editar código-fonte]

Parlamento Europeu
Pleito Votos  % Assentos +/–
2009 240 898 4.7 (#5) 1 de 22
2014 1 518 608 26.6 (#1) 6 de 21 Aumento5

Referências

  1. GUE/NGL - Parties European United Left / Nordic Green Left. Visitado em 8 de maio de 2012.
  2. http://veja.abril.com.br/blog/mercados/economia/vitoria-de-tsipras-pode-tirar-a-grecia-do-euro/
  3. http://observador.pt/2015/01/25/sem-maioria-tsipras-ja-tem-acordo-de-coligacao/
  4. SYRIZA e as reformas estruturais (22/02/2015). Visitado em 24/02/2015.
  5. Press conference of the "Space" Syn.gr (2001-05-15). Visitado em 2012-05-17.
  6. "Veredito do povo exclui governo que aplique memorando" DN Online, 9 de maio 2012
  7. http://www.bbc.co.uk/news/world-europe-18056677 (em inglês)
  8. Público, 18/6/2012
  9. Governo grego remodelado após derrota nas eleições europeias, ZAP/AEIOU, 9 de junho de 2014
  10. Na Grécia, partido de esquerda Syriza vence eleição para Parlamento Europeu, por Rafael Duque, Opera Mundi, 25 de maio de 2014
  11. Tsipras: Triunfo do Syriza será uma vitória para todos os povos europeus, Carta Maior, 2 de novembro de 2014
  12. http://g1.globo.com/mundo/noticia/2015/01/esquerda-vence-eleicao-na-grecia-e-promete-negociar-com-credores.html
  13. Profile of Synaspismos (em inglês) SYNASPISMOS. Visitado em 12 de maio de 2012.
  14. Da antiglobalização ao governo de esquerda Esquerda.net (19 de maio de 2012). Visitado em 21 de maio de 2012.
  15. Statement by Anti-capitalist Left conference (em Inglês) Internation Viewpoint Quarta Internacional (julho 2011). Visitado em 1 de junho de 2012.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]