Comédia stand-up

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José Vasconcellos e Bruno Motta: o pioneiro e a nova geração da comédia Stand Up juntos.

Comédia stand-up[1] (do inglês stand-up comedy) é um termo que designa um espetáculo de humor executado por apenas um comediante, que se apresenta geralmente em pé (daí o termo 'stand-up'), sem acessórios, cenários, caracterização, personagem ou o recurso teatral da quarta parede, diferenciando o stand up de um monólogo tradicional. O próprio material tem uma metodologia própria de organização, em tópicos, não obstante sendo bastante factual. O estilo é também chamado de humor de cara limpa, termo usado por alguns comediantes.

Ainda há confusão na diferenciação do humorista stand up e de outros estilos, como o contador de piadas, o monólogo de humor, o "one man show", gênero semelhante, mas que permite outras abordagens (interpretação de personagens, músicas, cenas).

O humorista stand up não conta piadas conhecidas do público (anedotas). O texto é sempre original, normalmente construído a partir de observações do dia a dia e do cotidiano. Ainda, as habilidades necessárias para ser um stand-up comedian são diversas. É frequentemente necessário que se assuma de forma solitária os papéis de escritor, editor, artista, promotor, produtor, e técnico simultaneamente. É verdade, não existem muitas regras sobre os assuntos e abordagens, o que permite uma constante evolução. O mesmo pode se dizer da duração, desde uma breve apresentação de um minuto como as de Oscar Filho ao recorde mundial de Bruno Motta, que entrou para o Guinness Book como o comediante que fez o "maior show de humor do mundo". Ficou 38 horas e 12 minutos falando para um público de 5 mil pessoas que se revezavam num teatro em Belo Horizonte.

No Brasil[editar | editar código-fonte]

O gênero do "one man show" que é semelhante, mas permite outras abordagens (interpretação de personagens, músicas, cenas) foi introduzido no Brasil por José Vasconcellos, na década de 60. Aproximando-se mais ainda do estilo americano, Chico Anysio e Jô Soares mantiveram o gênero - principalmente em seus shows ao vivo, e geralmente, na abertura de seus programas - se aproximando da comédia stand up como vemos hoje.

Há hoje vários comediantes exercendo o gênero no Brasil. Eles se organizam em grupos ou apresentam trabalhos solo, viajando e participando dos vários shows. Entre os principais estão Bruno Motta, Danilo Gentili, Diogo Portugal, Rafinha Bastos. Os pioneiros e primeiros grupos são o Comédia em Pé , Comédia Ao Vivo, ImproRiso e o 3Tosterona, sediado no Beverlly Hills, criado por Luiz França e Robson Nunes com diversas formações sempre revelando talentos.

Na televisão[editar | editar código-fonte]

No ano de 2008 a televisão brasileira começou a apostar no stand-up comedy. Entre os programas que apostaram no estilo como atração recorrente estão o Altas Horas, na Rede Globo, onde Serginho Groisman trouxe comediantes stand-up para fazer um trecho de seu material. Entre os que participaram mais de uma vez do quadro estão Bruno Motta, Fábio Porchat, Marcelo Mansfield, Cláudio Torres Gonzaga e Diogo Portugal. O programa de humor CQC, da Rede Bandeirantes, incorporou Rafinha Bastos, Danilo Gentili e Oscar Filho, os três comediantes stand up do Clube da Comédia. O Domingão do Faustão também abriu as portas para o gênero, no quadro Quem Chega Lá. Na primeira edição, Léo Lins e Marcos Castro chegaram à fase final da competição original. O Programa do Jô iniciou em 2009 o o quadro Humor na Caneca, que durante 2 anos trouxe comediantes stand up para encerrar a atração.

Em Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, a stand-up comedy tornou-se mais popular a partir do início do programa Levanta-te e Ri da SIC, embora já alguns humoristas praticassem profissionalmente este registo de comédia.

Existem neste momento vários comediantes em Portugal a fazer Stand up Comedy, em vários bares, anfiteatros e casas de espectáculo, como por exemplo João Seabra, Bruno Nogueira, Hugo Sousa, Marco Horácio, Ricardo Araújo Pereira, entre dezenas de outros.


História[editar | editar código-fonte]

Origem[editar | editar código-fonte]

O stand-up tem suas raízes em variadas tradições do entretenimento popular americano do final do século XIX, incluindo o vaudeville, (teatro de revista) e monólogos humorísticos. A maioria dos comediantes era meramente vista como contadores de piadas que esquentavam a plateia com um número de abertura, ou mantinham o público entretido durante os intervalos. Os pais da comédia stand-up eram os mestres de cerimônia, como eram chamados na época de ouro do rádio, Jack Benny, Fred Allen e Bob Hope, que vieram do vaudeville e geralmente abriam seus programas com monólogos ou números cômicos. Ser um comediante era considerado um degrau para uma carreira verdadeira no show business.

Os "mestres de cerimônia" começaram a aparecer em clubes noturnos apresentando grandes bandas e abrindo shows de outros artistas.

Os tópicos se caracterizavam por improvisações e discussões sobre qualquer coisa, desde os últimos filmes até um aniversário esquecido. Era comum que os programas de televisão de variedades se dividissem entre esses monólogos de abertura, números musicais seguido de quadros e esquetes. Os convidados eram variados e incluíam outros comediantes do rádio da época, como George Burns e Grace Allen. Com a fama e o sucesso desses humoristas, o público começa a frequentar os clubes apenas pelas aberturas cômicas e logo os apresentadores se tornam o próprio show.

O surgimento dos clubes[editar | editar código-fonte]

No final dos anos 50 e no decorrer da década de 60, stand-up se tornou uma moda entre boêmios e intelectuais. Alguns clubes noturnos eliminaram os números musicais e começaram a se chamar de "clubes de comédia". Uma nova geração de comediantes começou a explorar tópicos políticos, relações raciais e humor sexual. O ambiente, tido como culto e evoluído, acabou permitindo a entrada de comediantes negros e mulheres. Foram quando surgiram nomes como Woody Allen, Shelley Berman, Redd Foxx e Bill Cosby.

A stand-up comedy explodiu durante os anos 70, com muitos artistas se tornando conhecidos nacionalmente. O estilo nascido nos clubes noturnos alcança teatros e até grandes concertos em estádios esportivos.

Projeção na TV e no cinema[editar | editar código-fonte]

Programas como Saturday Night Live e The Tonight Show lançaram carreiras de outras tantas estrelas de stand-up. Richard Pryor, George Carlin e Lenny Bruce se transformaram em ícones da contracultura. Steve Martin e Bill Cosby tiveram nível similar de sucessos com números mais suaves. Muitas estrelas do stand-up obtiveram grandes contratos com a televisão e também com estúdios de cinema, como Robin Williams, Eddie Murphy e Billy Crystal. Há uma nova explosão de locais para comédia, espaços para artistas locais e até para comediantes em turnê por várias cidades.

Nos anos 80 com o advento da HBO (que pode apresentar os comediantes sem censura) e outros canais a cabo como o Comedy Central contribuíram para o boom do stand-up comedy.

Ressurgimento[editar | editar código-fonte]

Por volta de 1990 a comédia stand-up parece entrar em declínio. O mercado é inundado por comediantes considerados medíocres, muitos trabalhando em função do conceito de que o sucesso no stand-up pode abrir as portas para outras áreas como música, atuação em tv e filmes de cinema. Mas alguns humoristas conseguem reerguer o gênero, trazendo seus temas particulares para programas de TV de incrível sucesso popular e reconhecimento normalmente inacessível em circuitos de clubes de comédia. Exemplos disto incluem Jerry Seinfeld, Ellen DeGeneres, Roseanne, Tim Allen, Chris Rock e Ray Romano.

Com o novo século, a comédia stand-up é oxigenada, graças ao surgimento de novas mídias como a internet e canais de tv a cabo como o Comedy Central. Por todo o mundo houve um interesse no stand-up comedy e fazendo com que ocorresse crescimento na cena cômica no Canadá. Inglaterra, Portugal, Irlanda e Países Baixos e agora no Brasil.

O surgimento no Brasil[editar | editar código-fonte]

A nova onda de comédia stand up começou no Brasil de forma discreta. Humoristas como Diogo Portugal e Bruno Motta já haviam participado com apresentações nesse gênero no Prêmio Multishow do Bom Humor Brasileiro em 1996 e 1998, respectivamente – e curiosamente, eram os únicos a utilizar o estilo num festival criado por Wilson Cunha com esse objetivo. De volta à Curitiba, Diogo comanda noites de humor variadas onde ele apresenta, entre outros, números de stand up – bem como Bruno, que em Minas estreia seu solo "De Pé!" além de fazer shows com outros humoristas. Paralelamente, Fernando Ceylão também exercitava o gênero no Rio de Janeiro, estreando diversos espetáculos solo.[2] Os três se encontram no Risorama, criação de Diogo Portugal dentro do Festival de Teatro de Curitiba desde 2003, apresentado por Nany People.

Em 2004 Bruno Motta apresenta um show com comédia stand up aos sábados em São Paulo, do qual também participa Marcela Leal.[3] Na mesma época vários desses comediantes se reúnem através de uma comunidade no Orkut criada por Henrique Pantarotto para conversar e discutir o tema. É dali que Bruno, Marcela, Rafinha, Simone de Lucia, Márcio Ribeiro e Adriano Assi se organizam para participações no show Mondo Canne, de Marcelo Mansfield. Mansfield fazia uma abertura de humor físico e depois servia como apresentador da segunda parte, um show de comédia stand up.

Os redatores da Globo Cláudio Torres Gonzaga e Fábio Porchat se reuniriam com o ator Paulo Carvalho e Fernando Caruso para dar continuidade ao o Clube de Comédia em Pé, originalmente criado por Fernando Ceylão (que chamou Carvalho e Gonzaga), que estreia no Rio Design Leblon. Caruso, porém, não participa das primeiras apresentações pois acontecem às terças-feiras, mesma data de seu espetáculo Z.É. Zenas Emprovisadas. O Comédia em Pé é o primeiro grupo de stand up no Brasil[4] , sendo criado no Rio. Algumas semanas depois, em São Paulo, o grupo que se reunia pela internet em São Paulo lança o Clube da Comédia Stand Up, no bar Beverly Hills.

O Comédia em Pé prossegue suas apresentações no Rio já com Fernando Caruso, mas sem Fernando Ceylão, que passa a investir em sua carreira de autor e diretor. Em São Paulo, o Clube da Comédia ganha o reforço de Diogo Portugal, mas deixam o grupo Henrique Pantarotto e em seguida, Márcio Ribeiro.

A entrevista de Diogo Portugal no Programa do Jô é definitiva para chamar a atenção para o gênero.[5] Ele menciona os diversos shows de que participa e atrai público e mídia para os bares em que se apresenta. No Rio, o Comédia em Pé passa a se apresentar em teatros, ficando em cartaz nos dois extremos da cidade simultaneamente. Em Belo Horizonte, Bruno Motta cria o ImproRiso, que reúne comédia stand up, personagens e cenas – futuramente o projeto migraria para São Paulo apenas com comediantes stand up, mesclando num segundo momento, também música e improviso.[6] Em Curitiba, alavancadas por Diogo, surgem outras noites de humor stand up. Em São Paulo, Danilo Gentili, que acabara de entrar no Clube da Comedia, convida Márcio Ribeiro e reúne jovens humoristas que frequentavam o Clube para criar o Comédia Ao Vivo: Dani Calabresa (Daniella Giusti), Luiz França e Fábio Rabin. Toda essa geração acaba se encontrando, trabalhando junto, formando, solidificando e dando personalidade à comédia stand up brasileira.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]