George Carlin

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George Carlin
Carlin em Trenton, Nova Jérsei. Em 4 de Abril de 2008
Carlin em Trenton, Nova Jérsei. Em 4 de Abril de 2008
Nome de nascimento George Denis Patrick Carlin
Nascido(a) em 12 de maio de 1937
New York City, New York,  Estados Unidos
Nacionalidade Americana
Morto em 22 de Junho de 2008 (71 anos)
Santa Mônica, Califórnia,  Estados Unidos
Especialidade Stand-up, televisão, filme, livros, rádio
Anos em atividade 1956–2008
Gênero Comédia em personagem, comédia observacional, insultos, jogo de palavras, sátira/sátira política, humor negro, humor surreal, sarcasmo
Tema(s) Cultura Americana, Inglês americano, cotidiano, ateísmo, uso recreativo de drogas, morte, filosofia, comportamento humano, política Americana, cuidados parentais, crianças, religião, profanidade, psicologia, anarquismo, relacionamento entre raças, velhice, cultura popular, infância, família
Influências Danny Kaye,[1] [2] Jonathan Winters,[2] Lenny Bruce,[3] [4] Richard Pryor,[5] Jerry Lewis,[2] [5] Marx Brothers,[2] [5] Mort Sahl,[4] Spike Jones,[5] Ernie Kovacs,[5] Ritz Brothers[2] Monty Python[5]
Influenciou Chris Rock,[6] Jerry Seinfeld,[7] Bill Hicks, Jim Norton, Sam Kinison, Louis C.K.,[8] Bill Cosby,[9] Lewis Black,[10] Jon Stewart,[11] Stephen Colbert,[12] Bill Maher,[13] Denis Leary, Patrice O'Neal,[14] Adam Carolla,[15] Colin Quinn,[16] Steven Wright,[17] Mitch Hedberg,[18] Russell Peters,[19] Jay Leno,[20] Ben Stiller,[20] Kevin Smith[21]
Cônjuge Brenda Hosbrook
(5 de Agosto, 1961 – 11 de Maio, 1997) (morte dela) 1 filho
Sally Wade (24 de Junho, 1998 – 22 de Junho, 2008) (morte dele)[22]
Trabalhos de
destaque
Class Clown
"Seven Words You Can Never Say on Television"
Mr. Conductor
em Shining Time Station
Narrador
em Thomas and Friends
Especiais de televisão da HBO
George O'Grady
em The George Carlin Show
Rufus em Bill & Ted's Excellent Adventure e Bill & Ted's Bogus Journey
Assinatura George Carlin Signature.svg

George Denis Patrick Carlin (Nova Iorque, 12 de maio de 1937Santa Mônica, 22 de junho de 2008) foi um humorista, comediante de stand-up, ator e autor norte-americano, vencedor de cinco Grammys.[23] Pioneiro, com Lenny Bruce, no humor de crítica social, a sua mais polêmica rotina chamava-se "Sete Palavras que não se podem dizer em Televisão", o que lhe causou, durante os anos setenta, vários dissabores, acabando preso em inúmeras vezes que levou o texto a palco.

Carlin era conhecido pelo seu humor negro assim como seus pensamentos sobre política, língua inglesa, psicologia, religião, e vários temas tabus. Carlin e sua rotina "Seven Dirty Words", em 1978, foram o foco da Suprema Corte dos Estados Unidos no caso F.C.C. v. Pacifica Foundation, na qual, em uma acirrada decisão por 5x4 dos votos, os jurados afirmaram o poder do governo de regular material indecente em sistemas públicos de rádio.

O primeiro de seus 14 especiais de comédia para TV, para a rede HBO, foi filmado em 1977. Na década de 1990 e 2000, as rotinas de Carlin se focaram em críticas sócio-culturais da sociedade moderna Americana. Ele muitas vezes comentou em problemas políticos contemporâneos dos Estados Unidos e satirizava os excessos da cultura Americana. Seu último especial da HBO, It's Bad for Ya, foi filmado menos de quatro meses antes de sua morte.

Em 2004, Carlin alcançou a segunda colocação da lista da Comedy Central dos 100 maiores comediantes de stand-up de todos os tempos, na frente de Lenny Bruce e atrás de Richard Pryor.[24] Ele se apresentava frequentemente e era anfitrião convidado no The Tonight Show durante a era de três décadas de Johnny Carson, ele também foi o apresentador do primeiro episódio de Saturday Night Live. Em 2008, ele recebeu o prêmio Mark Twain Prize for American Humor.

Primeiros anos de vida[editar | editar código-fonte]

Carlin nasceu em Manhattan,[25] [26] o segundo filho de Mary Beary, uma secretária, e Patrick Carlin, um gerente de propagandas nacionais para o New York Sun.[27] Carlin era descendente de irlandeses e foi criado como um Católico Romano.[28] [29] [30]

Carlin cresceu em um bairro de Manhattan no qual ele afirmou, muito depois, em uma rotina de stand-up, que ele e seus amigos chamavam de "White Harlem", pois achavam que soaria melhor do que o nome verdadeiro, Morningside Heights. Ele foi criado pela sua mãe, que deixou o pai quando Carlin tinha dois meses de idade.[31] Ele estudou na escola Corpus Christi, uma paróquia e escola Católica Romana, em Morningside Heights.[32] [33] Depois de três semestres, aos 15 anos de idade, Carlin decidiu abandonar o ensino médio na escola Cardinal Hayes, e atendeu por um pequeno período à escola Bishop Dubois, em Harlem.[34] Carlin tinha um complicado relacionamento com sua mãe e muitas vezes fugiu de casa.[2] Mais tarde, ele entrou na Força Aérea e foi treinado como um técnico em radares. Ele atendeu à Barksdale Air Force Base, em Bossier City, Louisiana.

Durante esse período, ele começou a trabalhar como um DJ da estação de rádio KJOE, na cidade vizinha de Shreveport. Ele não terminou seu alistamento na Força Aérea. Rotulado como "aviador improdutivo" pelos seus superiores, Carlin foi exonerado em 29 de Julho de 1957.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Em 1959, Carlin e Jack Burns começaram uma dupla de comédia, quando ambos trabalhavam para a estação de rádio KXOL, em Fort Worth, Texas.[35] Depois de performances de sucesso na The Cellar, uma coffee house de Fort Worth, Burns e Carlin foram para a Califórnia, em Fevereiro de 1960, e continuaram como uma dupla por dois anos antes de seguirem atividades individuais.

Década de 1960[editar | editar código-fonte]

Semanas após chegar na Califórna, em 1960, Burns e Carlin montaram uma fita de audição e criaram "The Wright Brothers", um show matinal na KDAY, em Hollywood. A dupla trabalhou lá por três meses, afinando seu material em coffee houses durante a noite.[36] Anos depois, quando recebeu uma estrela na Hollywood Walk of Fame, Carlin pediu que ela fosse colocada em frente ao estúdio KDAY.[37] Burns e Carlin gravaram seu único álbum, "Burns and Carlin at the Playboy Club Tonight", em Maio de 1960, no Cosmo Alley em Hollywood.[36]

Na década de 1960, Carlin começou a aparecer em vários shows de televisão, especialmente The Ed Sullivan Show e The Tonight Show. Suas rotinas mais famosas eram:

  • The Indian Sergeant
  • Stupid disc jockeys
  • Al Sleet, the "hippie-dippie weatherman"
  • Jon Carson

Variações nas três primeiras rotinas apareceram no álbum de estréia de Carlin em 1967, "Take Offs and Put Ons", gravado ao vivo em 1966 no The Roostertail, em Detroit, Michigan.[38]

Carlin com o cantor Buddy Greco em Away We Go.

Durante esse período, Carlin se tornou mais popular, como um frequente apresentador e anfitrião convidado do The Tonight Show, inicialmente com Jack Paar como anfitrião, e então com Johnny Carson. Carlin se tornou um dos substitutos mais frequentes de Carson, em seu reino de três décadas como anfitrião. Carlin também atuou em Away We Go, um show de comédia de 1967 que foi ao ar na CBS.[39] Seu material durante o início de carreira e sua aparência, que consistia de ternos e cabelo escovinha, era visto como "convencional", particularmente quando em contraste com o seu material anti-estabelecimentos.[40]

Carlin estava presente na prisão de Lenny Bruce por obscenidade. Enquanto a polícia começou a tentativa de deter membros da audiência por questionar, eles pediram por identificação de Carlin. Dizendo aos policiais que ele não acreditava em identidades emitidas pelo governo, ele foi preso e levado à prisão com Bruce, no mesmo veículo.[41]

Década de 1970[editar | editar código-fonte]

Eventualmente, Carlin mudou suas rotinas e aparência. Ele deixou de aparecer em alguns programas de TV por se vestir de maneira estranha, para um comediante da época, vestindo jeans desbotados e com longos cabelos, uma barba, e brincos, numa época onde comediantes bem vestidos era o normal. Usando sua própria persona como trampolim de sua nova comédia, ele foi apresentado por Ed Sullivan em uma performance do "The Hair Piece", e rapidamente reconquistou sua popularidade enquanto o público entendia melhor o seu estilo.

Nesse período ele também aperfeiçoou o que seria uma de suas mais conhecidas rotinas, "Seven Words You Can Never Say on Television", gravado no Class Clown. Carlin foi preso em 21 de Julho de 1972, na Summerfest de Milwaukee, e acusado por violar leis de obscenidade depois de apresentar sua rotina.[42] O caso, que levou Carlin a se referir às palavras por um tempo como "as Sete de Milwaukee", foi liberado em Dezembro do mesmo ano; o juiz declarou que o linguajar era indecente, mas Carlin tinha a liberdade de usá-la, desde que não causasse confusão. Em 1973, um homem reclamou com a Federal Communications Commission depois de ouvir com seu filho à uma rotina similar, "Filthy Words", do Occupation: Foole, transmitido numa tarde pela estação WBAI, da Pacifica Foundation, em New York City. A Pacifica recebeu uma citação da FCC, que procurava multar a empresa por violar os regulamentos que proibíam a transmissão de material "obsceno". A Suprema Corte dos Estados Unidos manteve a ação da FCC por 5 votos à 4, afirmando que a rotina era "indecente mas não obscena" e que a FCC tinha direito de proibir tais transmissões durante horários em que crianças poderiam fazer parte da audiência. A documentação da corte contém a transcrição completa da rotina.[43]

George Carlin Shit, Piss, Fuck, Cunt, Cocksucker, Motherfucker, and Tits. Those are the heavy seven. Those are the ones that'll infect your soul, curve your spine and keep the country from winning the war. George Carlin

 — George Carlin, Class Clown, durante sua rotina "Seven Words You Can Never Say on Television"

A controvérsia apenas aumentou a fama de Carlin. Ele eventualmente expandiu o tema "palavras sujas" com um final quase interminável, para finalizar a sua performance (que acaba com sua voz sumindo na versão da HBO, acompanhada dos créditos, no especial Carlin at Carnegie, da temporada 1982-1983) e uma lista de 49 páginas da web[44] organizadas por assunto, abrangendo sua "Lista Incompleta de Palavras Grosseiras".

Foi durante uma apresentação, uma recapitulação de sua rotina "Dirty Words", que Carlin descobriu que seu álbum de comédia FM & AM havia ganho o Grammy. No meio da sua performance no álbum Occupation: Foole, pode-se ouví-lo agradecer a alguém por entregar um papel. Ele então exclama "Shit!", e orgulhosamente anuncia seu prêmio para a audiência.

Carlin apresentou a transmissão de estréia do Saturday Night Live da NBC, em 11 de Outubro de 1975, o único episódio (até pelo menos 2007) no qual o apresentador não se envolveu (por solicitação própria) com as cenas.[45] Ele também apresentou o SNL em 10 de Novembro de 1984, e apareceu em diversas cenas. Na seguinte temporada, 1976-1977, Carlin também apareceu regularmente na série de televisão da CBS, Tony Orlando & Dawn.

Carlin, inesperadamente, parou de se apresentar regularmente em 1976, quando sua carreira parecia estar no pico. Pelos próximos cinco anos, ele raramente realizou stand-up, apesar de que nessa época ele começou a fazer especiais para a HBO como parte da sua série On Location. Mais tarde ele revelou ter sofrido o primeiro de seus três ataques cardíacos durante seu período de pausa.[5] Seus dois primeiros especiais da HBO foram lançados em 1977 e 1978.

Décadas de 1980 e 1990[editar | editar código-fonte]

Em 1981, Carlin retornou aos palcos, lançando A Place for My Stuff e retornando para a HBO e New York City com o especial de TV Carlin at Carnegie, gravado no Carnegie Hall e transmitido durante a temporada de 1982-1983. Carlin continuou a realizar especiais da HBO todo ano, ou quase todo ano, durante os 15 anos seguintes. Todos os álbuns de Carlin, desse tempo em diante, são de especiais para a HBO.

Durante apresentação em Harrisburg, Pensilvânia

A carreira de ator de Carlin foi recebida com um grande papel na comédia Outrageous Fortune, de 1987, estrelando Bette Midler e Shelley Long; foi o seu primeiro papel notável, depois de diversos pequenos papéis em séries de TV. Interpretando o drifter Frank Madras, o papel zombava do efeito prolongado da contracultura de 1960. Em 1989, ele ganhou popularidade com uma nova geração de jovens quando interpretou Rufus, o mentor viajante do tempo dos principais personagens de Bill & Ted's Excellent Adventure. Em 1991, ele narrou a versão Americana do show infantil Thomas the Tank Engine and Friends, um papel que durou até 1998. Ele interpretou "Mr. Conductor" no show infantil da PBS, Shining Time Station, que apresentou Thomas the Tank Engine de 1991 à 1993, assim como os especiais de TV Shining Time Station em 1995 e Mr. Conductor's Thomas Tales em 1996. Ainda em 1991, Carlin recebeu um grande papel como coadjuvante no filme The Prince of Tides, que estrelava Nick Nolte e Barbra Streisand.

Carlin iniciou um sitcom semanal para a Fox, The George Carlin Show, em 1993, interpretando o motorista de táxi George O'Grady, em New York City. O show, criado e escrito pelo co-criador de Os Simpsons, Sam Simon, teve 27 episódios até Dezembro de 1995.[46]

Em seu livro final, publicado postumamente, Last Words, Carlin disse o seguinte sobre The George Carlin Show: "Eu me diverti bastante. Eu nunca ri tanto, tão frequentemente, e tão forte quanto eu fiz com o resto da equipe, Alex Rocco, Chris Rich e Anthony Starke. Havia um senso de humor muito estranho e muito bom naquele palco. O maior problema, no entanto, era que Sam Simon era uma pessoa horrível. Muito, muito engraçado, extremamente inteligente e brilhante, mas uma pessoa infeliz, que tratava as outras pessoas muito mal. Eu fiquei incrivelmente feliz quando o show foi cancelado. Eu estava frustrado por aquilo ter me desviado do meu verdadeiro trabalho."[47]

Em 1997, seu primeiro livro em capa dura, Brain Droppings, foi publicado e vendeu mais de 750,000 cópias até 2001.[carece de fontes?] Carlin foi homenageado no Aspen Comedy Festival de 1997 com uma retrospectiva, George Carlin: 40 Years of Comedy, apresentado por Jon Stewart.

Em 1999, Carlin atuou em um papel coadjuvante como um satírico cardeal católico, no filme de Kevin Smith, Dogma. Ele trabalhou com Smith novamente com uma breve participação em Jay and Silent Bob Strike Back, e mais tarde interpretou um atípico papel sério em Jersey Girl, como o pai do personagem de Ben Affleck.

Década de 2000[editar | editar código-fonte]

Em 2001, Carlin recebeu o Lifetime Achievement Award no 15° American Comedy Awards.

Por anos, Carlin realizou sua rotina regularmente em Las Vegas, mas em 2005 ele foi demitido de sua posição na MGM Grand Hotel em Las Vegas, Nevada, depois de uma confusão com sua audiência. Depois de um set muito mal recebido, cheio de referências à atentados suicidas e decapitações, Carlin disse que não aguentava mais esperar "para sair desse hotel" e de Las Vegas, afirmando que queria voltar para o leste, "onde as pessoas de verdade estão." Ele continuou a insultar sua audiência, dizendo:

People who go to Las Vegas, you've got to question their fucking intellect to start with. Traveling hundreds and thousands of miles to essentially give your money to a large corporation is kind of fucking moronic. That's what I'm always getting here is these kind of fucking people with very limited intellects.

Um membro da audiência gritou de volta, dizendo à Carlin que ele deveria "parar de nos insultar", para quem Carlin respondeu, "Thank you very much, whatever that was. I hope it was positive; if not, well, blow me." Ele foi imediatamente demitido pela MGM Grand e, logo após, anunciou que estaria entrando em reabilitação por vício em álcool e analgésicos.[48] [49]

Ele começou um tour durante a primeira metade de 2006, seguindo o lançamento de seu 13° especial da HBO, em 5 de Novembro de 2005, intitulado Life is Worth Losing,[50] que foi transmitido ao vivo do Beacon Theatre, em New York City, no qual ele afirmou ao iniciar: "Eu estou no 341° dia de sobriedade," se referindo à reabilitação. Temas abordados incluíam suicídio, desastres naturais (e o impulso de vê-los aumentar em grau de severidade), canibalismo, genocídio, sacrifício humano, ameaças às liberdades civis na América, e como um argumento poderia ser criado sobre humanos serem inferiores à outros animais.

Em 1 de Fevereiro de 2006, durante seu set Life is Worth Losing no Tachi Palace Casino, em Lemoore, Califórnia, Carlin mencionou à platéia que ele havia recebido alta do hospital, apenas seis semanas antes, por "insuficiência cardíaca" e "pneumonia", citando essa apresentação como seu "primeiro show de volta".

Carlin forneceu sua voz para Fillmore, um personagem na animação Carros, da Disney/Pixar, que foi lançado nos cinemas em 9 de Junho de 2006. O personagem Fillmore, que é apresentado como um hippie anti-estabelecimentos, é uma kombi com uma pintura psicodélica cuja placa era "51237", o aniversário de Carlin e o CEP de George, Iowa. Em 2007, Carlin forneceu sua voz para o mago em Happily N'Ever After, junto com Sarah Michelle Gellar, Freddie Prinze Jr., Andy Dick, e Wallace Shawn, esse foi seu último filme.

O último especial stand-up de Carlin para a HBO, It's Bad for Ya, foi transmitido ao vivo em 1 de Março de 2008, do Wells Fargo Center for the Arts, em Santa Rosa, Califórnia.[51] Os temas que apareceram nesse especial incluem "Besteirol Americano", "Direitos", "Morte", "Velhice" e "Educação Infantil". Em sua rotina, ele trouxe à tona muitos dos problemas encontrados nos Estados Unidos, e disse à audiência para enxergarem através de toda a "besteira" do mundo e para "aproveitar o carnaval". Carlin havia trabalhado no seu novo material por diversos meses antes de iniciar as apresentações ao redor do país.

Vida Pessoal[editar | editar código-fonte]

Em 1961, Carlin se casou com Brenda Hosbrook (5 de Agosto de 1936 - 11 de Maio de 1997), quem ele conheceu enquanto fazia um tour no ano anterior. O casal teve uma filha, Kelly, nascida em 1963.[52] Em 1971, George e Brenda renovaram seus votos de casamento em Las Vegas. Brenda morreu de câncer no fígado um dia antes do aniversário de 60 anos de Carlin, em 1997.

Carlin se casou novamente com Sally Wade em 24 de Junho de 1998, e o casamento durou até sua morte, dois dias antes de seu décimo aniversário.[53]

Carlin não votava e frequentemente criticava as eleições como uma ilusão de escolha. Ele disse que votou pela última vez em George McGovern, que concorreu à presidência contra Richard Nixon em 1972.[54]

Religião[editar | editar código-fonte]

Apesar de ter sido criado como católico romano, o que ele descreve de maneira anedótica nos álbuns FM & AM e Class Clown, Carlin era um ateu e denunciava a ideia de Deus. Ele descreveu sua opinião das falhas da religião organizada em entrevistas e performances, notavelmente com suas rotinas "Religion" e "There Is No God", que podem ser ouvidas em You Are All Diseased. Suas visões sobre religião também são mencionadas no seu último stand-up para a HBO, It's Bad for Ya, onde ele zombou o juramento pela Bíblia como sendo "besteira", "faz de conta", e "coisa de criança". Em It's Bad for Ya, Carlin apontou diferenças em tipos de chapéus que as religiões proíbem ou exigem como parte de suas práticas. Ele menciona que nunca faria parte de um grupo que requer ou proíbe o uso de chapéus.

Carlin também brincou em seu segundo livro, Brain Droppings, que ele adorava o Sol, uma razão sendo o fato de que ele podia enxergá-lo. Isso foi mencionado mais tarde em You Are All Diseased, junto com a afirmação de que ele rezava para Joe Pesci (um amigo próximo) pois "ele é um bom ator" e "parece ser o tipo de cara que resolve os problemas!"[55]

Em seu especial para a HBO, Complaints and Grievances, Carlin introduziu os "Dois Mandamentos".

Temas[editar | editar código-fonte]

O material de Carlin cai em uma de três categorias auto-descritas: "o pequeno mundo" (humor observacional), "o grande mundo" (comentários sociais), e as peculiaridades da línga Inglesa (eufemismos, jogo de palavras, repetições, jargões) todos compartilhando o tema geral de (em suas palavras) "besteirol humano", o que pode incluir homicídio, genocídio, guerra, estupro, corrupção, religião e outros aspectos da civilização humana. Ele era conhecido por misturar humor observacional com muitos comentários sociais. Frequentemente tratava esses assuntos de uma maneira misantrópica e niilística, assim como sua afirmação durante o show Life is Worth Losing:

I look at it this way... For centuries now, man has done everything he can to destroy, defile, and interfere with nature: clear-cutting forests, strip-mining mountains, poisoning the atmosphere, over-fishing the oceans, polluting the rivers and lakes, destroying wetlands and aquifers... so when nature strikes back, and smacks him on the head and kicks him in the nuts, I enjoy that. I have absolutely no sympathy for human beings whatsoever. None. And no matter what kind of problem humans are facing, whether it's natural or man-made, I always hope it gets worse.

Linguagem era um foco frequente do trabalho de Carlin. Eufemismos que, em sua opinião, tentavam distorcer e mentir, e o uso de linguagem que ele achava pomposa, presunçosa ou boba, eram alvos das suas rotinas. Quando questionado no Inside the Actors Studio sobre o que o animava, ele respondeu "ler sobre linguagem." Quando questionado sobre o que o deixava mais orgulhoso sobre sua carreira, ele respondeu o número de livros que havia vendido, que na época estava em quase um milhão de cópias.

Carlin também dava atenção especial a proeminentes tópicos da cultura americana e cultura ocidental, como a obsessão por fama e celebridade, consumismo, Cristianismo, alienação política, controle corporacional, hipocrisia, criação dos filhos, dieta fast food, estações de notícias, publicações de auto-ajuda, patriotismo cego, tabus sexuais, certos usos de tecnologia e vigilância, e a posição pro-life,[56] entre muitos outros.

George Carlin em Trenton, New Jersey. 4 de Abril de 2008

Carlin dizia abertamente em seus shows e entrevistas que o propósito de sua existência era entreter, que ele "estava aqui pelo espetáculo". Ele professou uma calorosa schadenfreude em assistir o rico espectro da humanidade vagarosamente auto-destruir, em sua estimativa, seu próprio design, dizendo "Quando você nasce, você recebe um bilhete para o show de horrores. Quando você nasce nos Estados Unidos, você senta na primeira fila." Ele reconhecia que isso era algo muito egoísta, especialmente já que ele incluía grande parte das catástrofes humanas como entretenimento. Em sua apresentação You Are All Diseased, ele elaborou algo sobre isso, dizendo à audiência "Eu sempre estive disposto a me colocar em grande perigo pelo bem do entretenimento. E eu sempre estive disposto a colocar vocês em grande perigo pelo mesmo motivo!".

Na mesma entrevista, ele recontou sua experiência em um terremoto na Califórnia, no início da década de 1970, como "uma ida num parque de diversões. Sério, eu acho que é maravilhoso perceber que você não tem absolutamente nenhum controle, e observar o armário se mover ao redor do quarto, sem ajuda, é muito divertido."

Uma rotina no especial da HBO de 1999, You Are All Diseased, que se focava em segurança nos aeroportos, levou ao seguinte comentário: "Se arrisquem! Ponham um pouco de diversão em sua vida! A maioria dos Americanos são moles e medrosos e sem imaginação e eles não percebem que existe uma coisa chamada diversão perigosa, e eles certamente não reconhecem um bom espetáculo quando assistem um."

Junto com jogo de palavras e brincadeiras sobre sexo, Carlin sempre incluía política como parte de seu material. Em meados da década de 1980, ele havia se tornado um crítico social estridente, atacando ambos conservadores e liberais em seu especiai da HBO e na compilação em livro de seu material. Seus espectadores da HBO receberam uma zombação especialmente afiada, com seu comentário sobre a administração de Ronald Reagan durante o especial de 1988, What Am I Doing In New Jersey?, transmitido ao vivo do Park Theatre, em Union City, New Jersey.

Morte e legado[editar | editar código-fonte]

Carlin possuía um histórico de problemas cardíacos que abrangia várias décadas, incluindo três ataques cardíacos (em 1978, 1982 e 1991), uma arritmia que exigiu procedimento de ablação em 2003, e um episódio de insuficiência cardíaca no fim de 2005. Ele realizou angioplastia duas vezes para reabrir artérias.[57] Em 2005 ele entrou para uma clínica de reabilitação de drogas para o tratamento de vícios em álcool e vicodin.[58]

Em 22 de Junho de 2008, Carlin foi recebido no Saint John's Health Center, em Santa Mônica, depois de sentir dores no peito, e morreu pouco depois de falha cardíaca. Ele tinha 71 anos.[59] Sua morte ocorreu uma semana depois de sua última performance no The Orleans Hotel and Casino, em Las Vegas. Haviam outros shows em seu intinerário.[22] [60] [61] De acordo com sua vontade, ele foi cremado, suas cinzas espalhadas, e nenhum serviço público ou religioso foi realizado.[62] [63]

Em sua homenagem, a HBO transmitiu 11 de seus 14 especiais, entre 25 e 28 de Junho, incluindo uma maratona de 12 horas no seu canal HBO Comedy. NBC programou uma retransmissão do primeiro episódio de Saturday Night Live, no qual Carlin era o apresentador.[64] [65] [66] Ambos Sirius Satellite Radio e XM Satellite Radio transmitiram uma maratona das gravações de George Carlin, no dia seguinte à sua morte. Larry King devotou seu show, do dia 23 de Junho, completamente em tributo à Carlin, com entrevistas com Jerry Seinfeld, Bill Maher, Roseanne Barr e Lewis Black, assim como a filha de Carlin, Kelly, e seu irmão, Patrick.

Em 24 de Junho, o The New York Times publicou um editorial sobre Carlin, escrito por Seinfield.[67] O cartunista Garry Trudeau pagou tributo em sua tirinha Doonesbury, em 27 de Julho.[68]

Quatro dias antes de sua morte, o John F. Kennedy Center for the Performing Arts havia homenageado Carlin com seu Mark Twain Prize for American Humor.[69] A premiação foi realizada em Washington, D.C., em 10 de Novembro, tornando Carlin o primeiro recipiente póstumo.[70] Dentre os comediantes que o prestigiaram na cerimônia, haviam Jon Stewart, Bill Maher, Lily Tomlin (uma ex-vencedora do prêmio Twain Humor), Lewis Black, Denis Leary, Joan Rivers, e Margaret Cho.

Louis C. K. dedicou seu especial de stand-up, Chewed Up, à Carlin, e Lewis Black dedicou a inteira segunda temporada de Lewis Black's Root of All Evil a ele.

Por um número de anos, Carlin vinha compilando e escrevendo sua autobiografia, para ser lançada junto com um show na Broadway, provisoriamente chamado New York City Boy. Após sua morte, Tony Hendra, seu colaborador em ambos os projetos, editou a autobiografia para lançamento como Last Words (ISBN 1-4391-7295-1). O livro, que mostra grande parte da vida e dos planos futuros de Carlin, foi publicado em 2009. A edição de áudio foi narrada pelo irmão de Carlin, Patrick.[71]

O texto do show que ele planejava realizar está programado para ser lançado em capa dura em 2011, sob o título New York Boy.[72]

The George Carlin Letters: The Permanent Courtship of Sally Wade,[73] pela viúva de Carlin, publicado em Março de 2011, é uma coleção de textos não publicados por Carlin e criados no período de 10 anos de seu relacionamento com ela.

Em 2008, a filha de Carlin, Kelly Carlin-McCall, anunciou planos de publicar uma "história oral" - uma coleção de histórias dos amigos e família de Carlin,[74] mas ela indicou que o projeto havia sido arquivado em favor da conclusão de seu próprio livro de memórias.[75]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Ano Filme
1968 With Six You Get Eggroll
1976 Car Wash
1979 Americathon
1987 Outrageous Fortune
1989 Bill & Ted's Excellent Adventure (br: Bill & Ted - Uma Aventura Fantástica / pt: A Fantástica Aventura de Bill e Ted)
1990 Working Trash
1991 Bill & Ted's Bogus Journey (br: Bill & Ted - Dois Loucos no Tempo / pt: Bill e Ted no Outro Mundo)
The Prince of Tides
The Little Engine That Could (voice)
1999 Dogma
2001 Jay and Silent Bob Strike Back (br: O Império (do Besteirol) Contra-Ataca)
2003 Scary Movie 3 (br: Todo Mundo em Pânico 3 / pt: Scary Movie 3 - Outro Susto de Filme)
2004 Jersey Girl (br: Menina dos Olhos / pt: Era Uma Vez Um Pai)
2005 The Aristocrats (film)
Tarzan II - voz
2006 Cars (br/pt: Carros)
2007 Happily N'Ever After (pt: E Não Viveram Felizes para Sempre / br: Deu a Louca na Cinderela) - voz

Especiais da HBO[editar | editar código-fonte]

Especial Ano
On Location: George Carlin at USC 1977
George Carlin: Again! 1978
Carlin at Carnegie 1982
Carlin on Campus 1984
Playin' with Your Head 1986
What Am I Doing in New Jersey? 1988
Doin' It Again 1990
Jammin' in New York 1992
Back in Town 1996
George Carlin: 40 Years of Comedy 1997
You Are All Diseased 1999
Complaints and Grievances 2001
Life Is Worth Losing 2005
It's Bad for Ya 2008
  • "All My Stuff", um box com vários shows (excluindo George Carlin: 40 Years of Comedy) com material bônus de setembro de 2007

Referências

  1. Murray, Noel. "Interviews: George Carlin", The A.V. Club, 'The Onion', November 2, 2005. Página visitada em 2008-06-23.
  2. a b c d e f Merrill, Sam. "Playboy Interview: George Carlin", January 1982.
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