Dique do Tororó

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Dique do Tororó
Um barco no dique
Localização
Localização Bairros de Tororó, Engenho Velho de Brotas e Garcia
País  Brasil
Localidades mais próximas Salvador
Características
Tipo artificial
Afluentes Nascente do rio Urucaia
Mapa do Dique do Tororó
Mapa do Dique do Tororó
Dique do Tororó, com esculturas de orixás do candomblé ao fundo

O Dique do Tororó é único manancial natural da cidade de Salvador, tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, comumente reduzido para Dique, que possui uma lagoa de 110 mil metros cúbicos de água, localizada em Salvador, no estado da Bahia, no Brasil. É delimitada, atualmente, pelo bairro do Tororó em sua margem esquerda, pelo do Engenho Velho de Brotas em sua margem direita, ao Norte, pelo estádio Itaipava Arena Fonte Nova e, ao Sul, pelo bairro do Garcia.

É margeado pelas avenidas Presidente Costa e Silva e Vasco da Gama - que, ao Sul, convergem para a avenida Centenário e o Vale dos Barris.

O termo "tororó" vem do termo tupi tororoma, que significa "jorro" (de água).[1]

História[editar | editar código-fonte]

À época do Brasil Colônia, o dique delimitava o limite norte da Cidade Alta de Salvador, então capital do Brasil.

Essa estrutura, com função defensiva, encontra-se relacionada por BARRETTO (1958), que reporta ter sido erguida pelos governos gerais, entre o final do século XVII e meados do século XVIII, para defesa complementar dos limites de Salvador. As suas águas contornavam a cidade desde o forte do Barbalho até o forte de São Pedro; para a sua formação, foram represadas as águas das nascentes do rio Urucaia (op. cit., p. 188).

Ainda de acordo com o mesmo autor, com o desenvolvimento urbano da cidade, partes do dique deixaram de existir, em função de aterros.

Na realidade, o primitivo dique constituía-se em uma ampliação do dique de defesa da cidade alta, executada durante o governo do vice-rei e capitão general de mar e terra do Estado do Brasil, D. Vasco Fernandes César de Meneses (1720-1735), dentro do plano de fortificação de Salvador. Esse projeto havia sido elaborado em 1714 pelo capitão de engenheiros francês Jean Massé, que, após as invasões do Rio de Janeiro por corsários franceses em 1710 e em 1711, por determinação do rei João V de Portugal (1705-1750), em 1712, passou com o posto de brigadeiro ao Brasil para examinar e reparar as fortificações daquele Estado. (SOUSA VITERBO, 1988:154).

Folclore[editar | editar código-fonte]

Desde a época colonial, a população de Salvador tinha por hábito se abastecer nas águas do dique. Uma tradicional quadrinha, popular até os dias de hoje, canta:

Eu fui ao Tororó
Beber água e não achei
Encontrei linda morena
Que no Tororó deixei...

Já o historiador Olavo Rodrigues sustenta que a cantiga refere-se à Bica de Itororó na cidade paulista de Santos[2] .

Referências

  1. [1]
  2. RODRIGUES Olavo - Cartilha da História de Santos, Santos: 1980

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BARRETO, Aníbal (Cel.). Fortificações no Brasil (Resumo Histórico). Rio de Janeiro: Biblioteca do Exército Editora, 1958. 368 p.
  • FALCÃO, Edgard de Cerqueira. Relíquias da Bahia (Brasil). São Paulo: Of. Gráficas Romili e Lanzara, 1940. 508 p. il. p/b.
  • GARRIDO, Carlos Miguez. Fortificações do Brasil. Separata do Vol. III dos Subsídios para a História Marítima do Brasil. Rio de Janeiro: Imprensa Naval, 1940.
  • SOUSA, Augusto Fausto de. Fortificações no Brazil. RIHGB. Rio de Janeiro: Tomo XLVIII, Parte II, 1885. p. 5-140.
  • SOUSA VITERBO, Francisco Marques de. Dicionário Histórico e Documental dos Arquitetos, Engenheiros e Construtores Portugueses (v.I). Lisboa: INCM, 1988.

Ver também[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Dique do Tororó

Ligações externas[editar | editar código-fonte]