Ezra Pound

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Ezra Pound (1913)

Ezra Weston Loomis Pound (Hailey, 30 de outubro de 1885Veneza, 1 de novembro de 1972) foi um poeta, músico e crítico literário americano que, junto com T. S. Eliot, foi uma das maiores figuras do movimento modernista da poesia do início do século XX no país norte-americano. Ele foi o motor de diversos movimentos modernistas, notadamente do Imagismo (seu líder e principal representante) e do Vorticismo.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nascido em Hailey, no estado americano de Idaho, cresceu em Wyncote, perto de Filadélfia e formou-se na Universidade da Pensilvânia em 1906. Durante um breve período deu aulas em Crawfordsville, Indiana, e entre 1906-1907 viajou por Espanha, Itália e França. O seu primeiro livro de poemas, A Lume Spento, foi publicado em Veneza em 1908. Nesse ano fixou-se em Londres, onde viveu até 1920 e onde travou conhecimento com alguns dos mais importantes escritores da época: Ford Madox Ford, James Joyce, Wyndham Lewis, W. B. Yeats e T. S. Eliot, entre outros., tendo influenciado a todos estes.

Em 1909 publicou Personae e Exultations, a que se seguiu um volume de ensaios críticos intitulado The Spirit of Romance de 1910. Entre 1914-1915 foi co-editor da revista do movimento Vorticista, Blast. Em Londres teve ainda a seu cargo a edição da revista de Chicago Little Review (1917-1919) e a partir de 1920 tornou-se correspondente da publicação The Dial na capital francesa, para onde se mudou em 1921.

Datam de 1920 as publicações de um segundo volume de textos críticos, Instigations, e de Hugh Selwyn Mauberley, uma das suas obras-primas. O poema Homage to Sextus Propertius foi publicado no ano anterior. Conhecedor das literaturas europeia e oriental, Pound associou-se desde muito cedo à escola dos imagistas, que liderou de forma particularmente enérgica. Os adeptos desta corrente poética, fundada em 1912 sob inspiração das ideias de T. E. Hulme, pretendiam explorar de forma disciplinada as potencialidades da imagem e da metáfora, consideradas a essência da poesia. O movimento, que Pound abandonou em 1914, teve a sua expressão na revista inglesa The Egoist (iniciada em 1912) e na revista americana Poetry (a partir de 1914). As raízes do movimento encontravam-se fundamentalmente na poesia chinesa e japonesa, mas os imagistas inspiraram-se também na poesia latina, em poemas da tradição medieval inglesa, nas composições poéticas dos trovadores provençais e em alguns poetas italianos. Nos seus Cantos, publicados numa longa série entre 1917-1949 e inacabados, Pound procurou elaborar uma versão moderna da Divina Comédia.

Henri Gaudier-Brzeska: Hieratic Head of Ezra Pound, mármore, 1914

A fase em que o poeta leva mais a extremos os princípios do seu movimento imagista é ilustrada pelas obras Ripostes (1912) e Lustra (1916). Em 1924 Pound mudou-se para Itália, onde as teorias político-econômicas que defendeu o associaram ao fascismo, tal qual o fizeram outros poetas como Fernando Pessoa, tendo chegado a proferir comunicações antidemocráticas na rádio italiana durante a Segunda Guerra Mundial. Nos seus tratados econômicos e históricos, Jefferson and/or Mussolini de 1935 e Guide to Kulchur de 1938, Pound comprometeu-se definitivamente com o fascismo e foi preso em 1945 e libertado em função do protesto de vários artistas, tendo sido posteriormente repatriado.

Considerado oficialmente incapaz mentalmente, com o objetivo de livrá-lo da prisão, foi internado durante 13 anos num hospital psiquiátrico em Washington DC. A acusação de traição foi retirada em 1958 e Pound voltou a Itália depois da sua libertação. Trabalhou nos seus Cantos até 1972, ano da sua morte.

Obra e influência[editar | editar código-fonte]

Sua obra, carregada de citações e alusões históricas, é indiscutivelmente uma das maiores da poesia do século XX. É comum a afirmação de que, junto de Vladimir Maiakóvski, foi o maior poeta mundo no século XX.

A influência de Ezra Pound e do seu projeto de renovação da linguagem poética foi essencial para Joyce, Yeats, William Carlos Williams e particularmente para T. S. Eliot, que submeteu o manuscrito da sua obra The Waste Land à apreciação de Pound antes de o publicar em 1922. Pound, simplesmente, riscou à caneta uma parte considerável do texto inicial, e Eliot aceitou os cortes sem titubear. Os "aperfeiçoamentos" (ponto de vista de Eliot) feitos por Pound mereceram-lhe a dedicatória de Eliot: "For Ezra Pound, il miglior fabbro" (A Ezra Pound, o melhor artífice). Sendo o primeiro líder do modernismo dos Estados Unidos, sua influência fez-se sentir inclusive na poesia da Geração beat, que levou a extremos a ideia poundiana de que o poema deve reproduzir a ordem natural da sintaxe de uma língua (falada) e não afastar-se demais da música ou da própria língua falada, já que o poema deve soar natural ao ouvido se lido em voz alta. A fanopeia do seu Imagismo também fez-se sentir em Kenneth Rexroth, Gary Snyder e nos poetas objetivistas.

Na teoria, Pound aproxima-se da ideia de Harold Bloom de que existe um conjunto de obras que representam momentos de maiores elevação de uma cultura (alta cultura). Desta forma classifica os poetas (de maneira semelhante à feita por Maiakóvski) numa escala que vai do inventor até o diluidor, estabelecendo verdadeira hierarquia entre eles, e fixando um cânone (Paideuma) próprio, não excludente de outros possíveis, nas palavras do teórico, incluindo as obras que ele considerava o ápice de uma maneira de escrever. Essas "maneiras de escrever" teriam basicamente três tendências: uma voltada para as qualidades sonoras da poesia (melopeia), outra para as qualidades representativas sensoriais-imagéticas, especialmente visuais (fanopeia), e outra para o jogo semântico que ele chama de "a dança das ideias" (logopeia), o que suscita questionamentos de alguns sobre o fato de Pound nunca citar o barroquismo em seu "Paideuma".

Na verdade, a influência de Pound permanece forte até hoje, tendo se alastrado bem além dos países de língua inglesa. No Brasil, fez-se sentir especialmente no grupo da Poesia concreta e seu vasto ciclo de influência, sua pregação pró economia verbal (a mesma que o fez cortar grande parte de The Waste Land, de T. S. Eliot) e em um certo visualismo à moda oriental que tomou força a partir da poesia brasileira dos anos 80 e 90, com poetas que tiveram como referência o concretismo paulista.

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