Allen Ginsberg

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Allen Ginsberg
Allen Ginsberg na Feira Internacional do Livro de Miami, em 1985
Nascimento 3 de junho de 1926[1]
Newark, Nova Jérsei
Morte 5 de abril de 1997 (70 anos)[2]
Nova Iorque
Nacionalidade Estado-unidense
Ocupação Escritor e poeta
Influências
Influenciados
Assinatura
Allen Ginsberg signature.svg

Irwin Allen Ginsberg (Newark, Nova Jersey, 3 de junho de 19265 de abril de 1997) foi um poeta americano da geração beat, que ficou conhecido pelo seu livro de poesia Howl (1956).

Vida[editar | editar código-fonte]

Poeta beat nascido em New Jersey (Estados Unidos). Allen Ginsberg (1926-1997) foi não apenas o poeta norte-americano de maior prestígio da segunda metade do século XX, como também o grande rebelde romântico e poeta-anarquista contemporâneo. Promoveu, em parceria com Ke­rouac, Burroughs, Corso, Ferlinghetti, Snyder e outros uma revolução na linguagem e nos valores literários que se transformou em rebelião coletiva, na série de acontecimentos revolucionários que foi o ciclo da Geração beat na década de 50, e da contracultura e rebeliões juvenis dos anos 60 e 70. Conseqüências do impacto provocado pelo lançamento de Howl and other poems, em 1956, e, logo em seguida, de On the Road, de Kerouac, em 1957, e de outras obras representativas da literatura beat, como Kaddish and other poems, do próprio Ginsberg, e Naked Lunch, de Burroughs.

Expressões da liberdade de criação, tais obras romperam com o beletrismo, o exacerbado forma­lismo que dominava a criação poética e o ambiente acadêmico, e com seu correlato, o bom-mocismo da sociedade. Arejaram um mundo sufocado pela polarização entre o macarthismo e o stalinismo, abrindo perspectivas, não só literárias, mas existenciais e políticas. Alusivas a acontecimentos reais, escritas na primeira pessoa, a partir do “eu” de seu criador, e não de um mundo de abstração formal, promoveram uma nova relação entre poesia e vida.

Um de seus livros mais conhecidos, Uivo, (L&PM Pocket), conquistou milhões de leitores. Publicado em 1956, valeu um processo por pornografia contra seu editor, Ferlinghetti, no ano seguinte. O escândalo, associado ao impacto do lançamento de On the Road de Kerouac, contribuiu para promover mundialmente a Geração Beat e trans­formá-la em mito moderno e movimento social.

Como bem observaram seus tradutores e divulgadores franceses, Alain Jouffrouy e Jean-Jacques Lebel,até então, mesmo obras inovadoras, como as de Breton, Artaud e Michaux, resultavam em tiragens de uns poucos milhares de exemplares. Por isso, ao tornar-se fenômeno editorial, Ginsberg também se tornou emblema da rebelião, no plano da criação literária, da conduta individual e do conjunto das relações sociais.

Na perspectiva atual, é até difícil avaliar o quanto a rebelião beat foi importante, e qual a extensão de sua contribuição para a formação de uma nova ideologia, uma percepção do mundo e do homem da qual fazem parte a ampliação e o enriquecimento da liberdade individual, e a superação de divisões e mo­dos de repressão.

Um dos méritos de Gins­berg, Burroughs e especialmente de Ferlinghetti foi terem feito a ponte entre o modernismo anglo-ame­ri­cano, de Ezra Pound e William Carlos Williams, e a vanguarda francesa, principalmente o surrealismo. Em um grau enorme de atualização literária, Ginsberg e Carl Solomon, internados em um hospício em 1948/49 (episódio decisivo para a criação de Uivo), escreveram uma carta delirante para o surrealista Malcolm de Chazal, autor de exceção até hoje, cujo Sens Plastique acabara de sair. Palestras e ensaios de Ginsberg demonstram sua vinculação à vertente objetivista, de Pound e Williams, e do fluxo de consciência, de Gertrude Stein e James Joyce, e mostram como seu trabalho com a prosódia, os valores sonoros da linguagem, é consistente e complexo.

O conjunto dos textos escritos entre o final dos anos 40 e o início dos 60 reflete algo como uma experiência iniciática, resultando em uma nova consciência e uma nova cor­poreidade depois desse confronto com a morte. A seu modo, Ginsberg reproduziu a viagem órfica, a descida de Orfeu, arquétipo dos poetas, ao inferno, e a trajetória do xamã, do bruxo-sacerdote tribal. Emergiu dela, após aderir ao budismo tibetano, como líder de movimentos sociais dos anos 60 em diante, e um permanente animador cultural, à frente do Naropa Institute, a universidade alternativa que criou e dirigiu até o fim da sua vida.

Morto aos 70 anos, fará falta, mesmo com a permanência de sua obra. Em uma admirável síntese do poeta olímpico, a celebridade mundial, e do poeta maldito, o marginal, jamais abriu mão do senso crítico e da busca do novo, tão evidente na permanente transformação de sua obra desde a fase heróica da Beat, nos anos 40-50. Enfrentou crises pessoais como a de 1960 a 63, interrupções do seu processo criativo, mas nunca se tornou um repetidor, um epígono de si mesmo. Não soará estranho, atualmente, afirmar que alguém como ele, um rebelde com um comportamento extravagante e desregrado, foi um exemplo de integridade, de uma elevada ética da poesia. (Trecho do texto do tradutor e poeta Cláudio Willer, autor da introdução, das notas e da tradução de Uivo para a L&PM Editores).


OBRA

Poesia

Howl and Other Poems, de 1956 (no Brasil L&PM Editores 1982, e L&PM POCKET, 2000); Kaddish and Other Poems, de 1961 (no Brasil L&PM Editores 1982, e L&PM POCKET, 2000); Empty(1961); Reality Sandwiches (1963) Ankor Wat (1968); Airplane Dreams(1968); Planet News (1969); The Gates of Wrath, Rhymed Poems 1948-51 (1972); The Fall of America, Poems of These States (1973); Iron Horse, (1974); First Blues, (1975); Mind Breaths, Poems 1971/76 (1978); Poems All Over The Place(1973); Plutonian Ode, Poems 1977-1980(1982).


Prosa

The Yage Letters (com William Burroughs), de 1963; Indian Journals(1970); Gay Sunshine Interview (1974); Allen Verbatim: Lectures on Poetry, etc. (1974); The Visions of the Great Rememberer (1974); Chicago Trial Testimony(1975); To Eberhart From Ginsberg (1976); Journals Early Fifties Early Sixties(1977); As Ever – Collected Correspondence. Allen Ginsberg & Neal Cassady (1977); Composed on the Tongue (Literary Conversations, 1967-1977), 1980; Straight Heart’s Delight: Love Poems and Selected Letters (com Peter Orlovsky), 1980.

Allen Ginsberg foi uma criança complicada e tímida, dominada pelos estranhos e assustadores episódios de sua mãe, uma mulher completamente paranóica, que acreditava que o mundo conspirava contra ela. Ao mesmo tempo, Allen teve que lutar para compreender o que estava acontecendo dentro dele, já que era consumido pela luxúria de outros meninos de sua idade.

Na escola secundária, descobriu a poesia, mas logo ao ingressar na Universidade de Columbia, fez amizade com um grupo de jovens delinquentes, filósofos de almas selvagens (entre eles Jack Kerouac), obcecados igualmente por drogas, sexo e literatura. Ao mesmo tempo em que ajudava os amigos a desenvolverem os seus talentos literários, Allen perdia de vez a sua ingenuidade, experimentando drogas, freqüentando bares gays em Greenwich Village e vivendo seus affairs homossexuais.

Ginsberg com Bob Dylan, 1975

Assumindo um estilo de vida bizarro, como se procurasse em si mesmo a face da loucura de sua mãe, Ginsberg acabou em tratamento psiquiátrico. Aos 29 anos, ele já tinha escrito muita poesia, mas quase nada publicado. Ele ganhou popularidade a partir de 1955, com o seu poema Howl (considerado por muitos, obsceno e pornográfico, assim como o seu autor...). Howl (Uivo) foi o livro de poesia mais vendido da história dos EUA, tendo vendido mais de 1 milhão de exemplares em pouco tempo, e foi seguido por vários outros poemas importantes, como Kaddish, onde ele faz uma espécie de auto-exorcismo, escrevendo sobre a loucura e morte de sua mãe. Por esse período, Ginsberg viaja o mundo, descobre o budismo e se apaixona por Peter Orlovsky, que seria seu companheiro por 30 anos, embora sua relação não fosse monógama.

No início dos anos 60, enquanto sua celebridade crescia, ele se lança na cena hippie, ajuda Timothy Leary a divulgar o psicodélico LSD e participa de uma lista incrivelmente grande de eventos, como o Human Be-In, em 1967, em San Francisco, onde ele é um dos que conduzem a multidão cantando o mantra OM. Ginsberg é também figura-chave nos protestos contra a guerra do Vietnã na Convenção do Partido Democrático de Chicago, em 1968. Após conhecer o lama tibetano Trungpa Rinpoché, Ginsberg aceita-o como seu guru pessoal. Depois, juntamente com a poeta Anne Waldman, cria uma escola de poesia. Sempre participando de eventos multiculturais, Ginsberg manteve sua agenda social ativa até a sua morte, em 5 de abril de 1997, em Nova Iorque.

Ginsberg tinha muitos fãs, entre eles Jim Morrison, do grupo The Doors. Morrison era tão viciado nas poesias e obras dele que dizia escrever suas músicas após ter lido algum de seus poemas. Sabe-se que Ginsberg e a banda The Clash eram fãs recíprocos. O poeta fez uma participação especial na música Ghetto Defendant, cantando ao lado de Joe Strummer trechos de um de seus poemas. Ian Astbury, lider da banda The Cult e amigo pessoal dos músicos dos The Clash, que recitava Howl (Uivo) no início dos shows, é um grande propagador da obra de Ginsberg, ao qual dedicou a música Bodihsatwa, do seu álbum solo Cream, que fala sobre zen-budismo e poetas beat. No Brasil, Cazuza era um grande fã de Ginsberg e o cita na música "Só As Mães São Felizes" Foi ainda um dos expoentes do movimento literário denominado de beat composto por um grupo de autores que trabalhavam com poesia, prosa e consciência cultural. Ginsberg articulou e formalizou a beat. Sua escrita era típica. Oscilava entre pólos: do mantra ao sexo explícito, do sagrado ao profano, do espiritual ao material. A utopia de Ginsberg era a de uma sociedade harmoniosa, onde coubessem os loucos e, por afinidade, todas as modalidades de contexto estranho. O trânsito entre dois mundos: o da marginalidade e o da cultura erudita.

Frases célebres[editar | editar código-fonte]

Uma de suas célebres frases é "quem quer que controle a mídia, as imagens, controla a cultura"[3] .

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Títulos em inglês original

Títulos em português

  • Cartas Selecionadas de Pai e Filho - Allen e Louis Ginsberg

Referências

  1. Bagby Jr., s/d, p.13.
  2. Grinberg, 2005, p.106.
  3. frases.netsaber
Wikiquote
O Wikiquote possui citações de ou sobre: Allen Ginsberg
Ícone de esboço Este artigo sobre uma pessoa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.

{WILLER, Cláudio. Geração Beat. Porto Alegre, RS: L&PM, 2010 (ColeçãoL&PM Pocket; v.756)}‎‎