Gamine

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Gamine (em francês) ou Waif (em inglês) é um estereótipo feminino caracterizado por mulheres que, por trás da aparência infantil, frágil, carente e que inspira proteção, ocultam malícia e perniciosidade.

O termo foi cunhado em inglês em meados do século XIX (na obra de Thackeray em 1840 em uma de suas esquetes parisienses, por exemplo [carece de fontes?]) mas no século XX ganhou nova conotação para designar moças magras, por vezes arrapazadas (boyish), de olhos largos e cabelo curto, geralmente escuro, além de sedutoras e sexualmente instigantes. [carece de fontes?]

Lexicografia[editar | editar código-fonte]

O termo Gamine tem sido usado particularmente para mulheres nas artes cênicas, (teatro, cinema e dança) e no mundo da moda.[carece de fontes?] Nesse contexto, o termo em português mais próximo seria "pivete", mas no contexto masculino (apesar de “gamine” normalmente ser entendido como um sentido adicional de estilo e teor chique)[carece de fontes?]. Por exemplo, em um comunicado de imprensa de 1964, o empresário Andrew Oldham descreveu a cantora Marianne Faithfull, então com 17 anos, como "tímida, melancólica, carente" [1] ; e o escritor e músico John Amis se referiu à atriz alemã Luise Rainer (nascida em 1910) como a "waif-wife" (esposa-pivete) de Paul Muni no filme The Good Earth de 1937 [2] .

Gamin(e) é muitas vezes relacionado ao inglês “game” (no sentido de espirituoso). A palavra francesa Gaminerie às vezes é usada em inglês com referência ao comportamento ou características de gamin(e)s.

Gamines em filmes mudos[editar | editar código-fonte]

No início do século XX, o cinema mudo levou à atenção do público diversas atrizes "gamine". Entre elas havia a canadense Mary Pickford (1892-1979), que viria a ser a primeira “Queridinha da América” e, com seu marido Douglas Fairbanks e o amigo Charles Chaplin, foi uma das fundadoras da produtora United Artists; Lillian Gish (1893-1993), notavelmente em Way Down East (1920); e Louise Brooks (1906-86), cujo penteado curto "joãozinho" foi amplamente copiado nos anos 1920 e se tornou modelo de estilos tanto gamine quanto “boho-chic” (o estilo aparecera pela primeira vez no demi-monde de Paris antes da Primeira Guerra Mundial e entre as estudantes de arte londrinas durante a guerra [3] ). Em 1936, Chaplin escalou sua então parceira Paulette Goddard (1910-1990) como a gamine órfã de seu último filme mudo, Tempos Modernos.

Audrey Hepburn e gamines dos anos 1950[editar | editar código-fonte]

Nos anos 1950, o termo “gamine” foi aplicado especialmente ao estilo e aparência da atriz belga Audrey Hepburn (1929-1993), particularmente nos filmes Sabrina (1954) e Funny Face (1957). Audrey também interpretou o papel da Gigi no teatro em Nova York (1951), numa peça baseada no romance homônimo (1945) de Colette, que havia "caçado" pessoalmente o talento da atriz durante filmagens em Monte Carlo [4] . No cinema e em fotografias, o cabelo curto e a petite figure de Audrey criaram um “look” distinto e duradouro, definido por Don Macpherson [5] , como “naïveté (ingenuidade) que não parece” e como “a primeira gamine a ser aceita como overpoweringly chic”.

Outras atrizes de cinema da época conhecidas como gamines foram Leslie Caron (n.1931), que interpretou o papel-título do musical Gigi; Jean Seberg (1938-79), mais conhecida por À bout de souffle (Acossado) (1960) de Jean-Luc Godard; Jean Simmons (n.1929), por exemplo, em Angel Face (1952); e Rita Tushingham (b.1940), whose first starring role was in A Taste of Honey (1961). A cantora francesa Juliette Greco (n.1926), que emergiu de uma Paris boêmia no final da década de 1940 para tornar-se uma estrela internacional nos anos 1950, também tinha características gamine.

Anos 1960 e depois[editar | editar código-fonte]

De várias formas, o “look gamine” dos anos 1950 abriu caminho para o sucesso das modelos inglesas Jean Shrimpton (n.1942), uma das primeiras a promover a minissaia em 1965, Twiggy (n. Lesley Hornby, 1949), que em meados da década tornou-se o rosto-símbolo da Swinging London, e Kate Moss (n.1974), associada nos anos 1990 ao estilo “waif” e que, notavelmente numa campanha publicitária para a Calvin Klein em 1997, tornou-se conhecida como “heroína chic”. Moss criou uma moda de modelos “wafer” e magras que foi satirizada pela tirinha de Neil Kerber “Supermodels”, na revista Private Eye. Na crítica do filme O Diabo Veste Prada (2006), o crítico David Denby descreveu uma "montagem de belas semi-indigentes puxando lingeries e roupas enquanto se vestem para trabalhar... como as cenas de soldados carregando e travando metralhadoras nos filmes de guerra" [6] .

Outras gamines[editar | editar código-fonte]

Entre outras mulheres que foram descritas como gamines, incluem-se a atriz dinamarquesa Anna Karina (n.1940); as atrizes estadunidenses Elizabeth Hartman (1943-1987), Mia Farrow (n.1945), Sissy Spacek (n.1949), Winona Ryder (n.1971), Gwyneth Paltrow (n.1972) e Calista Flockhart (n.1964), protagonista do seriado Ally McBeal (1997-2002); as atrizes inglesas Suzanna Hamilton (n.1960), Helena Bonham Carter (n.1966), Tara Fitzgerald (n.1967), Olivia Williams (n.1968), Rachel Weisz (n.1971) e Keira Knightley (n.1985), cujo corte de cabelo curto “gamine”, adotado em 2005, foi descrito como "o penteado" do ano [7] ; a atriz portuguesa Maria de Medeiros (b.1965); as atrizes francesas Juliette Binoche (n. 1964) e Vanessa Paradis (n. 1972); a modelo nova-iorquina Tina Chow (1951-92), cuja "aparência gamine look fez dela a querida dos fotógrafos Cecil Beaton e Arthur Elgort" [8] ; a tenista russa Anastasia Miskina (b.1981), que foi campeã do Aberto da França em 2004; e Claudia Labadie of the London vocal duo, Gamine [9] .

Penelope Chetwode (1910-86), mais tarde Lady Betjeman, esposa do poeta John Betjeman, foi descrita pelo biógrafo de seu marido A. N. Wilson como "gamine no geral, mas com seios fartos" [10] . Corinne Bailey Rae alega ter sido chamada de gamine na cançÃo Choux Pastry Heart (2005).

Klute, Nikita, Amélie[editar | editar código-fonte]

Entre personagens gamine em filmes, destacam-se Bree Daniel, a prostituta interpretada por Jane Fonda (n. 1937) em Klute (1971), cujo penteado epônimo era chamado de "Klute shag"; Nikita (Anne Parillaud, n.1960), a junkie punk, no filme de Luc Besson de 1990, que evitava a pena de morte ao se tornar uma assassina do serviço secreto; e Amélie Poulain (Audrey Tautou, n.1978) na comédia romântica de 2001 ambientada em Paris.

Notes[editar | editar código-fonte]

  1. Faithfull - An Autobiography, 1994
  2. The Oldie, August 2006
  3. Virginia Nicholson (2002) Among the Bohemians
  4. Judith Thurman (1999) Secrets of the Flesh - A Life of Colette
  5. Stars of the Screen (Marks & Spencer, 1989)
  6. New Yorker, 10/17 julho de 2006
  7. Richard Ward, She, July 2005
  8. The Times, 2 November 2006
  9. Gamine
  10. A. N. Wilson (2006) Betjeman

Ver também[editar | editar código-fonte]