Goju-ryu

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Goju-ryu
100 goju ryu em japones.jpg

Informações gerais
Escopo Harmonizar as técnicas rígidas do estilo Naha-te com movimentos mais suaves
Técnica(s) principal(is)
  • Posturas baixas
  • Movimentos circulares
  • Respiração sonora (Ibuki)
Origem
País  Japão/ Ryukyu
Fundador Chojun Miyagi
Data de criação 25/04/1888
Influência
Antecedente(s)
Descendente(s) Kyokushinkai
Doutra(s) arte(s) marcial(is) Kobudo
Karate icon.svg

Goju-ryu (em japonês: 剛柔流, Romaji: Gojū-ryū) é um estilo de caratê desenvolvido por Chojun Miyagi, originário de Oquinaua, que é considerado a principal linhagem directamente descendente do estilos Shorei-ryu e, antes deste, do Naha-te. O estilo conjuga técnicas duras, rígidas com formas suaves. Daí seu nome go (, duro?), ju (, suave?), ryu (, ryū?, fluxo, escola), ou seja, [estilo de] fluxo forte e suave. A marioria das técnicas de sensei Miyagi foram-lhe ensinados pelo mestre Kanryo Higashionna, do tradicional estilo Naha-te. [1]

História[editar | editar código-fonte]

O estilo foi fundado oficialmente no ano de 1933 pelo mestre Chojun Miyagi. O mestre nasceu em 25 de abril de 1888, na cidade de Naha, na principal ilha do arquipélado de Ryukyu, tendo vindo a falecer em Outubro de 1953. O seu instrutor foi o outro grande mestre Kanryo Higashionna (também chamado Higaonna), o fundador do Naha-te.[2]

Kanryo Higaonna

Kanryo Higashionna nasceu a 10 de Março de 1853, tendo falecido em 1915, aos 63 anos. Fazia parte da baixa nobreza. Ele queria viajar para a China a fim de estudar, mas não tinha dinheiro para a viagem, quem o ajudou foi um proprietário de navio mercante. Assim, em 1868, quando ainda jovem, foi para Fucheu, que é a capital da província de Fujian, na China. Lá, foi discípulo de um mestre Chinês chamado Woo ("Ru", em japonês), ou Ryu Ryu Ko, o qual o levou consigo por inúmeras escolas de boxe chinês, treinou o estilo chamado Pak Hok Pai (estilo Garça Branca ou Grou Branco). Kanryo Higaonna Sensei havia passado de 13 a 16 anos (o período varia de acordo com a fonte de consulta) na China treinando com Ryu Ryu Ko. Após o seu regresso ao lar, homenageou o proprietário do navio, Yoshimura, e começou a ensinar seus filhos a arte que ele tinha aprendido. Com a propagação da fama de suas grandes habilidades, ele passou a ensinar os membros da família real. Mais tarde, ele abriu seu próprio dojo.[3]

Kanryo Higaonna tornou-se especialmente conhecido por sua incrível velocidade, força e poder. Sua arte tornou-se conhecida como Naha-te. Após a sua morte, o seu sucessor foi o Sensei Chojun Myiagi. Por volta do ano 1899, quando contava onze anos de idade, Chojun Miyagi foi treinar artes marciais com Ryuko Aragaki, cuja lições se concentraram em desenvolver o físico por meio do treinamento (hojo undo) com equipamentos como pesos de pedra (chishi), jarros de barro (nigiri-game) e makiwara.

Em 1901, o aluno Miyagi foi apresentado ao mestre Kanryo Higashionna, quando aprende todos os kata do estilo. Neste aspecto Miyagi diferencia-se de Higaonna, porque, para este último, um carateca deveria concentrar-se num único kata por anos a fio, até conhecê-lo profundamente, mas Miyagi demonstra ser possível aprender todos os aspectos do Naha-te. Contudo, com Miyagi, o treinamento é estremanente árduo e é dado especial foco no kata Sanchin.[4]

Por influência de seu mestre e na companhia de seus amigos Yoshikawa e Wu Xian Hui (mestre chinês de Pak Hok Pai que passou a viver em Oquinaua, compartilhando seus conhecimentos marciais com renomados mestres de caratê no começo do século XX), Chojun Miyagi faz sua primeira viagem até a China, o que veio a influenciar diretamente o estilo, fato que é visto em alguns kata. Ficou lá por quatro anos, seguindo os passos do seu mestre, quando treinou os estilos Pa Kua Chang e Shaolin Chuan, estilos suaves e internos que além de aprimorarem o físico, prezam muito pelo desenvolvimento emocional e espiritual. Quando à terra natal, baseou-se no princípio de yin e yang (as energias negativa e positiva que regem o universo) e uniu a flexibilidade das artes internas chinesas à rigidez do tradicional estilo Naha-te, criando assim o Goju-ryu.[5] Porém, as bases do estilo já haviam sido estabelecidas pelo mestre Kanrio Higaonna, discípulo do mestre Chinês Woo ("Ru", em japonês), ou Ryu Ryu Ko.

Chojun Miyagi

Características[editar | editar código-fonte]

O estilo, como o próprio nome denota, é marcado pela busca do equilíbrio entre os opostos, das energias antagônicas e complementares. Ele ensina como agir, seja com energia ou brandura, rapidez ou suavidade.

Ao se praticar o estilo, pretende-se aprender a ser como a água, fluída e sem forma, por isso pode assumir todas as formas: calma e suave ou revolta, mas ambas com o poder de passar por quaisquer obstáculos, mesmo os de aparência mais resistentes.

Resumidamente, pode-se dizer que os estilos Goju-ryu e Uechi-ryu (outra linhagem que descende do Naha-te, mas indiretamente) têm influência chinesa mais direta, especificamente do wushu de Shaolin do sul (Pangainun, estilos da Garça, Tigre, Dragão e outros).

Observa-se que eles caracterizam-se também por movimentos circulares, não sendo estes apenas lineares como nos demais estilos, o que os tornam únicos no caratê. Percebe-se que as defesas também são circulares e amplas, permitindo muitas aplicações variadas como "projeções, torções de articulações, chaves de braço, estrangulamento etc". Por tudo isso, pode-se caracterizar os estilos como eficientes para combate em curta distância.

Estes dois estilos, na sua forma original, são nativos do antigo reino de Ryukyu, pelo que e não sofreram fortes influências do Japão, portanto não romperam com suas origens chinesas e tradições (não passaram por “modernizações” e ocidentalizações). Por seu turno, estilo goju caracteriza-se por bases firmes e centro de gravidade baixo, algumas estreitas e/ou curtas; pelo trabalho de tensão dinâmica com grande ênfase na respiração profunda e no trabalho do Ki, a energia interna; chutes básicos descendentes e ao nível gedan, isto é, direccionados para abaixo da linha de cintura, esses pontapés quando direccionados aos níveis superiores, jodan e chudan, são executados quase que exclusivamente por meio de saltos (tobi geri).

É tradicional o treinamento complementar em aparelhos, um sistema de “musculação” tradicional que foi herdado da China. Também se realizam exercícios de fortalecimento dos braços em duplas (kakie) associados ao uso eficiente da respiração.

Os axiomas do estilo podem ser resumidos como:

  • um ataque duro se defende com uma defesa suave, e vice-versa; e
  • alvos duros se golpeiam com armas (naturais) moles, e vice-versa.

Para terminar, deixamos aqui algumas frases do Mestre Miyagi que resumem alguns dos princípios deste estilo:

  • deve-se saber que nos Kata estão os princípios secretos do Goju-ryu;
  • o Caratê-dô Goju-ryu é uma manifestação da harmonia do universo dentro de nós mesmos; e
  • o caminho do Caratê-dô Goju-ryu é buscar a via da virtude.

Os últimos ensinamentos de Chojun Miyagi:

Não agredir aos demais; não ser agredido pelos demais; o princípio é a paz sem incidentes.

Síntese da escola Goju ryu:

  • busca do combate a curta distância (sendo a estratégia de combate diferente do shiai kumite);
  • movimentos curtos e circulares;
  • chutes baixos e varridos;
  • conciliação entre força, flexibilidade e respiração;
  • contração muscular go e ju;
  • respiração sonora (ibuki); e
  • administração do espaço de combate (maai).

Kata[editar | editar código-fonte]

Possui kata básicos e emblemáticos como o Sanchin e o Tensho (antigamente também se executava o Naihanchi). Todos os kata clássicos, menos os Genkisai e o Tensho (criados pelo mestre Miyagui), foram trazidos da China pelos mestres Higoshionna e Miyagi. O Kata Seisan (e outros) já era conhecido em Oquinaua e praticado também em Shuri. Uma versão mantém-se no estilo Shorin-ryu. No estilo Shotokan, o kata é chamado de Hanguetsu.

O estilo inclui também o kobudo (arte de lutas com armas tradicionais como o bo, eku, nunchaku, tonfa, sai etc), mas o programa com essas armas varia muito entre as escolas.

Antigamente o trabalho feito pelos alunos era treinar um kata durante mais ou menos três anos. O mestre Higoshionna – e depois Miyagi – faziam que cada aluno aprendesse o kata sanchin e depois um dos outros kata em especial, havia uma especialização em um ou poucos kata por parte de cada aluno, dependendo do seu tipo físico, condições técnicas e a intuição do mestre. Nas escolas modernas, o ensino segue um programa padronizado, não havendo mais uma restrição nem especialização.

Segue, abaixo, a lista dos kata clássicos:

Posto que haja o conjunto tradicional de kata, há no Goju-ryu moderno uma tendência de que cada escola tenha outros kata mais básicos, ensinados antes dos Gekisai; outra, por sua vez, possuem ainda um kata avançado extra, criado pelo fundador da escola ou adaptado de outros estilos. Veja-se o caso da escola Seigokan (Kihon kata e Uke no kata) ou da Shobukan, que elaborou recentemente o Gekisai san, mas que não faz parte da lista oficial; a Shoreikan tem mais Kata básicos (Guekisai dai san, Guekiha, Kakuha); a Ken-Shin-Kan e Ken-In-Kan do mestre Seiichi Akamine com os kata Kanshwa (adaptado do Uechi-ryu), Ryufa (serpente), Kenshin-ryu e dos cinco kihon kata (Uke Godan, Empi Godan, Tegatana Godan, Teisho Godan e Tsuki Godan que exploram pontos vitais).

Escolas e associações[editar | editar código-fonte]

Chojun Miyagi & Juhatsu Kyoda

Referências

  1. Goju-Ryu Karatê-Dô. Página visitada em 17.nov.2010.
  2. A ORIGEM DO KARATÊ-DO GOJU-RYU. Página visitada em 07.set.2011.
  3. OKINAWA KARATÊ-DO GOJURYU SHOBUKAN. Página visitada em 05.fev.2014.
  4. HIstória do GOJURYU. Página visitada em 07.set.2011.
  5. International Goju Ryu Karate Federation (em inglês). Página visitada em 17.nov.2010.

Bibliografia

HIGAONNA, Morio. Traditional karatedo: fundamental techniques (em inglês). Estados Unidos: Japan Publications, 1985. 1v.

MIYAGI, Chojun. Ancient Okinawan Martial Arts: Koryu uchinadi (em inglês). Tuttle Publishing, 1999.

MIYAGI, Takashi. Orthodox Goju Ryu (em inglês). Masters Publications, 2008.

TOGUCHI, Seikichi. Okinawan Gojuryu (em inglês). Estados Unidos: Ohara Publications, 1976.

VELASCO, Gonzalo. Uma breve história do Karate-do. 1999. Disponível em [5].

YAMAGUCHI, Gogen. Goju-Ryu Karate-Do Kyohan (em inglês). Rising Sun Productions, 2006.

YAMAGUCHI, Gosei. Gojuryu Karate (em inglês). Estados Unidos: Ohara Publications, 1974. 1v.

YAMAKURA, Mooto. Goju-Ryu Karate-Do (em inglês). GKK Publications, 1989.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]