Katas do caratê

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Kata
Gigo funakoshi.jpg
Sensei Yoshitaka Funakoshi em kyodo de Heian yondan
Grafia
Tradução Forma
Kanji
Hiragana かた
Katakana カタ
Informações gerais
Classe técnica
Estilo(s) praticante(s) Todos
Conteúdo
Escopo Sequência de técnicas, em simulação de luta
Técnica(s) correspondente(s) Chuan fa: tao lu
Taekwondo: pumsae
Karate icon.svg

Kata (, forma?) é uma sequência de movimentos — técnicas de ataque e defesa — cujo fito é proporcionar ao praticante o apredizado mais aprofundado da arte e, simultaneamente, experiência de luta. Também é conhecido por "balé da morte". Antes do advento do caratê moderno, e da criação de métodos mais básicos e simplificados de transmissão do conhecimento, a arte marcial era ensinada somente pela prática ostensiva de kata.

O kata possui outras facetas além do treinamento físico. Cada forma possui, também, um componenete psicológico, pois prepara o carateca para um combate real, e um componente filosófico, que busca transmitir valores e pensamentos críticos, para avaliar as situações serenamente, situações essas não limitadas a embates físicos.

Finalidade[editar | editar código-fonte]

Os katas, segundo ensinamento dos grandes mestres, são a essência do estilo de caratê. Neles estão contidas as técnicas de grandes mestres, representando cada um deles uma situação diferente pela qual o carateca pode enfrentar, sendo que seus significados somente serão compreendidos, na verdade, por aquele que os pratica com maior frequência.[1]

Um grande mestre, no passado disse que um kata só deve ser mostrado a outros quando ele for praticado 10.000 vezes. Com uma prática dessa quantidade, pode-se realmente alcançar o real significado de cada técnica contida no Kata, e não a simples ordenação dos movimentos, pois o kata não deve ser dublado, mas sim vivido, e deve-se incorporar a situação para que ele possa vir a ter um proveito real para o praticante.[2]

História[editar | editar código-fonte]

Sabe-se que o te, a arte marcial autóctone de Oquinaua, já era estabelecida quando se deu a majoração da influência chinesa, mas, não se tem como precisar como era exatamente transmitida, devido aos escaços registros. A arte marcial chamada de Okinawa-te foi justamente, e grosso modo, a evolução das técnicas locais insulares sob influência de mestres de chuan fa, e é o kata a exata marca dessa evolução.[3]

Sabe-se que os mestres chineses faziam a transmissão de seus conhecimentos por intermédio de exercícios pré-estabelecidos, de origem vetusta e que eram uma expressão do Tao. O Tao, de forma bem simples, quer dizer caminho e que por essa via as coisas devem ser aprendidas como se fossem uma consequência natural, então os mestres transmitiam seus conhecimentos por esses "caminhos", esses "taos".[4]

Antes da influência chinesa no te não há recordações de haverem sido praticados os kata. Em todo caso, o ensino por meio dos kata arraigou-se a tal modo que os mestres tradicionais chegam a repudiar qualquer outro.

No caratê tradicional não há lembrança também de Dojo/dojôs, um estabelcimento dedicado à transmissão e ao ensino da arte marcial, mas, por outro lado, havia apenas um esquema de mestre-aprendiz muito simples, no qual o mestre repassava somente para quem de confiança, ou ainda somente da família. E tudo sob o mais velado segredo. Ou seja, o que um mestre sabia somente aqueles venturosos discípulos tinham a honra de lhes ser ensinado.

A despeito de os kata terem sua origem na China, não se lhes pode retirar a originalidade nascida em Oquinaua, pois são claras as modificações desenvolvidas pelos mestres do te. Não se pode esquecer que o caratê surgiu como uma necessidade de defesa com as mãos nuas contra agressores portando punhais e/ou espadas e, às vezes, usando armadura. Por conseguinte, aqueles movimentos considerados supérfulos ou ineficientes nesse tipo de embate, foram ou suprimidos ou adaptados: os movimentos acrobáticos (saltos) praticamente sumiram.

No caratê moderno, que é praticado em escolas, até, sentiu-se a necessidade de uma simplificação do aprendizado, pois alguns katas são ainda muito complexos, pelo que foram introduzidos os kihon, por Anko Itosu e Gichin Funakoshi.

Formas vetustas[editar | editar código-fonte]

A expressão koshiki no kata (古式の型? formas tradicionais), tal e qual sucede no judô, refere-se àquelas formas vetustas, tidas como as primeiras formas de promover o ensino do caratê. Deste modo, classificam-se como tais os kata reconhecidamente tradicionais, cuja origem e/ou introdução nalguma das três linhagens promordiais tenha-se dado logo no nascedouro destas. Nesta cércea, entram logo os kata Passai, do estilo tomari-te; Naifanchi, do naha-te; e Kushanku, do shuri-te.[5]

Além dos três kata previamente listados, os estilos tradicionais, que foram a base dos estilos modernos, ainda carregam as primeiras composições dos katas, que também podem ser consideradas primordiais. Ou seja, grosso modo, os koshiki no kata são aqueles oriunos de algumas das três primeiras ramificações do caratê.

  • Shuri-te
  1. Naihanchi
  2. Channan
  3. Pinan
  4. Kushanku
  5. Passai
  6. Jion
  7. Jitte
  8. Sochin
  9. Gojushiho
  10. Chinto
  11. Seisan
  • Naha-te
  1. Naihanchi
  2. Sanchin
  3. Saifa
  4. Seienchin
  5. Shisochin
  6. Sanseru
  7. Seipai
  8. Kururunfa
  9. Seisan
  10. Suparinpei
  • Tomari-te
  1. Naihanchi
  2. Bassai
  3. Gojushiho
  4. Kushanku
  5. Chinto
  6. Rohai
  7. Wanduan
  8. Wankuan
  9. Wanshu

Formas perdidas[editar | editar código-fonte]

Ainda que existam vários katas e muitas outras variações de um mesmo kata, o que representa uma quantidade bastante grande de formas distintas, há relatos de que alguns deles foram perdidos. O factores que levaram a esse desaparecimento, tal e qual a forma que se perdeu, são diáfanos. Sabe-se da existência de katas perdidos pelas notícias que chegaram sobre eles, como a enumeração ou citação deles nalgumas obras.

Formas modernas[editar | editar código-fonte]

Há, porém, outros katas que não podem ser vinculados a este ou aquele estilo em exclusivo mas, antes de tudo, apenas vinculados a determinados mestres e há ainda aqueles outros que foram criados tem tempos recentes como resultado de estudos de alguns mestres, são os gendai no kata (現代の型?).

A despeito da forte influência da tradição e respeito aos pioneiros, as sequências e os movimentos que compõem os katas sofreram inúmeras adaptações, por vários mestres, cada qual aplicando as técnicas contidas conforme a visão que recebera e/ou tinha do caratê. Daí que, ensinam os mestres, um kata, se se estiver sob o guarda-sol de algum estilo ou visão particular, não está certo ou errado mas, antes de tudo, é uma visão única que deve ser resultado de um estudo acurado. Surgiram assim vários "sabores" de um mesmo kata, ainda que os criadores dos estilos contemporâneos da arte (Goju-ryu, Shito-ryu, Wado-ryu e Shotokan-ryu) tenha tidos os mesmos mestres tradicionais.[6]

Além das mudanças conforme o estilo/escola, cada kata possui seu próprio caráter, seu próprio espírito e, eventualmente, uma finalidade particular. Alguns são pesados e potentes, enquanto outros são mais graciosos e fluem em sua natureza, outros, no entanto, contêm uma mistura de ambos.

Kihon kata[editar | editar código-fonte]

Alguns estilos praticam logo no início do aprendizado de caratê os kihon kata, que são sequências simplificadas de movimentos, geralmente duas ou três técnicas, cujo fito é promover uma forma mais rápida, ou natural (?), de o aluno ir-se acostumando ao treinamento.[7]

Esta prática tem suas raízes nos ensinamentos do mestre Yasutsune Itosu, que com a finalidade de simplificar o ensino de sua arte marcial criou os katas da série Pinan. Depois, seus discípulos e outros mestres em suas respectivas escolas também assim procederam, como é o caso de Seigo Tada, que chamou explicitamente suas criações de kihon kata.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Outro critério usado para classificas os katas tem a ver com sua finalidade:[8] [9]

  • Rintogata (臨闘型, rintōgata?), kata de combate;
  • Rentangata (練胆型?), de treinamento ou desenvolvimento físico;
  • Hyoengata (表演型?), de mera demonstração;
  • Shitei kata (指定型?), obrigatórios. Os kata obrigatórios, ou específicos, são aqueles exigidos numa competição;[10]
  • Tokui kata (得意型?), facultativos. São aqueles escolhidos pelo praticante numa competição ou, de modo mais pessoal, é aquele kata de preferência.[9]

Quadro comparativo[editar | editar código-fonte]

Kata[a]
   
Ananko  
Ananku    
   
Aoyagi[b]    
 
Channan[c]    
Chinte    
   
Danennsho    
   
Garyu    
Gopeisho    
 
   
Hakucho    
Hakutsuru    
Heiku    
Jiin    
Jion    
Jitte    
Jumu[c]    
Joko    
Junro    
Juroku    
Kanchin    
Kanshiwa    
Kanshu    
   
Kururunfa    
 
Miyojo    
   
   
Ohan    
Pachu    
Paiho    
Paiku    
Papuren    
Ryuko    
   
   
Saifa    
Sanchin
Sansai    
   
Seichin    
Seipai    
 
 
Seiryu[b]    
Shihohai    
Shimpa    
Shisochin    
Sochin    
Sunsu    
   
   
Tai Sabaki    
Tenshin    
Tensho  
Ten no kata    
Tsuki no kata    
   
   
 
   

Notas

[a] ^ No quadro comparativo somente estão listadas linhagens principais de cada estilo e apenas uma variante de cada kata.
[b] ^ Os estilos Uechi-ryu, Shito-ryu e Shotokan-ryu, na linhagem Asai-ha, possuem cada qual um kata chamado seiryu, mas as formas não guardam correspondência uma com a outra, nem na história nem nas técnicas.
[c] ^ Kata perdido.

Referências

  1. Dennis Fink. [/Dojo/Essence_of_Kata/essence_of_kata.html Essence of Kata] (em inglês). Página visitada em 24.fev.2011.
  2. [/reading/article.php?id=221 FightingArts.com - Roots Of Shotokan: Funakoshi's Original 15 Kata - Part 2: Pinan, Naihanchi, Kushanku & Passai Kata] (em inglês). Página visitada em 24.fev.2011.
  3. [/letra_e/esporte/KARATE.html ESPORTE - KARATE]. Página visitada em 01.ago.2011.
  4. [/alfa/karate/karate.php Karatê | Esportes História, Regras, Esporte Karatê]. Página visitada em 01.ago.2011.
  5. [/nahashu/dojo-kata.shtml Mid-south Traditional Karate] (em inglês). Página visitada em 30.ago.2011.
  6. Chris Thompson. [/blog/what-are-karate-kata/ What are Karate Kata?] (em inglês). Página visitada em 24.fev.2011.
  7. [/karate/katas/kihonkata.htm Kihon Kata - Step by Step] (em inglês). Página visitada em 01.ago.2011.
  8. [/articles.php?id=13 karate-jutsu - Artículos] (em espanhol). Página visitada em 23.dez.2010.
  9. a b [/kata.html 何謂型? (Qual o tipo de kata?)] (em japonês). Página visitada em 18.set.2011.
  10. [/shiteikatas.php Karate Ontario - Shitei Katas - Mandatory Katas] (em inglês). Página visitada em 18.set.2011.

Bibliografia

CAMPS, Hermenegildo; CEREZO, Santiago. Estudio técnico comparado de los katas del karate (em espanhol). Barcelona: Alas, 2005. ISBN 978-84203-0432-8.

HABERSETZER, Roland. Karaté kata: les 30 kata du Shotokan (em francês). Amphora. ISBN 978-2851806314.

LIND, Werner. Karate: I kata classici nell'insegnamento dei grandi maestri (em italiano). Roma: Mediterranee, 1995. ISBN 99-272-1218-3.

PFLÜGER, Albrecht. 25 Shotokan Katas: Cuadros Sinópticos de Los Katas de Kárate para Exámenes y competiciones (em espanhol). 2 ed. Barcelona: Paidotribo, 2004.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]