Guerra Fantástica

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Guerra Fantástica
Guerra do Mirandum
Parte da(o) Guerra dos Sete Anos
Data 17611763
Local Península Ibérica, América do Sul
Desfecho Vitória estratégica de Portugal na Europa; Vitória estratégica de Espanha na América; Tratado de Paris
Combatentes
Flag Portugal (1830).svg Portugal
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Grã-Bretanha
Bandera de España 1701-1760.svg Espanha
Pavillon royal de France.svg França
Principais líderes
Flag Portugal (1830).svg Conde de Lippe
Union flag 1606 (Kings Colors).svg Lord Loudoun
Union flag 1606 (Kings Colors).svg George Townshend
Union flag 1606 (Kings Colors).svg John Burgoyne
Flag Portugal (1830).svg Vicente da Silva
Flag of the British East India Company (1707).svg Robert McNamara
Bandera de España 1701-1760.svg Marquês de Sarriá
Bandera de España 1701-1760.svg Conde de Aranda
Bandera de España 1701-1760.svg Pedro de Cevallos
Forças
10.000 portugueses
8.000 britânicos
45.000 espanhóis
12.000 franceses

A Guerra Fantástica, Guerra do Mirandum ou Guerra do Pacto de Família, foi o nome pelo qual ficou conhecida a participação de Portugal na Guerra dos Sete Anos (1756-1763), fruto de um terceiro Pacto de Família Bourbon . O conflito desenrolou-se no período de 9 de maio a 24 de novembro de 1762, iniciando-se quando um exército franco-espanhol, com um efectivo de cerca de 40 000 homens sob o comando do general Nicolás de Carvajal y Lancaster, o marquês de Sarriá, invadiu Portugal pela fronteira de Trás-os-Montes, conquistando Miranda, Bragança e Chaves, a que se seguiu uma invasão pelas Beiras, conquistando Almeida e Castelo Branco. Em resposta, formou-se um exército anglo-português, com cerca 20 000 homens, sob o comando do Conde de Lippe, que se posicionou para defender Lisboa, mas em Novembro daquele ano de 1762 foi assinado um acordo de cessar fogo antes de ser travada qualquer batalha. Em consequência, o episódio ficou conhecido por Guerra Fantástica porque, apesar se de terem registado sucessivas movimentações de tropas, os recontros limitaram-se a acções de guerrilha conduzidas pelas milícias locais.

Contexto[editar | editar código-fonte]

Tanto Portugal como a Espanha haviam se mantido neutrais na Guerra dos Sete Anos, que havia sido declarada oficialmente em 1756. Sob o reinado de Fernando VI de Espanha aquele país mantinha boas relações com os britânicos, e desse modo não se juntou ao seu tradicional aliado, a França, contra os ingleses no conflito. Esse cenário mudou com a sucessão de um novo monarca, Carlos III de Espanha cujo governo pendeu para uma política mais pró-francesa e, em fins de 1761 os dois estados entraram em conflito.

O plano espanhol original era o de tomar a praça-forte de Almeida e, em seguida, avançar pelo Alentejo sobre Lisboa. Entretanto, com a nomeação do marquês de Sarriá como comandante-em-chefe, este decidiu começar por um ataque pela região norte, tendo o Porto como objetivo. Este seria um duro golpe para os britânicos, que tinham grandes interesses comerciais naquela cidade, e também seria agradável para Isabel de Parma, a Rainha Mãe, que ainda tinha muito poder por trás do trono espanhol e que desejava poupar a posição de sua filha Mariana Victoria, rainha consorte de Portugal. Em qualquer caso, não havia nenhuma vantagem em hostilizar Portugal indevidamente e, caso o país não fosse atacados em sua capital a reação não seria tão forte.

Cronologia[editar | editar código-fonte]

Cronologia da Guerra Fantástica
Data Evento
16 de Março de 1762 Os embaixadores de França e Espanha entregam ao Governo português uma "pró-memória" exigindo que Portugal aderisse ao Pacto de Família dos Bourbons, assinado em 1761, e excluísse dos seus portos os navios dos britânicos e seus aliados em troca de protecção dos seus domínios ultramarinos.
20 de Março de 1762 O Governo português, pela voz de D. Luís da Cunha Manuel, então Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e da Guerra, recusa a oferta de cooperação dos dois países na defesa dos domínios ultramarinos portugueses, efectivamente rejeitando a adesão ao Pacto de Família.
1 de Abril de 1762 Em novo "pró-memória" os embaixadores de França e Espanha exigem ao Governo português a participação de Portugal na guerra contra a Grã-Bretanha, informando que as tropas espanholas invadirão o território português caso Portugal não impeça a utilização dos portos portugueses pelos navios britânicos.
5 de Abril de 1762 O Governo português recusa colaborar com a França e a Espanha na guerra contra a Grã-Bretanha.
16 de Abril de 1762 Tendo em conta que desde 1754 o Exército Português estava reduzido a metade dos seus efectivos regulamentares, o marquês de Pombal manda aumentar os efectivos dos regimentos de infantaria, cavalaria e artilharia.
23 de Abril de 1762 Os embaixadores de França e Espanha entregam ao Governo português um terceiro e último "pró-memória", em estilo de ultimato, exigindo o fecho dos portos aos britânicos e seus aliados.
25 de Abril de 1762 Portugal responde negativamente ao ultimato, na prática tornando inevitável a guerra.
27 de Abril de 1762 Os embaixadores de França e Espanha abandonam Lisboa.
30 de Abril de 1762 O comandante das forças espanholas concentradas em redor de Zamora, o general Nicolás de Carvajal y Lancaster, marquês de Sarriá, divulga uma proclamação aos portugueses, afirmando que a invasão de Portugal tinha por objectivo o benefício dos portugueses.
5 de Maio de 1762 As forças espanholas entram em Portugal pela fronteira de Trás-os-Montes e dirigem-se para Miranda do Douro, que é cercada.
6 de Maio de 1762 Desembarcam em Lisboa forças auxiliares britânicas, sob o comando do general George Townshend, depois visconde e marquês Townshend.
8 de Maio de 1762 A explosão de um paiol durante um bombardeamento provoca 400 mortos em Miranda do Douro, levando à rendição da praça, que nesse dia é ocupada pelo exército espanhol.
16 de Maio de 1762 A cidade de Bragança rende-se e é ocupada pelo exército espanhol.
18 de Maio de 1762 Perante a consumação da invasão, Portugal declara a guerra à França e à Espanha.
21 de Maio de 1762 A cidade de Chaves é ocupada pelo exército espanhol.
15 de Junho de 1762 Espanha declara guerra a Portugal e é suspensa a publicação da Gazeta de Lisboa.
3 de Julho de 1762 Por indicação britânica, chega a Lisboa Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe, o conde de Lippe, com o objectivo de comandar o exército luso-britânico.
10 de Julho de 1762 Friedrich Wilhelm Ernst zu Schaumburg-Lippe, o conde de Lippe, é nomeado marechal-general do exército luso-britânico.
20 de Julho de 1762 Aumentando a internacionalização do conflito, a França declara guerra a Portugal.
25 de Agosto de 1762 Abre-se uma nova frente com a entrada de forças espanholas pela fronteira das Beiras, que tomam a praça de Almeida, na Beira Alta, que é ocupada pelo exército espanhol comandado pelo marquês de Sarriá.
5 de Outubro de 1762 Tropas espanholas comandadas por D. Pedro de Cevallos, comandante das forças espanholas em Buenos Aires, invadem a Colónia do Sacramento, povoação portuguesa na margem esquerda do estuário do rio da Prata.
29 de Outubro de 1762 A Colónia do Sacramento rende-se e é ocupada por forças espanholas.
3 de Novembro de 1762 É assinado em Fontainebleau um tratado de paz provisório entre os reinos de Portugal, Grã-Bretanha, França e Espanha.
1 de Dezembro de 1762 Assinado um armistício entre os exércitos luso-britânico e franco-espanhol comandados, respectivamente, pelo Conde de Lippe e pelo general Pedro Pablo Abarca de Bolea, Conde de Aranda.
25 de Janeiro de 1763 O rei D. José I de Portugal concede ao Conde de Lippe o direito ao uso do tratamento de Alteza em recompensa pelos serviços prestados durante a guerra.
10 de Fevereiro de 1763 Assinado em Paris um tratado de paz (Tratado de Paz de Paris), pelo qual a Espanha restituiu a Portugal as praças de Chaves e Almeida e a Colónia do Sacramento no estuário do Rio da Prata.
25 de Fevereiro de 1763 O tratado de paz é ratificado pelo rei D. José I de Portugal.
25 de Março de 1763 Proclamada em Lisboa a paz entre os Reinos de Portugal, Espanha e França.

Referências[editar | editar código-fonte]

  • Francisco José Sarmento, Edital acerca da declaração do Marquês de Sarria, sobre a invasão de Portugal, 1762.
  • António Maria Mourinho, "Invasão de Trás-os-Montes e das beiras na Guerra dos Sete Anos pelos exércitos bourbónicos, em 1762, através da correspondência oficial dos comandantes-chefes Marquês de Sarriá e Conde de Aranda". In: Anais da Academia Portuguesa da História, Lisboa, S.2, Vol. 31, 1986, pp. 377-442.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]


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