José dos Santos Ferreira

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa

José Inocêncio dos Santos Ferreira Cav IH (Macau, 28 de Julho de 1919 - Hong Kong, 24 de Março de 1993),[1] mais conhecido por Adé, foi um poeta de Macau e grande defensor do patuá macaense, língua crioula da região.[2]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nasceu em 28 de Julho de 1919 e viveu em Macau durante grande parte da sua vida. O seu pai, Francisco dos Santos Ferreira, era um português oriundo de Portugal e a sua mãe, Florentina Maria dos Passos, era uma macaense.[1]

Além de poeta e defensor do patuá, José dos Santos Ferreira foi um funcionário público, tendo desempenhado nessa qualidade as funções de chefe da secretaria do Liceu Nacional Infante D. Henrique.[3] Depois de aposentado, foi secretário-geral da Sociedade de Turismo e Diversões de Macau (STDM) e professor de português a alunos chineses. Foi também um colaborador assíduo do "China Mail" de Hong Kong, da agência de notícias norte-americana "Associated Press" e ainda de muitos jornais portugueses editados em Macau, como o semanário "O Clarim".[2]

Sendo um grande amante do desporto, foi também fundador e dirigente de várias associações, organismos e clubes desportivos de Macau, como a Associação de Futebol de Macau, o Hóquei Clube de Macau e o Conselho Provincial de Educação Física, a que presidiu. Na sua qualidade de dirigente desportivo, ele organizou e dirigiu vários campeonatos e torneios de diferentes modalidades.[2]

Além do desporto, ele dedicou-se também ao associativismo e à filantropia, sendo presidente do Rotary Club e membro da Mesa Directora da Santa Casa da Misericórdia e da Direcção do Clube de Macau.[2]

Em grande parte da sua vida, Adé dedicou-se à divulgação do patuá macaense, sendo o último poeta popular macaense que deixou uma vasta obra composta de poemas, recitas, peças de teatro, livros, programas radiofónicos e operetas em patuá macaense.[2] Foi também o fundador da Tuna Macaense.[4]

Em 1979, ele foi agraciado com o grau de Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique. O Governador de Macau atribuiu-lhe, em 1984, a Medalha de Mérito Cultural.[2] O Governo de Macau prestou-lhe também homenagem ao mandar erguer uma estátua no Jardim das Artes.[3]

Morreu em Hong Kong, no dia 24 de Março de 1993, com 73 anos de idade, deixando para trás a sua mulher Alba Bárbara Boyol (casados desde 1943) e os seus filhos Rita Boyol dos Santos Ferreira e José Boyol dos Santos Ferreira.[1]

Obras[editar | editar código-fonte]

  • Escandinávia, Região de Encantos Mil (1960)
  • Macau sa Assi (em patuá) (1968)
  • Qui Nova, Chencho (em patuá) (1974)
  • Papiá Cristâm di Macau: Epitome de gramática comparada e vocabulário : dialecto macaense. Macau: [s.n.] (1978)
  • Bilhar e Caridade (poesias) (1982)
  • Camões, Grándi na Naçám (em patuá) (1982)
  • Poéma di Macau (poesias, em patuá)(1983)
  • Macau di tempo antigo: Poesia e prosa: dialecto macaense. Macau: edição do autor (1985).
  • Nhum Vêlo (em patuá) (1986)
  • Poéma na língu maquista (Poesia em papel-de-arroz). Macau: Livros do Oriente (1992). ISBN 9729418101

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Ícone de esboço Este artigo sobre a biografia de um(a) escritor(a), poeta ou poetisa é um esboço. Você pode ajudar a Wikipédia expandindo-o.