Leontopithecus chrysomelas

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Leontopithecus chrysomelas (in tree).jpg

Estado de conservação
Status iucn3.1 EN pt.svg
Em perigo (IUCN 3.1) [3]
Classificação científica
Reino: Animalia
Filo: Chordata
Classe: Mammalia
Ordem: Primates
Subordem: Haplorrhini
Infraordem: Simiiformes
Parvordem: Platyrrhini
Família: Cebidae
Subfamília: Callitrichinae
Género: Leontopithecus
Espécie: L. chrysomelas
Nome binomial
Leontopithecus chrysomelas
(Kuhl, 1820)
Distribuição geográfica
Leontopithecus chrysomelas distribution.svg
Sinónimos
  • chrysurus I. Geoffroy, 1827

O mico-leão-de-cara-dourada é um primata endêmico do Brasil pertencente à família Cebidae e à subfamília Callitrichinae. Ocorre no sul da Bahia e extremo nordeste de Minas Gerais, ocupando uma área de aproximadamente 20 000 km². Entretanto, a única unidade de conservação nessa região é a Reserva Biológica de Una. Foi a primeira espécie de mico-leão a se diversificar, e portanto, é o táxon basal do gênero Leontopithecus. Assim como as outras espécies de micos-leões, já foi considerado uma subespécie, sendo atualmente uma espécie distinta.

Possui um padrão de coloração da pelagem bem característica. O corpo é todo negro, com as mãos, pelos da face e ponta da cauda de cor dourada, o que lhe conferiu seu nome popular. São animais insetívoros e frugívoros e às vezes se associam ao sagui-de-wied quando buscam alimento.

É uma espécie que corre considerável risco de extinção por causa de sua distribuição restrita. Entretanto, das quatro espécies de mico-leões, é a que corre menor risco de extinção e que possui a maior população em liberdade.

Taxonomia e Evolução[editar | editar código-fonte]

O mico-leão-de-cara-dourada pertence ao gênero Leontopithecus, grupo monofilético da família Cebidae e subfamília Callitrichinae.[2] Foi descrito e classificado por Heinrich Kuhl, em 1820.[4] [1] Já houve dúvida se era de fato um mico-leão, por alguns autores do início do século XX, como Elliot (1913) e Thomas (1922).[4] O gênero Leontopithecus foi proposto por Hershkovitz (1977) como monotípico, sendo Leontopithecus rosalia a única espécie: o mico-leão-de-cara-dourada era uma subespécie (L. r. chrysomelas), junto com o mico-leão-dourado (L. r. rosalia) e mico-leão-preto (L. r. chrysopygus).[2] [5] Essa classificação foi revisada, e atualmente, é considerado, junto com as outras espécies de micos-leões, uma espécie propriamente dita.[1] [2] [3] [6]

Evidências genéticas apontam para um período muito recente de diversificação dos micos-leões, a partir de refúgios de floresta no Pleistoceno.[7] Estudos filogenéticos corroboram com a hipótese de que o mico-leão-de-cara-dourada foi a primeira espécie a se separar das demais, sendo o taxon basal do clado do gênero Leontopithecus.[8] [9] [10] [11]

Ainda não foi encontrado nenhum fóssil da linhagem do mico-leão-de-cara-dourada.[12]

Distribuição Geográfica e Hábitat[editar | editar código-fonte]

O mico-leão-de-cara-dourada é endêmico da Mata Atlântica do sul da Bahia, tendo o rio das Contas como limite norte de sua distribuição o rio Pardo como limite sul.[13] [14] [15] Há supostas ocorrências da espécie mais ao sul, perto do limite com o Espírito Santo, ao sul do rio Mucuri.[13] Estudos posteriores mostraram que tal hipótese não era válida.[15] Outrora, pareciam abundantes na região de Ilhéus.[13] Sua área de ocorrência chega a quase 20.000 km², mas parece que já se extinguiu de sua distribuição mais ao norte, entre o rio das Contas e o rio Ilhéus.[14] [3] Sua ocorrência a oeste chega até a 150 km do litoral, já não ocorrendo mais à medida que aumenta a altitude, nas proximidades do planalto de Vitória da Conquista, se distribuindo ao longo do rio Gongoji no noroeste.[14] Pode ser encontrado também no extremo nordeste de Minas Gerais, ao sul do rio Jequitinhonha.[14]

Habita principalmente a floresta ombrófila de terras baixas, sendo também encontrados nas restingas e florestas secundárias.[16] Na área de ocorrência da espécie, não existe sazonalidade no regime de chuvas, que ocorrem de forma relativamente constante o ano todo.[16] Nota-se que o mico-leão-de-cara-dourada, ao contrário do mico-leão-dourado, evita áreas pantanosas, principalmente para dormir.[16] A cabruca, floresta alterada onde é feito o plantio de cacau, eventualmente é utilizada pelo mico-leão-de-cara-dourada desde que persistam altas árvores nativas.[16] Aparentemente, o mico-leão-de-cara-dourada ocorre em quase todos os ambientes florestados de sua distribuição geográfica.[16] Habita principalmente os estratos mais altos da floresta, entre 12 m e 19 m de altura, onde há grande abundância e diversidade de bromélias.[17]

É a espécie de mico-leão que teve sua distribuição geográfica menos reduzida quando comparada às outras espécies do gênero, ocorrendo em quase toda a sua distribuição geográfica original.[18] [14] Foi registrada a sua presença em cerca de 94 localidades nos estados da Bahia e Minas Gerais.[14] Entretanto, a única unidade de conservação dentro de sua área de distribuição geográfica é a Reserva Biológica de Una. Além disso, seu habitat se encontra cada vez mais fragmentado, o que causa preocupações em relação à sobrevivência da espécie.[14] [4]

Descrição[editar | editar código-fonte]

O mico-leão-de-cara-dourada é a espécie do gênero que ocorre no sul da Bahia.

Possui toda a pelagem de cor negra e brilhante, exceto ao redor da face, membros anteriores e posteriores, que são douradas, o que conferiu o nome popular da espécie.[19] Possui um crânio com conformação única dentre os mico-leões. A face é mais alongada em comparação com as outras três espécies e também é mais robusta.[20] Pesam entre 534 g (fêmeas) e 620 g (machos), com até 25 cm de comprimento, sem a cauda, que não é preênsil.[21]

Ecologia[editar | editar código-fonte]

Os micos-leões são animais frugívoros e insetívoros que apesar de seu pequeno tamanho ocupam áreas de vida relativamente grandes.[22] Micos-leões-de-cara-dourada estudados em Una ocuparam uma área de vida média de 123 ha. Esta área é muito maior do que a ocupada por grupos de micos-leões-dourados. Entretanto, a maior parte do tempo os animais ocupam 11% de todo esse território.[22] Sua área de distribuição é simpátrica com a de Callithrix kuhlii, do qual se diferencia ecologicamente. O mico-leão-de-cara-dourada possui maior território, forrageia nos níveis mais altos da floresta e usa buracos em troncos de árvore como dormitórios.[17] Foram reportadas associações mistas entre essas espécie, embora elas não sejam muito frequentes.[19] [12] Sua dieta constitui-se predominantemente de frutos maduros, néctar, insetos e pequenos vertebrados. O néctar tem menor importância na sua dieta, em relação às outras espécies de micos-leões.[22]

Conservação[editar | editar código-fonte]

O mico-leão-de-cara-dourada consta como "Em Perigo", segundo a IUCN e na lista do IBAMA.[3] [23] A Reserva Biológica de Una é a principal unidade de conservação em que a espécie ocorre. Entretanto a população é tamanho reduzido para se manter viável a longo prazo.[14] Além disso, houve uma extrema redução da cobertura vegetal e fragmentação de habitats ao longo de toda sua distribuição geográfica, .[14] Ainda assim, é a espécie do gênero Leontopithecus que possui a maior população na natureza, com estimativas variando entre 6.000 e 15.000 indivíduos.[14]

Referências

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  2. a b c d Rylands AB e Mittermeier RA. In: Garber PA, Estrada A, Bicca-Marques JC, Heymann EW, Strier KB (eds). South American Primates: Comparative Perspectives in the Study of Behavior, Ecology, and Conservation. Nova Iorque: Springer, 2009. Capítulo: The Diversity of the New World Primates (Platyrrhini): An Annotated Taxonomy. , 23–54 pp. ISBN 978-0-387-78704-6
  3. a b c d Kierulff, M. C. M., Rylands, A. B., Mendes, S. L. & de Oliveira, M. M. (2008). Leontopithecus chrysomelas (em Inglês). IUCN . Lista Vermelha de Espécies Ameaçadas da IUCN de . Página visitada em 01 de outubro de 2012.
  4. a b c Rylands, A.B.; Mallinson, J.J.; Kleiman, D.G.; Coimbra-Filho, A.F.; Mittermeier, R.A.; Câmara, I.G.; Valladares-Pádua, C.B.; Bampi, M.I.. In: Kleiman, D.G.; Rylands, A.B.. Mico-leões: Biologia e conservação. Brasília: Ministério do Meio Ambiente, 2008. Capítulo: História da pesquisa e da conservação do mico-leão. , 23-69 pp. ISBN 978-85-7300-101-2
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