Poluição da água

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Poluição da água é a contaminação de corpos de água por elementos que podem ser nocivos ou prejudiciais aos organismos e plantas, assim como a atividade humana. O resultado da contaminação traduz-se como água poluída.

Classificação[editar | editar código-fonte]

Descarga de um efluente industrial.

A água é poluída por um grande ramo de produtos, podendo ser dividida pelas suas características:

A Poluição pontual, onde o foco de poluição facilmente identificável como emissora de poluentes, como no caso de águas residuais, industriais, mistos ou de minas.[1] Como poluição difusa, onde não existe propriamente um foco definido de poluição, sendo a origem difusa, tal como acontece nas drenagens agrícolas, águas pluviais e escorrimento de lixeiras.[2] [3]

Os contaminantes podem ser classificados como:

Agentes Químicos
Agentes fisicos
  • Radioatividade, Calor, Modificação do sistema terrestre, através de movimentação de terras ou similares.[4]
Agentes Biológicos

As coliformes são um bioindicador normalmente utilizado na análise da qualidade microbiológica da água, embora não seja uma real causa de doenças. Outras vezes microrganismos encontrados nas águas de superfície, que têm causado problemas para a saúde humana incluem:[5]

Efeitos dos poluentes nos meios aquáticos[editar | editar código-fonte]

A introdução de substancias poluentes nos corpos aquáticos, ao modificar as características do meio, altera a relação entre produtores e consumidores.[7] Se diminuir o oxigênio dissolvido, as espécies que realizam fotossíntese têm tendência a proliferar, enquanto as que necessitam do oxigênio na respiração, podendo resultar numa situação de Hipóxia.[8] Esta alteração da relação entre produtores e consumidores pode levar igualmente à proliferação de algas e organismos produtores de produtos tóxicos. A inserção de compostos tóxicos pode ser absorvida pelos organismos, ocorrendo bioacumulação, compostos que entrando na cadeia alimentar pode causar sérios danos ao ser humano.[9] [10] [11] Pelo menos 2 milhões de pessoas, principalmente crianças com menos de 5 anos de idade, morrem por ano no mundo devido a doenças causadas pela água contaminada, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)[12]

Floração das águas[editar | editar código-fonte]

Este fenômeno é causado pelo uso agrícola de fertilizantes, que contêm fósforo e azoto que ao atingir os cursos de água, nutrem as plantas aquáticas. Naturalmente, o fosforo e o azoto estão em deficet nos sistemas aquáticos, limitando o crescimento dos produtores primários. Com o aumento destes nutrientes, a sua população tende a crescer descontroladamente, diminuindo a transparência da água e com isso causando a diminuição de luz solar. Esta diminuição afecta a população de macrófilas submersas, diminuindo assim a diversidade do habitat, e provocando uma redução na capacidade de alimentos para inúmeros microorganismos, empobrecendo as comunidades de invertebrados e vertebrados.[13]

Eutrofização[editar | editar código-fonte]

Um peixe morto, num corpo de água poluída.

A eutrofização ou eutroficação é um fenómeno causado pelo excesso de nutrientes (compostos químicos ricos em fósforo ou nitrogênio, normalmente causado pela descarga de efluentes agrícolas, urbanos ou industriais) num corpo de água mais ou menos fechado, o que leva à proliferação excessiva de algas, que, ao entrarem em decomposição, levam ao aumento do número de microorganismos e à consequente deterioração da qualidade do corpo de água.

Hipóxia[editar | editar código-fonte]

O aumento de organismos consumidores de oxigénio pode levar a um fenómeno de baixa concentração de Oxigénio que ocorre em ambientes aquáticos. Ocorre quando a concentração de oxigénio dissolvido (OD) encontra-se a níveis reduzidos, ao ponto de causar danos nos organismos aquáticos presentes no ecossistema. A concentração de oxigénio dissolvido geralmente é expressa em quantidade de O2 dissolvido na água em mg.L-1, sendo que os valores normais situam-se a volta de 8 mg L-1 a 25 °C entre 0 e 1.000 m de altitude..[14] [15]

Larvas do mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue, que se reproduz-se em todo local que acumula água, como pneus, garrafas vazias e vasos de planta.

Transmissão de doenças[editar | editar código-fonte]

A água poluída pode causar diversos efeitos prejudiciais à saúde humana,[16] tais como: febre tifóide, cólera, disenteria, meningite e hepatites A e B.

Pode ser igualmente por vectores de contaminação por doenças transportadas por mosquitos, como paludismo, dengue, malária, doença do sono, febre amarela. Pode conter parasitas como verminoses, enquanto a escasses da água pode gerar ou potenciar doenças como a lepra, tuberculose, tétano e difteria.[17]

As águas poluídas por efluentes líquidos industriais podem causar contaminação por metais pesados que geram tumores hepáticos e de tiróide, alterações neurológicas, dermatoses, rinites alérgicas, disfunções gastrointestinais, pulmonares e hepáticas. No caso de contaminação por mercúrio, podem ocorrer anúria e diarreia sanguinolenta.

A dengue é uma doença que se propagam somente na água. Porém, essa água tem que estar parada e limpa para a criação do inseto.[18] [19] [20]

Controle dos níveis de poluição[editar | editar código-fonte]

Água para consumo humano[editar | editar código-fonte]

A Purificação da água é o processo de remoção de contaminantes químicos e biológicos da água bruta. O objectivo é produzir água própria para uma finalidade específica, sendo que a maior parte da água é purificada para consumo humano, mas pode ser concebido para uma variedade de outros fins, inclusive para atender às exigências da medicina, farmacologia, química e aplicações industriais. Em geral, os métodos utilizados incluem processo físico, como a filtração e sedimentação, processos biológicos, tais como filtros de areia lento ou lodos activados, processo químico, como a floculação e cloração e a utilização de radiação electromagnética, como a luz ultravioleta.[21] [22]

Águas residuais[editar | editar código-fonte]

Estação de tratamento de águas residuais da Sabesp, no distrito de São Miguel Paulista, em São Paulo.

O tratamento de efluentes residenciais, ocorrem nas ETAR's, onde se procede à eliminação de contaminantes de águas residuais de origem doméstica, ou as provenientes da Escorrência superficial, maioritariamente água da chuva. O processo inclui operações físicas, químicas e processos biológicos para remover físicos, químicos e biológicos contaminantes, com o objectivo de reduzir a carga de poluentes. Numa ETAR as águas residuais passam por vários processos de tratamento com o objectivo de separar ou diminuir a quantidade da matéria poluente da água.[23]

Tratamento de efluentes Industriais[editar | editar código-fonte]

O Tratamento de Efluentes Industriais abrange os mecanismos e processos utilizados para o tratamento de águas que foram contaminadas, de alguma forma por antropogénicas actividades industriais ou comerciais antes da sua libertação no ambiente ou a sua reutilização. Geralmente os efluentes possuem altas concentrações de poluentes convencionais como óleo ou graxa, poluentes tóxicos, como por exemplo, metais pesados, compostos orgânicos voláteis, ou outros poluentes, como amónia, precisam de tratamento especializado.[24] Algumas destas instalações pode instalar um pré-tratamento para eliminar o sistema de componentes tóxicos e, em seguida, enviar os efluentes pré-tratados para o sistema municipal.

Referências

  1. NOAA's National Ocean Service Education: Nonpoint Source Pollution oceanservice.noaa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  2. EPA. Polluted Runoff (Nonpoint Source Pollution). Visitado em 3 de Abril de 2009.
  3. NOAA's National Ocean Service Education: Nonpoint Source Pollution oceanservice.noaa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  4. a b FS-027-01--A Primer on Water Quality pubs.usgs.gov. Visitado em 2009-04-03.
  5. Schueler, Thomas R. Microbes and Urban Watersheds: Concentrations, Sources, & Pathways 2000.
  6. Illness Related to Sewage in Water www.epa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  7. Maria Carlos Reis. Blooms de Cianobactérias (em Portugês). Visitado em 3 de Abril de 2009.
  8. Maria João Cruz e Rui Braz. A eutrofização dos sistemas aquáticos (em Portugês). Visitado em 3 de Abril de 2009.
  9. Ray K Linsley. Water-Resources Engineering (em inglês). 4. ed. Nova Iorque: McGraw-Hill, 1992. ISBN 0-07-112689-9.
  10. Agência Europeia do Ambiente. Water pollution — overview (Web). Visitado em 3 de Abril de 2009.
  11. EPA > Ground Water & Drinking Water > Drinking Water and Health > What are the health effects of contaminants in drinking water? www.epa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  12. OMS: pelo menos 2 milhões de pessoas morrem por ano no mundo por causa de água contaminada | Agencia Brasil agenciabrasil.ebc.com.br (2011). Visitado em 7 de julho de 2011.
  13. Naturlink www.naturlink.sapo.pt. Visitado em 2009-04-03.
  14. Oxigênio dissolvido (OD), demanda bioquímica de oxigênio (DBO) e demanda química de oxigênio (DQO) como parâmetros de poluição no ribeirão Lavapés/Botucatu - SP. Scielo. Página visitada em 2009-06-13.
  15. ESA - Hypoxia
  16. Iraque: água poluída deixa milhões em perigo www.icrc.org. Visitado em 2009-04-03.
  17. A2 - Doencas Relacionads com a Agua www.dec.ufcg.edu.br. Visitado em 2009-04-03.
  18. Environmental Effects www.epa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  19. Health Effects www.epa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  20. EPA Ground Water & Drinking Water www.epa.gov. Visitado em 2009-04-03.
  21. Naturlink www.naturlink.sapo.pt. Visitado em 2009-04-03.
  22. Naturlink www.naturlink.sapo.pt. Visitado em 2009-04-03.
  23. Naturlink www.naturlink.sapo.pt. Visitado em 2009-04-03.
  24. Industrial Wastewater Program - FDEP www.dep.state.fl.us. Visitado em 2009-04-03.

Ver também[editar | editar código-fonte]