Vayikrá

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Vaicrá ou Vayikrá (do hebraico ויקרא E chamou da primeira palavra do texto) é o nome da terceira parte da Torá. Vayikrá é chamado comumente de Levítico pela tradição ocidental e trata-se praticamente do mesmo livro apesar de algumas diferenças, principalmente no que lida com interpretações religiosas com outras religiões que aceitam o livro de Levítico. Este artigo pretende mostrar as origens do livro e suas implicações dentro principalmente do judaísmo.

Origem do nome do livro[editar | editar código-fonte]

O termo Vayikrá (E chamou) trata-se da primeira palavra do livro, e é o costume judaico dividir seus livros e citar como nome do capítulo o nome de sua primeira palavra. O nome Levítico usado geralmente pelos não-judeus é baseado no latim Liber Leviticus originado do grego (το) Λευιτικόν. Este título é relacionado ao fato do livro tratar de aspectos legais e sacerdotais do antigo culto mosaico.

Origens do texto[editar | editar código-fonte]

Ainda que a tradição impute a autoria do texto a Moshé, os estudiosos geralmente a atribuem a um período posterior, provavelmente no retorno do Exílio Babilônico, onde teria havido uma fusão de diversas lendas mitológicas dos povos do Levante com a cultura judaica.[1]

Os estudiosos crêem que a Torá, e subseqüentemente Vayikrá, é o resultado de diversas tradições que evoluíram em conjunto através da história do antigo povo de Israel, porém Vayikrá seria composto principalmente baseado no Código Sacerdotal.[2] Este código teria uma ênfase maior no primado da tribo de Levi como tribo escolhida, e da família de Aharon para gerenciar os aspectos rituais no Tabernáculo (ver Cohen).

Texto[editar | editar código-fonte]

Vayikrá descreve os aspectos legais e sacerdotais do culto no Tabernáculo. O texto é comumente dividido em dez parashot (porções), cuja divisão serve para a leitura semanal do texto nas sinagogas, acompanhadas das haftarot. Assim, a narrativa de Vaicrá está dividida em:

Vayikrá (ויקרא)[editar | editar código-fonte]

Na parashá Vayikrá, Moisés é chamado ao Tabernáculo e recebe os mandamentos relacionados aos korbanot. Estes korbanot podem ser divididas em três categorias principais:

  • Korban olá - oferendas queimadas no altar;
  • Korban minchá- oferendas queimadas parcialmente no altar e o restante consumida pelos cohanim
  • Korban shelamim- oferenda de paz, queimada parte sobre o altar, e o restante consumido pelos ofertantes e pelos cohanim.

A parashá prossegue discorrendo sobre as oferendas em caso de chatat (erro, pecado) e 'asham (culpa), esta última sendo a expiação por transgressões involuntárias.

A haftará desta porção é Isaías 43:21–44:23.

Quando a porção coincide com Shabat Zachor, a haftará é I Samuel 15:2–34

Tzav(צו)[editar | editar código-fonte]

Tzav descreve os detalhes dos serviços dos cohanim. Descreve a manutenção do fogo sobre o altar e os mandamentos relacionados aos corbanot que Aharon e seus filhos deveriam oferecer continuamente. Prossegue com o término dos melu'im, serviço de consagração do Tabernáculo e a unção de Aharon e seus filhos para o serviço sagrado.

A haftará desta porção é Jeremias 7:21–8:3 & 9:22–23.

Quando a parashá coincide com Shabat HaGadol a haftará é Malaquias 3:4–24.

Shemini (שמיני)[editar | editar código-fonte]

A parashá Shemini apresentam os eventos que ocorrem no último dia dos melu'im, com a unção e preparação de Aharon e seus filhos para o serviço sacerdotal. Aharon abençoa o povo e a Presença do Eterno paira sobre eles. No entanto, os dois filhos mais velhos de Aharon, Nadav e Avihu, morrem consumidos por terem oferecido "fogo estranho" no Tabernáculo. A interpretação do que seria fogo estranho até hoje gera discussões, podendo ser uma oferta não-autorizada, um sacríficio idólatra ou outra interpretação.

A parashá prossegue sobre as regras de pureza para os cohanim, de pureza e impureza para o povo e de animais kasher e não-kasher.

A haftará desta porção é:

Quando a parashá coincide com Shabat Parah a haftará é Ezequiel 36:16–38.

Tazria (תזריע)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá analisa as diversas impurezas os quais as pessoas podem entrar quer por parto e por doenças de pele (tsaraat às vezes traduzido erroneamente como lepra).

A haftará desta parashá é II Reis 4:42–5:19.

Quando a parashá coincide com Shabat HaChodesh, a haftará é Ezequiel 45:16–46:18.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh, a haftará é Isaías 66:1–24.

Metzorá (מצורע)[editar | editar código-fonte]

A parashá Metzorá continua a discorrer sobre tsaraat e os processos de purificação, incluindo os corbanot, imersões e raspagem. Prossegue com uma descrição dos mandamentos sobre tsaraat em casas e finaliza com a descrição dos graus de impureza decorrentes de emissões humanas como menstruação, polução e afins.

A haftará desta parashá é II Reis 7:3–20.

Quando a parashá coincide com Shabat HaChodesh, a haftará é Ezequiel 45:16–46:18.

Quando a parashá coincide com Shabat Rosh Chodesh, a haftará é Isaías 66:1–24.

Akharey (אחרי)[editar | editar código-fonte]

Após a morte dos dois filhos de Aharon, Nadav e AVihu conforme descrito na parashá Shemini, são descritos os mandamentos relativos ao serviço sagrado de Yom Kipur realizado pelo Cohen Gadol, incluindo a entrada anual no Qodesh HaQodeshim (Santo dos Santos), lugar mais sagrado do Tabernáculo onde residia a Arca da Aliança. A porção conclui com uma lista das principais imoralidades sexuais proibidas ao povo de Israel.

A haftará desta porção é:

Quando a parashá coincide com Shabat HaGadol a haftará é Malaquias 3:4–24.

Qedoshim (קדושים)[editar | editar código-fonte]

Nesta parashá descreve-se a ordem de santidade para o povo de Israel através da exigência de diversos mandamentos da parte de D-us através de preceitos positivos e negativos de ordem moral, social, familiar e religiosa. Também descreve mandamentos sobre kilayim (misturas proibidas) e sobre as punições a serem executadas contra os que praticarem as imoralidades descritas na parashá Akharey.

A haftará desta parashá é:

Emor (אמור)[editar | editar código-fonte]

Esta parashá descreve as leis específicas aos cohanim e ao Cohen Gadol, sobre as restrições para garantir a pureza destes. Também são citados os defeitos físicos que impedem um cohen de realizar o serviço sagrado, assim como as restrições a todo aquele que esteja tamê ou seja, impuro. Prossegue descrevendo as leis acerca de terumá, das festividades religiosas e do uso dos utensílios do Tabernáculo como a menorá. A parashá encerra-se com a descrição da morte de um homem que amaldiçoou o nome de D-us.

A haftará desta parashá é Ezequiel 44:15–31.

Behar (בהר)[editar | editar código-fonte]

A parashá de Behar descreve os mandamentos relativos a terra de Israel. Inicia com o mandamento de shemitá, mandamento que ordena deixar o campo sem cultivo ou colheita por sete anos. Também descreve o yovel, ou o 50o ano, no qual as propriedades retornam aos seus donos ancestrais. Prossegue com a enfâse na necessidade de auxiliar os necessitados à saírem de seu estado de necessidade, com os mandamentos referentes à escravidão e remissão de escravos assim como mandamentos acerca do Shabat.

A haftará desta porção é Jeremias 34:6–27.

Quando a parashá Behar é combinada com a parashá Behukotai, a haftará é a haftará de Behukotai, Jeremias 16:19–17:14.

Behuqotai (בחוקותי)[editar | editar código-fonte]

A última porção de Vaicrá descreve as bençãos e recompensas que os os israelitas receberão se seguirem os mandamentos da Torá e os castigos que o povo receberia se abandonassem estes mandamentos. A parashá prossegue descrevendo os processos de santificação dos bens para o Tabernáculo e sobre os dízimos.

A haftará desta porção é Jeremias 16:19–17:14.

Referências

  1. CAMPBELL, Joseph. The Masks of God: Occidental Mythology, Viking Press, 1964.
  2. As Camadas do Pentateuco.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]