Augusto Nunes

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Augusto Nunes
Augusto Nunes no Roda Viva.
Nascimento Augusto Nunes
Taquaritinga, São Paulo
 Brasil
Ocupação Jornalista e apresentador

Augusto Nunes (Taquaritinga, 25 de setembro de 1949) é um jornalista brasileiro.

Biografia

Augusto Nunes começou a escrever no jornal Nosso Jornal, em Taquaritinga. Mais tarde, estudou na Faculdade Nacional de Direito, não concluiu o curso. Em 1970, ingressou na ECA, tampouco concluindo o curso.

Em 1971, ingressou nos Diários Associados como revisor e, no ano seguinte, foi contratado como repórter no jornal O Estado de S. Paulo. Em 1973, Augusto foi contratado pela revista Veja, onde permaneceu até 1986, quando assumiu a mediação do Roda Vida. No programa ele ficou até 1990, depois disso dirigiu as revistas Veja, Época e Forbes (edição brasileira) e os jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e o jornal Zero Hora.[1] . Entre setembro de 2010 e 2011, voltou à equipe do Roda Vida, desta vez como debatedor fixo do programa.

Nunes venceu quatro vezes o Prêmio Esso de Jornalismo e foi incluído numa seleção dos seis mais importantes jornalistas do Brasil, feita pela Fundação Getúlio Vargas. Foi um assíduo crítico do governo Lula, acusando-o de prática de corrupção, tentativa de controle da imprensa e de cerceamento da democracia.

Atualmente, Augusto Nunes mantém uma coluna na revista Veja. Em agosto de 2013, o jornalista voltou a ser mediador do programa Roda Viva, da TV Cultura, substituindo o jornalista Mário Sérgio Conti.

Precedido por
Rodolpho Gamberini
Apresentação do Roda Viva
1986 - 1989
Sucedido por
Jorge Escosteguy
Precedido por
Mario Sergio Conti
Apresentação do Roda Viva
1996 - 1998
Sucedido por
atual

Polêmicas

Pitbulls da grande mídia

Augusto Nunes foi citado pelo vice-presidente do PT, Alberto Cantalice, como um dos "pitbulls da grande mídia". De acordo com Cantalice, as pregações desses pitbulls nos veículos de comunicação conservadores estimulam setores reacionários e exclusivistas da sociedade brasileira a maldizer os pobres e sua presença cada vez maior nos aeroportos, nos shoppings e nos restaurantes.[2]

Tal declaração foi recebida com insatisfação pelas personalidades citadas e Cantalice inclusive foi ameaçado de processo judicial por um colunista da revista Veja, que classificou a crítica de Cantalice como uma suposta "lista negra".[3] A entidade Repórteres sem Fronteiras expressou sua inquietação pelas graves acusações dirigidas contra os jornalistas provenientes de um alto cargo do PT, afirmando que não ignora o contexto polarizado da mídia, que pode exagerar o descontentamento geral. No entanto, uma representante da organização afirmou que as dificuldades sentidas pelo PT "não justificam o recurso à propaganda de Estado.",[4] muito embora nenhuma instituição estatal tenha relação com a publicação do artigo.

Por outro lado, o Observatório da Imprensa publicou texto onde sustenta que todas as acusações feitas por Cantalice aos "gurus do conservadorismo midiático" são absolutamente verdadeiras, e que as personalidades citadas "posam de defensores da liberdade de expressão, mas acham ruim quando são criticados. Transformaram uma crítica política numa fictícia “lista negra”. Vestem a carapuça da vitimização, quando na verdade eles são os verdadeiros algozes".[5]

Alberto Cantalice defendeu-se afirmando que seu texto foi uma crítica, e que jamais defendeu qualquer espécie de censura. Segundo o vice-presidente do PT, as personalidades citadas não admitem receber críticas da mesma intensidade que eles costumam criticar todos os demais "se julgam intocáveis, acham que são o quarto poder, que têm o direito de achincalhar, de difamar e querem que todos abaixem a cabeça (...) Se dependesse dessa turma não haveria a internet, mas apenas as opiniões de seus patrões que eles vocalizam no rádio, na televisão e nos jornais impressos"; Cantalice também afirmou que um exemplo disso é o que está acontecendo com ele desde que a polêmica começou; "já fui chamado de Goebbels, eu é que deveria processá-los!".[6]

Além de Augusto Nunes, outros nomes citados por Cantalice como "pitbulls" foram: Arnaldo Jabor, Demétrio Magnoli, Guilherme Fiuza, Reinaldo Azevedo, Diogo Mainardi, Lobão e os humoristas Danilo Gentili e Marcelo Madureira.

Entrevista de escritor cubano no Roda Viva

Em julho de 2015, durante a entrevista do escritor cubano Leonardo Padura ao programa Roda Viva (programa liderado por Augusto Nunes), a repórter Nathalia Watkins da revista Veja confrontou o entrevistado acerca das mazelas sociais que afligem a ilha de Cuba. Nathalia afirmou que em Cuba “o povo continua sofrendo, miserável e com fome”, além de cobrar do escritor ações para ajudar a população do seu país.

Por sua vez, Leonardo Padura admitiu, de maneira serena, que há pobreza em Cuba, embora o cenário de catástrofe plena que Nathalia se esforçou para retratar fosse desonesto e falacioso. O autor respondeu que “Uma das coisas que tento evitar sempre, quando me perguntam sobre as realidades de um país que visito, é dar minha opinião. Porque uma realidade só pode ser conhecida por quem participa dela, vive nela. Em Cuba, é certo que há pobreza, não posso negar. Mas ninguém morre de fome em Cuba. De uma forma ou de outra, as pessoas comem e têm um teto. Há mais gente na rua em um quarteirão aqui de São Paulo do que em toda Cuba”.[7]

Tais declarações aparentemente causaram um certo desconforto entre entrevistantes e entrevistado, e após a enorme repercussão do episódio (sobretudo nas redes sociais), a editora do escritor cubano, Ivana Jenkins, revelou em sua conta pessoal do Facebook que Nathalia, ao final do Roda Viva e com as câmeras já desligadas, teria admitido que fez apenas “as perguntas que o Augusto Nunes mandou”. Por sua vez, o jornalista Paulo Nogueira considera patética a rotina que se criou na mídia convencional de profissionais obrigados a seguirem os interesses dos seus patrões: “Não é fácil a vida nas redações hoje em dia. Você tem que reproduzir, apenas, os interesses dos donos. E essa rotina se torna patética quando, além do mais, você é obrigado a fingir que são suas perguntas elaboradas por gênios [como Augusto Nunes]”.[8]

Referências

  1. APMP em Reflexão. Ano II, número 13.
  2. A desmoralização dos pitbulls da grande mídia Alberto Cantalice (2014). Visitado em 24-07-2015.
  3. Ajudem a espalhar: chefão do PT pede abertamente a cabeça de jornalistas Reinaldo Azevedo (2014). Visitado em 24-07-2015.
  4. Vice-presidente do PT publica lista negra de jornalistas "pitbulls" Reporteros sin Fronteras (2014). Visitado em 24-07-2015.
  5. A reação ensaiada dos ‘pitbulls’ da grande mídia Observatório da Imprensa (2014). Visitado em 24-07-2015.
  6. Cantalice ao 247: "Não vou recuar a eles, os censores" Brasil 24/7 (2014). Visitado em 24-07-2015.
  7. Reporter da Veja leva chinelada de escritor cubano no Roda Viva Pragmatismo Político (2015). Visitado em 24-07-2015.
  8. Reporter da Veja admite ter recebido ordens para confrontar escritor cubano Pragmatismo Politico (2015). Visitado em 24-07-2015.