Maria Carolina Augusta de Bourbon-Duas Sicílias
| Maria Carolina Augusta | |||||
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| Princesa das Duas Sicílias Duquesa de Aumale | |||||
Retrato por Franz Xaver Winterhalter, 1846 | |||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 26 de abril de 1822 Viena, Áustria | ||||
| Morte | 6 de dezembro de 1869 (47 anos) Twickenham, Londres, Reino Unido | ||||
| Sepultado em | Capela Real, Dreux, França | ||||
| Marido | Henrique, Duque de Aumale | ||||
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| Casa | Bourbon-Duas Sicílias (nascimento) Orleães (casamento) | ||||
| Pai | Leopoldo, Príncipe de Salerno | ||||
| Mãe | Maria Clementina da Áustria | ||||
| Assinatura | |||||
Maria Carolina Augusta de Bourbon-Duas Sicílias (em italiano: Maria Carolina Augusta di Borbone-Due Sicilie; Viena, 26 de abril de 1822 - Twickenham, 6 de dezembro de 1869) foi uma princesa do Reino das Duas Sicílias por nascimento e Duquesa de Aumale, membro da casa de Orleães e, portanto, da família real francesa, pelo casamento com Henrique, Duque de Aumale, filho do rei dos franceses Luís Filipe I.
Biografia
[editar | editar código]Juventude e casamento
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Maria Carolina Augusta nasceu em Viena em 26 de abril de 1822, sendo a única filha sobrevivente de Leopoldo, Príncipe de Salerno, e de sua esposa e sobrinha, Maria Clementina da Áustria.
Apelidada de "Lina" desde o nascimento, a princesa passou os primeiros anos de sua vida sob os cuidados da mãe na corte imperial austríaca em Viena, onde foi oficialmente apresentada à sociedade. Na adolescência, retornou com a família a Nápoles.
Nas décadas de 1830 e 1840, havia poucas princesas da nobreza europeia em idade de se casar, o que permitiu que Lina recebesse vários pretendentes. A escolha acabou recaindo sobre o príncipe Henrique de Orleães, duque de Aumale, filho do rei dos franceses Luís Filipe I, que ficou impressionado com ela durante uma estadia no palácio de seu pai em Nápoles.[1] As negociações matrimoniais começaram no final de agosto de 1844 e, em 17 de setembro do mesmo ano, na Revue de Paris, o noivado foi oficialmente anunciado.[2] A união estava longe de ser um casamento por amor. Henrique de Orleães descreveu sua esposa em uma carta a seu tutor Alfred-Auguste de Cuvillier-Fleury como não bonita, mas nada desagradável.[3] Cuvillier-Fleury concordou, acrescentando que ela também tinha uma aparência requintada.[4] Henrique aceitou o casamento apenas após intensa pressão de seus pais, que haviam rejeitado outras candidatas. Por fim, optou pela pequena e graciosa Lina para evitar que outros príncipes europeus fizessem propostas de casamento a ela.
O casamento ocorreu em 25 de novembro de 1844, em Nápoles, a pedido do noivo, embora os futuros sogros de Lina preferissem que a cerimônia fosse celebrada em Paris. O casamento civil foi realizado no palácio real do rei Fernando II das Duas Sicílias, e, no mesmo dia, a cerimônia religiosa foi celebrada com grande pompa. A noiva recebeu como dote a quantia de 517.000 francos de ouro.[5] As festividades da ocasião – bailes, recepções, caçadas e galas teatrais — duraram mais de duas semanas.[2] No entanto, já em 2 de dezembro de 1844, Lina viajou com o marido de navio para Toulon. De lá, o casal recém-casado foi recebido com grande pompa pela cidade e seguiu para Paris, onde se instalaram em uma série de apartamentos no Palácio das Tulherias.
Na corte da França
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Durante os primeiros meses de 1845, Lina, que havia acabado de chegar à corte de Paris, estava sobrecarregada com os compromissos reais — bailes, apresentações teatrais e encontros com a nobreza —, mas ainda assim se esforçava para reservar tempo para si e para o duque de Aumale. Em maio de 1845, o duque e a duquesa mudaram-se para sua nova residência, o Castelo de Chantilly, que havia passado por amplas reformas e modernizações. O casal manteve ao longo da vida uma relação de respeito mútuo, e a duquesa permaneceu uma esposa fiel e afetuosa, nunca demonstrando queixas.[6] O duque de Aumale era um marido atencioso e, quando foi nomeado governador-geral da Argélia francesa, em setembro de 1847, evitou se mudar definitivamente para o território, preferindo permanecer junto da esposa e dos filhos e viajando à Argélia apenas quando necessário.
Os contemporâneos de Lina a descreviam como afável e espirituosa.[7] Sua natureza gentil e generosa, somada à sua facilidade em conquistar as pessoas, fez com que fosse muito querida por seus sogros, e pela família Orleães.[8] Em agosto de 1845, a rainha Vitória e o príncipe Alberto passaram uma noite em Paris, onde foram recebidos com hospitalidade real a caminho da Alemanha, terra natal do príncipe. Em seu diário, a rainha descreveu o primeiro encontro com Lina: Ela é consideravelmente mais baixa do que eu, tem cabelos loiros muito finos e não é muito bonita; mas é uma pessoa muito agradável, com olhos azuis claros, um nariz grande e uma boca desajeitada. No entanto, em registros posteriores, Vitória mudou sua opinião, escrevendo: Lina é uma pessoa muito bem-humorada. Ela fala alemão — diz que é porque nasceu e foi criada na Alemanha, mais precisamente em Viena.
Exílio na Inglaterra
[editar | editar código]Após a Revolução de Fevereiro de 1848, que derrubou a monarquia, a família Orleães fugiu para a Inglaterra e foi proibida de retornar à França por um decreto emitido pela Segunda República em 16 de maio de 1848. O duque e a duquesa de Aumale, o rei Luís Filipe e sua esposa foram obrigados a viver temporariamente na Claremont House, cedida pelo rei dos belgas. No entanto, as dificuldades financeiras levaram Lina a vender algumas de suas joias para cobrir as despesas e manter um padrão de vida real.
Lina rapidamente se tornou uma amiga próxima da rainha Vitória.[9] A rainha forneceu a Lina e sua família uma residência, a Orleans House, em Twickenham, e a família Aumale mudou-se de Claremont para sua nova casa em 16 de abril de 1852.[10] Após uma longa viagem pela Europa a partir de agosto de 1864, que incluiu Bélgica, Alemanha, Áustria, Hungria, Espanha, Suíça e o Oriente, Lina passou a preferir passar seu tempo na propriedade rural Wood Norton Hall, em Worcestershire.

A morte inesperada de seu primogênito, Luís Filipe, em 1866,[11] mergulhou a duquesa em uma profunda crise da qual ela nunca se recuperou totalmente. Após uma doença de seis semanas,[11] Lina faleceu na Orleans House em 6 de dezembro de 1869, aos 47 anos.
Sobre sua morte, a rainha Vitória escreveu:
Chorei amargamente, pois a amava muito. Ela era a pessoa daquela família [a família Orleães] com quem eu era mais próximo desde que Vitória [a Duquesa de Némours, prima da rainha, cunhada de Lina] morreu. Aquela pessoa querida, gentil e pequena... Não acredito que nunca mais a verei! É um desastre terrível para o pobre Aumale, a pobre mãe e o pobre filho.
Lina foi enterrada na capela católica de Weybridge em 10 de dezembro, e seu corpo foi transferido para Dreux em 1876 por seu marido, que havia retornado à França, sendo sepultada na Capela Real.
Galeria
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Descendência
[editar | editar código]Carolina teve oito filhos, mas quatro deles nasceram mortos, dois morreram na infância e dois chegaram à idade adulta, mas morreram jovens e ainda solteiros.
- Luís Filipe Maria Leopoldo (nascido em 15 de novembro de 1845 – 24 de maio de 1866),[12] príncipe de Condé
- Henrique Leopoldo Filipe Maria (11 de setembro de 1847 – 10 de outubro de 1847),[13] duque de Guise
- Francisco Paulo (11 de janeiro de 1852 – 15 de abril de 1852),[13] duque de Guise
- Francisco Luís (15 de janeiro de 1854 – 25 de julho de 1872),[13] duque de Guise
Ancestrais
[editar | editar código]Referências
- ↑ Cazelles 1984, p. 106.
- ↑ a b Woerth 2006, p. 71.
- ↑ Woerth 2006, p. 70 (Nota de rodapé).
- ↑ Cazelles 1984, p. 111 (Nota de rodapé.
- ↑ Cazelles 1984, p. 157.
- ↑ Cazelles 1984, p. 114.
- ↑ Cazelles 1984, p. 102 (Nota de rodapé.
- ↑ Woerth 2006, p. 73.
- ↑ Cazelles 1984, p. 282.
- ↑ Woerth 2006, p. 266.
- ↑ a b «Obituary in The Times of 8 December 1869». Cópia arquivada em 19 de outubro de 2009.
- ↑ Louda & MacLagan 1999, p. 70.
- ↑ a b c Montgomery-Massingberd 1977, p. 92.
Bibliografia
[editar | editar código]- Raymond Cazelles: Le duc d’Aumale. Prince aus dix visages. Tallandier, Paris 1984, ISBN 2-235-01603-0, pp. 98–115, 279–282.
- Alfred-Auguste de Cuvillier-Fleury: Marie-Caroline Auguste de Bourbon, duchesse d’Aumale, 1822–1869. C. Lahure, Paris 1870. online
- Jirí Louda, Michael MacLagan: Lines of Succession: Heraldry of the Royal Families of Europe. vol 2. Auflage. Little, Brown and Company, London 1999, p. 70.
- Hugh Montgomery-Massingberd (Ed.): Burke’s Royal Families of the World. vol 1: Europe & Latin America. Burke’s Peerage Ltd., London 1977, p. 92.
- Eric Woerth: Le duc d’Aumale. L'étonnant destin d’un prince collectionneur. L’Archipel, Paris 2006, ISBN 2-84187-839-2, pp. 65–82.
