Cracolândia

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Cracolândia
Processo de degradação urbana na região da avenida Ipiranga.
Bairro de São Paulo Bandeira da cidade de São Paulo.svg
Distrito: Santa Cecília, República e Bom Retiro
Subprefeitura:
Região Administrativa: Centro

Cracolândia (por derivação de crack) é uma denominação popular para uma região no centro da cidade de São Paulo, nas imediações avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco, Cásper Líbero e a Rua Mauá e da Estação Júlio Prestes, onde historicamente se desenvolveu intenso tráfico de drogas e meretrício.[1]

História[editar | editar código-fonte]

Durante o final da década de 1960, com o surgimento do chamado cinema marginal, houve um crescente desenvolvimento da atividade cinematográfica nesta região da cidade. Diversas produtoras e alguns cinemas lá surgiram nesta época.

A Boca do Lixo pode ser considerada o berço do cinema marginal, de diretores como José Mojica Marins o famoso Zé do Caixão, Rogério Sganzerla, Ozualdo Candeias e Júlio Bressane, entre outros. Os filmes marginais, ligados à Boca, eram sempre permeados de muita sexualidade, escracho e esbórnia. Durante a década de 1980, essa produção intensificou o teor sexual e entrou no período que ficou conhecido como a fase da pornochanchada. A Boca foi responsável por mais de 700 títulos nesta época. [2][3]

Atualidade[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Projeto Nova Luz
Viciados em crack reunidos no local da antiga Terminal Rodoviário da Luz.

Desde 2005, a prefeitura fechou bares e hotéis ligados ao tráfico de drogas e à prostituição, retirou moradores de rua e aumentou o policiamento para inibir o consumo de drogas no local. Centenas de imóveis foram declarados de utilidade pública, em uma área de 105 mil metros quadrados, e estão sendo desapropriados. O objetivo do programa é tornar a área atrativa a investimentos privados, abrindo espaços para empresas do setor imobiliário.

Em 2007, a Prefeitura de São Paulo lançou um programa denominado Nova Luz para promover a reconfiguração e requalificação da área. Entre as medidas propostas, destaca-se a renúncia fiscal referente ao IPTU, visando estimular a reformas de fachadas dos imóveis de valor venal inferior a R$ 300 mil.[4]

Críticos do programa, no entanto, assinalam o seu caráter higienista, destacando que a recuperação de edifícios, praças, parques e avenidas não é acompanhada de ações voltadas aos grupos mais vulneráveis que vivem ou trabalham na área - que estão sendo sumariamente expulsos. Os sem-teto são retirados, o trabalho dos catadores de material reciclável é dificultado e os usuários e dependentes de crack (muitos dos quais crianças e adolescentes), impedidos de se reunir no local, são obrigados a perambular pelos bairros vizinhos, em bandos, sem rumo.[5]

Programas sociais na cracolândia[editar | editar código-fonte]

Recomeço[editar | editar código-fonte]

O programa social batizado de Recomeço foi criado pelo Governo do Estado de São Paulo no ano de 2013, tendo durado até o ano seguinte com um custo anual de cerca de 80 milhões de reais, correspondendo a um investimento por usuário atendido da ordem de R$1350,00 por mês.[6]

Braços Abertos[editar | editar código-fonte]

O programa social batizado de Braços Abertos foi criado pela Prefeitura de São Paulo sob a gestão Hadad no ano de 2014, tendo dura até 2017 e com um custo anual de cerca de 12 milhões de reais, correspondendo a um investimento por usuário atendido da ordem de R$1350,00.[6]

Redenção[editar | editar código-fonte]

O programa social batizado de Redenção foi criado pela Prefeitura de São Paulo sob a gestão Dória no ano de 2017.[6]

Combate ao tráfico na Cracolândia[editar | editar código-fonte]

Operação Cracolândia[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Operação cracolândia

Em 3 de janeiro de 2012 iniciou-se uma operação de combate ao tráfico da região e ajuda aos usuários de crack, chamada de Operação Centro Legal. No final do mês, segundo a PM, a Cracolândia havia se espalhado por 27 bairros, como: Barra Funda, nos trilhos da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos, Higienópolis, Luz, Campos Elíseos, Santa Cecília e nas proximidades do Elevado Costa e Silva, essas regiões foram chamadas pela mídia de "minicracolândias".[7] Segundo relatório divulgado no dia 27 de janeiro pelo governo de São Paulo a partir do começo da operação 155 usuários foram encaminhados a instituições de recuperação (internações), 191 pessoas foram presas em flagrante, sendo apreendidas aproximadamente 63 toneladas de drogas, sendo 3 de crack.[8][9][10]

Referências

  1. Eduardo Zidin (31 de maio de 2009). «Cracolândia: Ensaio sobre a barbárie». Carta Maior. Cartamaior.com.br 
  2. Carlos Juliano Barros e Laura Lopes (9 a 16 de fevereiro de 2007). «Morre Ozualdo Candeias, o papa do cinema marginal». Jornal O Debate. Jornalorebate.com  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. «A Boca do Lixo ainda respira». Repórter Brasil. Reporterbrasil.org.br. 2004 
  4. Renato Santiago (31 de maio de 2007). «Estabelecimento que reformar fachada terá isenção de IPTU, confirma Kassab». Folha Online. Folha.com 
  5. Fernanda Sucupira (24 de janeiro de 2006). «Direito à cidade: Movimentos reagem à política de limpeza social no centro de SP». Carta Maior. Cartamaior.com.br 
  6. a b c Folha: Dória diz que Cracolândia Acabou
  7. «Cracolândia se espalha por 27 bairros de São Paulo, revela PM 55». Agência Estado. Cartamaior.com.br. 28 de janeiro de 2012 
  8. «Região da Cracolândia tem atividades e serviços de cidadania em SP». G1 
  9. «Operação da PM gera 'minicracolândias' no Centro de SP». G1 
  10. «Governador visita a cracolândia e diz que operação policial será mantida». Ultima-instancia.jusbrasil.com.br 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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