Cracolândia
Cracolândia | |
|---|---|
Bairro | |
| Distrito | Santa Cecília e República |
| Município | São Paulo |
| Subprefeitura | Sé |
Cracolândia (por derivação de crack, crack+lândia = terra do crack) é a denominação comum para uma população em situação de rua, composta, na sua maioria, por dependentes químicos e traficantes, geralmente de crack, que costuma ocupar uma determinada área no centro da cidade de São Paulo.
A Cracolândia já se localizou em diversos locais, como nas imediações das Avenidas Duque de Caxias, Ipiranga, Rio Branco, Cásper Líbero, Rua Mauá, Estação Júlio Prestes, Alameda Dino Bueno e da Praça Princesa Isabel, uma área onde historicamente se desenvolveu intenso tráfico de drogas e prostituição.[1] A chamada "Praça do Cachimbo" (esquina da Rua Helvetia com Alameda Cleveland), no bairro de Campos Elíseos, também era um ponto frequente de reunião de usuários de drogas e coincide parcialmente com a região da Boca do Lixo e da Luz.[2][3][4]
Em 2019, grande parte dos frequentadores da Cracolândia não eram oriundos do estado de São Paulo, com 34,5% sendo migrantes de outras unidades federativas do Brasil e 1% de outros países.[5]
Histórico
[editar | editar código]Surgimento
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A Cracolândia surgiu a partir da década de 1990. O pesquisador Bruno Paes Manso relata dois motivos coincidentes que permitiram a formação da Cracolândia: o antigo Terminal Rodoviário da Luz já era um ponto de venda de drogas tradicional da cidade, um comércio acobertado por policiais civis locais, de modo que havia alta oferta dos produtos. A demanda veio de chacinas nas periferias de São Paulo, que forçaram os consumidores, chamados de "noias", a se exilarem no Centro, um ponto seguro.[6]
O fechamento progressivo do Hospital Psiquiátrico do Juquery, símbolo do modelo asilar no Brasil, e a formação da região são fenômenos que se entrelaçam na história recente das políticas públicas de saúde mental e assistência social. O Juquery, fundado no final do século XIX, abrigou por décadas milhares de pessoas com transtornos mentais, dependência química e outras vulnerabilidades sociais. Com o avanço do Movimento antimanicomial e a Reforma psiquiátrica, a partir dos anos 1980 e especialmente após a Lei 10.216/2001, iniciou-se o processo de desinstitucionalização, que resultou no fechamento de alas e na liberação de muitos internos para a sociedade[7].
No entanto, a transição do modelo asilar para o cuidado em liberdade não foi acompanhada por uma rede de suporte social e de saúde mental suficientemente estruturada. Muitos ex-internos do nosocômio, sem vínculos familiares ou acesso a moradia e trabalho, acabaram em situação de rua. Esse contexto coincidiu com a degradação urbana do centro de São Paulo e a chegada do crack nos anos 1990, fatores que contribuíram para a formação da Cracolândia como território de concentração de pessoas em extrema vulnerabilidade, muitas delas com histórico de institucionalização.[8][9].
Assim, o paralelo entre o fechamento do Juquery e a Cracolândia revela um desafio central da reforma psiquiátrica brasileira: a liberdade sem suporte pode se transformar em abandono. A ausência de políticas integradas de saúde mental, assistência social e moradia fez com que parte dos antigos internos dos hospitais psiquiátricos migrasse para as ruas e, posteriormente, para espaços como a Cracolândia. O fenômeno evidencia que a superação do modelo manicomial exige não apenas o fechamento de instituições, mas a construção efetiva de redes de cuidado e inclusão social, sob pena de perpetuar a exclusão em novos territórios urbanos.[10]
Tentativas de controle
[editar | editar código]A administração do prefeito José Serra, do PSDB, fechou bares e motéis ligados ao tráfico de drogas e à prostituição, retirou moradores de rua e aumentou o policiamento para inibir o consumo de drogas no local em 2005.[11] Centenas de imóveis foram declarados de utilidade pública, em uma área de 105 mil metros quadrados, e estão sendo desapropriados. O objetivo do programa é tornar a área atrativa a investimentos privados, abrindo espaços para empresas do setor imobiliário.[12]
Em 2007, a Prefeitura de São Paulo, sob a administração de Gilberto Kassab do DEM, lançou um programa denominado Projeto Nova Luz para promover a reconfiguração e requalificação da área. Entre as medidas propostas, destaca-se a renúncia fiscal referente ao Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU) visando estimular a reforma de fachadas dos imóveis de valor venal inferior a 300 mil reais.[13]
Críticos do programa, no entanto, assinalam o seu caráter higienista, destacando que a recuperação de edifícios, praças, parques e avenidas não é acompanhada de ações voltadas aos grupos mais vulneráveis que vivem ou trabalham na área – que estão sendo sumariamente expulsos. Os sem-teto são retirados, o trabalho dos catadores de material reciclável é dificultado e os usuários e dependentes de crack (muitos dos quais crianças e adolescentes), impedidos de se reunir no local, são obrigados a perambular pelos bairros vizinhos, em bandos, sem rumo.[14]
Deslocamentos
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Ao longo dos anos, a Cracolândia passou por diversas migrações, com movimentos de dispersão ou concentração:
- Anos 1990: concentração entre a Rua dos Protestantes e Rua dos Gusmões, a sudeste da Praça Júlio Prestes (vizinha da área onde até 1982 funcionou a Rodoviária da Luz)[15].
- 1997: realização da primeira grande operação policial, "Tolerância Zero", promovendo dispersão[15]. Durante os próximos anos, os usuários ficaram dispersos na região ao sul da Praça Julio Prestes, entre as Avenida São João, Avenida Duque de Caxias e Avenida Cásper Líbero[16].
- Março de 2005: após a operação "Limpa", o território anterior é reduzido aproximadamente pela metade, com migração para leste da Avenida Rio Branco[16].
- 2008: migração para região a oeste da Praça Julio Prestes, principalmente na área das Alameda Dino Bueno, Alameda Cleveland, Rua Glete, Rua Helvétia e Praça Princesa Isabel[15][16].
- 2012: ocorre a operação "Sufoco", dispersando os usuários[15].
- 2013-2016: implementação do programa social "De Braços Abertos", e fluxo retorna para abrangência semelhante à de 2008[16].
- Maio de 2017: após demolições pela Prefeitura, usuários se dispersam para áreas vizinhas[15].
- 2022: operação "Caronte" na Praça Princesa Isabel causa dispersão para diversas áreas vizinhas[15].
- Agosto de 2023: concentração na Rua dos Gusmões[15].
- 2023-2025: o fluxo migra para a Rua dos Protestantes e, após novas operações, para a Praça Marechal Deodoro, com dispersões frequentes para ruas do entorno da Santa Cecília e Campos Elíseos[17][18].
Entre 2020 e 2025, a região deixou de ser um ponto fixo e passou a migrar por diferentes ruas e bairros do centro de São Paulo. Até 2022, a concentração principal estava nas imediações da Estação Júlio Prestes, especialmente nas ruas Helvétia, Gusmões e Vitória. Com operações policiais intensificadas, houve dispersão dos usuários para ruas adjacentes, como a Rua dos Protestantes, que se tornou o novo epicentro em 2023, chegando a reunir até 400 pessoas em determinados momentos.[17] Em 2025, após uma grande operação policial, o fluxo migrou para a Praça Marechal Deodoro, na região de Santa Cecília, próximo ao bairro de Higienópolis. A presença de barracas e comércio informal indicou a consolidação de um novo polo, embora com menor concentração de pessoas do que em anos anteriores. [18] A cada intervenção, o padrão se repetiu: dispersão seguida de reagrupamento em outro ponto do centro, evidenciando a resiliência do fenômeno.[19]
Espalhamento por outros bairros
[editar | editar código]Nos últimos anos, o fenômeno da Cracolândia deixou de ser restrito ao centro de São Paulo e passou a se espalhar por diversos bairros da cidade. Segundo levantamento da Prefeitura e do governo estadual, já foram identificadas dezenas de "cenas abertas de uso" em diferentes regiões, totalizando 72 cracolândias em 47 bairros, incluindo bairros nobres e periferias.[20][21]
Entre os exemplos recentes, destaca-se a tentativa de formação de uma nova cracolândia na Avenida Francisco Matarazzo, na zona oeste, que levou a Prefeitura a intensificar ações de prevenção e dispersão em 2025.[22] Esse processo de dispersão e multiplicação de pontos de uso de crack é resultado direto das operações policiais e das políticas de repressão no centro, que acabam levando usuários a migrar para bairros como Lapa, Barra Funda, Brás, Mooca, Vila Leopoldina e até regiões periféricas.[23]
Especialistas apontam que, enquanto não houver políticas públicas integradas de saúde, assistência social e moradia, novas cracolândias continuarão surgindo em diferentes pontos da cidade.[24]
Impactos Sociais e de Saúde Pública
[editar | editar código]A população da Cracolândia é composta majoritariamente por pessoas em situação de rua, negras e com baixa escolaridade. Segundo levantamentos recentes, cerca de 80% dos usuários não completaram o ensino fundamental, 39% vivem nas ruas e apenas 27% acessaram algum serviço de saúde no mês anterior à pesquisa.[25] A região é marcada por altos índices de doenças infecciosas, como Tuberculose, HIV e Hepatites, além de problemas de saúde mental e violência. A Pandemia de COVID-19 agravou ainda mais a situação, expondo a precariedade das condições de higiene e a dificuldade de acesso a cuidados básicos.[26] A criminalização do uso de drogas e a repressão policial aumentaram a rotatividade e a dispersão dos usuários, dificultando o trabalho de equipes de saúde e assistência social. A ausência de políticas integradas e de longo prazo é apontada como um dos principais entraves para a superação do problema.[27]
Controvérsias e debates
[editar | editar código]A atuação do poder público foi alvo de críticas de especialistas, ONGs e órgãos internacionais, que apontam violações de direitos e ineficácia das ações repressivas. Reportagens destacam que, apesar das operações, a Cracolândia persiste como fenômeno social, adaptando-se e migrando para novos territórios.[28] O debate sobre gentrificação e interesses imobiliários também ganhou destaque, com denúncias de que a remoção dos usuários favorece projetos de valorização imobiliária no centro de São Paulo. [29]
Programas sociais
[editar | editar código]O período foi marcado por uma guinada das políticas públicas, com o abandono de iniciativas de redução de danos e reinserção social, como o programa "De Braços Abertos", e a adoção de estratégias mais repressivas, centradas em operações policiais e remoção forçada.[30] A prefeitura e o governo estadual passaram a priorizar a “limpeza” do território, com ações diárias de dispersão, fechamento de ferros-velhos e comércios ilegais, e instalação de bases fixas da Polícia Militar.[31]
Essas medidas, embora tenham reduzido a visibilidade do uso aberto de drogas em pontos tradicionais, não solucionaram o problema, apenas o deslocaram para outras áreas. Especialistas e entidades de direitos humanos criticaram a abordagem, apontando que a repressão intensificou a vulnerabilidade dos usuários e dificultou o acesso a serviços de saúde e assistência.[32]
Recomeço (2013)
[editar | editar código]O programa social batizado de Recomeço foi criado pelo Governo do Estado de São Paulo no ano de 2013, sob a administração de Geraldo Alckmin do PSDB, tendo durado até o ano seguinte, com um custo anual de cerca de 80 milhões de reais, correspondendo a um investimento por usuário atendido da ordem de R$ 1.350,00 por mês.[33]
Braços Abertos (2014–2017)
[editar | editar código]O programa social batizado de Braços Abertos foi criado pela Prefeitura de São Paulo sob a gestão Fernando Haddad no ano de 2014, tendo durado até 2017 e com um custo anual de cerca de 12 milhões de reais, correspondendo a um investimento por usuário atendido da ordem de R$ 1.350,00.[33] Esse programa foi baseado na estratégia de redução de danos e reintegração do dependente à sociedade tirando ele da situação de morador de rua dando a possibilidade dele exercer atividade remunerada. Durante a sua vigência, os participantes do programa tinham garantidos moradia paga nos hotéis baratos da região central e trabalho na varrição de ruas, ganhando quinze reais diários. O programa teve bastante sucesso,[34] reconhecimento nacional[35] e internacional,[36][37] não obstante seu fim efetivo em maio de 2017.[38][39] Críticos ao programa alegaram, baseados em pesquisas de campo, que a prefeitura apenas doava dinheiro e espaço para que os drogados continuassem na região consumindo mais drogas e alimentando o tráfico. Não havia obrigação da contrapartida dos atendidos em realmente trabalharem em varrição para receber a "mesada" oficial. Cortiços e casebres se transformaram rapidamente em hotéis inscritos no programa sem ter qualquer fiscalização de instalações e nem mesmo alvará. A Polícia Militar do Estado de São Paulo reportou tráfico ligado a facções criminosas em praticamente todos os hotéis e pensões conveniados. O Ministério Público do Estado de São Paulo chegou a abrir um inquérito para apurar as denúncias de alimentação do crime organizado com dinheiro público.[40][41]
Redenção (2017)
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O programa social batizado de Redenção foi criado pela Prefeitura de São Paulo sob a gestão de João Dória do PSDB no ano de 2017.[33] Seu início se deu em meio ao projeto do governo municipal de reurbanização do centro da capital paulista como uma intervenção policial de grande envergadura, a qual deslocou os dependentes da área antes ocupada e resultou na prisão de trinta e oito pessoas;[42] sua implementação se deu na manhã do dia vinte e um de maio de 2017, ao mesmo tempo que acontecia, também no centro, o evento Virada Cultural e acabou por prejudicar acontecimentos previstos na sua programação.[43] Com a deflagração do programa, o prefeito João Dória Jr. alegou que:
"Não volta mais, não volta mais. Pode afirmar, pode duvidar, mas pode ter certeza, enquanto eu for prefeito de São Paulo, a Cracolândia não vai mais existir. Ali, a partir de agora, é um espaço reconquistado pela cidade, pela cidadania e pelos habitantes que poderão circular com segurança."
Entretanto, tal declaração se mostrou açodada visto o desenrolar dos acontecimentos, dado que o resultado mais efetivo da ação policial foi a simples mudança de endereço da Cracolândia, inicialmente com sua pulverização[44] nas adjacências para sua fixação na Praça Princesa Isabel,[45][46] a algumas quadras do seu local original, na Rua Helvétia.
O programa previa inicialmente a internação compulsória dos dependentes químicos. A prefeitura pretendia que a internação não dependesse, caso a caso, do aval de um juiz após parecer médico, mas tão somente da avaliação médica.[47] O Ministério Público do Estado de São Paulo (MP-SP) se manifestou contrário à medida, o que resultou numa disputa jurídica entre este e a Prefeitura de São Paulo, no qual a última saiu derrotada.[48] Não obstante a batalha jurídica da prefeitura, o então responsável pelo programa, o médico psiquiatra Arthur Guerra, se posicionou contrariamente à internação forçada.[49]
Em vista da forma como foi inicialmente implementado, o programa recebeu severas críticas por parte de setores organizados da sociedade,[50] chegando ao ponto de ser tachado de 'barbárie'[51] e mesmo de se tratar de uma 'caçada humana'.[52] A própria secretária de direitos humanos da prefeitura paulistana demitiu-se por discordar do modo como o programa foi implementado.[53] As possíveis críticas ao programa podem ser ainda maiores, dado que o programa foi iniciado sem estar regulamentado,[54] o que equivale a dizer que ele foi posto em prática antes mesmo de estar pronto, apressada e improvisadamente,[55] não estando sequer o secretário municipal de saúde, responsável direto pela assistência médica aos viciados em crack, a par do início das ações da prefeitura.[56]
Operações policiais de combate ao tráfico
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Operação Cracolândia (2012)
[editar | editar código]Em 3 de janeiro de 2012, a prefeitura de SP, sob a administração de Gilberto Kassab do PSD, iniciou uma operação de combate ao tráfico da região e ajuda aos usuários de crack, chamada de Operação Centro Legal. No final do mês, segundo a PM, a Cracolândia havia se espalhado por 27 bairros, como: Barra Funda, nos trilhos da CPTM, Higienópolis, Luz, Campos Elíseos, Santa Cecília, República e nas proximidades do Elevado, essas regiões foram chamadas pela mídia de "minicracolândias".[57] Segundo relatório divulgado no dia 27 de janeiro pelo governo de São Paulo a partir do começo da operação 155 usuários foram encaminhados a instituições de recuperação (internações), 191 pessoas foram presas em flagrante, sendo apreendidas aproximadamente 63 toneladas de drogas, sendo 3 de crack.[58][59][60]ª
Operação Caronte (2021)
[editar | editar código]Foi iniciada pela Polícia Civil de São Paulo em 18 de junho de 2021[61], no âmbito da 1ª Delegacia Seccional da Capital, que abrange a região central da cidade[62]. Foi idealizada pelo delegado Roberto Monteiro, então títular da delegacia[63]. Segundo os dados da Polícia Civil, foram mais de 1 mil pessoas presas em quatro anos de atividades, das quais 196 líderes de quadrilhas de traficantes.[63]. Entretanto, ao longo de quatro anos, chegou a ser alvo de questionamentos da Defensoria Pública de São Paulo, como no caso da sexta fase da operação, pela prisão de usuários de crack[61].
Mudança para a praça Princesa Isabel (2022)
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No dia 17 de março de 2022, houve uma dispersão dos usuários de drogas por São Paulo. A ação foi feita de maneira pacífica e foi comemorada pelos moradores da rua Cleveland, que organizaram manifestações diárias para impedir a volta dos usuários. De acordo com os usuários, a dispersão ocorreu por ordem do PCC e para evitar a Inspetoria Regional de Operações Especiais da Guarda Civil Metropolitana, que realiza ações violentas ao menos duas vezes por dia para viabilizar a coleta de lixo. De acordo com a Polícia Civil, o movimento do crime organizado se deu por causa das ações policiais (como a Operação Conrad e a Operação Caronte) que até então resultaram em despejos nos hotéis da Cracolândia e 91 presos, incluindo traficantes como a Gatinha da Cracolândia e a Abelha Rainha. Após as operações, houve uma baixa do fluxo de usuários (entre 40% e 60%) devido às apreensões feitas em todos os níveis do tráfico, dificultando o acesso às drogas. A dispersão ocorreu perto da inauguração do hospital estadual Pérola Byington na alameda Glete e com o fim das obras de recapeamento na rua Cleveland. Um dia depois, o governador João Dória foi à Cracolândia para anunciar o edital para a escolha dos gestores do hospital. Havia boatos de uma operação policial por conta da construção. Ele já havia anunciado o fim da Cracolândia em 2017.
Os usuários tentaram ocupar de lugares como largo do General Osório e a praça Júlio Mesquita, na Santa Efigênia, mas a Guarda Civil Metropolitana aumentou o efetivo para coibi-los. Alexis Vargas, o secretário-executivo municipal de Projetos Estratégicos, afirma que a Cracolândia ainda não acabou, mas foi uma vitória importante. Os usuários conseguiram se reestabelecer na praça Princesa Isabel. Não é a primeira vez que a praça é ocupada, em 2017 uma mega-operação com 900 agentes havia expulsado os traficantes. Imagens de drones da Prefeitura de São Paulo mostram que a ação estava sendo planejada a mais de um mês. De acordo com o delegado da 1ª Delegacia Seccional do Centro, Roberto Monteiro, ao menos um terço dos usuários ocuparam a praça e o restante continuou entre as avenidas Paulista e Doutor Arnaldo. O local está tomado por facções diferentes, e os moradores de rua que perderam a renda por causa da Covid-19 temem por sua segurança. O comércio nas redondezas também foi impactado. A prefeitura avalia que a situação dificulta a abordagem policial pois as ações precisarão ser mais chamativas, algo que o prefeito Ricardo Nunes queria evitar.[65][66][67][68]
Referências
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Bibliografia
[editar | editar código]- Ygor Diego Delgado Alves; Pedro Paulo Gomes Pereira (26 de julho de 2021), «Interações, trilhas e caminhos de uma cidade em fluxo: etnografia na Cracolândia», Revista de Antropologia, ISSN 0034-7701, 64 (1), doi:10.11606/1678-9857.RA.2021.184481, Wikidata Q108001597
- Amaral, Augusto Jobim do; Andreolla, Andrey Henrique (dezembro de 2020). «Drogas, urbanismo militar e gentrificação: o caso da "Cracolândia" paulistana». Revista Direito e Práxis. 11 (4): 2162–2187. ISSN 2179-8966. doi:10.1590/2179-8966/2019/41989
- Frúgoli Jr, Heitor; Spaggiari, Enrico (1 de agosto de 2010). «Da cracolândia aos nóias: percursos etnográficos no bairro da Luz». Ponto Urbe. Revista do núcleo de antropologia urbana da USP (6). ISSN 1981-3341. doi:10.4000/pontourbe.1870
- Rodrigues, Artur (28 de janeiro de 2012). «Cracolândia se espalha por 27 bairros, revela PM». Estadão. Cópia arquivada em 22 de janeiro de 2021
Ligações externas
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