Terminal Rodoviário da Luz

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Nota: Este artigo se refere ao terminal rodoviário. Se procura a estação ferroviária homônima, consulte Estação da Luz.
Terminal Rodoviário da Luz
Uso atual Imóvel demolido
Informações históricas
Inauguração 1961
Fechamento 1982
Localização
Coordenadas Gnome-globe.png Rodoviária da Luz
Localização Avenida Duque de Caxias, 907 - Luz, São Paulo, SP

O Terminal Rodoviário da Luz foi o principal terminal rodoviário da cidade de São Paulo até o ano de 1982, quando foi construído o Terminal Rodoviário Tietê. Ficava localizado na Praça Júlio Prestes, na região da Luz, no centro de São Paulo.

História[editar | editar código-fonte]

Já houvera intenção, no início dos anos 1950, de se fazer uma estação rodoviária em São Paulo na região da Luz, mas em pleno Parque da Luz, ideia que acabaria rejeitada.[1] O terminal de passageiros da Luz, com dezenove mil metros quadrados,[2] foi inaugurado em 25 de janeiro de 1961,[3] próximo às estações ferroviárias da Luz e Júlio Prestes, centralizando o transporte intermunicipal da cidade na mesma região. A obra foi construída durante a gestão do governador Ademar de Barros, pela parceria dos empresários Carlos Caldeira Filho e Octávio Frias de Oliveira com a prefeitura de São Paulo. Destacavam-se em sua arquitetura o chafariz no hall central e as pastilhas coloridas nas paredes internas, que foram eliminados quando o local foi reformado para abrigar um shopping, anos mais tarde.[2] A rodoviária foi um dos primeiros locais na cidade a receber aparelhos de televisão em cores, na primeira metade dos anos 1970, o que atraiu muitos interessados em assistir a jogos de futebol.[2]

Já no primeiro mês de funcionamento moradores do bairro de Campos Elísios, no entorno da estação, reclamara de um suposto aumento na criminalidade da região e do "trânsito infernal".[3] Os 2,5 mil ônibus que passavam diariamente pela rodoviária chegavam a levar até uma hora para percorrer um trecho que não chegava a ter duzentos metros.[3] Para aliviar o trânsito da região, em outubro de 1977 a CMTC transferiu diversos pontos de ônibus que ficavam na Praça Júlio Prestes para a Praça Princesa Isabel, a duas quadras da estação.[4] "O terminal urbano da Praça Júlio Prestes afetava diretamente a circulação dos ônibus de transporte intermunicipal e interestadual", explicou à época o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado de São Paulo.[4] Dois meses depois houve outra tentativa de aliviar o trânsito na região, com a abertura de uma rua particular que dava aos ônibus acesso direto às plataformas 21 a 25.[5]

Para o urbanista Jorge Wilheim, em entrevista publicada no Jornal da Tarde em 2010, faltou planejamento: "Historicamente, rodoviárias já contribuem pela degradação da região. Depois, com a desativação, houve uma estrutura ociosa de hotéis e bares que se tornaram alvo fácil para a degradação da área."[3] Com o crescimento da cidade e o aumento considerável do transporte rodoviário de passagem pela cidade, a Rodoviária da Luz tornou-se saturada. Assim, em 1977 foi inaugurado o Terminal Intermunicipal Jabaquara, para descentralizar as operações.[6] Em 9 de maio de 1982 o governador Paulo Maluf inaugurou o novo terminal de passageiros, o Tietê, desativando o antigo.[6] Após a desativação da estação o prédio foi vendido a um grupo de empresários e no local passou a funcionar a partir de 1988[6] o shopping popular Fashion Center Luz.

Em 2007 o governador José Serra anunciou que iria desapropriar o antigo prédio para a instalação de um centro cultural público, com a inclusão de um teatro e uma escola de dança. O projeto de construção do Complexo Cultural Luz, que já foi alvo de críticas do Instituto de Arquitetos do Brasil, é a principal obra com o objetivo de recuperar a região da Luz, conhecida como "Cracolândia", tem orçamento de seiscentos milhões de reais — o dobro do custo inicial estimado — e abrigará o Teatro da Dança de São Paulo.[3] O teatro deverá ter três teatros, incluindo um com capacidade para 1 750 pessoas e ainda será a sede do Centro de Estudos Musicais Tom Jobim e da São Paulo Companhia de Dança.

O prédio foi desocupado já em 2007,[6] mas a demolição só começou em 12 de abril de 2010, e prevê-se que as obras começarão em janeiro de 2011, com inauguração do complexo em 2014.[3] As obras ficaram interrompidas por cerca de um mês no segundo semestre, por causa de uma liminar impetrada por uma das empresas que perderam a licitação para a demolição.[7]

Referências

  1. «'Não deve o Jardim da Luz ser sacrificado para dar lugar à Estação Rodoviária'». Folha de S. Paulo (9 029). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 2 de setembro de 1953. pp. pág. 8 
  2. a b c «Pastilhas coloridas, chafariz e TVs eram a 'marca registrada'». Jornal da Tarde (14 477). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. 13 de abril de 2010. pp. pág. 4A. ISSN 1516-294X. Consultado em 13 de abril de 2010 
  3. a b c d e f Vitor Hugo Brandalise (13 de abril de 2010). «Rodoviária da Luz começa a ser demolida». Jornal da Tarde (14 477). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. pp. pág. 4A. ISSN 1516-294X. Consultado em 13 de abril de 2010 
  4. a b «Ônibus urbanos deixam a Estação Rodoviária». Folha de S. Paulo (17 723). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 11 de outubro de 1977. pp. pág. 19 
  5. «Nova travessa junto à Estação Rodoviária». Folha de S. Paulo (17 793). São Paulo: Empresa Folha da Manhã S.A. 20 de dezembro de 1977. pp. pág. 17 
  6. a b c d Vitor Hugo Brandalise (13 de abril de 2010). «Demolição de rodoviária começa a mudar a Luz». O Estado de S. Paulo (42 546). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. pp. pág. C12. ISSN 1516-2931. Consultado em 13 de abril de 2010 
  7. Rodrigo Burgarelli e Diego Zanchetta (1 de outubro de 2010). «Recomeça demolição da rodoviária». Jornal da Tarde (14 648). São Paulo: S.A. O Estado de S. Paulo. pp. pág. 5A. ISSN 1516-294X 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]