Dmytro Kuleba

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Dmytro Kuleba
Dmytro Kuleba
Kuleba em 2021
Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia
Período 4 de março de 2020 - presente
Vice-presidente Denys Shmyhal
Antecessor(a) Vadym Prystaiko
Vice-primeiro-ministro em matéria de relações europeias
Período 29 de agosto de 2019 - 4 de março de 2020
Vice-presidente Oleksiy Honcharuk
Antecessor(a) Ivanna Klympush-Tsintsadze
Sucessor(a) Vadym Prystaiko
Representante Permanente da Ucrânia no Conselho da Europa
Período 2016 - 2019
Antecessor(a) Mykola Tochytsky
Sucessor(a) Borys Tarasyuk
Dados pessoais
Nome completo Dmytro Ivanovych Kuleba
Nascimento 19 de abril de 1981 (42 anos)
Sume, República Socialista Soviética da Ucrânia, União Soviética
Nacionalidade ucraniano
Progenitores Mãe: Yevhenia Kuleba
Pai: Ivan Kuleba
Alma mater Universidade Nacional de Kiev Taras Shevchenko
Cônjuge Yevhenia
Filhos(as) 2
Profissão diplomata, político

Dmytro Ivanovych Kuleba (em ucraniano: Дмитро Іванович Кулеба, Sume, 19 de abril de 1981) é um político, servidor público, diplomata e especialista em comunicações ucraniano, atualmente servindo como Ministro das Relações Exteriores.[1][2] Também atua como membro do Conselho Nacional de Defesa e Segurança da Ucrânia.[3]

Biografia[editar | editar código-fonte]

Kuleba reunido com o Secretário de Estado dos Estados Unidos, Antony Blinken, em 2021.
Kuleba em encontro com Liz Truss, em 2022.

Kuleba nasceu em 19 de abril de 1981 na cidade de Sumy, no leste da República Socialista Soviética da Ucrânia, ainda quando a Ucrânia integrava a União Soviética.[4][5] Formou-se no Instituto de Relações Internacionais da Universidade Nacional de Kiev Taras Shevchenko da Ucrânia no ano de 2003 e doutorado em Direito Internacional.[6]

Em sua vida profissional, serviu no serviço diplomático da Ucrânia e no Ministério das Relações Exteriores da Ucrânia desde 2003.[7] No ano de 2013, ele abandonou o serviço público citando seu desacordo com o curso do ex-presidente da Ucrânia, Viktor Yanukovych e presidiu a Fundação UART para a Diplomacia Cultural.[8][9]

Participou ativamente dos protestos nacionalistas do Euromaidan no biênio de 2013-2014.[10][11] No auge dos estágios iniciais da agressão russa contra a Ucrânia em 2014, Kuleba decidiu retornar ao Ministério das Relações Exteriores como embaixador-geral para coordenar comunicações estratégicas. Introduziu os conceitos de diplomacia digital, comunicação estratégica, diplomacia cultural e diplomacia pública no trabalho do Ministério.[12][13]

Em 2016, Kuleba foi nomeado Representante Permanente da Ucrânia no Conselho da Europa.[14][15] No ano de 2019, Kuleba escreveu um livro best-seller The War for Reality. How to Win in the World of Fakes, Truths and Communities sobre comunicações modernas, alfabetização midiática e combate à desinformação.[16][17] No ano seguinte, foi nomeado melhor embaixador ucraniano pelo Institute of World Policy.[6]

Desde de 4 de março de 2020, atua como Ministro das Relações Exteriores da Ucrânia.[6][18][19][20] Em 10 de maio de 2022, Kuleba disse que "nos primeiros meses" da invasão russa na Ucrânia em 2022 "a vitória para nós parecia a retirada das forças russas para as posições que ocupavam antes de 24 de fevereiro e o pagamento pelos danos infligidos. Agora, se formos fortes o suficiente na frente militar e vencermos a batalha de Donbass, que será crucial para a próxima dinâmica da guerra, claro que a vitória para nós nesta guerra será a libertação do resto de nossos territórios", incluindo Donbass e Crimeia.[21] Ele chamou o presidente russo Vladimir Putin de "criminoso de guerra".[22]

Após Putin anunciar uma mobilização parcial das forças armadas da Rússia e fez referência ao uso potencial de armas nucleares, Kuleba disse que "Putin demonstrou total desrespeito à China, Índia, México, Turquia, outras nações asiáticas, africanas, do Oriente Médio e latino-americanas que pediu diplomacia e o fim da guerra da Rússia contra a Ucrânia."[23]

Em 10 de outubro de 2022, Kuleba instou os países africanos a abandonar sua neutralidade e condenar a invasão da Ucrânia pela Rússia.[24] No dia 28 de outubro de 2022, exigiu a cessação imediata do fornecimento de armas iranianas à Rússia, incluindo drones kamikaze iranianos.[25] Em 12 de novembro de 2022, instou os países membros da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) a abandonar sua neutralidade e apoiar a Ucrânia.[26]

Ao ser entrevistado pela Associated Press (AP) em dezembro de 2022, Kuleba convocou uma cúpula de paz para fevereiro de 2023 na Organização das Nações Unidas (ONU) mediada pelo secretário-geral António Guterres, convidando a Rússia apenas se ela enfrentar um tribunal internacional por crimes de guerra.[27]

Kuleba criticou a Índia por lucrar com a compra de petróleo russo barato.[28] Em 29 de dezembro de 2022, após os ataques contra a infraestrutura ucraniana, Kuleba twittou: "Não pode haver 'neutralidade' diante de tais crimes de guerra em massa. Fingir ser 'neutro' equivale a ficar do lado da Rússia."[29]

Em janeiro de 2023, Kuleba concedeu uma entrevista para jornalista Leila Sterenberg no programa GloboNews Internacional.[30] Na entrevista Kuleba afirmou esperar maior apoio do Brasil para a causa ucraniana e que espera de Luiz Inácio Lula da Silva seja mais ativo em suas contribuições.[30]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

A mãe de Kuleba é Yevhenia Kuleba. Seu pai Ivan Kuleba é diplomata de carreira, ex-vice-ministro das Relações Exteriores da Ucrânia (2003–2004), bem como embaixador da Ucrânia no Egito (1997–2000), Chéquia (2004–2009), Cazaquistão (2008–2019), Armênia (desde 2019).[31][32]

Kuleba é casado e tem dois filhos: Yehor (nascido em 2006) e Liubov (nascido em 2011).[33] Sua esposa, Yevhenia, é militante do partido de centro, Servo do Povo, sendo um importante quadro do partido na capital Kiev.[34][35][36][37]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «'Putin negou o direito da Ucrânia de existir', diz chanceler na Assembleia Geral da ONU». G1. 23 de fevereiro de 2022. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  2. Crowley, Michael (22 de fevereiro de 2022). «Blinken cancels meeting with his Russian counterpart.». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  3. «Ukraine requests urgent meeting of UN Security Council — as it happened | DW | 23.02.2022». Deutsche Welle (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  4. Szporluk, Roman (24 de fevereiro de 2020). Russia, Ukraine, and the Breakup of the Soviet Union (em inglês). [S.l.]: Hoover Press 
  5. «Sumy | Ukraine | Britannica». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  6. a b c «Secretary Antony J. Blinken And Ukrainian Foreign Minister Dmytro Kuleba At a Joint Press Availability». Departamento de Estado dos Estados Unidos (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  7. «Entenda a escalada de tensão entre Rússia e Ucrânia». Poder360. 19 de fevereiro de 2022. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  8. «THE LIMITS OF DIPLOMACY'S EFFECTIVENESS ARE WHERE WE ARE ABLE TO EXPAND THEM». UA: Ukraine Analytica (em inglês). 6 de julho de 2020. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  9. Chirciu, Dmitri (8 de fevereiro de 2022). «Ukraine favors diplomacy for solution to Donbas crisis: Minister». Anadolu Agency. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  10. «Maidan's metamorphosis mirrors Ukraine's national coming of age». Atlantic Council (em inglês). 23 de março de 2021. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  11. Diuk, Nadia (2014). «EUROMAIDAN: Ukraine's Self-Organizing Revolution». World Affairs (6): 9–16. ISSN 0043-8200. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  12. Full Interview: Ukraine’s Foreign Minister Dmytro Kuleba | CNBC International, consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  13. «Ukrainian Foreign Minister Rejects Special Status For Areas Controlled By Separatists». RadioFreeEurope/RadioLiberty (em inglês). 2 de fevereiro de 2022. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  14. «KULEBA Dmytro». Conselho da Europa (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  15. Gotev, Georgi (7 de novembro de 2019). «Deputy PM Kuleba: Ukraine is not Russia's buffer». Euractiv (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  16. «War for Reality». Frankfurt Rights. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  17. «Інститут світової політики назвав топ-послів 2017 року». Glavcom (em ucraniano). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  18. Schwirtz, Michael; Troianovski, Anton; Santora, Marc; Bengali, Shashank (24 de fevereiro de 2022). «Here's how the Russian attack is unfolding.». The New York Times (em inglês). ISSN 0362-4331. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  19. Pleitgen, Fred (24 de fevereiro de 2022). «Foguetes militares cruzam o céu durante entrada de repórter da CNN na Rússia». CNN Brasil. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  20. Augusto, Otávio (23 de fevereiro de 2022). «EUA alerta a Rússia: "Apoiaremos a Ucrânia aconteça o que acontecer"». Metrópoles. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  21. «Ukraine has upgraded its war aims as confidence grows, says foreign minister». Financial Times. 10 de maio de 2022. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2023 
  22. Ferneda, Gabriel (16 de março de 2022). «Biden chama Putin de "criminoso de guerra", Rússia rebate e mais de 16 de março». CNN Brasil. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2023 
  23. «Foreign minister says Putin throwing more men into "flames of war"». Egypt Independent (em inglês). 21 de setembro de 2022. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 16 de outubro de 2022 
  24. Owere, Paul (10 de outubro de 2022). «Ukraine pleads with Africa to quit neutrality». The Citizen (em inglês). Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 3 de janeiro de 2023 
  25. «Ucrânia pede que G7 e UE acabem com indústria russa de mísseis e drones». R7.com. 14 de janeiro de 2023. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 18 de janeiro de 2023 
  26. «Kiev quer apoio do Sudeste Asiático para enfrentar a Rússia». Rádio e Televisão de Portugal. 10 de novembro de 2022. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2023 
  27. «The AP Interview: Ukraine FM aims for February peace summit». Associated Press (em inglês). 26 de dezembro de 2022. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 26 de dezembro de 2022 
  28. «Ukraine hits out at India for buying cheap Russian oil 'while we are dying'». The Independent (em inglês). 6 de dezembro de 2022. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 6 de dezembro de 2022 
  29. «British Defense Ministry Notes 'Continued Churn of Senior Russian Officials'». VOA (em inglês). 30 de janeiro de 2023. Consultado em 30 de janeiro de 2023. Cópia arquivada em 30 de janeiro de 2023 
  30. a b «Edição de 29/01/2023». Canais Globo. 29 de janeiro de 2023. Consultado em 30 de janeiro de 2023 
  31. «Foreign Minister Zohrab Mnatsaknayan received Ivan Kuleba, the newly appointed Ambassador of Ukraine». Ministry of Foreign Affairs of the Republic of Armenia (em arménio). 24 de janeiro de 2020. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  32. «PEP: Dossier Kuleba Dmytro Ivanovych, Ministry of Foreign Affairs of Ukraine, Minister». PEP.org.ua (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  33. «Father's Day in Ukraine | United Nations in Ukraine». Nações Unidas (em inglês). 19 de junho de 2020. Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  34. «Дружина глави МЗС Євгенія Кулеба очолила список "Слуги народу" на виборах у Київраду». Українська правда (em ucraniano). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  35. «Rada appoints next elections to local self-govt bodies for Oct 25». Interfax-Ukraine (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  36. «У "Слузі народу" визначилися з ідеологією партії». РБК-Украина (em russo). Consultado em 24 de fevereiro de 2022 
  37. «Kyiv | Points of Interest, Facts, & History | Britannica». Encyclopædia Britannica (em inglês). Consultado em 24 de fevereiro de 2022