Douglas Garcia

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Douglas Garcia
Douglas Garcia
Deputado Estadual de São Paulo
Período 15 de março de 2019
até atualidade
Dados pessoais
Nome completo Douglas Garcia Bispo dos Santos
Nascimento 26 de janeiro de 1994 (28 anos)
São Paulo, SP, Brasil
Partido PATRI (2017-2018)
PSL (2018-2020)
PTB (2020-2022)
Republicanos (2022-presente)
Profissão político

Douglas Garcia Bispo dos Santos (São Paulo, 26 de janeiro de 1994) é um político brasileiro, filiado ao Republicanos. Atualmente é deputado estadual na Assembleia Legislativa de São Paulo.[1]

Atuação política[editar | editar código-fonte]

Garcia participou de manifestações de rua, enquanto esteve na liderança do movimento conservador Direita São Paulo.[2] Em 2018, foi eleito deputado estadual de São Paulo com 74.351 votos.[3]

Sua principais pautas são o combate ao direito ao aborto e à legalização de drogas, a defesa da revogação do Estatuto do Desarmamento, da desregulamentação econômica, do Escola Sem Partido e do que chama de "ideologia de gênero", termo que ataca produção acadêmica mundialmente consolidada há décadas na área de gênero.[4]

Controvérsias[editar | editar código-fonte]

Bloco de carnaval com homenagem a órgão de tortura[editar | editar código-fonte]

Garcia foi o criador do bloco de carnaval Porão do DOPS, em 2018, uma referência ao órgão da Polícia Civil responsável pela tortura e assassinato de milhares de pessoas durante a Ditadura Militar.[5][6] O bloco homenageou Carlos Brilhante Ustra, um dos torturadores mais atuantes na repressão política durante a ditadura.[7]

Elogio a gangue extremista[editar | editar código-fonte]

Douglas Garcia publicou postagem de visualização restrita em suas redes sociais elogiando os Carecas, como também são conhecidos skinheads extremistas, conhecidos por praticarem atos violentos e assassinatos.[8] No texto, Garcia escreveu que "os Carecas são nacionalistas, pró-família, são exatamente como nós, só diferem porque descem o cacete nos comunas [comunistas] (o que eu aprovo muito, diga-se de passagem)". Em 2017, em protesto contra a visita da filósofa Judith Butler, uma das mais respeitadas teóricas do pós-estruturalismo, ao Brasil, Garcia agradeceu à gangue extremista de direita Carecas do ABC, facção de São Paulo que prega o ódio contra pessoas negras, nordestinas e LGBTQIAP+, envolvida no assassinato de um adestrador de cães em 2000, entre outros crimes.[8][9]

Ameaça de agressão a pessoas transexuais[editar | editar código-fonte]

Em 5 de abril de 2019, um dia após ameaçar agredir uma transexual que usasse o mesmo banheiro que sua mãe ou irmã, Garcia admitiu ser homossexual. Na tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo (ALESP), afirmou: "Não diminui em nada as bandeiras que eu venho defendendo aqui na Assembleia Legislativa contra a 'ideologia de gênero'."[10]

Disseminação de notícias falsas e expulsão do PSL[editar | editar código-fonte]

Segundo o levantamento do Aos Fatos de maio de 2020, Douglas Garcia e um grupo de sete deputados investigados no inquérito das fake news publicaram em média duas postagens por dia em rede social em um período de três meses, com desinformação ou mencionando o STF de forma crítica.[11]

Em julho de 2020, Garcia foi expulso do PSL por violar o código de ética do partido ao praticar atividades políticas contrárias ao regime democrático.[12] Dois meses antes, o partido suspendera o parlamentar pela disseminação de notícias falsas e ataques às insituições democráticas.[13]

Agressão à jornalista Vera Magalhães[editar | editar código-fonte]

Em 13 de setembro de 2022, depois de debate entre os candidatos a governador de São Paulo, Douglas Garcia agrediu verbalmente a jornalista Vera Magalhães, chamando-a de "vergonha para o jornalismo" e gritando acusações falsas sobre o salário que a jornalista recebe na TV Cultura.[14][15] Vera teve de sair escoltada do local do debate e afirmou que registraria boletim de ocorrência contra o deputado.[14] Após a agressão, uma série de políticos manifestaram solidariedade a Vera, como os candidatos ao governo do São Paulo Fernando Haddad (PT), Rodrigo Garcia (PSDB) e Tarcísio Freitas (Republicanos), este último do mesmo partido de Douglas Garcia.[14][16] Em vídeo divulgado em rede social, Douglas Garcia pediu desculpas a Tarcísio Freitas, mas não a Vera Magalhães.[17]

Veículos de imprensa também repudiaram o ato do deputado, como O Globo e CBN, que, em nota, classificaram o ato de Garcia como "um atentado à imprensa livre".[18] Entidades de imprensa, como a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJ-SP), a Associação Nacional de Jornais (ANJ), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT) e a Associação Nacional de Editores de Revistas (ANER). Estas três últimas qualificaram, em nota conjunta, a ação de Garcia como "inaceitável agressão à liberdade de imprensa".[19]

Investigação do Ministério Público e pedidos de cassação[editar | editar código-fonte]

Até a manhã de 15 de setembro, a Assembleia Legislativa de São Paulo havia recebido oito pedidos de cassação de Garcia formulados por dez parlamentares, cabendo ao Conselho de Ética da casa aceitar a sua tramitação.[15] O Ministério Público de São Paulo iniciou investigação criminal contra Garcia para averiguar o cometimento dos crimes de stalking e dano emocional a Vera Magalhães. De acordo com os advogados da jornalista, o parlamentar a persegue desde 2020, usando, entre outros expedientes, notícias falsas para atacá-la.[20]

Histórico eleitoral[editar | editar código-fonte]

Ano Eleição Partido Candidato a Votos % Resultado Ref
2018 Estadual de São Paulo PSL Deputado estadual 74.351 0,36% Eleito [21]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Balloussier, Anna (31 de outubro de 2018). «Futuro deputado do PSL quer canal de denúncias contra 'ideologia em escolas' em SP». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  2. Balloussier, Anna (26 de setembro de 2018). «Ministério Público questiona menção a Ustra no bloco carnavalesco Porão do Dops». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  3. «Douglas Garcia 17064 (Deputado Estadual)». Eleições 2018. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  4. «Direita avança nas periferias a reboque do 'conservadorismo da favela'». Folha de S.Paulo. 2 de outubro de 2018. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  5. Declercq, Marie (7 de fevereiro de 2018). «Bloco Porão do Dops irá acontecer em lugar fechado». Vice Brasil. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  6. Vassallo, Luiz (8 de fevereiro de 2018). «Juiz barra 'Porão do DOPS'». Estadão. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  7. «Exaltação ao Dops, ataques e transfobia: o histórico de Douglas Garcia». noticias.uol.com.br. Consultado em 15 de setembro de 2022 
  8. a b Alves, Renato (14 de setembro de 2022). «Conservador e fã de skinheads: veja quem é o deputado que atacou Vera Magalhães | O TEMPO». O Tempo. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  9. Dias, Sureña. «Assassinato de Edson Néris completa 20 anos; conheça história». BOL. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  10. Sérgio Roxo (5 de abril de 2019). «Deputado do PSL-SP que atacou colega transexual assume ser gay». O Globo. Consultado em 5 de abril de 2019 
  11. «Deputados investigados por 'fake news' publicam dois tweets críticos ao STF por dia em três meses». Aos Fatos. 28 de maio de 2020. Consultado em 19 de fevereiro de 2021. Cópia arquivada em 17 de fevereiro de 2021 
  12. «PSL expulsa deputados Douglas Garcia e Gil Diniz, investigados no inquérito das fake news». G1. 15 de julho de 2020. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  13. Gomes, Paulo (29 de maio de 2020). «PSL suspende deputados Douglas Garcia e Gil Diniz devido a investigação de fake news». G1. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  14. a b c Petrocillo, Carlos (14 de setembro de 2022). «Deputado bolsonarista hostiliza jornalista Vera Magalhães após debate em SP». Folha de S.Paulo. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  15. a b «Ataque a Vera Magalhães: Douglas Garcia é alvo de 8 pedidos de cassação; veja os próximos passos». Estadão. Consultado em 15 de setembro de 2022 
  16. «Tarcísio de Freitas pede desculpas após agressão de colega contra Vera Magalhães». www.band.uol.com.br. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  17. «Deputado pede desculpas a Tarcísio, mas não a Vera, após tentar intimidá-la». UOL. 14 de setembro de 2022. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  18. «O GLOBO e CBN divulgam nota de repúdio ao ataque contra a jornalista Vera Magalhães». O Globo. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  19. «Entidades de imprensa repudiam agressão de Douglas Garcia à jornalista Vera Magalhães». Folha de S.Paulo. 14 de setembro de 2022. Consultado em 14 de setembro de 2022 
  20. «MP vai investigar deputado Douglas Garcia por stalking e dano emocional à jornalista Vera Magalhães, diz advogado». G1. Consultado em 15 de setembro de 2022 
  21. «Eleições 2018| Douglas Garcia». Estadão. Consultado em 14 de setembro de 2022