Egrégora

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Egrégora ou egrégoro (do grego egrêgorein, "velar, vigiar"), é como se denomina a força espiritual criada a partir da soma de energias coletivas (mentais, emocionais) fruto da congregação de duas ou mais pessoas.[1][2][3] O termo pode também ser descrito como sendo um campo de energias extrafísicas criadas no plano astral a partir da energia emitida por um grupo de pessoas através dos seus padrões vibracionais.

Historia e origens[editar | editar código-fonte]

O conceito de poderes egregoriais tem suas raízes na cultura grega antiga e nas culturas orientais. Foi, por exemplo, apresentado no Livro de Enoque.[4]

Mais tarde, o termo e o conceito encontraram seu caminho em outras línguas. Manuscrit trouvé à Saragosse , ou O Manuscrito Encontrado em Saragoça, que foi escrito em língua francesa pelo autor polonês Conde Jan Potocki (1761-1815) no Império Russo no início de 1800 apresenta o termo "Egrégoras", referindo-se aos "mais ilustres dos anjos caídos". No entanto, é importante notar a tendência orientalista e fantástica do romance.

O termo "egrégora" também foi citado pelo poeta francês Victor Hugo , em La Légende des siècles ("A Lenda dos Séculos"), Primeira edição, 1859, onde ele usa a palavra "égrégore" primeiro como adjetivo, depois como um substantivo, embora deixe o significado obscuro. [5] O autor parece ter precisado de uma palavra que rimasse com palavras terminando com o som "ou". Não seria o único exemplo de criação de palavras de Victor Hugo. No entanto, a palavra é a forma normal que a palavra grega ἑγρήγορος (Vigilante/Vigias) teria em francês. Este foi o termo usado no Livro de Enoque para grandes espíritos semelhantes a anjos.

Eliphas Lévi , em Le Grand Arcane ("A Chave dos Grandes Mistérios", 1868) identifica os "egrégores" com a tradição dos "Vigilantes", os pais dos nefilins , descrevendo-os como "seres terríveis" que "nos esmagam sem piedade porque eles desconhecem a nossa existência".[6]

O conceito de egrégora como forma-pensamento de grupo foi desenvolvido em trabalhos da Ordem Hermética da Golden Dawn e dos Rosacruzes[7] e foi referenciado por escritores como Valentin Tomberg, notadamente em seu livro escrito anonimamente Meditações sobre o Tarô.[8] Também foi mencionado no livro El maravilloso universo de la magia , do autor chileno Enrique Barrios.[9]

No livro "Liber Null e Psiconauta" o autor Peter J. Carroll ele usa o termo como uma evolução dos Servidores de uma forma que a forma-pensamento tomou uma independência do criador original [10]

Conceito geralː energia concentrada da coletividade[editar | editar código-fonte]

Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoras, elas estão presentes em todas as coletividades, seja nas mais simples associações, ou mesmo nas assembleias religiosas. Sendo assim, todos os agrupamentos humanos possuiriam suas egrégoras características (empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos etc.), nas quais as energias dos indivíduos se uniriam e formariam uma entidade autônoma e mais poderosa que a simples soma aritmética das energias dos indivíduos.[2]

Segundo seus defensores, a egrégora seria capaz de realizar, no mundo visível e palpável, as aspirações transmitidas ao mundo invisível pela coletividade geradora. Em miúdos, uma egrégora participaria ativamente de qualquer meio, seja ele físico ou abstrato. Quando a energia é deliberadamente gerada, ela formaria um padrão, ou seja, teria a tendência de se manter como está e de influenciar o meio ao seu redor. No mais, as egrégoras podem ser descritas como concentrações ou esferas energéticas criadas quando várias pessoas têm um mesmo objetivo. Trata-se de um conceito místico-filosófico com vínculos muito próximos à teoria das formas-pensamento, na qual todo pensamento e energia gerada têm existência, podendo circular livremente pelo cosmo.

Pode-se exemplificar o conceito de egrégora ao analisar um ambiente hospitalar, no qual o principal objetivo dos circunstantes é promover a cura. Portanto, um hospital carregaria, consigo, uma concentração de energias que buscam a cura, e estas estariam por todo canto — no chão, nas paredes, no nome —, recebendo e influenciando o pensamento coletivo e a moral de seus frequentadores (funcionários, pacientes e visitantes). Da mesma maneira, uma missa, um encontro de algumas ou muitas pessoas voltadas para promover um mesmo fim, seja a cura de alguém, o fim de um problema ou a superação de uma perda, teriam um grande poder de formar energias positivas e, através delas, promover mudanças.

Qualquer tipo de congregação seria, portanto, a condição crucial para a formação de uma egrégora, que seria as muitas mentes voltadas para um único objetivo, gerando tal concentração de energia.

Um exemplo contemporâneo desse conceito foi identificado por Gary Lachman pelo meme Pepe, o Sapo, como sendo uma egrégora em seu livro Dark Star Rising.[11]

Teosofia[editar | editar código-fonte]

O ponto de vista defendido pela teosofia encontra eco em diversas outras linhas de pensamento, especialmente religiosas. Segundo ele, as incontáveis formas pensamento em que vivemos mergulhados nos afetam continuamente. Portanto, ter conhecimento delas pode nos permitir utilizá-las em nosso favor, ou ao menos evitar que sejamos influenciados negativamente. Funcionaríamos, segundo essa visão, de forma semelhante a um aparelho de rádio, sintonizando, através de nossos pensamentos e emoções, as frequências das egrégoras ao nosso redor, e dessa forma potencializando seus efeitos, tanto em nossos corpos quanto na própria egrégora, o que tornaria sua existência mais longa.[12]

Especialistas afirmam se tratar de uma variação do conceito de consciência coletiva. A egregora é uma estrutura que mantém camuflada a consciência coletiva de uma das muitas parcelas que existem.[carece de fontes?]

Na Bíblia[editar | editar código-fonte]

Um possível exemplo bíblico de egrégora pode ser quando Jesus disse:

Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles.[13][14]

Referências

  1. «Egrégora». Dicio. Outubro de 2019. Consultado em 5 de junho de 2021 
  2. a b DevTeam, Alsite (8 de maio de 2020). «EGRÉGORAS: Um campo energético de proteção e cura». jornaldosudoeste.com.br. Jornal do Sudoeste. Consultado em 5 de junho de 2021 
  3. «Egrégora». Michaelis On-Line. Consultado em 5 de junho de 2021 
  4. «Definition / Bedeutung der egregor In der Kategorie Noun» (em inglês). 14 de maio de 2021. Consultado em 5 de junho de 2021. Cópia arquivada em 14 de maio de 2021 
  5. Victor Hugo, "Le jour des rois", La Légende des Siècles IV, V, and "L'Italie – Ratbert", La Légende des Siècles VII. Both in the Première Série, 1859.
  6. Lévi, Eliphas (2018) [1868]. A Chave dos Grandes Mistérios 12ª ed. [S.l.]: Pensamento. pp. 127–130, 133, 136. 328 páginas. ISBN 978-8531520273 
  7. Fama Fraternitatis Rosae Crucis.(1614) Manifesto: Positio. Epilogue page 25
  8. Anonimo (1980). Meditations on the Tarot: A Journey into Christian Hermeticism [Meditações sobre os 22 arcanos maiores do Tarô] 9ª ed. [S.l.]: Paulus. ISBN 9788534911023 
  9. Barrios, Enrique (2000) [1998]. El maravilloso universo de la magia! (em espanhol). Buenos Aires: Errepar-Longseller. OCLC 49203533 
  10. Carroll, Peter J. (2016). Liber Null e Psiconauta, p. 176. São Paulo: Editora Penumbra. ISBN 9788569871019.
  11. Constable, Simon. «What Magic Got Trump Elected?». Forbes (em inglês). Consultado em 5 de junho de 2021 
  12. Maurício Medeiros. «Em Sintonia com as Egrégoras». Consultado em 18 de março de 2013 
  13. Mateus 18:20 - ACF
  14. Mateus 18:20

Referências[editar | editar código-fonte]

  • BAYARD, Jean-Pierre. Os Talismãs: Psicologia e poderes dos símbolos de proteção. São Paulo: Editora Pensamento, 1985 (ISBN 85-315-0647-6).
  • BOUCHER. Jules. A Simbólica Maçônica: Segundo as Regras da Simbólica Tradicional. 11.ª Edição - São Paulo: Editora Pensamento. 2006. (ISBN 85-315-0625-5).