Corpo sutil

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Representação digital ligeiramente aproximada do duplo etérico. Tamanho, cores e luminescência variam.

O duplo etérico, também conhecido como corpo sutil, energossoma ou corpo vital, seria, de acordo com estudos espiritualistas, religiões e correntes ocidentais (como a teosofia, o ocultismo e a conscienciologia) e orientais (como o hinduísmo), uma duplicata energética do corpo físico que o envolve com a principal função de mantê-lo conectado ao corpo espiritual.[1][2][3][4] O termo "etérico", nesse contexto, parece ser derivado dos escritos teosóficos de Madame Blavatsky, mas seu uso foi formalizado por Charles Webster Leadbeater[5] e Annie Besant[6] com a eliminação do termo hindu no seu campo de estudo.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

O duplo etérico teria exatamente o mesmo formato do corpo físico, podendo ser poucos centímetros maior dependendo da vitalização do indivíduo[3] e seria observado por clarividentes iniciantes como um fluído transparente de aparência semelhante ao efeito de refração da luz observado nas ruas de asfalto em dias quentes. Ele seria composto pelos chamados chacras[7] e se conectaria tanto ao corpo físico quanto ao corpo espiritual realizando intercâmbio de energias e garantindo a possibilidade de manifestação da consciência no veículo físico.[8]

Durante a projeção da consciência, momento durante o sono onde o corpo espiritual se desprenderia temporariamente do físico, o duplo etérico se esticaria como uma estrutura capilar que manteria a ligação entre os dois veículos, ainda que estejam distantes.[9][10] Esta estrutura, comumente denominada como cordão de prata, se apresentaria como uma estrutura de fios tênues assemelhados à teias de aranha e possuiria uma luminescência variável esbranquiçada. Esses fios podem se apresentar mais distribuídos ou mais concentrados em consciências projetadas, assim como mais tênues ou mais visíveis dependendo da distância que se encontram os dois veículos de manifestação.

Funcionamento[editar | editar código-fonte]

As principais funções do duplo etérico seriam:

  • Garantir uma ligação entre o corpo espiritual e o corpo físico para que seja possível à consciência animar o veículo físico;
  • Manter um intercâmbio energético entre o corpo físico e o corpo espiritual;
  • Absorver e exteriorizar energias através dos chacras que o compõem.

O duplo etérico é considerado um corpo não-portador de consciência[8], ou seja, não seria possível se manifestar através dele uma vez que é considerado um simples aparato de conexão entre veículos de manifestação da consciência. Ele seria, também, temporário e se dissolveria com a morte do corpo físico.[11]

Linhas de Estudo no Oriente[editar | editar código-fonte]

Ilustração mostrando a circulação do Qi, Dinastia Ming

Budismo e Taoismo[editar | editar código-fonte]

Ver Também: Taoismo

É "O Corpo Diamantino"[12] para o Taoismo e o budismo Vajrayana. "Corpo de Luz" ou "Corpo Arco-Íris"[13] no budismo tibetano.

A psicologia budista do Tibet, assim como a alquimia taoista [14] da China e o budismo Shingon japonês são exemplos de doutrinas que descrevem o corpo sutil como tendo um número de pontos focais (chacras) conectados por séries de canais (chamados de Nadi na Ioga e de meridianos[15] na acupuntura) pelos quais a energia prana (ou Qi) percorre todo o corpo sutil e físico.

Entende-se que esses canais e pontos invisíveis determinam as características da forma física e visível. Segundo as doutrinas, ao entender de dominar as artes dos níveis sutis da realidade, obtém-se controle sobre o reino físico. Através da práticas de vários exercícios de respiração[16] e visualização, a pessoa pode adquirir a habilidade de manipular diretamente o fluxo de força vital e atingir poderes miraculosos e sobre humanos, chegar a altos níveis de consciência e alcançar a imortalidade, o Nirvana ou Moksha[17].

O corpo sutil da mística indiana, de um manuscrito de Ioga escrito no idioma Braj Bhasa, 1899, que está agora na Biblioteca Britânica.

Hinduísmo[editar | editar código-fonte]

Ver também: Kundalini

Segundo o Bagavadguitá[18], um dos muitos textos sagrados do hinduísmo, o corpo sutil é composto pela mente, inteligência e ego que controlam o denso corpo físico.

O corpo sutil ("sukshma sarira") na filosofia Vedanta é composto por cinco Koshas[19][20]: Pranamaya, Manomaya e Vignanamaya que são relacionados ao corpo sutil, Annamaya que relaciona-se com o corpo bruto e Anadamaya que relaciona-se com o corpo causal.

O corpo sutil é o veículo da consciência e a guia de uma vida à outra. É conhecido como "Linga Sharira". "Linga" pode ser traduzido como "marcas características" ou "impermanência" e o termo "Sarira" significa "Forma ou "molde". Ele é impelido à próxima vida pelas tendências da vida passada. No sistema clássico Samkhya[21][22] de Isvarakrsna (autor chinês do século V DC) a "Linga" é a marca característica da entidade transmigratória. O sistema de ensinametos chamado Samkhya consiste em 25 tattvas que são métodos para se entender os elementos alquímicos para se atingir a consciência etérea.

O Samkhyakarika é o texto que profere a referida filosofia.

As ideias chinesas foram adatodas pelas filosofias Vedanta e Ioga e, no século XIX a terminologia foi adotada pela Teosofia de Madame Blavatsky.

Os Ensinamentos de Meher Baba[editar | editar código-fonte]

O professor espiritual Meher Baba afirmava que o corpo sutil "é o veículo dos desejos e das forças vitais. Dizia que o corpo sutil é um dos três corpos dos os quais a alma deve se desligar para encontrar-se com Deus: "Ao fim do Caminho, no entanto, a lama se liberta de todos os Samksaras e desejos conectados com os mundo bruto, sutil e mental; e torna-se, então, possível para a alma libertar-se da ilusão de ser finita. Neste estágio, a alma transcenderia completamente o mundo fenomenal e se tornaria autoconsciente e auto-realizada.[23]"

Linhas de estudo no Ocidente[editar | editar código-fonte]

Teosofia[editar | editar código-fonte]

Os ensinamentos teosóficos de H. P. Blavatsky convergiram as doutrinas da filosofia, religião, ciência, misticismo e ocultismo do século XIX. A Doutrina Secreta[24] e A Chave para a Teosofia[25] combina o conceito da Vedanta dos cinco koshas com as tradições esotéricas ocidentais (em particular o Neoplatonismo). Ela se refere a três corpos sutis:

O Linga Sarira é a cópia invisível (duplo etéreo) do corpo humano também conhecido como corpo etéreo, doppelgänger ou corpo bioplasmático. Ele serve como uma matriz ou um modelo do corpo físico que assume a forma, aparência e condição desse "duplo etéreo". O Linga Sharinga pode ser separa ou projetado para fora do corpo até uma certa distância. Mesmo separados, tudo que acontece com um reflete no outro. Esse fenômeno é chamado repercussão[26]. Na morte ele é descartado junto com o corpo físico e, eventualmente, se desintegra e se decompõe.

O Mayavi-rupa é o veículo do pensamento e das paixões e desejos animais.

O corpo causal é o veículo da mente superior.

Rosacrucianismo[editar | editar código-fonte]

Na literatura rosacruciana de Max Heindel[27], (que foi também teósofo), fundador da Fraternidade Rosacruz, aceitam uma constituição tríplice do Homem, e neste caso usam a expressão corpo vital. Assim, diz-se que o homem é um Espírito tríplice, possuindo uma mente que governa o tríplice corpo. Assim, o Espírito Divino emana de si o corpo denso extraindo como alimento a Alma consciente; o Espírito de Vida emana de si o corpo vital, extraindo como alimento a Alma intelectual; e finalmente, o Espírito Humano emana de si o corpo de desejos, extraindo como alimento a Alma Emocional.

Segundo esta mesma corrente, diz-se que o corpo vital é de uma densidade inferior à do gás, denominada "éter" (não confundir com a função química de mesmo nome) que envolve os corpos de todos os seres vivos, e que possibilita a essas formas todo o metabolismo de vida.

Conscienciologia[editar | editar código-fonte]

Na conscienciologia, o duplo etérico, chamado de energossoma ou holochacra, é considerado como um corpo energético da consciência encarnada que é formado pelo conjunto de todos os chacras.[7] Esta linha se foca ainda em técnicas de movimentação das energias deste corpo para gerar o que chamam de estado vibracional[28]. Durante a projeção da consciência, o energossoma se distende, mantendo a conexão com o soma ou corpo físico denominada 'cordão de prata'.[29]

Espiritismo[editar | editar código-fonte]

No espiritismo kardecista clássico o duplo etérico não é abordado[30]. Porém, é possível encontrar na literatura espírita, como na série de livros "Nosso Lar"[2] (creditado como psicografado por Chico Xavier, o mais importante e renomado médium brasileiro para o espiritismo, e de autoria creditada ao espírito comunicante André Luís), referências ao duplo etérico como "corpo vital" ou duplo etéreo".[2]

Institutos de pesquisa independente[editar | editar código-fonte]

Existem também institutos de pesquisas sobre a espiritualidade que não seguem nenhuma religião ou cultura específica que geralmente são encabeçados por médiuns, clarividentes, e/ou projetores astrais considerados pelo meio como muito desenvolvidos. Estes institutos geralmente empregam uma metodologia empírica onde o que é apresentado é o que pode ser verificado pelo seu fundador através de suas capacidades anímicas e/ou mediúnicas. Alguns destes institutos considerados pelo meio como sérios são o IPPB (Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas), encabeçado pelo pesquisador Wagner Borges, o IAC (International Academy of Counciousness), encabeçado pela pesquisadora Nanci Trivellato e o CEC (Centro de Estudos da Consciência), encabeçado pelo pesquisador Moisés Esagüi.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. GURGEL, L. C. M. (1996). O Passe Espírita. Rio de Janeiro: FEB. 84 páginas 
  2. a b c XAVIER, Chico; VIEIRA, Waldo (1958). Evolução em Dois Mundos. São Paulo: FEB. 129 páginas 
  3. a b Admin. «O DUPLO ETÉRICO - Instituto de Pesquisas Projeciológicas e Bioenergéticas». www.ippb.org.br. Consultado em 19 de agosto de 2018 
  4. «O duplo etérico». www.ibbis.org.br. Consultado em 19 de agosto de 2018 
  5. LEADBEATER, C. W. (1902). Man, visible and invisible 2. ed. [S.l.]: Quest Books 
  6. BESANT, Annie (1967). Man and his bodies 12. ed. [S.l.]: Theosophical Pub House 
  7. a b «Holochacra - Conscienciopedia». pt.conscienciopedia.org. Consultado em 19 de agosto de 2018 
  8. a b «| Fatores Espirituais – O Que É o Duplo Etérico?». www.centrodeestudos.org. Consultado em 19 de agosto de 2018 
  9. BORGES, Wagner (1995). Viagem Espiritual II. São Paulo: Editora Universalista 
  10. MULDOON, Sylvan (1929). A Projeção do Corpo Astral. [S.l.]: Editora Pensamento. pp. 77–78, 141–142 
  11. XAVIER, Chico (1955). Nos Domínios da Mediunidade. Rio de Janeiro: FEB. 99 páginas 
  12. https://books.google.com.br/books?id=yNIbBAAAQBAJ&pg=PA27&lpg=PA27&dq=corpo+diamantino&source=bl&ots=VdVLDdWuuk&sig=XR0iyxCXTNsm6LfK7_XN88WTYQ8&hl=pt-BR&sa=X&redir_esc=y#v=onepage&q=corpo%20diamantino&f=false
  13. http://www.drukpabrasil.org/historia-da-tradicao-drukpa-vajrayana/[ligação inativa]
  14. http://jogodeareia.com.br/wp-content/uploads/2009/12/artigo-OS-SIMBOLOS-PROCESSOS-ALQUIMICOS-E-O-SANDPLAY-site.pdf
  15. http://www.stiper.com.br/StiperPontosPDF.pdf
  16. «Cópia arquivada». Consultado em 21 de agosto de 2015. Arquivado do original em 27 de dezembro de 2015 
  17. http://global.britannica.com/topic/moksha-Indian-religion[ligação inativa]
  18. http://www.culturabrasil.org/zip/bhagavadgita.pdf
  19. http://www.kheper.net/topics/Vedanta/koshas.htm
  20. http://www.thekundaliniyoga.org/vedanta/pancha_kosha_five_layers_of_human_existence.aspx
  21. http://indianphilosophy.50webs.com/samkhya.htm
  22. «Cópia arquivada». Consultado em 21 de agosto de 2015. Arquivado do original em 3 de março de 2016 
  23. https://www.ambppct.org/Book_Files/Dis_5_V_V2.pdf
  24. «Cópia arquivada» (PDF). Consultado em 21 de agosto de 2015. Arquivado do original (PDF) em 22 de janeiro de 2016 
  25. https://archive.org/details/AChaveDaTeosofia
  26. http://www.ippb.org.br/textos/especiais/editora-vivencia/o-duplo-eterico
  27. HEINDEL, Max (1911). Os mistérios Rosacruzes. [S.l.]: Editora Pensamento 
  28. Pinheiro, Rute Maria Rodrigues (29 de julho de 2013). «Correlato eletroencefalográfico do estado vibracional» 
  29. VIEIRA, Waldo (2013). Projeções da Consciência (PDF). Foz do Iguaçu: Editares 
  30. «O CONSOLADOR». www.oconsolador.com.br. Consultado em 25 de agosto de 2018