Psiconauta

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Text document with red question mark.svg
Este artigo ou secção contém fontes no fim do texto, mas que não são citadas no corpo do artigo, o que compromete a confiabilidade das informações (desde dezembro de 2009). Ajude a melhorar este artigo inserindo fontes.
Ambox rewrite.svg
Esta página precisa ser reciclada de acordo com o livro de estilo (desde Fevereiro de 2008).
Sinta-se livre para editá-la para que esta possa atingir um nível de qualidade superior.

Um psiconauta — ψυχοναύτης — (do Grego antigo ψυχή psychē ["alma", "espírito" ou "mente"] e ναύτης naútēs["marinheiro" ou "navegador"] - "um marinheiro da alma/mente/espírito")[1] é uma pessoa que usa os estados alterados de consciência, intencionalmente induzidos, para investigar a própria mente e, possivelmente, encontrar respostas para questões espirituais através de suas próprias experiências. Psiconautas são pluralistas e buscam explorar tradições místicas de religiões variadas, meditação, sonho lúcido, tecnologias como brainwave entrainment e privação sensorial, e frequentemente drogas psicodélicas e enteógenas.[2]

Porque as técnicas que alteram a consciência podem ser perigosas, psiconautas geralmente preferem trabalhar suas experimentações sozinhos ou com uma pessoa de confiança. Sendo assim, eles têm aversão ao uso de estados alterados em meios sociais ou festas. Eles tomam esse tipo de uso como irresponsável e perigoso.[carece de fontes?]

O objetivo de tais práticas pode ser responder questões sobre como a mente trabalha, melhorar um estado psicológico, responder questões existenciais ou espirituais, ou melhorar o desempenho cognitivo do dia a dia.

Portal A Wikipédia possui o
Portal do Ocultismo

O termo "psiconauta"[editar | editar código-fonte]

Enquanto alguns psiconautas se abstém de drogas psicoativas e desencorajam seus usos, outros encorajam, e o termo psiconauta é frequentemente mal-interpretado como implicando em uso de drogas frequente. A maioria dos psiconautas argumenta que o uso de consciência alterada é diferente do uso social ou recreacional, e seus usos podem ter ou não um significado religioso ou espiritual para eles.

De acordo com Jonathan Ott, a palavra "psiconauta" foi originalmente usada pelo autor alemão Ernst Jünger.[1][3] Neste ensaio, Jünger traça muitos paralelos entre a experiência com drogas e a exploração física - por exemplo, o perigo de encontrar "barreiras" ocultas.

Peter J. Carroll fez de Psychonauta o título de um livro de 1982 (após isso ele juntou com o livro Liber Null, formando o clássico Liber Null & Psiconauta em 1987) sobre o uso experimental da meditação , ritual e drogas na exploração experimental da consciência e dos fenômenos psíquicos , ou magia do caos.[4] O primeiro uso publicado do termo em um contexto acadêmico é atribuído ao etnobotânico Jonathan Ott , em 2001.

Definição e Uso[editar | editar código-fonte]

Psiconauta é um termo moderno usado para descrever uma pessoa que usa tecnologias ou mais especificamente substancias alternadoras da mente, mais pelas suas características enteógenas que seus efeitos inebriantes ou sociais.

Com efeito, eles são utilizados como um meio para atingir estados da mente em que diferentes percepções, sem impedimentos dos filtros e processos do cotidiano mental, podem surgir. Psiconautas acreditam que quando uma substância alteradora da mente é usada com esse intento, seus efeitos podem ser a alteração da vida e não meramente alucinações. Uma descrição alternativa é que enquanto alguns aspectos da experiência pode ser alucinatória, as realizações causadas por essas alucinações, o impacto da experiência a longo prazo são reais, geralmente positivo e duradouro.

O termo é usualmente associado com práticas neo-xamanismo; entretanto, vários distinguem entre a exploração mental do psiconauta, e a prática autêntica do xamanismo orientada à cura

Conceitos Associados, tecnologias e práticas[editar | editar código-fonte]

Conceitos[editar | editar código-fonte]

Arquétipos míticos e conceitos[editar | editar código-fonte]

Psiconautas, como descrito no Livro Tibetano dos Mortos, colocam ênfase em vários arquétipos míticos e conceitos, acreditando que estes são úteis para que venha a compreender o próprio padrão de pensamento e a natureza da existência, refletindo realidades e significados que devem ser entendidos, em vez de ser uma irrelevante fantasia[5]. Como em práticas xamânicas, a Árvore do mundo (axis mundi) é frequentemente utilizada, muitas vezes superposta com chakras e outros conceitos relevantes de função corporal (física); a Kabbalista Árvore da Vida e seu chakra Sephiroth é um exemplo notável da presente na mitologia. A natureza do karma é frequentemente explorada na tentativa de compreender a própria situação, ações, e relação com o mundo exterior do usuário.

Tecnologias e práticas[editar | editar código-fonte]

Alucinógenos/enteógenos[editar | editar código-fonte]

A tecnologia e prática mais frequentemente associada com psiconautas é o uso de drogas psicodélicas para exploração mental.

O método de uso é muito variável; o uso é frequentemente (mas não sempre) enteogênico e acompanhado pela uso tradicional xamânico e rituais em torno dessa utilização. Psiconautas apresentam muito cuidado com o que usam, pesquisando as substâncias quanto suas propriedades tóxicas, efeitos, tolerância, etc.

Alguns psicodélicos e dissociativo comumente utilizados pelos psiconautas:


Menos comum:

Embora evitado pelos psiconautas mais modernos, certas espécies da família Solanaceae têm sido utilizados para fins psicoativos em toda história humana. O mais comum deles é o Datura stramonium, que é classificado como um delirante, não como um psicodélico ou enteógeno. Datura e outras espécies de Solanaceae raramente são utilizadas por psiconautas porque o controle e a lucidez são perdidos num estado de delírio, e a experiência é muitas vezes não lembrada, além de que muitas dessas espécies são extremamente perigosas (Com delirantes como Datura, prejuízos e até mesmo a morte são bastante comuns), como o objetivo é a expansão de consciência e o aprendizado o uso dessas plantas é evitado.

Do mesmo modo, psiconautas frequentemente preferem consumir Salvia através do método "quid", em vez de induzir uma intensa e curta viagem fumando extratos.

Sonhos[editar | editar código-fonte]

Como sonhos são considerados pelos psiconautas uma janela para os processos do pensamentos, muitos mantém diários de sonhos para melhor lembrar e consequentemente entender seus próprios diálogos internos simbólicos. Muitos tentam, não só lembrar os seus sonhos, mas envolver-se em sonhos lúcidos, em que a pessoa enquanto dorme fica consciente do seu estado de "sonhador".

Meditação[editar | editar código-fonte]

Certos tipos de meditação, como as praticadas em religiões orientais. Esta pode variar entre Zen-tipo de meditação onde o usuário se concentra em sua respiração ou um koan, ou repetindo / focando um mantra, como é feito em algumas formas de Raja Yoga. Meditação Transcendental também é praticado por alguns psiconautas.

Ritual[editar | editar código-fonte]

Ritual é frequentemente usado para fins de aterramento e a centralização do eu, para definir o foco e intenções do usuário, e inculcar uma concepção do significado e profundidade da prática psiconautica. O uso repetido de rituais pode também treinar o cérebro para associar certas atividades e estados de consciência com situações específicas, criar experiências mais profundas e permitir o usuário a mais facilmente entrar em estados alterados de consciência.

Outros[editar | editar código-fonte]

Outras tecnologias e práticas empregadas incluem:

Controvérsia[editar | editar código-fonte]

A prática psiconáutica, especialmente quando envolve o uso de drogas psicodélicas, é considerado por alguns como arriscada, indesejável e perigosa. Muitas doenças mentais (por exemplo, esquizofrenia, autismo, narcolepsia, desordem de défice de atenção, mania), são conhecidos por resultar de estados alterados de consciência e de padrões de pensamento, e o aumento intencional da flexibilidade do cérebro é considerado por alguns como aumentar o risco de doença mental. O uso a longo prazo de drogas psicodélicas pode induzir desordem permanente de percepção alucinógena, e certas práticas meditativas podem causar uma condição similar conhecido como síndrome de kundalini. No entanto, tal como terapias de consciência alterada têm-se mostrado eficaz para a melhoria da saúde geral das pessoas, a execução controlada e informada de práticas psiconáuticas é geralmente considerada segura.

Psiconautas tendem a ser libertários na ideologia social, com um firme compromisso com a responsabilidade individual. Portanto, eles tendem a ser anti-risco, em comparação a outras categorias de consumidores de drogas recreativas, colocando um elevado valor sobre o conceito de set and setting. Em geral, eles evitam as mais perigosas e viciantes droga (por exemplo, álcool, cocaína, metanfetamina, heroína), por serem brutas, tóxicas, e desprovida de valor educacional.

O objetivo da meditação e as práticas psicodélicas é liberar e expandir a consciência; o abuso de drogas é claramente contrário a esse objectivo. Além disso, psiconautas são muitas vezes mais propensos a usar drogas com tradições xamânicas estabelecidas, pois elas têm mais evidencias de segurança.

Lista de psiconautas[editar | editar código-fonte]

Cientistas, filósofos e escritores:

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b Dirk., Blom, Jan (2010). A dictionary of hallucinations. New York: Springer. ISBN 9781441912220. OCLC 618047801 
  2. Newcombe, Russell. «Ketamine Case Study: The Phenomenology of a Ketamine Experience» [Estudo de caso da cetamina: A fenomenologia de uma experiência com a cetamina]. Addiction Research & Theory. 16: 209 - 215. doi:10.1080/16066350801983707 
  3. Ernst., Jünger, (2008). «Psychonauten» [Psiconauta]. Annäherungen : Drogen und Rausch 1. Aufl. dieser Ausg ed. Stuttgart: Klett-Cotta. p. 430. ISBN 9783608938418. OCLC 269454020. Consultado em 30 de dezembro de 2018  livro citado em Raymond., Taylor, Bron (2008). Encyclopedia of religion and nature. [New York]: Continuum. p. 1312. ISBN 9780199754670. OCLC 744520647 
  4. Carroll, Peter James (1987). Liber Null (de 1978) & Psiconauta (de 1982) publicado em volume único em 1987. York Beach, Me.: S. Weiser. ISBN 0877286396. OCLC 14243297 
  5. Y., Evans-Wentz, W.; 1875-1961., Jung, Carl Gustav,; Anagakira., Govinda, Lama; John., Woodroffe, (2005). O livro tibetano dos mortos 9. ed ed. São Paulo: Pensamento. ISBN 8531503787. OCLC 685245928 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]