Epístola de Eugnostos

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A Epístola de Eugnostos (ou Eugnostos, o abençoado) é um dos muitos textos Gnósticos da Biblioteca de Nag Hammadi, descoberta no Egito em 1945. A Biblioteca contém duas cópias completas deste tratado (códices III e V).

A epístola era uma convenção literária familiar na Antiguidade e não deve ser entendida como uma carta real escrita por alguém chamado Eugnostos ("pensamento correto", às vezes Eugnostus).

Aspectos literários[editar | editar código-fonte]

Para anunciar a existência de um Deus transcendente, um Deus desconhecido de todos, incluindo os sábios deste mundo e que não seja, então, o criador do mundo, Eugnostos assume o gênero retórico da eulogia.

Usando uma linguagem entre o filosófico e o utilizado em hinos, a obra mostra o Deus transcendente que reina sobre todos, ou seja, sobre o universo espiritual. Há uma grande coerência na organização do tratado, que inicia no que está escondido e progride até o que é manifesto, e cujo princípio, recorrente entre os Gnósticos, é a necessidade de descobrir o invisível no que é visível, o que seria possível apenas através de uma revelação. Em outras palavras, somente assim se descobre a identidade deste Deus desconhecido e seu mundo espiritual.

O texto carece de qualquer tema ou associação especificamente Cristão e simplesmente descreve a cosmologia esotérica dos Gnósticos. A similaridade com a cosmologia em Sophia de Jesus Cristo (que é o texto seguinte no códice III), levou Douglas M. Parrott a concluir que o último é uma adaptação da Epístola para uma platéia Cristã.[1]

Referências

  1. Parrot os coloca lado-a-lado para comparação em Robinson, James M.. The Nag Hammadi Library, revised edition: Tradução e introdução de "Eugnostos, o abençoado" e "A Sophia de Jesus Cristo" por Douglas M. Parrott (em inglês). São Francisco: Harper Collins, 1990., págs 220-243

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